sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Paltalk Satsang: Realização é o fim do experimentador


Estamos sempre apontando para aquilo que é básico, apontando para cada um de vocês aquilo que considero fundamental, falando a partir dessa vivência. Uma coisa que ficou muito clara, nesse contato com a Graça de Ramana, foi a importância do silêncio, do falar direto. Se você vai abrir a sua boca para falar a respeito disso, precisa falar diretamente aquilo que você está vivendo, aquilo que tem sido o seu experimentar, aquilo que você está experimentando, aquilo que é real aí. Nossa tendência forte é teorizarmos sobre isso também. Teoria é como descrever a receita de um bolo, isso não alimenta ninguém.

O Amor Divino, essa Graça, é algo experimental. Você está diante dessa única e singular oportunidade de vivenciar diretamente, experimentar diretamente, de realizar diretamente isso.  A Verdade é algo presente nesse instante. Nenhum conceito, nenhuma teoria, nenhuma ideia sobre isso é a Verdade. Realização é o fim do experimentador, onde apenas o experimentar está presente. É o experimentador que repete, que conceitua, que teoriza. É o experimentar que está sempre preso às crenças, sejam elas conscientes ou inconscientes, estejam elas se manifestando de uma forma clara e bastante visível a todos ou não tão clara, para os demais e para si mesmo. Isso está lhe impedindo este experimentar direto da Verdade presente nesse instante.

A mente idealiza uma verdade separada desse instante que possa lhe satisfazer, lhe preencher; uma verdade que possa libertá-lo do que ela julga desnecessário a ela. Todavia, a vida é muito generosa e tudo o que tem se apresentado a sua vida, nesse instante, está dentro do contexto da Verdade presente nesse momento. A não verdade, ou a ilusão, é apenas a leitura que a mente faz desse momento presente, que faz isso fantasiando algo especial, algo que é parte de suas criações, algo que está na imaginação.

O Amor de Deus, a Verdade Divina, revela-se nesse instante, naquilo que se apresenta, quando a mente não resiste, não luta, não julga, não interpreta ou tenta se defender daquilo que é a vida, daquilo que ela é nesse instante. Ouvir isso não faz qualquer sentido para a mente, para essa mente que está à procura de resultados separados desse simples e direto viver, desse simples e direto experimentar, sem o experimentador. A base da mente é colecionar para, com base nessa coleção, se situar e, com uma suposta segurança, agir. Vocês precisam se livrar de todas essas crenças, conscientes e inconscientes, motivos baseados nessa fantasia chamada imaginação, para esse vivenciar direto da Realidade, da Verdade, desse Amor Divino presente agora nesse instante.

Iluminação, para muitos de vocês, é um estado, um mundo todo colorido onde nada desagradável, difícil, complicado e doloroso aparece; isso é pura imaginação.  A verdade da Iluminação, ou Realização, é a liberdade de não se confundir com a mente, com aquilo que ela imagina. Realização, Despertar ou Iluminação é a liberdade do Estado Natural. O que chamo de Estado Natural é ficar com a vida, ficar com o que é, acolher e abraçar aquilo que se apresenta, seja simples ou complicado, alegre ou triste, prazeroso ou doloroso. Esse  Estado Natural é a plena consciência de que tudo o que vem vai embora; que a única Verdade é a Verdade daquilo que está passando, que não há nada permanente. A Verdade é a não confiança, em um experimentador, naquilo que não é permanente. Só então é possível essa suprema felicidade, essa suprema liberdade, essa Consciência de Deus, essa Sabedoria Divina.

Você é imutável em seu Ser. A mutabilidade é a natureza das aparições, enquanto que aquilo que É permanece, tornando possível até essas aparições, e isso se mantém imutável. Imutável é você, porque você é Deus. Como é ouvir isso? O que significa estar diante de uma fala como essa?

