sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Paltalk Satsang: Não há alguém aí dentro e nem há um mundo do lado de fora!




Deixem-me dizer para vocês o que significa este convite. Na verdade, é um "bem-vindo a esse espaço". Este espaço é toda a manifestação, é o espaço da totalidade, é o espaço de todas as aparições, é o vazio da totalidade. Nele não há qualquer separação. Reparem que é para esse espaço, para esse vazio, para essa totalidade, que você é convidado em Satsang. Isso significa o reconhecimento daquilo que você É, esse Nada. O Nada que contém todas as aparições.

Eu preciso lhe dizer algo nesses encontros. Preciso lhe dizer que é somente aqui, neste instante, agora, que a Liberdade, a Felicidade e a Paz, que você tem buscado do lado de fora, já se encontram presentes. Você nunca poderá encontrar isso. A Paz não é encontrável, o Amor não é encontrável, a Liberdade não é algo encontrável. Você pode encontrar qualquer coisa, menos aquilo que já está presente neste instante, aqui, exatamente porque isso jamais esteve ausente ou perdido. Por isso, é simplesmente lindo este convite, o convite a essa Totalidade. Não é a completude de alguém, não é a completude da pessoa, não é a totalidade da pessoa, não é a totalidade do indivíduo. É a Totalidade da Presença, da Consciência.

Isso nos escapa porque não estamos olhando para a direção correta. Nosso olhar está perdido para o lado de fora, para a exterioridade. Eu chamo esse olhar perdido de dispersão,  distração ou dispersividade. Nós vivemos numa constante distração. Estamos distraídos acerca de quem somos. Estar aí significa estar perdido nesse emaranhado de conceitos, crenças, conclusões, ideias, sugestões do pensamento e imaginações. E assim, com esse olhar para essa direção errada, contrária e  equivocada, nós estamos destruindo essa possibilidade. A possibilidade de perceber aquilo que já está presente neste instante, neste exato momento.

Isso que não pode ser encontrado por meio de pesquisas, estudos, práticas ou experiências. O interesse da mente é sempre o interesse naquilo que está dentro do que ela conhece, naquilo que está dentro do seu espaço, do seu terreno, e que faz parte de sua realidade. Assim, por mais que a mente experimente algo novo, esse novo ainda é parte dela mesma, porque não há nada novo na mente. A mente é só um movimento de repetição. Estamos lhe convidando a ir além da mente, além dessa limitação. O pensamento é limitado, a mente é limitada. Ela cumpre muito bem o papel dela, mas é só o que ela pode cumprir. O papel dela é lhe posicionar no tempo e no espaço, atendendo aos assuntos da personalidade, que são os assuntos dela. 

Na verdade, é lindo, é maravilhoso estarmos juntos diante da Graça, da Presença, percebendo esse maravilhoso jogo Divino. Esse jogo Divino nós chamamos de ilusão, mas é só um jogo, um jogo Divino. É ilusão porque a mente tem esse jogo como realidade; ela se confunde com esse jogo; ela leva muito a sério esse jogo; ela dá realidade a esse jogo. E assim a ilusão se apresenta. Nessa ilusão está o sofrimento. Todo sofrimento é a ilusão da pessoa, dessa pessoa carregada do sentido de ser, do sentido de autoimportância. Esse é o jogo da ilusão, a ilusão como jogo, e um jogo bastante convincente.

Eu quero lhe convidar a Satsang. Satsang é o encontro com o que É, o encontro com a Verdade, o encontro com a Realidade; o encontro com o "não eu", o "não mim", a "não mente", a "não pessoa", a "não ilusão", o "não jogo". Isso significa estar completamente transparente. Viver essa transparência de pura Consciência, de pura Presença, onde todas as aparições têm a liberdade de atravessar essa transparência e  aparecer dentro dela. Esse é o seu único Ser verdadeiro, o único Eu real, que não é um “eu” com possibilidade de haver um segundo e um terceiro depois dele. É um Eu que contém todos os outros pronomes, e esses pronomes são só pronomes, não são mais pronomes pessoais. Esse Eu é Aquilo, é a Presença, a Consciência, é o Lugar que sempre É.

