domingo, 19 de outubro de 2014

Paltalk Satsang: A Sua Natureza Real é a Natureza de Deus




Nesses encontros, nós estamos descobrindo a importância do Silêncio, a importância de permanecemos nessa Presença e de nos livrarmos dessa identificação com a mente. Livrar-se dessa identificação com a mente não requer nenhum esforço, no entanto, requer uma grande disposição de entrega, entrega à Verdade. Nós temos vivido muito tempo nessa prisão, para acreditarmos que isso seja uma prisão. A mente possui trilhões de truques e você se mantém, de uma forma inconsciente e desapercebida, prisioneiro. E assim, nós ficamos, durante toda a nossa vida, presos a esses padrões da mente, a esses truques da mente, a essa proposta da mente. Nela você é sempre pessoal, com a necessidade de ser uma pessoa; é uma identidade que sempre carrega problemas, carrega dificuldades, sempre preocupada com ela própria.

Você se assusta quando falamos, claramente, que você se vê como uma pessoa, porque você se vê no corpo, como se o corpo fosse uma casa e você fosse alguém dentro dessa casa. As crenças religiosas corroboram com isso, quando somos religiosos, se somos educados na religião, condicionados a acreditar nisso, condicionados a crer nisso. E, se não somos religiosos, de qualquer forma, sentimos que somos alguém dentro do corpo e que somos o corpo. Estamos dentro do corpo, em oposição ao mundo do lado de fora. Vivemos dentro, o corpo é o mais próximo e depois temos o mundo. Na mente é sempre o sentido de separatividade. Eu aqui e o mundo lá. "Eu" aqui, dentro do corpo, o próprio corpo, o mundo e Deus acima desse mundo, quando somos religiosos. Sempre há a separação.

É assustador ouvir isso pela primeira vez. Demora muito tempo para você perceber isso de uma forma mais direta, até que fica claro, fora do tempo, fora do pensamento, fora das crenças, que não há separação entre você o mundo, entre o experimentador e a experiência, entre o dentro e o fora, entre a mente e a não mente. A Verdade é paradoxal, ela carrega sempre os dois lados, mas está além dos dois lados. Ela carrega as duas partes, que parecem antagônicas, que se contradizem, aparentemente. Eu chamo isso de conceito dual.

A dualidade também é só um conceito, como o contraste e a oposição são só conceitos, mas na mente nós não conseguimos ver assim. Aqui, o que chamamos de mente é esse movimento de pensamento inconsciente, esse movimento de crenças inconscientes; é esse movimento de comparações, julgamentos, avaliações inconscientes. Mente é inconsciência, mas na mente isso não é visto assim. A mente exige diferenças. Qual a diferença no sentido Natural? A diferença está no sentido de valor, no sentido dual, no sentido de separação, no sentido de tempo. Aqui, nós temos enfatizado a beleza, a Graça, a Verdade. Essa coisa que carrega esse perfume muito sutil, que chamamos de Presença. Nela os opostos não são contrários, nela os contrastes não são contrários, nela o positivo não é oposto ao negativo, nela aquilo que chamamos de dualidade é apenas o movimento natural da existência, da vida. Esse movimento é um movimento Divino e, no Divino, não há separação, não há opostos, não há dualidade. Assim, ficar nessa posição de que você é alguém e o mundo é uma outra coisa, de que você é um e a Verdade é outra coisa, de que você está de um lado e Deus de outro lado, é só uma crença, um conceito, uma imagem, uma imaginação.

A sua Natureza Real é a Natureza de Deus, é a Natureza da Verdade, é a Natureza não dual, onde os opostos se apresentam na forma, na aparência como opostos, mas só parecem ser assim. Estamos juntos?

Sempre estamos dizendo para você, por meio dessas falas, e, também, comunicando pelo Silêncio, que você é Deus. Toda confusão, todo conflito e todo desespero humano estão nessa ideia de que somos humanos. Não existe um só ser humano sobre a Terra, assim como não existem seres, essa multiplicidade na forma. Há somente a vida em sua expressão, uma única vida, uma única Graça, beleza, Verdade, Presença. A mente diferencia, a mente precisa nomear, categorizar, classificar, dividir e explicar, mas o Coração não. Eu  convido você para um mergulho, que é o mergulho na Realidade. Nela você desaparece como "alguém", como uma "pessoa";  desaparece como um "ser humano" que pertence a um grupo, a uma família, que tem uma ocupação profissional, uma forma, um nome, e que nasceu e vai morrer. Então, fica aquilo sem princípio, aquilo que nunca veio.  A forma veio, ou assim parece, parece que veio, mas, como tudo que parece que chegou um dia,  desaparece. Mas há algo que permanece, que não tem mudança... que não vê o chegar nem o partir. Para isso que permanece, só parece que as coisas estão acontecendo, porque nada de fato está acontecendo, nada nunca aconteceu.

Como soa isso para você? Maluco? Doido?

Vamos ficar por aqui. Boa noite. Namastê.


Transcrito, corrigido e revisado a partir de um encontro via Paltalk no dia 19 de Setembro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h. Baixem o Paltalk Gratuitamente e Participem!

6 comentários:

  1. Cobras e lagartos

    Você não pode ser grato ao Mestre.Como poderia?
    Não tem dois.A gratidão acontece pelo Mestre quando dentro desse sentido de separação,você ouve as boas novas:você não é esse que acredita ser. Mas isso...
    Nessa identificação com o que não é, ainda nos falta coração.Qualquer coisa à partir disso,não é confiável.
    Mestrinho querido.Tá bom

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  2. O maior desespero em Satsang é quando diante do Mestre, nossas crenças não são confirmadas,nossos argumentos são desprezados e nossas falas se mostram,muito muito insignificantes.Chega dar até dor de barriga.Ou você vai embora ou reconhece que é assim mesmo.
    Tinha tantas verdades e agora aqui tudo isso está sendo desprezado.
    Estar diante do Mestre é isso.Você é queimado vivo e ao vivo sem ter para quem se queixar.Você está só no seu choro e na sua angústia.

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  3. A "essência" da ilusão é o pensamento, que nos faz acreditar que somos ou fazemos parte daquilo que é produzido pelo pensamento.Fantasias,sonhos,lembranças,
    expectativas.Podemos ficar maravilhados ou aterrorizados,envaidecidos, orgulhosos,entristecidos,deprimidos,enciumados,neuróticos,loucos.
    Isso é muito antigo,mas muito eficiente.


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  4. Uma questão interna e eterna,sempre presente

    Agora em satsang, percebo que essa questão[Quem sou?] me acompanha à muito
    tempo,mesmo quando ainda não tinha sido apresentada.Nunca desaparece
    dentro dessa assim chamada experiência humana.Posso ainda não estar sendo tocado.
    Mas estará sempre aguardando.

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  5. Buscávamos preenchimento na experiência.Na mente parece não haver outra alternativa.Até sermos vencidos pelo cansaço,pela decepção, pelo desencanto.
    A beleza externa é muito sedutora, mas quando tentamos adquiri-la, ela mostra sua verdadeira face.É realmente uma droga.

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  6. A pessoa é reativa.Por acreditar que está separada da experiência reage ao ambiente.
    Planejar o futuro é acreditar que o que está presente não é suficiente.
    Aí nos tornamos grandes perdedores no espaço e no tempo.
    Aqui ganhar é perder.Claro que isso é amedrontador.
    Mas se não corremos esse risco, como saberemos?

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