sexta-feira, 30 de maio de 2014

Paltalk Satsang - Não tem nada aqui para você aprender

Essas falas são um pouco estranhas para nós, sobretudo a princípio, depois você começa a lidar melhor com isso, nós estamos dentro desses encontros em Satsang, apontando para esse fato, de que na mente nós estamos completamente adormecidos, aquilo que nós chamamos de vida é o conceito de ser alguém, e em Satsang nós colocamos diferente essa expressão, para nós esse conceito de ser alguém é a ilusão, a ilusão da separação, a ilusão está nesse sentido de estar vivo, para nós vida é sinônimo de Consciência, Presença, de Realidade, para a mente vida é sinônimo de separação, estamos diante de um mundo, de um mundo onde tudo está separado, começando dentro desse conceito de um eu dentro do corpo e de um mundo fora do corpo, onde tudo aparece como aquilo que nós chamamos de expressão da vida, nós estamos lhe convidando a abandonar a ideia desse mundo que nasce, de todo esse universo que nasce e se lança para fora com base na ideia de alguém presente. 

O pensador cria a ideia de um mundo, que ele pode acreditar, que ele pode ver, que ele pode confiar, que ele pode experimentar, e isso é uma ilusão, não há nenhum pensador, é quando o pensador aparece que o mundo inteiro aparece para ser experimentado por esse pensador, e aqui estamos dizendo para você que aquilo que é só uma aparição, é uma aparição nessa vida, aqui vida é sinônimo de Consciência, de Presença, de Realidade, não é alguém dentro do corpo e um mundo separado desse alguém, não há qualquer separação na vida, então a ilusão de um eu, de um mim, de uma pessoa é uma ilusão primária, na realidade é só um pensamento, é só uma crença, é só um padrão de condicionamento, nós estamos condicionados a confiar, a aceitar a validade disso, a acreditar nisso como sendo real, se o conceito, a crença, o pensador termina, o mundo como uma experiência, experimentada por esse pensador desaparece, só há uma Única Realidade, uma Única Verdade, uma Única Presença, sem qualquer sentido de separação, a constatação direta disso é a realização, o despertar, a iluminação ou o nome que você queira dar para isso, quando não há separação não medo, não há sofrimento, não há ilusão, nenhum tipo de ilusão é possível, despertar é isso, você está aqui apenas para isso, então esse é o trabalho da sua vida, é o trabalho de uma vida, dessa assim chamada sua vida, o trabalho de uma vida inteira.

Essa Presença sendo reconhecida nesse mecanismo, nesse organismo, o que estamos dizendo é que não há um centro, um mim, um eu, uma pessoa, dentro do corpo experimentando o mundo do lado de fora, com pensamentos, sentimentos e emoções do lado de dentro do corpo, há somente esta Realidade, esta Presença, esse Mistério, além de todo o entendimento, além de toda compressão, além de toda definição, além de toda verbosidade, todo esse acúmulo de ideias, de crenças, conceitos, estão a serviço e fortalecendo esse sentido de uma identidade separada, então agente desaprende isso tudo, abandona isso tudo, solta isso tudo, fica só com a vida, com a Realidade, com a Presença, com esse Silêncio, tudo era um sonho, apenas um sonho, não havia ali uma pessoa, e agora você percebe que era um sonho, uma pessoa escolhendo, resolvendo, decidindo, se esforçando, esse mim aí dentro é só uma memória, um aglomerado de crenças, de ideias, de imaginações.

Se trata nem menos de tentar desistir disso, tentar desistir implica na ideia de alguém fazendo algo, aqui se trata de trabalhar esse soltar, essa confiança, essa credibilidade, o segredo maravilhoso aqui é morrer, morrer para a ideia de um experimentador, morrer para a ideia de um agente, de um autor, morrer para a ideia de uma pessoa que se ocupou com o passado, se ocupa com o presente e está tentando encontrar um futuro melhor, mais feliz, mais preenchedor, mais completo, mais perfeito.

