segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Paltalk Satsang: Um Falso Centro com Muitas Faces


Nós estamos lidando com a vida, esse movimento da vida, a partir do fragmento, a partir de um centro falso. Este falso centro é aquele que cresce nos dando esse ilusório sentido de ser, um falso centro com muitas faces. Este falso centro é uma imaginária fundação. Sobre essa fundação está aquilo que nós chamamos de nossa vida, o que significa a vida a partir do fragmento, a vida sendo colocada dentro de ajustamentos imaginários, e é curioso... Eu falava agora aqui, com o Roberto, como é engraçado tudo isso; como é engraçado o ponto de vista a partir dessa fundação imaginária, este fundamento imaginário deste falso centro, dessa inconsciência que a mente nos diz, o tempo todo, que está plenamente consciente. Este falso centro é toda a barreira, toda a dificuldade que nós temos.

Esta barreira é o impedimento para a nossa real realização, que é a realização de nossa verdadeira identidade, a Presença desta Consciência real, que não está limitada a nenhum formato do pensamento, a nenhum formato de conclusões e de ideias. Nós vivemos dentro desse movimento inconsciente que é a mente, essa mente egóica, este falso centro, o sentido ilusório de ser, esta fundação imaginária sobre a qual se assentam todas as nossas experiências dessa suposta identidade. Isto é muito curioso, bastante engraçado (risos), porque não há realidade nisso; é a vida centrada, contraída, num movimento completamente estranho, fora da realidade, fora do que É. Isso explica toda a frustração existencial no mundo, todo o sofrimento no mundo, toda incerteza, toda insegurança, todo medo, toda infelicidade, toda incompletude.

Quando nós nos identificamos com um nome particular, com um conjunto de opiniões e de crenças, quando nós nos confundimos com um posicionamento de julgamento e de avaliação, isso é só inconsciência da mente; o movimento desse falso centro, daquilo que se passa por você, como se fosse você. Isso é profunda insatisfação, isso é conflito, isso é medo.

É interessante, porque todo desenvolvimento humano precisa passar por esse processo, essa expressão ilusória, este falso centro, que é uma barreira para a manifestação daquilo que é você, em sua Real Natureza, e, ao mesmo tempo, um portal. Você precisa passar por esse portal. De um lado do portal você é uma flor que não floresceu, do outro lado é a mesma flor já florescida. Então, aquilo que é o maior obstáculo é, também, um portal para o reconhecimento da sua realidade, daquilo que você de fato É: sua Verdade Divina.

Eu sei que é bem estranha essa coisa. O problema é que nós estamos fundamentando a nossa existência nessa inconsciência, nossa vida está baseada nisso; nós estamos convencidos desse “real eu”, que, na verdade, é só um fantasma, uma abstração. Esse “você”, que você conhece, experimenta e vivencia, é só uma abstração mental, um fantasma, uma ilusão. Esse “eu” vive animado por emoções e pensamentos conflituosos. O conflito só é possível no sentido de separação, no sentido do “eu” experimentando o mundo, o “eu”, dentro, experimentando o “mundo” do lado de fora; esta suposta identidade presente se relacionando com coisas, pessoas, lugares e situações que estão no lado de fora. A vida é uma coisa única, não essa vida centrada nesta suposta entidade. Centrado nessa suposta entidade está esse conflito dual de separação, de separatividade, que é inconsciência, que é medo, que é sofrimento.

Nós temos que atravessar este portal. Estamos do lado de cá, presos a essa identificação, dentro dessa estrutura ilusória, presos a um fundamento ilusório, a uma fundação ilusória, sob a qual há um edifício ilusório. Temos que atravessar este portal.

Quando isso acontece, não há mais o sentido de separação; aí fica claro que era só um fantasma, um falso centro, que essa “pessoa” era só uma suposta pessoa. Você escuta isso e soa estranho, sobretudo para aqueles que estão pela primeira vez nessa sala. Estamos apontando para algo inteiramente novo, algo fora desses limites, algo além dessa limitação conhecida, que a maioria de nós vive. Estamos apontando para o Estado Natural, livre de conflitos, porque você fica apenas com o que é, com aquilo que se apresenta, sem nenhuma ideia, sem nenhuma crença, sem nenhuma opinião e conclusão, sem nenhuma imaginação, sem nenhuma ideologia; a vida como se mostra, sem qualquer sentido de uma identidade presente nessa experiência. Essa identidade presente, em uma dada experiência, é sempre o sentido de separação, é sempre este falso centro, este falso eu, este falso ser, este mim, esta ilusão. Estão ouvindo isto?

