terça-feira, 14 de outubro de 2014

Paltalk Satsang: A Simplicidade Absoluta, Este é o Milagre!



Este é um momento do encontro com este silêncio. Estamos nesse encontro com aquilo que simplesmente aparece, apenas isso. Estamos diante desse grande e singular milagre, que sempre estivemos buscando. O milagre é o milagre da aparição disso que é tão óbvio.

Apenas há mundo quando existe a pessoa. Se não existe a pessoa, não há sequer alguém para chamá-lo de milagre ou de mundo. O que temos é apenas esta Vida, esta Presença, o Uno, a única realidade, esta única realidade aparecendo como um milhão de coisas, aparecendo como um milhão de aparições. 

A mente está sempre em busca do extraordinário do lado de fora. É só quando a mente entra em colapso que, então, temos verdadeiramente o extraordinário: aquilo que é absolutamente normal, que é simples, real e direto; é quando toda dualidade, todo o sentido de dualidade entra em colapso. O sentido de dualidade é o que nós chamamos de dualismo, é a crença de um eu separado, separado de algo do lado de fora. Este eu que está constantemente buscando algo do lado de fora está sempre nessa busca pelo extraordinário do lado de fora, então o que é que nos resta? Cortar lenha e carregar água. Apenas isso! Cortar lenha e carregar água. 

Cortar lenha e carregar água é estar diante deste silêncio, desta verdade, sem alguém... sem alguém presente nessa constatação. É apenas a constatação na constatação, apenas a Consciência na Consciência, o não dual. Não mais a ideia de um eu dentro do corpo e um mundo fora do corpo. Esta simplicidade real, simplicidade absoluta, a vida direta, natural e simples... este é o milagre. Não mais uma mente tentando ver o que ela nunca poderá ver; não mais uma mente desejando, se projetando, criando dificuldades. Reparem como vocês hoje se posicionam perseguindo algo, buscando alguma coisa, ou tentando se livrar de alguma coisa. Toda essa busca, toda essa procura por espiritualidade, está baseada exatamente nisso.

Na verdade, em seu Ser, em sua Natureza Real, que é esta Consciência, que é este milagre, que é esta Presença, nunca houve nada a temer. O desaparecimento na morte, que é tão temida, é apenas um conceito. A morte também é apenas uma ideia. A ideia de estar no corpo cria a ideia de perder o corpo e ficar sem ele, como se o corpo, o mundo e a própria ideia não fossem apenas pensamentos, conceitos e crenças.

Sua Natureza Verdadeira é essa Vida, que é essa Paz, que não se pode nomear. Não há nome para essa Paz. Aquilo que chamamos de Paz, às vezes chamamos de Silêncio em Satsang, outras vezes chamamos de Consciência, mas não há como nomearmos isso. Esse convite para esses encontros é o convite para a constatação dessa realidade presente que não tem nome: a realidade de Deus, da Verdade. 

A mente tem produzido muitos dramas, está sobrecarregada com o peso que é este ponto de referência chamado eu. Este personagem, este sentido de alguém, que aqui nós chamamos de mente egóica, é o que está produzindo tudo isso. E assim, estamos nessa perseguição, nessa busca, nessa procura constante, enquanto aquilo que já está presente não é visto, não pode ser presenciado, porque a mente está distraída com o fantástico, em seu mundo maravilhoso, presa em seu próprio jogo dual, em seu jogo de separação. O amor está presente agora neste instante, nesta Presença que nunca está ausente. Assim é essa liberdade e essa paz, mas a mente não sabe nada disso, não conhece nada sobre isso; ela vive em seu sonho; ela se diz prática e objetiva, quando, na realidade, está presa em seus dramas. Todos acompanham isso?

