quarta-feira, 14 de maio de 2014

Paltalk Satsang - O fim do desejo!



Mas uma real oportunidade de estarmos juntos, vou falar um pouco sobre isso agora, nesse instante. 

O fato é que nos encontramos mais uma vez, mais uma vez neste nenhum lugar, nos encontramos neste nenhum lugar, é o encontro no vazio, é um encontro nesse espaço, no espaço de nenhum lugar, é exatamente assim, Satsang é o encontro nesse não espaço, neste vazio, de nenhum lugar, isso significa o mundo, a existência, todas as aparições, sem qualquer separação, aliás nunca houve nenhuma separação e esse é um lugar aonde sempre nos encontramos, este lugar chama-se Vida, Consciência, Presença, Ser, é o nada, o vazio, este nenhum lugar, no entanto é nele onde tudo surge, onde tudo aparece, e é aqui, é somente aqui, que nós nos encontramos, nos encontramos com a paz, com a liberdade, com a realização, com a felicidade, e que sempre estivemos buscando, mas buscando em algum lugar, em algum espaço, em alguma localização, e nessas falas nós apontamos para esse nenhum lugar, para este não espaço, para este vazio, para este nada, nós nunca estivemos olhando para ele, escute com atenção isso, nesse encontro essa noite, nunca tivemos olhando para este “espaço” que é o não espaço, que é este nenhum lugar, sempre tivemos olhando para o espaço, para o lugar, sempre tivemos localizando essa coisa dentro desses projetos, sonhos e desejos, sempre localizando no espaço e no tempo, a realidade atemporal.

PARTICIPANTE: Como fazer desaparecer os desejos da mente?

M.G: Solte a "mente", abandonando essa "localização", que estamos falando agora, a mente se localiza no tempo e no espaço, se "localiza" em algum "lugar", ela se localiza como imagens, como quadros, nós colocamos uma identidade por trás dessas imagens, desses quadros, e aí surge o desejo, são apenas pensamentos sem moradia, sem localização, é apenas uma aparição neste nenhum lugar, neste não espaço, nessa Presença, nós estamos constantemente valorizando essa autoimportância, esse sentido de alguém, esse sentido de alguém precisa de uma localidade, precisa estar localizado, precisa estar em um espaço, precisa estar posicionado, dentro de um contexto, dentro de uma história, e assim o desejo permanece, o desejo é só a busca da mente, na procura de uma completude, na procura de um sentido de totalidade, na procura da paz, na verdade a paz nunca foi perdida, mas na mente ela jamais pode ser encontrada, nós destruímos essa possibilidade, quando nós nos colocamos como uma identidade na procura, na busca do desejo, aí nós nos localizamos no tempo e no espaço, ficamos presos a ideia de ser alguém, alguém vivo, tudo isso é a mente em movimento, a mente egóica em movimento, na verdade não há algo para ser encontrado, não há alguém para encontrar alguma coisa, nós estamos sempre aqui agora, neste nenhum lugar, neste não espaço, neste vazio, neste nada, e isso é Ser, isso é Consciência, basta apenas não nos situarmos, não nos segurarmos, não nos posicionarmos como identidades, dentro de crenças mentais, dentro de pensamentos, sentimentos, e de sensações físicas, e assim nós nos desidentificamos, nos desidentificamos de estar localizados no corpo e na mente. 

O corpo, a mente, o mundo, os pensamentos, os sentimentos, sensações, emoções, coisas, lugares e pessoas são apenas aparições neste nenhum lugar, neste ilimitado espaço de Puro Ser, de Pura ConsciênciaE é sempre aqui que começa, e aqui que termina, isso é toda a criação e destruição, o alfa e o ômega, o princípio e o fim. E é maravilhoso estarmos aqui, nessa presença de pura ausência, nessa presença que nunca esteve ausente. É um jogo maravilhoso, o que a gente chama de ilusão é só um jogo maravilho, desta Presença que nunca esteve ausente, capturados pela mente estamos com uma suposta identidade presa dentro desse jogo (risos), estamos juntos nisso?

Nós estamos no lugar do nascimento e da morte, das aparições e das desaparições, bem-vindos ao lar, este é o único lugar que sempre é, imutável, desconhecido, jamais se falou qualquer coisa a respeito desse lugar, este lugar é o não lugar, é lugar nenhum, este é o único lugar. Observe toda ideia de um mundo externo, como apenas uma aparição, como apenas pensamentos passando, com apenas imagens passando, se você não der uma identidade para isso o desejo não aparece, esse desejo precisa de uma identidade, de uma suposta identidade presente, observe o mundo externo, como uma grande aparição, como um grande jogo divino, como apenas uma ideia, como apenas um pensamento. No pensamento sem pensador nasce o mundo inteiro, o universo inteiro, , tudo aparece instantemente como uma aparição, nesse ilimitado espaço de nenhum lugar, ficar aí é meditar, essa é a real meditação. 

