quarta-feira, 2 de julho de 2014

Satsang: A mente é o escorrego e quem desce é você!




PARTICIPANTE: Quem sou eu, né? Tudo o que você vê, você nomina. E esse estado não dá para ser descrito, ele é o que é.... Está além da mente. Eu estou ou não estou, é ou não é … Parece que estou pirando, o que é isso?

M.G:  Mas é curioso o que você coloca, porque essa sensação de “eu estou pirando”, de “o que é isso”? Mas é assim mesmo? Na verdade, isso só é possível, porque tudo está sendo visto dentro de um ponto de vista referencial ainda, de uma entidade, que procura se localizar aí. Então há sempre essa pseudo identidade, mesmo que camuflada e oculta, buscando uma localização, buscando uma segurança, um posicionamento. Ela tem que se situar para ficar à vontade. Isso é vício, isso é hábito. Tem sido assim por muito tempo aí nesse mecanismo, nesse organismo e tem sido assim na humanidade, a milênios. Sempre esse sentido de ser.

Agora mesmo, agora sentado aí, é só o sentar, não tem alguém. É só o sentar, é só o deitar, é só o falar, é só o ouvir, é só o ver. Não é alguém vendo, não é alguém sentado, não é alguém deitado, não é alguém falando. Não há necessidade nenhuma da crença comum de uma entidade envolvida nisso, em um processo como esse, porque há tanta coisa envolvida no processo como estar assentado, ou deitado, ou falando, não dá para localizar uma identidade aí. É o sentido que a mente dá a um localizador, a um sensor, a um observador, a um falador, a um ouvinte.

É só a mente que cria essa ilusão de presença de algo ou de alguém, num um processo que é tão simples, ao mesmo tempo há tanto envolvido nisso, há tantas coisas envolvidas nisso. Mas a mente cria uma identidade, traz uma identidade. E tudo é só uma ação dessa única, única, reparem, dessa Única Presença, e ela não é espacial, então ela não está localizada, nesse organismo aí, como alguém.
Ela está assentada e ela é o próprio assento. Ela está falando e ela é o próprio ouvinte. Ela está deitada e ela é a apropria cama. Não há algo que possa separar isso, a não ser a mente fazer distinções e nomear. É uma só realidade presente (risos), nessa coisa tremenda que é o fenômeno, que tem tanto aí nele, e ao mesmo tempo tão simples.

Fique no ouvir, fique no falar, fique no assentar, no deitar e se contente com isso. A mente salta sobre uma frase, um conjunto de palavras, e cria uma identidade ali, para julgar, para avaliar, para classificar, para nomear o fenômeno. Esse é o sentido de separatividade, desse assim chamado eu, mim, ego, pessoa, não existe isso, agora existe. 

Você está muito bem obrigado sem o sentido do eu, e você está bem enrolado, para não usar uma expressão bem chula aqui, com o sentido do eu, você está mal, você está furnicado, ferrado. Porque ele quer algo diferente disso que está aqui gente, olha que momento agradabilíssimo, olha que instante extraordinário, único, no qual esse tanto está acontecendo, e esse simples está acontecendo. Mas esse sentido do eu, quer algo diferente disso. Ele está procurando algo maior, melhor, mais prazeroso do que isso. Ser não basta, tem que haver o fazer. Fazer como? O que? Por quê? Permaneça aí, no que é. 

Nem mesmo tomar água de coco, debaixo de um coqueiro, olhando as ondas quebrando sobre as rochas, vendo o pôr do sol, isso nesse instante é tão extraordinário, que até esse quadro agora ficou pálido. A mente projeta um momento melhor do que esse, mas sem a mente, não tem momento melhor do que esse. Viu claro? (Risos).

PARTICIPANTE: Nossa, eu vi isso agora tão claro!

M.G: Viu claro? Você fica aqui, eu quero, estar, estar... Aonde? Fazendo o que? Esse é o melhor, que o melhor, que o melhor. Você vive sendo enganado. Eu tenho dito que o melhor é o próximo segundo como ele se manifesta, isso é o melhor. Hoje aqui está ótimo, já está bem, não tente me convencer a ir algum lugar, a fazer alguma coisa, a procurar algo fora disso. Porque é só isso agora. 

Estamos juntos? Em? Você quando está aí, a mente é bandida, porque ela diz: Tem alguma coisa ainda que você pode fazer melhor. E ela escorrega, ela não escorrega, ela é o escorrego e quem desce nesse escorrego, é você.  (Risos).

A coisa é agora, aqui mesmo, nesse instante, nada mais, nada melhor, nada maior, nada mais profundo ou interessante.

É bem assim!

Gravado em Vitória - ES

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