quinta-feira, 10 de julho de 2014

Paltalk Satsang - Não se confunda com estados mentais, espirituais, místicos e de êxtase!



Vocês sabem que esses encontros que nós temos, são encontros com o desconhecido. Nós não tratamos aqui nessa sala daquilo que é usual, comum, corriqueiro, aquilo que está dentro do esquema da mente,  estamos indicando alguma coisa fora da mente, fora do circuito da mente, nós fazemos uso da fala, das palavras, temos que buscar com palavras diferentes apontar sempre para a mesma direção, há a dificuldade em tentar ajustar uma fala como essa a uma compreensão comum, à uma compreensão baseada no intelecto, baseada na lógica, estamos falando de algo fora do intelecto, naturalmente fazendo uso da fala que é pensamento, estamos com a matéria do pensamento, tratando do não material, de algo fora do pensamento.

A mente está presa ao limite do pensamento, a esse limite do material, o pensamento ele é material, o pensamento só trata daquilo que está no tempo, daquilo que é conhecido, repare que você vive sempre preso ao pensamento, quando você foca no conhecido, este conhecido é memória, são lembranças, nós temos falado muito a você sobre soltar esse sentido de identidade, e esse sentido de identidade a base dele é o pensamento que é memória, que é o conhecido, o pensamento é tão material como uma cadeira, quanto um objeto sensorialmente perceptível, como uma parede, uma mobília, nós não falamos da mobília, da cadeira, da parede, nós estamos falando do espaço, este apontar, este indicar é para o espaço, onde o material aparece, este material que é o pensamento, este material que são as crenças, os conceitos, o sentido de uma identidade está baseado nesses conceitos, nessas crenças, nessas sugestões materiais do pensamento, são as mobílias, e aqui nós apontamos para o vazio, para o espaço, não para o movimento, mas para o não movimento, não para o tempo mas para aquilo que está fora do tempo, isto não exclui o tempo, como não exclui o pensamento, isto apenas não se confunde com o pensamento, não se confunde com o tempo, uma sala não exclui suas mobílias. O espaço nessa sala não faz isso, para o espaço as paredes, a cadeira e as mobílias, estão no seu lugar, mas o espaço continua sendo o que ele é, quando falamos em sua Natureza Real estamos falando desse espaço, desse espaço onde o corpo e a mente aparecem, e toda a experiência sensorial acontece, assim estamos sempre falando da meditação, este apontar é o apontar para a meditação, todas as nossas falas tratam disso que é fundamento, desse estado natural que é a meditação, meditação é este vazio, este vazio de totalidade, este vazio de plenitude, de Presença, ele não exclui nada, mas não se confunde, ele jamais se confunde com qualquer aparição.

Estamos trabalhando juntos o fim da "consciência" de que as mobílias são esse espaço, elas não são o espaço, aquilo que é material como o pensamento, como algo que vem e vai, aparece nisso, não há nada de extraordinário, não há nada de especial, não há nada de espiritual nesse movimento do conhecido. No movimento do conhecido tudo é material, eu prefiro sempre a a palavra natural no lugar de espiritual, essa consciência é natural, ela não é algo espiritual, espiritual nos dá a noção de alguma coisa que é contrária a matéria, contrária ao tempo, contrária ao conhecido, contrária ou visível, o natural não é contrário a nada, esses encontros nos apontam sempre, para aquilo que é natural, nos apontam para o natural, o natural estado, o natural significa todos os estados, sem se confundir com qualquer um deles, qualquer um desses estados.

Não se confunda com estados, estados mentais, estados espirituais, estados místicos, estados de êxtase, de arrebatamento, estado de expansão da consciência, tudo isso ainda é material,  tudo isso ainda trata do reconhecido e do conhecido, tudo o que pode ser conhecido, está aprendido dentro desse reconhecimento, que é limitação, que é material, o estado natural é o estado livre de toda limitação, livre de todos os estados, estamos tratando com você do estado sem ego, que não é um estado, é a sua natureza verdadeira é a sua natureza real, é a sua natureza divina, ela apreende, compreende tudo o mais, por isso nós dizemos que não é nada espiritual, que não é nada diferente ou especial, é apenas o estado livre do medo, o estado livre do sentido de separação.

Tranquilos? Alguém está agitado, intranquilo, nervoso, querendo algum resultado? Preocupado em obter algo? estamos falando de algo que está presente quando estamos quietos, sem este comum movimento, do relógio do pensamento, ansioso, preocupado, aflitivo, desejoso do pensamento.

Vamos ficar por aqui. Namastê!

Fala transcrita de um encontro via Paltalk Senses no dia 09 de Julho de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h - Participem!

3 comentários:

  1. Que identidade pode ter um mecanismo? Até que tentamos.Num primeiro momento se faz necessário, depois se torna um fardo que arduamente tentamos nos livrar.
    Difícil aceitar que somos uma não entidade.Mas Satsang trabalha isso.A constatação de que realmente não existe ninguém.
    Que olhos podem ver isso?
    Impossível, mas sempre essa presença.
    Aquilo que fala mas não tem língua,vê mas não tem olhos,ouve sem ter ouvidos.
    Existe sem existir.

    ResponderExcluir
  2. Essa questão quem sou está toda direcionada ao silêncio.
    É louco isso,é como questionar um assim chamado acordado,se ele está realmente acordado,ou não.Isso é muito mental.O papel que cada um desempenha enquanto mecanismo não importa.Alguns são advogados,garis,professores,vendedores ou qualquer outra coisa.
    O acordado desempenha o papel da Consciência e nesse papel essa questão é colocada:quem é vc? Mas quem está colocando essa questão?
    As nuvens por mais aparentes que estejam não encobrem o céu azul.
    O Ser não tem currículo,não tem como provar quem sou,aliás quem poderia?

    ResponderExcluir
  3. A crença em alguém que experimentou ,está experimentando e que ainda vai experimentar torna o fardo muito pesado.Esse alguém se torna muito infeliz e muitas vezes sente até vontade morrer.
    Ele não só olha aquilo que está carregando, como pressente o que ainda está por vir.Por isso mesmo,ser alguém na experiência é conviver com o próprio medo. Por mais que coisas boas aconteçam,nunca acontecem como gostaríamos.
    Satsang nos liberta dessa crença,alguém como experimentador.
    O que fica? Só o experimentar,no começo ainda com pequenos enjoos.
    Mas aí você permanece firme.Você sabe que nunca fez nada mesmo,que tudo aconteceu.

    ResponderExcluir

Deixe aqui o seu comentário

Compartilhe com outros corações