O mundo externo e o mundo interno são apenas uma ideia desse “eu”, nesta Consciência. É uma aparição. No Oceano, você vê bolhas aparecendo, quando uma onda quebra, você vê muitas bolhas, mas logo essas bolhas explodem, e é só um fenômeno passageiro. Assim é essa ideia de mundo externo e mundo interno. E você, como essa Consciência, não está separado nem mesmo dessa ideia, desse pensamento “interno e externo”. Nós temos falado muito isso, falado coisas como: você não é o pensador; há só o pensamento acontecendo, mas esse pensamento acontecendo não está separado daquilo que é você. Você não é aquele que está emocionado, a emoção é só algo que acontece, mas ela não está separada daquilo que é você. Você não é aquele que sente, esse sentir é só algo que está aparecendo, mas você não está separado desse sentir. Então, não há mundo interno e mundo externo. Há somente uma aparição para essa Consciência, para essa Presença, que é você em sua Natureza Verdadeira.

Nós não estamos preocupados em terminar com a mente, em exterminar a mente, em terminar com ela. Ela cumpre seu papel, que é o papel de uma aparição inofensiva. O problema é o sentido de uma identidade presente, onde não há nenhuma identidade; o problema é o sentido de uma identidade na mente. A mente é só um fenômeno, é só uma aparição na Consciência, nessa impessoal, não conceitual e indescritível Consciência. Ela é sua Natureza Real, ela é Você.

Vocês passaram muito tempo numa busca equivocada, numa procura espiritual. Essa busca repousava sobre uma hipótese completamente falsa. A hipótese de uma entidade, de alguém que precisa se livrar de alguma coisa: se livrar do negativo, do pecado, do medo e dos desejos;  se livrar desapegando-se  de coisas, de lugares, de pessoas. Sempre essa Hipótese equivocada de que há "alguém" e que esse  "alguém" pode chegar, através de sua espiritualidade, a essa dimensão espiritual, a essa “expansão da consciência”; que pode chegar a essa liberação de um suposto inimigo, um inimigo desse “eu”, dessa entidade, na procura da espiritualidade. Há sempre aquela ideia: um dia chegarei lá, um dia chegarei à perfeição, um dia chegarei à iluminação, um dia chegarei a ser um ser Santo, Divino... sempre um dia, sempre em algum dia, um dia que nunca chega (risos). "Eu preciso me livrar do ego", diz essa entidade, essa suposta entidade, à procura de sua imaginaria iluminação. Estamos juntos?

Percebam isso de uma forma muito clara, crianças. Não há alguém aí dentro e nem há um mundo do lado de fora, do qual você tem que se livrar. A única realidade é esse Silêncio, é esta Presença, é este Vazio Profundo, que é esta Plenitude Total. Nela não há nada separado...  Nela você é tudo. A Liberação não é um estado da mente, a Liberação é o fim dessa ilusão, a ilusão de que existe algum estado para a mente, estado que ela possa alcançar e no qual possa repousar, descansar. Porque nós nunca vemos isso? Porque nós não conseguimos perceber isso? Porque nossas crenças não permitem. Estamos nessa constante e persistente teimosia, a teimosia da resistência, para nos mantermos constantemente resistindo ao que É. Resistir ao que É significa interpretar, avaliar, julgar, comparar, rejeitar. Sempre colocando o sentido de "alguém" presente nessa experiência do pensamento, da sensação, do sentimento. E assim, estamos nesse maravilhoso jogo da ilusão.

A Liberdade é algo completamente sem esforço. A Liberdade só é possível na Consciência e nela não há esforço. Não há qualquer tentativa de mudar, de alterar alguma coisa. Então, o Silêncio, que é essa Presença, que é essa Totalidade, que é esse Vazio, que é essa Completude, que é Isso que está presente, é essa Paz, Liberdade e Realização. Não há mais a mente desempenhando esse papel e tentando se salvar. É bem isso.

Vamos ficar por aqui. Valeu pela presença de todos. Namastê!

Transcrito, revisado e corrigido a partir de uma fala via Paltalk Senses, no dia 25 de Agosto de 2014
Encontros todas às segundas, quartas e sextas às 22h. É só baixar gratuitamente o Paltalk e participar!

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