quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: Sinceridade, uma atitude fundamental





Que bom estarmos juntos. Vocês sabem que essas falas em Satsang são sempre falas onde procuramos colocar tudo aquilo que achamos essencial nesse trabalho. Todos nós estamos trabalhando essa coisa aqui. Vocês estão dentro desse encontro para descobrir o que significa sair desse sonho, esse sonho chamado separatividade, esse sonho da separação. Esse é o trabalho de cada um de vocês presentes nesses encontros. Aqueles que realizaram isso, hoje estão vivendo essa verdade de sua Natureza Essencial, de sua Natureza Real.

Temos falado algumas vezes com vocês. Vamos ver se nesse encontro, nesse Satsang,  conseguimos explorar um pouquinho mais isso, como isso é possível. É algo que considero absolutamente necessário para cada um de vocês presentes, para aqueles que se aproximam desses encontros, em Satsang. É o que eu considero muito necessário, absolutamente necessário, para que esse sonho de separação termine, e esse viver a verdade de forma genuína acontecer, aquilo que nós poderíamos chamar de "vida não dividida". O que consideramos absolutamente necessário, é essa qualidade rara chamada sinceridade. É uma das coisas que tenho percebido que é muito raro naqueles que se aproximam, essa sinceridade, essa genuína e honesta sinceridade.

Sinceridade não significa a tentativa de ser perfeito. De fato, toda tentativa de ser perfeito, de agir com perfeição, é algo de bastante insinceridade. A verdade é exatamente o oposto disso. Nessa insinceridade, naqueles que se aproximam estão procurando serem perfeitos, procurando apresentar, demonstrar, uma perfeição que de fato não está ali. Então, há esse esforço, um esforço inútil, na verdade, um esforço de profunda falta de sinceridade. E eu tenho muito claro isso, e quero tornar isso claro dentro dessa fala, desse encontro.

Não podemos evitar não olhar para nós mesmos; é isso que acontece quando há essa insinceridade. É preciso essa honesta, genuína e absoluta sinceridade para que você possa olhar para si mesmo e, nesse instante, ser capaz disso, estar disposto a olhar para isso que se apresenta.  É preciso olhar para quem de fato você é, nesse instante, com toda a sua imperfeição, com todos os seus padrões, com todas as ilusões. Isso naturalmente requer essa sinceridade genuína, essa coragem de olhar para isso.

Eu tenho percebido isso, dia após dia, em Satsang: essa constante tentativa de ocultar de si mesmo seus próprios padrões, suas próprias ilusões, suas próprias imperfeições. E eu quero dizer isso para você aqui, de uma forma bem clara: você nunca será capaz de despertar, de ir além dessas ilusões, desses padrões, dessas assim chamadas imperfeições, enquanto não ficar claro para você que é preciso olhar para isso. E aqui não se trata de passar para o Mestre uma imagem de alguém que não julga a si próprio, uma imagem de alguém que não se compara, uma imagem de alguém que está vendo inteiramente tudo isso. Trata-se de um trabalho absolutamente seu. Este trabalho é essa disposição de entregar isso. Entregar todas as conclusões, entregar todas as crenças, todas as próprias opiniões sobre si mesmo. Então, você se encontra diante dessa necessária e absoluta sinceridade. Todos acompanham isso?

Reparem o que estamos dizendo para você, reparem o que estamos falando com você nesse encontro: ser sem auto-julgamento, estar em completo acesso a essa verdadeira sinceridade, não mascarar isso. Não mascarar isso como uma suposta honestidade, uma suposta sinceridade, uma suposta espiritualidade, uma suposta perfeição. Nós consideramos isso fundamental. A sinceridade é a única coisa que pode lhe guardar dessa autossugestão, dessa autoilusão, dessa autodecepção. Percebam a importância disso.