É importante que você compreenda que não há nada para ser destruído, alguns que se aproximam, acreditam a princípio que precisam destruir alguma coisa, acreditam que precisam destruir o eu, o mim, a pessoa. O eu, o mim e a pessoa não podem ser destruídos, porque não existem, porque não está aí, é só a confiança que sê dá para sentimentos, pensamentos e sensações como sendo você,  e você passa a confiar naquilo que sente e pensa, como alguém pensando e sentindo, a ideia eu aparece, e aí depois você fica com um problema nas mãos, e você quer se livrar deste eu, mas quem vai se livrar deste eu se não tem ninguém aí? É só este não lugar, este espaço, é só esse sentido de alguém nesse não lugar, lhe dando trabalho se passando por você... Estão ouvindo?

Há só o ouvir, ninguém presente ouvindo. Há só o sentir, ninguém presente sentindo. Há só o pensamento, ninguém presente pensando, não há pensador, você vê esse pensador aí, este eu, essa é a ilusão primária, detalhe não é uma ilusão que precisa ser destruída, é só uma ilusão que precisa ser vista e solta, se desligue dessa ilusão, dê alforria a ela, seu escravo é o seu dono, é o seu senhor dê alforria a ele, de cartas dê alforria ao seu escravo, porque o seu escravo agora é o seu dono. Você é apenas um pensamento, um pensamento que agora pensa em terminar...

PARTICIPANTE: Só sei que nada sei...

M.G: Até isso é impossível! Não é possível dizer 'só sei que nada sei', quem é este que pode dizer, que sabe dizer, que sabe que nada sabe? Me diga quem é este? Está aí a base da ilusão, o sentido de alguém que diz ser ninguém, que diz nada saber, que diz que nada sabe. Abandone a ideia de saber e de não saber, abandone a ideia de um pensador por de trás dessa ideia, e ponto final. Isso é real realização, a realização nesse nenhum lugar, desse não espaço, desse vazio, desse nada, dessa totalidade, porque isso é totalidade, afinal onde está este centro, o centro de tudo isso? Se não apenas na imaginação de uma suposta identidade. Se você realmente olhar, tudo o que você vai encontrar são aparições, neste olhar esse próprio você desaparece, porque este você é a maior fantasia, é a maior de todas as aparições, ninguém está fazendo isso, não há ninguém olhando. É apenas esse vazio, esse nenhum lugar, esse nada, esse plenitude, essa totalidade, é você em sua real natureza, que não está separada de nada, é isso que significa dizer que não há você, ou dizer que você é aquilo onde tudo o mais aparece e desaparece, inclusive a ideia de alguém.

A mente gostaria de pôr fim a mente, o pensador gostaria de pôr fim ao pensamento, o desejoso gostaria de pôr fim aos desejos, mas só há o que aparece e desaparece, o desejo é uma aparição sem dono, o pensamento é uma aparição sem dono, a mente é uma aparição sem dono. Na verdade mente, pensamento, desejo, não tem nenhuma realidade, a não ser que uma suposta identidade apareça aí e diga eu! Eu estou nisso!

PARTICIPANTE: Se é a nossa real natureza, porque não a percebemos de forma natural? Porque tanta busca?

M.G: Repare que na sua própria pergunta está a resposta, você diz "se é a nossa real natureza por que não a percebemos de forma natural?" Porque deixamos o natural, abandonamos o natural e substituímos o natural por este artificial movimento do pensamento, colocamos uma identidade nisso, aí surge essa busca e essa busca não termina, na verdade é a mente trabalhando para a sua continuidade, ela precisa ser, e nesse precisar ser ela tem que buscar, então ela não para de buscar nunca, a busca é a natureza da mente nesse artificial movimento do pensamento, essa é a suposta identidade presente. Em Satsang nós voltamos ao natural, descobrimos a naturalidade de não saber, de não ter interesse em saber, de não buscar conhecer, então ficamos neste nenhum lugar, neste espaço que não é um espaço, do qual estamos falando.

PARTICIPANTE: Se não há um alguém, então só há Deus? Só há própria Vida? Deus brincando consigo mesmo?

