quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Paltalk Satsang: Este é o fim de toda busca por preenchimento


Vamos começar dizendo para vocês algo assim: Este encontro com a Verdade não é um encontro com essa assim conhecida religião, ou sentido de religião, ou o que nós conhecemos como religião, dogmas, rituais, cerimônias, crenças. Não é alguma coisa também como experiências. A Verdade não é algo que pode ser tocada pelo pensamento, não é algo que pode ser encontrada na imaginação. A Verdade é algo que pode Ser, e somente será, encontrada no coração. O coração, para nós aqui, é o cerne de tudo. O cerne de tudo, que nós poderemos chamar de “o portal” e, ao mesmo tempo, aquele que está depois deste “portal”.

A mente facilmente se prende à necessidade de crenças, sutis ou complexas, e  ensinamentos espirituais. Neste reino da mente, tudo o que temos é a imaginação; imaginação como guia para essa realidade. Para a mente, quanto mais complexas são as técnicas, as práticas e as experiências, maior é a sensação de estar indo para algum lugar...  Para algum lugar chamado verdade, realidade.

A mente sempre se oculta atrás da imaginação; imaginação de alguma coisa além daquilo que é comum, daquilo que é rotineiro. Sempre à procura da imaginação de uma experiência extraordinária. Esta experiência, ela pode chamar de despertar espiritual ou iluminação espiritual. E assim ficamos na mente, sempre caminhando em círculos.

Na mente, é indispensável este elemento, o elemento chamado experiência. A mente é um emaranhado de crenças, desejos, ideias de todos os tipos.

Às vezes eu recebo e-mails de alguns que escrevem falando de suas experiências esotéricas, místicas e espirituais, fruto de longo tempo de prática meditativa, desta procura da última realidade, a procura de alguém para encontrar esta última realidade. Há uma ênfase exagerada nessa conhecida meditação, meditação como algo, como objetivo, como intenção, quando que meditação real não é um meio para se chegar a um fim. O propósito real da meditação não é encontrar alguma coisa, não é chegar em algum lugar.  A verdadeira meditação é a pura expressão da realidade, sem a mente, sem imaginação. Não é um fim a ser alcançado. A Verdade não é um fim a ser alcançado através de um meio chamado meditação.

A meditação já é a realidade. A meditação não está separada do viver, do dia-a-dia. Não é um caminho para a liberação, a meditação é a própria liberação. Eu tenho falado muito sobre meditação nesses encontros. Meditação é a arte de abraçar o que vem e o que vai. Permitir que cada coisa seja simplesmente o que ela é, da maneira mais simples e profunda. Significa o viver sem a interpretação, sem o significado que a mente dá, sem a imaginação que a mente tem. É esse silêncio, é essa quietude, é essa ausência de conflito. Não é uma técnica.

A verdadeira meditação é essa rendição ao que é. Não há nenhum objetivo, nenhuma direção. Agora mesmo, enquanto esse ouvir sem resistência, esse ouvir sem qualquer opinião, sem qualquer conclusão, sem qualquer aceitação ou rejeição. Apenas o direto e simples ouvir, sem colocar um significado pessoal, particular, mental. Esse ouvir a vida, dessa mesma forma; esse ver a vida, dessa mesma forma; esse sentir a vida, dessa mesma forma. Sem a presunção da comparação, do julgamento, do saber. Então, você pode se deparar diretamente com o que é, nessa liberdade de ser livre do sentido de separatividade, livre dessa importância que a mente dá a si própria, livre da dualidade. Aqui, estamos falando do seu estado real, do seu estado verdadeiro, do seu estado natural. Isso significa o fim do conflito, o fim do sofrimento, o fim do medo. Esta é a liberdade da realização.

Você está interessado em espiritualidade, em evolução espiritual, em experiências. Você está olhando para mais uma proposta equivocada da mente, para mais uma coisa na qual a mente está também ainda interessada. A Verdade é algo presente e isso é meditação.

Quando a mente, com suas intenções, desejos, razões, crenças, todos esses tipos de coisas, não está mais presente, só, então, você pode desfrutar de sua natureza verdadeira. Ser aí é estar nesse cerne, nesse coração. É estar nesse portal, atravessando este portal. É estar dentro dessa realidade.

Este lugar é sempre aquilo que nós chamamos de Presença, Consciência, essencial liberdade. Você nasceu para realizar isso, para viver sua Natureza Verdadeira, na desidentificação com o corpo e com a mente. Viver sua Natureza Verdadeira na desidentificação com todas as histórias, do lado de fora do corpo e do lado de dentro do corpo, que a mente constrói e conta observando os acidentes e incidentes externos. Uma fala dessas não preenche nossas expectativas, nossos motivos pessoais, pois elas não aparecem aqui, nestes momentos, como mais uma coisa a nos estimular a alcançar algo, ou que possa nos preencher. Este é o fim da busca de todo preenchimento. Isso significa o fim da ilusão. Estamos juntos?

Nessa fala, estamos apontando para isso, mais uma vez. Vez após vez, após vez, apontamos sempre para o mesmo. Para o mesmo espaço, para o mesmo lugar, para este cerne.

Alguma pergunta?

PARTICIPANTE: Esta é uma sala budista?

M.G.: Não! É apenas uma sala. Onde ouvimos algumas coisas bobas, mas seja bem-vindo!
Aqui não temos ensinos. Aqui, apenas dizemos algumas coisas. Você pode entrar no blog e ver do que tratamos aqui.

PARTICIPANTE: É uma sala de doidos?

M.G.: Isso mesmo! É mais uma sala de doidos (risos).

PARTICIPANTE: Vocês são maconheiros?

M.G.: (risos) É... alguém na sala pode gostar de maconha, outros de cachaça... mas, no geral, acho que nem todos (risos).

Mas, de qualquer forma, pessoal, valeu pelo encontro (risos)

Até o próximo encontro, boa noite... Namastê!


Fala transcrita, revisada e corrigida a partir de um encontro online via Paltalk Senses no dia 11 de Agosto de 2014,
Encontros todas as segundas, quartas e sextas-feiras às 22h - Participem!

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