Você é convidado para esse silêncio, é evidente que temos que fazer uso da fala, e assim estamos expressando apenas ideias, conceitos, mas você não se prende a isso, não precisa se prender a isso também, você não está sendo ensinado, não tem nada aqui para você aprender, estamos falando e fazendo uso de conceitos para lhe apontar algo fora dos conceitos, a fala é sempre dual, sempre separatista, quando ela diz algo ela nega o seu oposto, é natural que a fala seja assim, mas não é sobre palavras que estamos tratando, esqueça todas as palavras, principalmente estas, ao meio dessas palavras você apenas caminhe, caminhe pela estrada, escute os pássaros cantando, olhe para as flores, sinta o sol batendo no seu rosto nesse instante, ao caminhar sinta o chão de baixo dos seus pés, uma brisa sopra, o sol fica oculto por de trás de algumas nuvens, e algumas gotas de chuva começam a cair, fique nesse sentir sem alguém nessa experiência, e aí está a verdade, a realidade, a liberação.

Não há nada de intelectual na verdade, a verdade não é intelectual, você pode vivencia-la, nunca explica-la, esse momento é um momento como esse, é sempre esse momento, como esse momento, a verdade está presente quando o intelecto não está, quando suas conclusões não estão presente, suas crenças não estão presentes, suas ideias, suas imaginações, tudo isso é puramente mental, nós falamos aqui desse experimentar direto, do experimentar sem alguém, seu trabalho é esse, trabalhar esse não-ser, trabalhar esse soltar a ideia de “ser”, trabalhar essa ilusão, dessa autoconfiança de um experimentar no pensamento, na emoção, na sensação, no sentimento, e este é o trabalho de toda uma vida.

A mente em sua imaginação ela confia num movimento dela para realizar isso, então cria um processo particular para realizar isso, a mente vai dizer também, eu preciso soltar a minha confusão, eu preciso ser clara, ver isso claramente, de forma cristalina, eu preciso entender isso, compreender isso, quando a mente faz isso, ela se salvou mais uma vez, o ponto real foi perdido, a mente adora isso, ela adora estar no controle, ela adora entender, saber, compreender, é muito ameaçador para ela, um apontar desse tipo, aqui nada está sendo dito para ela, e é natural que essa seja a última coisa que ela quer ouvir, dizer para ela; essa não é uma visão para você, não é uma visão para a pessoa, dizer para ela, você quer uma visão mas isso não faz parte da sua estrutura, isto não faz parte do tempo, isto não pode através de um processo criado por você construir isso, isso é algo que de fato a mente não quer ouvir.

Vocês vem ao Satsang e querem isso com muita urgência, em sua Natureza Real você está além do tempo, além da mente, além da ideia de estar vivo ou morto, mas a mente quer isso de uma forma muito rápida se passando por você, a mente sempre quer fazer algo, e aqui estamos nesse silêncio que é pura presença, que é quando podemos ter o perfume disso, o perfume daquilo que é atemporal, que não está dentro das medidas do pensamento, não podemos capturar isso, não haverá nenhum experimentador, nós queremos confiar na presença do experimentador para isso, e eu estou dizendo que não haverá nenhum experimentador, não houve, não há e não haverá. Essa Realidade, essa Verdade, essa Presença está nesse Silêncio fora da mente, fora do intelecto, fora do pensamento, fora da imaginação. 

Para a mente isso é muito desesperador, significa um mergulho no desconhecido, ela diz não há qualquer emoção nisso, não há qualquer sensação, não há qualquer sentimento, ela diz o que você irá fazer com isso? Na verdade isso é puro amor, pura liberdade, pura paz, pura felicidade, mas não há nada excitante nisso, não há nada de emocionante nisso, é simplesmente sua Real Natureza, nossa Verdadeira Natureza, isso significa a morte de tudo o que você confundido com essa mente conhece, é a morte desse você, como você conhece. 
É essa abertura, é essa transparência, é esse espaço, o espaço em que esse real você, eu falo desse real você, fora da mente se levanta, um você que engloba todas as coisas que permitem que todas as coisas sejam como são, esse você que é esse espaço não contaminado, no que acontece, a dor vem e vai, o pensamento vem e vai, sentimentos vem e vão, as emoções vem e vão, o experimentar em qualquer nível vem e vai, e você permanece aí, permanece como essa presença, como essa presença caminhando, sentindo o chão, debaixo dos pés, o vento soprando, o calor do sol, chuva, o perfume das flores, toda experiência, sem o experimentador, sem qualquer divisão, sem qualquer separação. É essa Ilimitada Presença que é Consciência, que é Ser, que é Deus. 

A ausência desse mim, desse eu, desse ego, não há mais amigos e inimigos, os bons e os maus, os santos e os pecadores, os deuses e os demônios, ou tudo isso pode aparecer como uma aparição sem qualquer importância, nesse espaço ilimitado de silêncio e liberdade, de paz e felicidade, de ausência de dualidade.

