terça-feira, 5 de agosto de 2014

Paltalk Satsang: Descubra como é lidar com a vida como ela é!



Basicamente, nós estamos sempre tratando de uma mesma coisa, estamos apontando para este Estado Natural. Agora, este apontar significa mostrar-lhe a importância de não confiar nos pensamentos. A única coisa que nós podemos fazer, quando falamos desse Estado Natural, é lhe dizer aquilo que não é! Não podemos dizer para você aquilo que ele é, podemos dizer aquilo que ele não é. Com certeza ele não é este conjunto de opiniões, julgamentos, ideias, imaginações, conclusões, que temos a respeito da vida acontecendo; agora a pouco nós falávamos isto aqui.

Este Estado Natural é aquele aonde tudo isso é possível, a vida como ela se apresenta, está sempre nela mesmo, livre de conflitos e de contradições. Aquilo que chamamos de polaridades dentro da vida, da existência, não estão em conflito, elas estão em contraste e isto é diferente. A vida não conhece conflito, conhece contrastes; este contraste é o dual estado da vida, como ela se apresenta, e isso é muito natural. Apenas a mente, quando olha para aquilo que acontece, deparando-se com este contraste, com esta apresentação dual que a vida comporta, como saúde e doença, nascer e morrer, positivo e negativo, e assim por diante, olha para isso em conflito. 

O que nós temos para lhe dizer é: descubra o que é lidar com a vida como ela é, porque é o pensamento sobre aquilo que acontece que manifesta o conflito aí, naquilo que você acredita que é você. Todo o seu sofrimento está baseado nesse conflito. Este conflito só é possível nessa separação que a mente produz, quando interpreta a vida, quando julga, quando avalia, quando quantifica, quando compara; essa é a natureza da mente. 

A natureza da mente é o conflito. O sentido de uma existência separada está em cima desse movimento do pensamento, nesse mecanismo constatado, não compreendido. A inconsciência desse movimento sustenta esse sentido de separatividade. Aquilo que nós chamamos de "ego", "mim", "pessoa", é esse sentido de existência separada que está assentado nessa base de inconsciência, acerca desse movimento, desse movimento de conflito que é o movimento da separação. Este movimento de separação é que vê o que acontece, que traduz, interpreta, e aí começa toda a história de uma suposta pessoa presente que sabe o que deveria ser e o que não deveria ser, o que está certo e o que está errado, o que está no lugar e o que está fora do lugar; pura imaginação, ninguém sabe, não há ninguém aí para saber.

Você é livre em sua Natureza Real da ideia de ser alguém. Em sua Natureza Real tudo está no lugar, porque não tem você, para saber o que é e o que não é; o que pode e o que não pode; o que deve e o que não deve. Toda essa noção de certo e errado é uma coisa aprendida, uma coisa que sustentamos para manter essa identidade; quanto mais mantemos essa identidade maior é o medo. Na realidade o sentido de um eu presente, que é este sentido de separação, está baseado nesse medo. 

A dificuldade que nós temos de apreciar a Beleza, a Graça, a Verdade dessa coisa singular que é Satsang, é justamente por isto: estamos por demais agarrados a esse sentido de ser alguém, porque, para nós, avaliar, julgar, comparar, interpretar, tudo o que acontece nos valoriza muito; isto nos mantém muito importantes dentro do contexto daquilo que acontece. Não queremos perder isso, pois isso é tudo o que nós conhecemos acerca daquilo que nós acreditamos ser. Nós acreditamos que somos isso, acreditamos que somos assim, tudo o que vemos à nossa volta é isso, então para nós isso é um padrão comum, mas não há verdade nisso. 

Eu estou lhe desafiando sempre, em Satsang, a olhar para aquilo que está além do tempo, além da mente, além desse sentido de separação; somente aí está a verdade, a realidade, a vida em sua expressão. Eu lhe garanto que a vida em sua expressão É Amor, É Paz, É Verdade, É Silêncio, não importa o que esteja acontecendo detrás de toda e qualquer experiência, por mais dramática, difícil, complicada e dolorida que pareça. O que permanece é a Imutável e Indescritível Presença, na qual esta situação, que parece ser assim, está acontecendo. 

