quinta-feira, 22 de maio de 2014

Paltalk Satsang - A Verdade não pode ser revelada porque ela não está oculta!






Aqui tivemos uma sugestão de um participante, que pediu que pudéssemos falar um pouco sobre confiança. É de fato, um tema interessante.
 
Gostaria de perguntar a vocês, quando vocês entram numa aeronave o que é que vocês fazem? Quando vocês vão ao dentista e se assentam naquela cadeira e vê aquela moça vestida de branco ou aquele moço com cara de garoto, com cara de criança, você aí que já tem meia idade ou que já passou, que já está na terceira idade, o que é que acontece? Você pede o diploma? Você quer saber qual é a experiência anterior daquele moço ou daquela moça, daquele piloto ou motorista de taxi? 

Então quando falamos em confiança, eu não sei se podemos falar sobre desconfiança, falar sobre confiança ou desconfiança, na verdade dá no mesmo, o fato é que aqui você se depara com uma ilusão absolutamente convincente, um grande truque, um truque maravilhoso, um mundo que nos parece sólido, a experiência sensorial que nos parece algo muito real, um truque de luz e sombras, de sons, de cheiros, estamos diante de uma ilusão, uma ilusão que precisa ser investigada, estamos diante da ilusão de uma identidade presente nessa experiência, experimentando tudo isso, e a questão é que não há como isso ser investigado sem essa confiança, a investigação da ilusão, da ilusão desse sentido de separação, só é possível em uma profunda confiança, a palavra confiança aqui, nós substituímos pela palavra entrega assim como você se entrega ao piloto, se entrega ao dentista, você se entrega a um especialista, e não tem outro jeito, essa relação com a Presença, com a Graça, com a Consciência, e aqui, aquele que está assentado em seu Estado Natural, investigando com você a verdade acerca disso tudo, ou isso, ou continuamos nessa maravilhosa e encantadora ilusão... 

Você tem a possibilidade de investigar isso nessa confiança, é como se eu dissesse para você: - Você já tem tentando do seu jeito e não tem funcionado, agora eu te digo, há uma forma de fazer isso, posso lhe garantir que há uma forma de fazer isso, como isso pode ser encarado? Ou você fica dentro da aeronave ou você sai, ou você fica assentado na cadeira do dentista ou sai, mas você precisa se deparar com essa situação da viagem. ou com essa situação de tratar seus dentes, em algum momento você vai ter que parar e vai ter que encarar isso, consegue acompanhar o que estamos dizendo?

Como Ramana dizia, o Guru é um Leão que acorda..., é um leão num sonho do elefante, para acordar o elefante dorminhoco, depois que o elefante acorda, percebe que não há nenhum leão e nenhum sonho. Não há nenhum leão em seu sonho e não há nenhum sonho, assim sejam bem vindos ao lar, ao seu próprio Ser, a este único lugar que sempre é o que é, toda essa ideia de um mundo externo é apenas uma ideia, um conceito, uma crença. A ideia de que você é um experimentador, é alguém nessa experiência, nessa experiência de pensador, nessa experiência de observador, nessa experiência de experimentador é só uma crença, e uma vez que exista essa crença, tudo aparece, toda ilusão baseada nesse sentido de separação aparece, essa ilusão convincente, e para se livrar dessa ilusão convincente é necessária uma profunda e significativa confiança, isso é possível nessa relação, só é possível nessa relação, nessa aparente relação. A Presença do leão no sonho do elefante, para despertar o elefante, isso também é só uma ilusão, uma ilusão necessária, uma brincadeira divina, um truque de Deus. 

Precisamos nos livrar dessa ilusão, e para nos livrarmos dessa ilusão precisamos de uma outra ilusão (risos), para nos livrarmos da ilusão dessa não realização, precisamos da ilusão de um suposto realizado nos falando a respeito da nossa própria realização, uma grande brincadeira divina, só há realização em toda parte, supostos realizados, supostos não realizados, mas falar sobre isso teoricamente, ideologicamente, conceitualmente, é uma grande bobagem, uma grande bobagem... 

É preciso “saber” diretamente isso, saber o que é, saber o que é é realização, o fim dessa ilusão primária, a ilusão desse eu, não é uma ilusão que precisa ser destruída como temos falado muitas vezes, porque é apenas um pensamento, esse você aí é só um pensamentos, mas é um pensamento muito, muito convincente, esse pensamento muito convincente é o sonho da separatividade, o leão entra nesse sonho, aparece nesse sonho, desperta você para a sua real natureza. Essas falas são sempre bastante estranhas...

PARTICIPANTE: Isso tudo dá um choque na mente. Me sinto confuso...

M.G: Confusão é parte da natureza da mente. A mente em si é a própria confusão, então não se importe com a confusão, isso faz parte do que a mente é, você precisa confiar nesse apontar, a fala é sobre confiança, estamos dizendo que há algo aí que é capaz de presenciar, de perceber essa confusão, então essa confusão não acontece à você, acontece à mente, é a mente presente confusa, você jamais está confuso, você não se preocupa jamais com clareza ou confusão, só a mente se preocupa com esclarecimento ou com confusão, se a confusão está aí, deixe ela aí, a procura de tentar dissipar a confusão produz mais confusão, porque aquele que procura dissipar a confusão ainda é parte da confusão, ou jamais se preocuparia em se livrar disso, se não fazemos nada com a confusão e deixamos ela solta, como geralmente colocamos nessas falas, percebemos que ela não tem uma identidade, ela não pode se fixar, é só um movimento caótico do pensamento, de  um pensamento acontecendo sem um pensador. E aí entra a outra pergunta:

PARTICIPANTE: Se o próprio sentido de eu é ilusório, a quem é revelada a verdade?