Ok pessoal, vamos ficar por aqui?

Namastê! Até o nosso próximo encontro!


Fala transcrita de um encontro via Paltalk Senses no dia 28 de Maio de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h Participem!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Paltalk Satsang - Você é o coração de tudo!





Boa noite turma. Todos com áudio aí?

Vamos lá, vamos colocar para você alguma coisa aqui. Uma coisa que nós já vimos aqui presente, esta colocação da Dani, e uma outra colocação do Marlon, reparem o que eles escreveram aí... 

A respeito disso que eles escreveram podemos dizer que; nós temos nos confundido com o pensar e o sentir, nós estamos dando muito valor a isso. A mente precisa, valorizar isso, isso dá autenticidade ao movimento dela, a busca de continuidade, essa busca de continuidade da mente é o sentido de ser alguém no sentir, de ser alguém no pensar, você se torna muito importante no sentimento, na emoção, na sensação, no pensamento. Você precisa ficar atento ao que eu vou lhe dizer agora, tudo o que aparece, aparece no tempo, não estava aí, alguns minutos atrás ou algumas horas atrás, não estava aí no dia anterior, ou não estava aí a alguns segundos atrás. Escute com atenção isso: Isso apareceu, mas não estava aí, tão certo quanto isto apareceu, vai desaparecer! Tudo o que aparece no tempo termina no tempo, e tudo o que está no tempo é fenomênico, e o que é fenomênico é real no tempo, fora do tempo não tem realidade. 

Agora o que é isso que presencia o aparecimento e o desaparecimento de um sentimento, de uma emoção, de uma sensação ou de um pensamento? Eu lhe digo; essa é a sua Natureza Real, essa aparição tem a ver com sua Natureza Real no sentido de que ela depende dessa verdade que é você para aparecer e desaparecer, enquanto você em sua Natureza Real não depende dela, nesse sentido não é você, embora esteja aparecendo ainda como uma aparição para desaparecer em sua Natureza Real, em sua Natureza Verdadeira.

Você é esse espaço dessa Consciência, dessa Presença. Então escute bem o que eu vou lhe dizer agora: Você é esse mais profundo vazio - esse mais profundo vazio é uma plenitude total, completa, o cerne de todas as aparições, o coração de tudo. Nós temos a ilusão de uma identidade presente, quando um sentimento está presente, uma emoção, um sensação, um pensamento, mas é só uma ilusão, é só a crença de um experimentador na experiência do pensamento, na experiência da emoção, na experiência da sensação, na experiência da dor, na experiência do sentimento, se você realmente olhar, você vai perceber que isso vem e vai em um fundo imutável, você sempre permanece imutável, como este vazio mais profundo, como essa plenitude total, não há ninguém, não há alguém, não há um entidade nisso, só o mistério, o profundo absoluto mistério, desconhecido, inexplicável, além de todo entendimento, além de toda definição, além de toda compreensão. Juntos? Acompanham isso?

Apenas fiquem nesse espaço, permaneça em seu Ser, permaneça nesse "testemunhar", testemunhar sem a testemunha, ela [a mente] é muito hábil, apressada, rápida, está muito treinada em intervir, em interferir, em assumir uma posição, quando falamos de meditação, falamos exatamente disso, reparem, meditação não implica na presença de um meditador, implica na constatação da ilusão de um experimentador na experiência pura. A experiência pura é essa Presença. O céu um dia está nublado e no outro está claro, ou no mesmo dia amanhece nublado e depois fica claro ou amanhece claro e depois ele escurece, mas isso é o que você vê, mas isso não é real para o céu, ele continua sempre intocável. É como quando você olha na linha do horizonte e vê o céu encostando na terra, você olha e vê o céu descansando, como uma cortina caindo sobre a terra ao longe, isso é só uma ilusão, a ilusão de que o céu toca a terra, assim como a ilusão de que o céu está encoberto, encoberto pelas nuvens, este é só o ponto de vista do experimentador. 