A natureza da mente egóica é outra. A natureza da mente egóica é se proteger, se defender; é estar mascarada. É estar usando essa ou aquela medida, para se manter sempre em sua autodefesa. E não há maior desafio para cada um de vocês, não há maior desafio para cada ser humano. Nós chamamos de ser humano, aquele que vive identificado com um padrão de autodefesa, dia após dia... após dia.
Estar sem nenhuma defesa, completamente honesto... honesto para soltar esse sentido de separação e essa ilusão de ser alguém, é quando esse sonho de separatividade pode acabar. Essa é a maravilha de estar em Satsang. Nós estamos sendo colocados diante desse desafio, o maior desafio humano. O desafio de despertar, de sair dessa ilusão, de sair desses padrões, de sair desse sonho. Isso significa despertar, isso significa esse florescimento. Esse florescimento significa não resistir ao que É, não lutar contra o que É; não impor ao que é É suas próprias crenças, suas próprias ideologias, seus próprios conceitos e preconceitos. É estar nessa atenção, percebendo a vida se mostrando,  revelando-se para você.

A primeira coisa que nós temos feito, e isso acontece de uma forma muito rápida, é nos defendermos, é nos protegermos. A questão é: quem está se defendendo? Quem está se protegendo? Fazemos isso nos justificando intelectualmente, fazendo afirmações, fazendo uso de informações, conhecimentos adquiridos. Isso tudo tem que cair, tem que desaparecer. Passamos a maior parte do nosso tempo colocando energia nisso, nessa inconsciente autodefesa, nesses padrões, nos padrões dessa suposta identidade presente, desse eu, desse mim, dessa pessoa. E agora, fazendo uso de toda informação, de todo conhecimento, de toda experiência adquirida. Percebam o perigo disso.[

É bastante curioso como tudo isso acontece. Porque até mesmo essas falas em Satsang, e sobretudo essas, tornaram-se armas poderosos dessa autodefesa egóica, dessa autoproteção. Essa fala para você, nesse encontro, é um alerta.

PARTICIPANTE: (emoticons de tesoura)

MARCOS GUALBERTO: (risos) A tesoura não tem realmente outra utilidade. Não dá para usar uma tesoura no lugar de uma colher ou de um garfo, nem mesmo de uma faca. Ela é especificamente para fazer o seu trabalho, e o seu trabalho é cortar, cortar com precisão. É apenas nessa dimensão de Ser, de pura Consciência, que a Verdade se revela; e não é na dimensão da mente, do conhecimento, da experiência, dessa autodefesa e dessa autoproteção, que é a dimensão de não sinceridade, de desonestidade, que é medo. É preciso reconhecermos a transparência real de tudo isso. É preciso não estarmos capturados. É preciso não estar aprisionado a essa rede de fuga, a essa rede de soluções equivocadas, que é o que a mente sabe fazer muito... muito... muito bem. Vocês tem alguma pergunta sobre isso aí?

PARTICIPANTE: Como enxergar melhor a nossa autodefesa?

MARCOS GUALBERTO: É sobre isso que estamos falando. Essa é toda a dificuldade. A mente não quer ver isso, a mente não está disposta a ver isso. O que a mente sabe fazer bem é se proteger, é se autoiludir. Essa é toda a dificuldade. Nós vamos passar mais 10, 20, 30, 40 anos e se alguns de nós chegar a mais 50, 60, 70 anos, para a mente tudo continuará da mesma forma. Essa é toda a dificuldade. Enxergar só é possível nessa disposição de absoluta entrega, de indiscutível e imprescindível sinceridade. É preciso estar de fato queimando por isso, para valer. É preciso ter a disposição de morrer por isso.

Hoje a Cacau dizia pra mim: “O ego é um osso muito carnudo, muito gostoso, é difícil largar esse osso”. E é difícil exatamente por isso, porque é tudo que a mente conhece, é tudo o que a mente aprecia. Na verdade, ninguém quer morrer (risos), ninguém quer deixar isso, ninguém quer soltar isso.