Só há Deus! Chame Deus de vida ou de brincadeira. Só há Deus, Deus brinca de lembrar e brinca de esquecer, brinca de dormir e brinca de acordar, brinca de sábio, brinca de iluminado e não iluminado. Só há Deus. Mas não acredite nisso, constate isso. Só há uma forma de constatar isso, que é ser o que você é, é ir além da mente, você está aqui apenas para trabalhar isso, para mais nada. Você só tem essa missão, realizar sua real natureza, o mais são distrações, se ocupar com qualquer outra conquista ou realização, sem saber, o que é essencial, sem constatar aquilo que você é, é estar distraído, é estar adormecido, é estar em sono, é estar em sonho. Realização, a iluminação ou o Despertar ou nome que você queira para isso, é a única coisa, é a coisa natural.

PARTICIPANTE: Isso causa um certo desconforto emocional, a ideia de desaparecer causa tremor.

M.G: E agora? Aonde é que aparece este tremor? Esse desconforto emocional? essa ideia de desaparecer? você pode ficar com isso plenamente satisfeito, ou você prefere investigar isso, e olhar para esse desconforto emocional, para essa ideia de desaparecer e para este tremor? Você tem algum escolha? É mais satisfatório viver nessa suposta identidade, ou olhar para o desconforto e para mais essa ideia, e para mais esse tremor, porque tudo isso é parte dessa suposta identidade. Há algo que lhe impulsiona ao Satsang, e eu vou lhe dizer o que é, é a maturidade que lhe pôs em Satsang. Quando a fruta está madura ela pode se desprender da árvore, vocês estão em Satsang porque esse é o seu momento, você está aqui porque esse é o seu momento, coloque todas as suas fichas nisso, elas não servem para outra coisa, na verdade vocês já estão bastante frustrados, com esse sentido de autoidentidade.

PARTICIPANTE: E porque é assim? Porque escolhemos viver isto, esta ilusão? Não seria mais simples sem isto tudo? Onde isto começa?

A única coisa que eu tenho para lhe dizer é: constate isso que você é agora, e você vai ver o quanto essas perguntas não fazem sentido, essas perguntas são criações da própria ilusão, a ilusão da busca, a ilusão da procura, a ilusão da continuidade, é a ilusão de acreditar que estás aí, que fabrica essas perguntas, e encontra ou fabrica respostas para essas perguntas, quando você diz por exemplo: “porquê é assim?” Eu lhe digo, é só uma crença que se é assim, se livre da mente e essa crença cai, você diz: “porque escolhemos viver isso, essa ilusão” Aonde você descobriu que escolhemos viver isso, essa ilusão? Essa é mais um crença, descubra aquele que acredita nisso, descubra se ele é real, e essa pergunta também caí, você logo descobre que não há alguém escolhendo qualquer coisa, “não seria mais simples sem isso tudo?” Mais uma vez, mais uma ilusão, quem lhe disse que não é simples, sempre é simples, para quem isto tudo é tão complexo? Descubra se há este alguém e fica muito claro que tudo, tudo é muito simples. E aí vem a outra pergunta “e onde isso, começa?” Na verdade a ilusão nunca começou, porque esta suposta identidade nunca esteve aí. Mais uma vez uma pergunta sem sentido, na verdade nenhuma pergunta tem sentido, ou se tem sentido, fica só no sentido mesmo, no significado que a mente encontra, e aqui estamos dizendo para você que a realidade está fora da mente, está fora de qualquer significado, está nesse silêncio, nesse nenhum lugar, nesse vazio, nessa Presença que nunca esteve ausente...


Valeu pelo encontro, namastê para todos!


Fala transcrita de um encontro via Paltalk Senses no dia 12 de maio de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas a partir das 22h - Participem!

2 comentários:

  1. Qualquer um que não seja tocado pelo Mestre está na condição de máquina quebrada.
    Algo distinto,separado, morto.
    Alguém que tem "ideias próprias" a respeito da verdade.
    Muitos se aproximam,todos são tocados, mas não o suficiente para se encantar.
    São tocados superficialmente, e na primeira contrariedade se desencantam.
    Ou criam expectativas,a respeito daquilo que acreditam ser uma relação.
    Ser tocado pelo Mestre é perceber a grandeza dessa relação,que não é uma relação,mas o sentido de unidade que transcende todas as aparências.

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  2. A dificuldade não é perceber o que são distrações, mas sim o que não são distrações. Tudo nesse aparelho foi concebido de tal forma para nos confundir.Tudo é tudo. Lembranças,recordações,antecipações,pensamentos,sentimentos,emoções.
    Tem gente que afirma categoricamente,eu amo.O ódio é jogado para debaixo do tapete. O que causa a distração,não é o amor ou o ódio que é o jogo sendo jogado, não está e nunca esteve em nossas mãos.A distração é a crença no jogador.Quem é o jogador?Procure por ele, investigue,onde ele está?Essa investigação não pode ser feita sozinha, estamos por demais envolvidos,somos parte do esquema.Já com o Mestre tudo fica extremamente simples.

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