Meu convite é para que você descubra a natureza da realidade. A natureza da realidade é esta base que sustenta essa aparição de contrastes, onde tanto o mal quanto o bem, tanto a chamada verdade quanto a ilusão, positivo e negativo, saúde e doença, nascer e morrer, estão aparecendo.


Perguntas?

PARTICIPANTE:  Como deixar de ser um eu?

OUTRO PARTICIPANTE: Mestre, é certo dizer: "O único significado da vida é descobrir que não tem nenhum significado para ela, pois ela é o significado" 

MARCOS GUALBERTO: Sim, é exatamente isto, só que isto, agora, já se tornou uma conclusão para você e, agora, já não é verdade mais. (risos). Na verdade o único significado da vida é a vida nela própria, mas não é para alguém esse significado. Nós nos consideramos tão importantes que estamos tentando descobrir o significado da vida, porque isso irá nos valorizar; se alguém puder descobrir o significado da vida, vai se tornar muito importante, porque será o único a conseguir. Eu vou lhe dizer qual o significado da vida: É Ser quem você É! É Ser Deus! Eu vou repetir: É Ser Deus. É Ser Liberdade. É Ser Amor. É Ser Paz. É Ser Felicidade. Este é o significado da vida. Mas nesse Ser não tem alguém, só tem a vida, só tem aquilo ou essa coisa, que não é uma coisa e não é aquilo. 

PARTICIPANTE: O desapego a tudo seria uma forma de sentir o silêncio, sentir Deus, sentir Ser Ele e não ser ao mesmo tempo?

MARCOS GUALBERTO: Desapego de quem? Desapego para quê? Por que você se desapegaria? Para sentir Deus? Para ser Ele? Quem está na intenção disso? Quem estaria tão interessado em se desapegar? Desapegar do quê? Para que? Para quem? O problema não está nas coisas, o problema não está na relação com as coisas, o problema é só um: o problema é confiar nessa crença de que você está nisso, de que tem você aí; se esta crença permanece não importa a quantidade de coisas das quais você consiga se desapegar, porque aquele que se desapega continua presente e a coisa continua. Aquilo que tem que sair de cena - você que pergunta “O ser tem que sair de cena”?- o que tem que sair de cena é aquilo que nunca esteve aí, é a fraude, é a ilusão dessa aparição fantasmagórica do sentido de ser alguém. O que nunca esteve ali é o que deve desaparecer daí. Mas isto não pode desaparecer daí, porque a ilusão continua sendo uma ilusão; ela só se mantém como algo a ser constatado, se for constatado que não há essa ilusão aí, fica claro que ela nunca esteve aí. Você não pode realizar isso que você já é! O que pode desaparecer é aquilo que nunca esteve aí. Eu sei que soa muito louco isso, muito contraditório, muito paradoxal, o ego não tem uma existência, tem uma imaginação e não uma existência.

PARTICIPANTE: Quem imagina o ego?

MARCOS GUALBERTO: Mas quem não imagina o ego? Imaginar o ego é conflito,  imaginar-se sem ego também é conflito. Crianças, não adianta teorizarmos sobre isto, não adianta você dizer que não há ego. Um acordado pode dizer que não há ego. Mas se isto não está claro aí, é apenas um conceito intelectual; dizer isso é uma ilusão. Uma ilusão é uma ilusão, mas enquanto se mantém como uma ilusão é muito real, enquanto houver o sentido de alguém nessa coisa, qualquer coisa que esse sentido de alguém diga não tem verdade nenhuma! 