Sua Natureza Verdadeira, sua natureza real, é silencio; sua natureza real é paz. Em sua natureza real não há conflito, porque não há esse sentido de separação; não há alguém experimentando, não há alguém pensando, não há alguém sentindo, não há alguém vivendo. Só há o pensar, o sentir, o experimentar e o viver. Não tem alguém nisso.

Nós trabalhamos isso, juntos, em Satsang, o final desse “você” que você acredita ser, enquanto ainda houver esse sentido do “você” se movendo em alguma direção. Estamos dizendo que a paz está presente quando todo o movimento termina; a liberdade está presente quando todo o movimento termina; a verdade está presente quando todo o movimento termina; o amor está presente quando todo o movimento termina, quando não há mais esse movimento de buscar, de correr de um lado para o outro, de escolher, de esperar, de aguardar. Isto requer esta disposição de entrega à verdade, isto requer não mais fugir de si mesmo, isto requer não mais se identificar com a ilusão da mente.

Alguns chamam isso despertar, iluminação, realização, eu sempre chamo isso de O Estado Natural, aquilo que é você quando este sentido de “você” já não está mais presente. Este é o seu real “encontro” com você mesmo, é a sua realização e Deus, é a sua “união” com Deus. Na realidade não há dois, só há Um sendo constatado. Este Um sendo constatado, além do portal, é a realização da paz que ultrapassa toda a compreensão humana. A Bíblia fala algo assim, todas as escrituras religiosas falam deste estado natural, quando não há mais sofrimento.

Não há mais sofrimento, porque não há mais medo; não há mais medo, porque não há mais o sentido de separação. Como pode haver medo, sem o sentido de separação? Como você pode temer algo, se não há “você” e esse “algo”? Se todo o sentido de separação caiu e não está mais presente?

Você é puro amor, pura verdade, pura liberdade, pura Graça, pura sabedoria, pura paz. Estamos falando de uma paz e de um amor, de Graça, de uma sabedoria que não é aquela que pode ser explicada, ensinada, aprendida. É o florescer dessa realidade que somos neste instante, neste presente momento, a Consciência de Deus. Essa Consciência que é a não-conceitual consciência, essa Consciência que é a não-imaginada consciência, a não-teórica consciência, a não-espiritual consciência, a não-filosófica consciência. Estamos falando da Consciência não-conceitual, daquela na qual tudo está acontecendo e desaparecendo, sem nenhuma separação. Você é isso, você já é o que precisa ser; você já é aquilo que a mente, de forma equivocada, pelos caminhos dela, da maneira dela, no formato dela, está procurando do lado de fora. Estamos juntos?

Eu chamo essa Consciência de “aquilo que É o que É”. Isso significa o fim de toda busca, de toda procura, de todo este movimento para o lado de fora. Tudo o que você procura, sem saber o que é, assim encontra dentro de você: no silêncio, na quietude, no amor, na paz, na verdade, na sabedoria de sua real natureza. Alguma pergunta? (risos) Alguém tem alguma pergunta ai? Se é que depois de uma fala dessas fica alguma pergunta... (risos)

PARTICIPANTES: Sem perguntas

MARCOS GUALBERTO: Legal, ok! Crianças, legal! Mais uma vez juntos. Vamos ficar por aqui. Até o próximo encontro. Namastê! Boa noite a todos.


Fala Transcrita - Corrigida e Revisada - de uma fala via Paltalk no dia 04 de Agosto de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h

Um comentário:

  1. Pacote do medo

    Não estão separados.Você e coisas ao seu redor,todas no espaço e no tempo.
    Minha família,minha casa,meu carro,meus amigos,meu trabalho,meu dinheiro,minha percepção,minha consciência,minha vida,minha morte.
    Pacote feito e lançado ao mar,ainda assim permanecem,momentaneamente.
    Onde está a ilusão?

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