segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: Você em seu Estado Natural é Pura Celebração!





Você sabe que nós estamos nesses encontros diante de um grande desafio. Esse não é um encontro de aperfeiçoamento espiritual. É a primeira coisa que devemos compreender aqui. Aqui não é um encontro onde podemos desenvolver nossa espiritualidade.

Despertar não significa, também, um estado alterado de consciência. Não há nada de superior nesse estado chamado Estado Natural. Aquele estado espiritual está num patamar diferente, num patamar muito especial, e isso é o que a mente sempre procura. A mente está procurando algo especial, algo espiritual, algo que a torne mais destacada.

O despertar não é isso. Realização significa a remoção de todas as ilusões, especialmente essas que estão sempre valorizando o sentido de “alguém”, tornando esse alguém “especial”, um “ser evoluído”, um “ser espiritual”, alguém que “vive” num estado alterado de consciência. Nada disso tem qualquer valor aqui, qualquer realidade aqui nesses encontros. Nós estamos em Satsang para ver o fim das ilusões, todas as ilusões. Satsang significa o fim das ilusões. Este “eu” que acreditamos ser, este “eu” com suas histórias, crenças, suas superstições, seus desejos, anseios e receios, buscas.

A viagem que fazemos, ou que estamos procurando fazer, por esse assim chamado mundo espiritual, nessa chamada evolução espiritual, é ainda a viagem de “alguém”. Alguém que antecipa, em sua crença, aquilo que chama de iluminação ou despertar. Na verdade, aquilo que foi vendido dessa forma.

Não tratamos disso aqui nesses encontros. Não posso lhe prometer uma felicidade a ser alcançada, uma liberdade a ser alcançada. Isso é como lhe prometer a ganhar na loteria. Ninguém pode lhe prometer isso. Não há nada a ser alcançado, não há nada a ser obtido nesse Estado Natural. Felicidade já é algo presente, não é algo a ser obtido. A verdade não é algo a ser obtido, já é algo presente nesse Estado Natural. Isso não tem nada a ver com ser especial, não tem nada a ver com caminhar em direção a Isso, progredir em direção a Isso, dar muitos passos até realizar Isso. Então, não tratamos disso nesses encontros.

Na verdade, muitos buscadores estão vivendo já uma “dieta”, praticando alguma coisa, exercitando alguma coisa; estão se disciplinando para alguma coisa. Se você gosta desse tipo de coisa, Satsang não é para você. Aqui nós não temos pistas, nós não vamos deixar pistas para você. Você não pode perceber a realidade através de pistas deixadas por outros. Assim como você jamais saberá o que significa Realização, Despertar ou Iluminação, através daquilo que alguém já tenha falado, alguém já tenha escrito. Isso é algo que você vivencia de uma forma direta. Então, só assim você sabe, sabe por si mesmo; e, depois que sabe por si mesmo, não tem como relatar isso para alguém, porque é você em seu Estado Natural.

A verdade não é como fastfood, não é como uma refeição rápida. Você não obtém  Isso dessa forma. Nós vivemos num momento em que esperamos tudo muito rápido. Queremos dar duas ou três mordidas e, pronto, ter a fome saciada. Isso fazemos, ou procuramos fazer, de uma forma muito rápida. Queremos Isso de uma forma rápida, para podermos seguir com nossas vidas apressadas, cheias de urgências. A Verdade não vai se conformar com nossas urgências, com nossos desejos. É preciso que você morra por Isso. Não podem estar presentes um “você” e a Verdade.

Despertar não é uma cura mágica, gente. É isso que estamos dizendo aqui para vocês. Isso aqui não é uma cura mágica para tudo aquilo que aflige você; não é a fuga de suas dificuldades da vida. Vocês vão encontrar muitos círculos, muitos grupos, muitos movimentos, lhes oferecendo alguma coisa desse tipo, algo mágico, contra o desdobramento dessa realidade chamada vida. Eu quero que você entenda que isso requer mais que o entendimento intelectual. Em Satsang, você abraça em seu coração esse “não ensinamento”como se fosse uma fórmula mágica, mas é algo que se propõe a despertar você para essa realidade, a realidade de sua Natureza Verdadeira. Isso não significa uma fuga ao movimento imprevisível, ao movimento incerto que é a vida.

A realidade põe fim ao sofrimento, exatamente porque põe fim a todas as ilusões. Mas o fim das ilusões só é possível quando não há mais nenhuma fuga, quando não há mais qualquer sobreposição a essa realidade, que é a vida como ela se apresenta, como ela se mostra. Onde temos o bem e o mal, a saúde e a doença. Onde temos o nascer e o morrer. Onde temos a escassez e a fartura. Onde temos todos os contrastes. Onde encontramos essa expressão de dualidade.

O despertar não lhe coloca num mundo sem problemas. O despertar é apenas o fim desse sentido de alguém nesse mundo com problemas. Tudo continua da mesma forma, mas não tem mais alguém aí. Não tem mais alguém aí para julgar, para avaliar, para quantificar, para escolher, para interpretar, para sobrepor a essa realidade, que é a vida como ela é, uma opinião, uma crença, uma ideia. Faz algum sentido ouvir isso? Ou não faz sentido?

PARTICIPANTE: O despertar faz perceber os problemas. O despertar torna sensível ao exterior, então, os problemas aumentam.

MARCOS GUALBERTO.: Para quem os problemas aumentam? Para quem são os problemas? A questão é que, sem esse sentido de alguém experimentando isso, não está mais presente. Estamos diante da vida como ela se mostra. Podemos dar qualquer palavra para esse desafio, que é esse mover, que é esse movimento da vida. Podemos chamar isso de problema ou solução, mas não faz mais a mínima diferença, uma vez que não há mais o sentido de separação. Não há um “eu” e um “mundo”. Não há alguém experimentando, há só o experimentar. Se há somente o experimentar, ficamos com o que é.

Para esse sentido de separação, que é esse sentido do ego, haverá sempre insatisfação, haverá sempre inadequação, haverá sempre insuficiência, haverá sempre conflito, haverá sempre problemas. A vida, como se mostra nesse espaço ilimitado de pura presença, que é Consciência, que é você em seu Estado Natural, é pura celebração. Esse jogo de contrastes, onde os aparentes problemas aparecem, são apenas, para esse sentido do eu, interpretações, rotulações.
 
Vamos ficar por aqui, valeu pelo encontro. Namastê.


Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 20 de Agosto de 2014.
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h. Baixem o programa que é gratuito e participem!

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