Essa barreira entre eu e você é criada pela ideia de que há alguém aí e alguém aqui, e isso é só uma ideia, uma crença; isso cria isolacionismo, o que perpetua essa separatividade, esse sentido de um ser importante, este ser que eu digo ser,  sempre se defendendo, sempre separado. Se eu acho que tenho um problema com vocês, este problema está baseado nesse "mim” que eu acredito ser. Eu sou o único problema para mim mesmo. Este “mim” é um problema para si próprio. Tudo isso é uma projeção mental, uma ideia, uma crença. Assim, se estou em guerra com você, na verdade, estou em guerra comigo mesmo. Este você é apenas parte dessa imagem que tenho aqui de mim mesmo, deste eu. Não há dois, nunca houve dois. Nós temos a aparência de dois, a aparência de cem, mil, aparência de milhões de coisas; isso só aparentemente. A ideia “eu”, “mim”, “pessoa”, tudo simplesmente aparece nessa Presença, sem essa divisão, sem essa separação, naturalmente, sem nenhum problema, sem nenhum sofrimento.

Eu sou um cristão, você é um judeu e o outro é budista, aquele outro não tem religião... É bem assim que acontece: minhas crenças contra as suas; meus sentimentos em oposição aos seus sentimentos; e tudo isso é violência, é conflito, é sofrimento, e isso nunca termina, não há um fim para isso. Essa é a maravilhosa ilusão. Tudo isso está acontecendo na mente... a mente em sua imaginação. Enquanto estiver se identificando com a mente, você estará nessa posição, estará se posicionando no tempo e no espaço, como uma entidade separada e em guerra. A guerra nunca termina, e ela jamais irá terminar. O Ego não tem interesse em terminar com a guerra. A natureza do ego é a guerra, é o conflito, é a separação; e a separatividade é o senso de autoimportância. A mente precisa da guerra. Ela é a guerra! A mente é o conflito, ela não pode viver sem isso.

Eu lhe convido a esse estado, que não é um estado. Eu lhe convido a esta Presença, a esta Consciência, a este silêncio, a esta ausência do "eu", do "ego", do "mim" e do corpo, acontecendo naturalmente. Isto é o Real Amor, a Real Liberdade e a Real Felicidade, quando não há mais nenhuma ideia desse você. Este você caiu fora! Quando este você cai fora, o outro cai fora, então não há mais cristão, judeu, budista, e assim por diante; não há crentes e descrentes. Isto termina com o fim deste eu; a ilusão da individualidade termina. Na verdade, a individualidade é parte dessa ilusão... Isso é só um pensamento. 

Ser humano, ser uma pessoa, ser um indivíduo ou ser alguém, isto é apenas um jogo, o jogo da mente. Quando você vai embora, o mundo vai embora com você. Este mundo dual, este mundo do conflito, este mundo da guerra, este mundo do sofrimento vai embora com você. Só fica o que É, o que nunca deixou de ser, aquilo que sempre esteve aí.

Perceba isso: você não pode "alcançar" essa libertação se você acredita que é uma pessoa nesse espaço, nesse espaço chamado mundo, nesta sala, por exemplo... se você acredita que é uma pessoa nesta sala. Como uma pessoa pode alcançar isso, se é exatamente a ideia de ser uma pessoa que está tornando nublada essa liberação e está falsificando essa coisa toda?

É preciso o colapso de tudo isso, este castelo de cartas no chão! Todas as cartas deitadinhas no chão.

Vamos ficar por aqui? Valeu pelo encontro!  Namastê!


Transcrito e revisado a partir de uma fala do Paltalk,
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h. Participem!

2 comentários:

  1. Queria entender melhor esse colapso.
    Ficamos mais malucos do que já somos?
    Já não sabemos distinguir o real do falso?
    Desacreditamos de tudo que está sendo percebido?
    Quem sou,começa a fazer algum sentido?
    O Mestre se torna prioridade?
    Já não sei o que é certo e o que é errado?
    Desconfio dos rumos que a mente me propõe?
    Não sei mais o que fazer?
    Conflito ao extremo com tudo que parece ser Real?

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  2. Nesse encontro com a verdade o que vai ficando evidente é que não somos os corpos que andam circulando por aí.[ou somos todos ou nenhum] Nenhum é mais evidente.Como não negar?

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