M.G: Só há a verdade, ela já é o que é, ela não pode ser revelada porque ela não está oculta. Essa ocultação da verdade é só o movimento, esse movimento confuso, caótico, nebuloso do pensamento, uma vez tendo se desidentificado do pensamento, a verdade aí está, como sempre foi. A verdade está sempre presente, ela não se revela porque ela não está oculta, aquilo que cai é a ilusão desse sentido de separação, criado pelo pensamento, estamos dando identidade ao pensamento, o pensamento não tem uma identidade por trás dele, é assim com emoções e sensações, não há alguém nessa experiência de pensar, de sentir, a experiência da emoção, a experiência da sensação... Esperem, esperem... (muitos participantes escrevem muitas perguntas na sala do Paltalk), vocês fazem muitas perguntas, acompanhem a resposta de uma pergunta com calma, quando você está muito interessado em sua pergunta, você está só no intelecto, ocupado com isso, escute a pergunta que o outro fez pois nessa resposta pode estar a sua resposta. Você diz: 

PARTICIPANTE: Porque as vezes, me parece ser inútil estar aqui e fazer qualquer pergunta pois parece-me que perguntar mais, não levará a lugar algum, mas, ao mesmo tempo estou aqui novamente realizando perguntas?

M.G: Veja bem, as pergunta elas tem, um determinado lugar delas dentro do Satsang, elas sempre terão um determinado lugar dentro do Satsang, mas paradoxalmente a verdade está além da respostas, porque ela está além do perguntador, mas enquanto houver perguntas, elas devem ser feitas, mais importante do que a resposta é o fim do perguntador, mas nós não podemos forçar isso, o perguntador desaparece no tempo, junto com a respostas que ele ainda precisa ter, que ele ainda precisa ter, enquanto, acredita ser alguém... 

Nós sempre lhe incentivamos a vir ao Satsang presencial, você logo irá descobrir por quê, a única resposta real é o Poder da Graça, aquilo que é vivenciado nesse silêncio, nesse contato, nesse toque, nesse olhar, nessa proximidade... Há algo presente nessa fala, maior do que essas perguntas e respostas, esse algo presente é esse silêncio. Você pode vivenciar isso aí, embora não possa expressar isso em palavras, esse silêncio é a sua Real Natureza, essa sua Real Natureza é o fim das perguntas e respostas, é o fim do saber e do não saber, a Realização é o puro conhecer sem o conhecedor

A mente passa a vida inteira em busca de respostas, tudo o que a mente quer é encontrar a paz, toda busca espiritual repousa em cima dessa hipótese, a hipótese de que a mente ou esse buscador, essa pessoa, esse sentido de identidade um dia irá chegar a libertação, a liberação, a iluminação, um dia irá encontrará o fim para suas perguntas e respostas, mas na verdade a mente sempre vai estar nesse movimento, enquanto houver este centro, este mim, este eu, esse jogo vai continuar. Há uma realidade além de todas as perguntas e respostas, além de todo entendimento e não entendimento, além de toda possibilidade de compreensão ou não compreensão, mas isso significa o fim da mente. Na razão em que você se aproxima de Satsang, as perguntas que você faz, elas começam a cair, isso começa a perceber que não há resposta nenhuma para muitas das perguntas que você tem, porque são perguntas que ficam apenas a nível de intelecto.

Bem vamos ficar por aqui, nosso horário já chegou aí, são 23h04m. Grato pela presença de todos. E o mais importante do que perguntas e respostas que podemos ter dentro desses encontros é exatamente esse momento de silêncio, este momento de encontro de coração.

Fala transcrita a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 21 de Maio de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h. Participem!

4 comentários:

  1. Tem algo que é comum à todos,que é o acontecer natural onde nada precisa ser feito.Onde você está totalmente integrado aquilo que é.Chover,fazer sol,a batida do coração,o mar e o barulho das ondas,ouvir,olhar, frio, calor, dormir,sonhar,acordar...Que esforço é necessário para aquilo que é natural?
    Trabalhar na segunda, sem resistência,nenhum julgamento,requer algum esforço?

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  2. O sentido de unidade não está separado do sentido de não existência.
    Eu só existo através da crença da mente em algo externo como Real.
    Essa afirmação:eu sei que sou uma pessoa.Veja se isso não é só um pensamento.
    Acontecendo para quem? O quem aqui já é uma fraude.
    Que é o caso em fazer distinção entre alguém vivo e alguém morto.
    Não tem alguém em nenhum estado.
    Só Consciência sem nenhuma referência externa.
    Como posso me iludir?

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  3. Eu sinto que sou muito mais ajudado quando me é dito:não tem jeito para você,do que quando tentam me reorganizar.Quem está querendo salvar quem?

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  4. Seja feita a sua vontade
    Esse não tem jeito é muito suspeito. Tem jeito para Deus?
    Existe alguém mais arteiro do que ele?
    Quem é que faz tudo?
    Para nós é um aparente caos.Para ele uma brincadeira.O sentido de separação acontece quando não apoiamos suas brincadeiras.

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