Aqui você é convidado em Satsang a soltar suas crenças, e quando você solta suas crenças você desaparece, porque você é suas crenças, sem crenças não há esse você, há só essa Natureza Verdadeira, essa Natureza Real, que não é pessoal, embora ela se assente aí, para esse mecanismo em particular, que é o que chamamos de despertar ou realização. Estamos sempre, com palavras diferentes, voltando sempre ao básico, o básico é esse mistério, é essa possibilidade de Ser sendo, é a mente que cria o conceito do experimentador num determinado momento, e tudo o que ela faz é separar aquele momento, tornando a experiência algo dela, e aí ela se afirma e se reafirma, vez, após vez, após vez, então estamos diante de uma lição maravilhosa, de um jogo divino.

Esses dias eu tenho falado sobre o bebê, o bebê recém nascido ele é o experimentar, ele jamais se importa de estar vivo ou morto, de ser alguém na experiência, ele não tem ideia de que está vivo, se você tem a ideia de estar vivo você carrega o conceito de que você pode morrer, e você só carrega o conceito de que pode morrer, porque você carrega o conceito de que está vivo como uma entidade com uma personalidade, com um eu separado, você tem que se manter, aí você caminha pelo mundo, acumulando, agarrando, segurando, possuindo, adquirindo, estudando como se manter vivo, como um experimentador. E assim você acumula milhares e milhares de crenças e teorias, tudo medo! Então você abandona a simplicidade de Ser não vivo e não morto. Essa simples alegria se torna anuviada, acobertada, por um mundo de conceitos, crenças, teorias, filosofias, experiências místicas, esotéricas, religiosas, espirituais, experiências de um meditador.

Em Satsang você é convidado a estar morto. A única forma de estar morto é abandonar o conceito de que está vivo, então não pode haver a ideia de morrer de novo, porque não há alguém na experiência, vocês dão muita importância a presença do experimentador, em uma sensação como em comer ou experimentar qualquer prazer sensorial, vivem tentando segurar a ideia de sobreviver, não se permitem estar morto. Sabem o que eu entendo por estar morto? Isso significa não carregar o experimentador para um momento seguinte, se você come um comida deliciosa, ou você faz sexo, isso já foi, não teve alguém nessa experiência, mas a mente carrega memória, ela precisa continuar vida, ela precisa se manter viva, ela precisa ser alguém, ela precisa continuar, escute: Você em seu Ser, você em sua Natureza Real, não precisa disso, a mente sim, então tenha paciência em observar o comportamento dela. 

Qualquer experiência agradável ou desagradável dá no mesmo, a ilusão de ser alguém é a busca constante de experiências agradáveis, isso é dor, é sofrimento, é medo, porque é a busca da continuidade, você precisa descobrir a beleza desse vazio, a beleza desse vazio absoluto, da plenitude deste vazio, da ausência do experimentador. Apenas nesse vazio mais profundo está a plenitude total, é a totalidade de Ser, de ser o que você é

Ser livre é algo totalmente sem esforço, significa deixar solto qualquer experiência acontecendo nesse instante, na realidade ela já está solta mesmo, só há a experiência não há alguém nela, você abandona esse vício de agarrar, de segurar, de apanhar, de deter, de lutar, de resistir, de sustentar isso. Aqui está o ponto, então o jogo termina. A natureza da mente é transformar qualquer experiência em algo de sua continuidade, em algo à serviço de sua continuidade. 

Reparem a pergunta deste menino: Se não acumulássemos tanto passado poderíamos desfrutar infinitas experiência - reparem o quanto a mente é ambiciosa - poderíamos desfrutar infinitas experiências sempre, sempre na tela em branco do ser imutável? - Que blá blá menino - Seria expandir a consciência isso? - Reparem isso tudo é bobagem, pura ambição, estamos falando exatamente do fim da necessidade de ser, e sua pergunta, ela implica, a fixação, ou a habilidade de se tornar super poderoso nessa coisa, não há expansão de Consciência, tudo o que pode expandir é a mente, a Consciência é o que é, tudo o que você escuta falar sobre expansão da consciência é a expansão dessa suposta identidade, é a mente em sua expansão ela pode expandir de uma forma extraordinária, você pode se tornar um super-homem, um super ser, (risos), um super-ego! Olha outra forma de ambição chegando: 

PARTICIPANTE: Abdicar de tudo é uma forma de matar o ego e a mente e ser somente o ser?  