O despertar é o fim desse sonho de separatividade, que na verdade é um pesadelo. O pesadelo chama-se o sentido de ser, o sentido de ser alguém. Você se depara com Satsang, com uma fala muito direta, com uma oportunidade muito direta de realizar a verdade sobre si mesmo. Você não pode se poupar, você não pode se proteger, você não pode se defender, você não pode tirar conclusões, você não pode fazer uso do conhecimento e da experiência adquirida para tirar qualquer afirmação, para se firmar em qualquer posição. Isso significa soltar, deixar cair tudo.

Quantos apreciam de fato uma fala como essa? Reparem a pergunta. Quantos estão dispostos a ver o que está sendo colocado aqui? A importância disso, o valor disso? Reparem que isso não torna você alguém melhor, isso não lhe dá mais armas para se defender nessa luta chamada vida, a vida como nos conhecemos. Repare que ela não lhe oferece reconhecimento público, prestígio, poder, fama ou qualquer coisa. Na verdade (risos) a sensação que se tem é de que tudo está caindo, tudo está desaparecendo, tudo está indo embora.

PARTICIPANTE: Essa ficha ainda não caiu para mim Mestre.

MARCOS GUALBERTO: Que ficha?

PARTICIPANTE: De que o acordado não é alguém no mundo... Esse ego ainda deseja conquistar isso.

MARCOS GUALBERTO: Mas é assim mesmo. Não existe outra forma inicial de se aproximar desse trabalho.

PARTICIPANTE: Ele (o ego) acha que vai ser melhor com isso.

MARCOS GUALBERTO: É assim mesmo. O que a mente sabe fazer bem é projetar a si mesma. Mais uma vez ela faz isso. Ela olha para isso e coloca dentro da sua lista de ambição. Mas isso cai, isso desaparece.

Esse próprio desejo do despertar, esse próprio desejo da iluminação, ainda é um desejo. Mas eu diria que, se isso é para valer, se você pode queimar por isso, isso ainda é a única coisa. E essa “única coisa” cai também.

PARTICIPANTE: Não tem jeito não. A oportunidade é ficar o mais próximo do fogo.

MARCOS GUALBERTO: É bem isso.

PARTICIPANTE: Não sabemos o que é, mas na sua presença temos uma leve ideia do que é. De qualquer forma, é muito melhor do que viver na mente.

MARCOS GUALBERTO: Alguém tem mais alguma pergunta? ... De qualquer forma, estamos chegando ao final de nosso encontro. Valeu pela presença de todos. Até o próximo encontro. Tchau... tchau, gente. Namastê!

Fala transcrita, revisada e corrigida tendo como origem um encontro online via Paltalk Senses no dia 15 de Agosto de 2014
Encontro online todas as segundas, quartas e sextas, gratuito. Participem!

2 comentários:

  1. A pessoa reina {brinca de ser alguém} no espaço e no tempo.
    Em satsang a pessoa fica se contorcendo,pois ali ela sente que não há espaço para ela.Coitada, fica oprimida,reprimida,revoltada[não está sendo reconhecida].
    Ela sabe que diante do Mestre,a mentira de sua existência vai ficando cada vez mais evidente.Então só resta à ela,fugir ou morrer.
    Como uma de suas características mais fortes é o medo, a fuga ainda é o caminho mais fácil.Caminho que a mantêm no controle.
    O bom nisso tudo que em satsang,tudo isso se mostra.É só não entrar no jogo dela.
    A pessoa foi,é e continuará sendo uma farsa.
    Sabe de onde vem o amor por satsang? Não tem alguém ali.
    Esse é o amado.

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  2. Não importa o que aconteceu,não importa o que está acontecendo, não importa o que acontecerá.Esse é o movimento,esse é o jogo.Gostaríamos de ter o controle sobre tudo isso.Não temos,nem sobre um único movimento.Isso é terrível para o ego.Dá vontade de chorar,mas isso ainda se apresenta como uma farsa.
    Só nos resta olhar para os olhos do Mestre.Tudo que temos é o Mestre.
    Mas isso é algo que o ego não vai querer ver mesmo.

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