 No Brasil, nós fomos abençoados, diante desse trabalho, com essa possibilidade de entrega. Quando nós chegamos aqui na Índia, nós percebemos isso. É uma outra cultura, uma outra língua, com seus costumes, hábitos e práticas próprias, como aí no Brasil,  mas vocês não precisam vir para o sul da Índia, viajar milhares de quilômetros, para trabalhar Isso. Aqui nós estamos cerca de 8 horas de diferença do fuso horário brasileiro. Nesse momento, aqui são 7h07min do dia 30, terça feira, ou seja, aqui é manhã e aí é noite. Estamos brincando muito com isso aqui; nós estamos no futuro e vocês no passado. Então, reparem: vocês têm essa possibilidade de trabalhar Isso, aí no Brasil; de ficarmos juntos todos os meses, em dois, três ou quatro finais de semana. Aproveitem isso, porque vocês só têm esse momento para despertar. Querer isso em seus próprios termos é pedir demais, é exigir demais. Estamos juntos?

 Vamos ficar por aqui, crianças? Tchau. Namastê.
   
Transcrito, revisado e corrigido a partir de uma fala via Paltalk Senses, no dia 29 de Setembro de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas as 22h horário de Brasília - Baixe gratuitamente o programa e participem!

6 comentários:

  1. Essa presença,onde o olhar do Mestre,seus gestos,sua fala,onde cada palavra é percebida sem o sentido de separação,nesse momento não tem dois.
    Só o falar acontecendo.

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  2. Os movimentos do corpo não são movimentos da Consciência.
    O corpo vai para a Índia,volta.Vai trabalhar,come,bebe,dorme e nada disso toca a Consciência.A Consciência é essa Consciência onde todos os movimentos do corpo mente acontecem.É mesmo um filme sem nenhuma importância.
    Um filme é um acontecimento.Começa e termina.
    O corpo também.Nasce e morre.Nesse sentido,nem mesmo existe.Não estava aqui antes,não estará depois.Está aqui agora? Quem afirmaria isso?
    Não pode ser a Consciência.

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  3. Estamos vivos?

    A vida não separada da morte acontece para o corpo.
    A crença em alguém vivendo,não está separada da crença que com a morte do corpo,há alguém que morreu.Algo produzido pelo pensamento.
    Sem a identificação com essa mente que produz todo tipo de crenças,só há Consciência.Só assim o pensamento é só pensamento.Estamos lidando com isso, à muito tempo.

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  4. Só mesmo um Mestre,pode nos libertar desse filme horroroso que é viver uma existência particular.Onde está incluso inveja,ambição,vaidade,comparação,ciúmes,medo da insegurança,da incerteza,da liberdade.
    O Mestre é como um ímã.
    Nos puxa para fora de tudo isso.
    Tem que haver essa disponibilidade,sem resistência alguma,nessa proximidade.

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  5. Busca da felicidade.Quando nos foi tirada?
    A pessoa buscando felicidade,ela própria é a miséria.
    A felicidade foi prometida sim.Estude,tenha uma boa profissão,arrume um bom casamento,tenha filhos,ame-os.Ame seus semelhantes,ame à Deus,seja uma boa pessoa.Mas quem nos prometeu isso nos tirou da própria base,onde tudo já está no lugar certo.Onde nada precisa ser feito, programado,alterado. E ainda assim tudo acontece.Os estudos acontecem,a profissão, a família,o amor à Deus...,ou não.
    De repente tudo vai pro ralo.E daí?Esse é o dilema.
    A pessoa, a controladora, jamais concordaria com esse tipo de coisa.
    Ela sempre sabe o que é melhor para ela.Só morrendo mesmo.
    Algo que ela não quer.

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  6. O corpo em sacrifício

    O princípio da incerteza é o fim da segurança.
    Como compreender a frase,não vos preocupeis com o dia de amanhã?
    Como saber que Deus cuida de você sem essa disponibilidade?
    Você quem,ele?
    Vai melhorar,vai piorar? Isso não é assunto nosso.

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