M.G: Pura ambição também, não tem que matar o ego, não tem que ser somente ser, assim como não há só expansão da consciência não é possível você também ser somente ser, o que é já é, e não tem você nisso, e não há como matar o ego ou a mente, não tem nenhum ego ou mente, o ego, se torna um super-ego na ideia de se expandir, a mente se torna uma super-mente na ideia de ser somente ser, isso é pura ambição, mais uma vez capturados estamos aí pela mente. Você tem que abandonar isso, abandone a ideia de ser, de vir a ser, abandone a própria ideia de abandonar, você não precisa abandonar nada, apenas abandonar a ideia de que tem que abandonar

Tudo o que você precisa é observar os truques, esses truques de continuidade desse experimentador em qualquer experiência aparecendo, a pura e direta observação disso é o fim disso, não é um fazer, ego significa fazer, o que quer que seja feito, será feito por essa suposta identidade na ideia de ser o fazedor, de ser o realizador, aqui tudo o que nós precisamos é descobrir a beleza de estar quieto, nessa desidentificação com o experimentador em qualquer experiência seja ela qual for, alguns de você dizem: eu preciso desistir, eu preciso fazer ou eu preciso não fazer, o que dá no mesmo, é assim que o jogo continua, a mente sempre vai transformar qualquer coisa em algo dela, ela mesma vai se ocupar do não-fazer e isso já é uma belo fazer da sua parte, nós vamos passar o resto da vida tentando este não-fazer, este abandonar, esse desistir, na intenção de conquistar uma consciência expandida ou ser somente ser, sempre buscando, sempre querendo, sempre esperando, na realidade sempre fugindo, fugindo do passado e inventando um futuro ilusório, fugindo da não realização em busca de uma ilusória realização, nessa assim chamada expansão da Consciência, nesse assim chamado ser somente ser.

Nós vemos a morte como algo aterrorizante e por que? Porque é o fim da ideia de poder expandir, de poder evoluir, de poder crescer, de poder realizar ou chegar lá. Vocês querem que eu diga algo para você para valer? Toda relação que você tem com a vida não é real, porque é uma relação baseada nesse pensamento, no pensamento de ser, de se tornar, de chegar, de conquistar, de afirmar a si próprio como alguém, estamos sempre em interpretações que nunca satisfazem, estamos interpretando o que a vida apresenta, há sempre assim a divisão, essa divisão entre o que eu sou e o que eu posso vir a ser, se tornar, chegar... 

PARTICIPANTE: Quem somos e porque estamos aqui?

M.G: A resposta a pergunta quem somos e porque estamos aqui, significa o fim do sentido de separação presente, na ideia de que tem alguém aí, o melhor mesmo, esta aí o Idelmar colocando; é ir ao Satsang. Você pode ter um perfume muito direto a respeito da resposta a essa sua pergunta, se for realmente sério quanto a isto, se estiver queimando aí por isso, em Satsang, jamais no intelecto teremos qualquer resposta para essa pergunta, qualquer resposta que eu possa lhe dar, que qualquer um possa lhe dar, não é real, isso é realizável mas não explicável, é possível Ser, mas não explicar o que isso significa. É possível realizar aquilo que você é porque isso já é você, mas discorrer sobre isso, explicar sobre isso, colocar isso em palavras é impossível. Isso é algo que você constata em si mesmo, "realiza" por si mesmo. Estamos dizendo que essa é a sua resposta, não pode ser de outro, porque não tem outro para lhe dar essa resposta. 

Quando nós nos encontramos em Satsang para descobrir o que significa investigar, não essa Presença, essa Realidade, essa Consciência, essa Verdade, que é você em seu ser, mas para investigar a natureza da ilusão que é esse movimento conhecido, que é o movimento da mente. A verdade é algo que não está oculto, ela sempre está presente, ela já é, não podemos investigar a realidade, podemos investigar o que é investigável, a natureza da ilusão.

PARTICIPANTE: Por que queremos saber das coisas?

M.G: Porque somos mentais. Estamos identificados com a mente, quando a mente cai o desejo de saber cai com ela, reparem o quanto vocês amam ler, estudar, isto é muito típico da mente, o quanto somos mentais, o quanto queremos saber, é a busca da segurança no conhecimento.

PARTICIPANTE: Tem haver com o medo? 

M.G: Sim, totalmente. Mente é medo. Você é AQUILO que conhece, repare, eu disse você é AQUILO que conhece, eu não disse àquilo que está confundido com o conhecimento, Consciência é aquilo que conhece, por conhecer não sabe, não precisa saber, não se ocupa em saber, não busca saber, porque é aquilo onde todo conhecimento, onde todo o não-conhecimento também aparece.

PARTICIPANTE: Investigar a natureza da ilusão sem ser pego pelas armadilhas da mente é possível?