PARTICIPANTE: A ilusão é acreditar ser o que não é? O que não existe?
OUTRO PARTICIPANTE: Em uma conversa com um amigo, disse-lhe que oriento meu filho a não cair nas armadilhas da mente e ele diz que eu não devo me envolver. Isto é certo, pois trata-se de um jovem. O que o Mestre diz? 

MARCOS GUALBERTO: (Risos) Vocês estão tentando ensinar aos filhos de vocês a como viverem sem ego, como vocês conseguirão isso? (risos). Vocês querem dar o que não tem. Estamos cheios disso, "nesse nosso mundo", estamos cheios de professores - Você diz: “Mas posso alertá-lo" - Eu lhe aconselho a descobrir o silêncio e a comunicar esse silêncio para o seu filho. Essa é a única forma de torná-lo alerta, porque a palavra alerta, o que você quer dizer por alertá-lo é torná-lo alerta, não é isso? Você só pode tornar o outro alerta, se você estiver alerta. Na mente não há como trazer este alerta ao outro, estar alerta significa estar cônscio, consciente, sem se perder na desatenção do sono. Então trabalhe essa coisa de estar alerta, comunique essa alerteza ao seu filho. 

O seu Estado Natural é de alerta, é de prontidão; neste Estado Natural você não vacila. Na expressão de Cristo, quando ele diz “Vigiai para que vocês não caiam em tentação”, Ele falava desse estado de alertaza, de desidentificação com o sono; Ele estava no Getsemani e os discípulos estavam cochilando e ele disse: “Vocês não podem ficar alerta nenhum um pouquinho comigo? Não podem vigiar nenhum pouquinho comigo? Nem por algumas horas”? Ele estava perto de ser capturado, preso, e lhes disse isso.

PARTICIPANTE: Você pode ver a ilusão, conviver com ela, mas saber que ela não é real, e não fazê-la desaparecer, porque se dar identidade ela nunca existiu, é isso mestre?


MARCOS GUALBERTO: Criança, seu mau é sono, vamos dormir e chega por hoje. E neste final de semana nos veremos aí, no encontro presencial em São Paulo. Namastê! Até o próximo encontro!


Transcrito e revisado de uma fala via Paltalk Senses no dia 28 de Julho de 2014
Encontros onlines às segundas, quartas e sextas-feiras às 22h Participem!




2 comentários:

  1. Para "alguns" o conceito pecado é muito intenso. A ideia,o sentimento, em ser alguém cometendo erros,o sentido de autoria traz uma carga enorme de conflitos.
    Alguém na ação,alguém que estaria fazendo coisas que do ponto de vista da moral humana,são consideradas inaceitáveis.
    Quem nunca roubou frutas no quintal do vizinho,quem nunca brincou de médico?
    Sei lá, e tantas coisas mais.E a maioria desses movimentos ainda na infância.
    Como a vida não separa um momento do outro ficam as lembranças.
    O sentido de autoria ao longo dos anos vai se fortalecendo,e aí está o pecador tentando se livrar dos seus pecados.
    Quem é o pecador? Somos todos inocentes,nunca fizemos nenhum mal.
    Coisas aconteceram sim, mas nunca houve alguém ali.Era só a experiência, e todas elas, muito bonitas.E se eram "feias" era porque havia alguém ali julgando.
    Essa é a beleza do Satsang.Profundamente libertador.

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  2. Justamente porque a vida não separa um momento do outro que carregamos dentro de nós toda a história da humanidade.
    Pensamentos,sentimentos,crenças que criam todo esse alvoroço interno.
    Essa é a nossa herança, coisa que nada podemos fazer à respeito. É como a coisa funciona.Toda nossa sobrevivência tem como base esse mecanismo inconsciente.
    E aí temos que lidar com isso da melhor maneira possível,o que o destino...
    Quando um Mestre[dentro dessa miragem toda] surge à nossa frente,somos mesmo abençoados.[é como ganhar na loteria]
    Só um MESTRE pode nos ajudar a sair dessa encrenca.
    Muitos não querem,ainda estão gostando.

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