M.G: Na verdade é uma armadilha da mente você investigar a natureza da ilusão, repare como você colocou a pergunta: "Investigar a natureza da ilusão sem ser pego pelas armadilhas da mente é possível?" - e eu estou dizendo, você só pode se livrar das armadilhas da ilusão da mente quando investiga o movimento dela, quando o falso é visto, você já não está mais diante do que é falso, mas quando o falso não é visto, tudo o que você tem é a mente, se passando pela verdade, e é assim que temos vivido, e vamos continuar assim, enquanto a mente estiver aí. 

Vamos ficar por aqui? Até o próximo encontro. Lembrando a você que neste final de semana será o nosso encontro em Fortaleza. A coisa é para valer é no encontro presencial.

Namastê!

Fala transcrita de um encontro via Paltalk Senses no dia 28 de Maio de 2014
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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Paltalk Satsang - A Verdade não pode ser revelada porque ela não está oculta!






Aqui tivemos uma sugestão de um participante, que pediu que pudéssemos falar um pouco sobre confiança. É de fato, um tema interessante.
 
Gostaria de perguntar a vocês, quando vocês entram numa aeronave o que é que vocês fazem? Quando vocês vão ao dentista e se assentam naquela cadeira e vê aquela moça vestida de branco ou aquele moço com cara de garoto, com cara de criança, você aí que já tem meia idade ou que já passou, que já está na terceira idade, o que é que acontece? Você pede o diploma? Você quer saber qual é a experiência anterior daquele moço ou daquela moça, daquele piloto ou motorista de taxi? 

Então quando falamos em confiança, eu não sei se podemos falar sobre desconfiança, falar sobre confiança ou desconfiança, na verdade dá no mesmo, o fato é que aqui você se depara com uma ilusão absolutamente convincente, um grande truque, um truque maravilhoso, um mundo que nos parece sólido, a experiência sensorial que nos parece algo muito real, um truque de luz e sombras, de sons, de cheiros, estamos diante de uma ilusão, uma ilusão que precisa ser investigada, estamos diante da ilusão de uma identidade presente nessa experiência, experimentando tudo isso, e a questão é que não há como isso ser investigado sem essa confiança, a investigação da ilusão, da ilusão desse sentido de separação, só é possível em uma profunda confiança, a palavra confiança aqui, nós substituímos pela palavra entrega assim como você se entrega ao piloto, se entrega ao dentista, você se entrega a um especialista, e não tem outro jeito, essa relação com a Presença, com a Graça, com a Consciência, e aqui, aquele que está assentado em seu Estado Natural, investigando com você a verdade acerca disso tudo, ou isso, ou continuamos nessa maravilhosa e encantadora ilusão... 

Você tem a possibilidade de investigar isso nessa confiança, é como se eu dissesse para você: - Você já tem tentando do seu jeito e não tem funcionado, agora eu te digo, há uma forma de fazer isso, posso lhe garantir que há uma forma de fazer isso, como isso pode ser encarado? Ou você fica dentro da aeronave ou você sai, ou você fica assentado na cadeira do dentista ou sai, mas você precisa se deparar com essa situação da viagem. ou com essa situação de tratar seus dentes, em algum momento você vai ter que parar e vai ter que encarar isso, consegue acompanhar o que estamos dizendo?

Como Ramana dizia, o Guru é um Leão que acorda..., é um leão num sonho do elefante, para acordar o elefante dorminhoco, depois que o elefante acorda, percebe que não há nenhum leão e nenhum sonho. Não há nenhum leão em seu sonho e não há nenhum sonho, assim sejam bem vindos ao lar, ao seu próprio Ser, a este único lugar que sempre é o que é, toda essa ideia de um mundo externo é apenas uma ideia, um conceito, uma crença. A ideia de que você é um experimentador, é alguém nessa experiência, nessa experiência de pensador, nessa experiência de observador, nessa experiência de experimentador é só uma crença, e uma vez que exista essa crença, tudo aparece, toda ilusão baseada nesse sentido de separação aparece, essa ilusão convincente, e para se livrar dessa ilusão convincente é necessária uma profunda e significativa confiança, isso é possível nessa relação, só é possível nessa relação, nessa aparente relação. A Presença do leão no sonho do elefante, para despertar o elefante, isso também é só uma ilusão, uma ilusão necessária, uma brincadeira divina, um truque de Deus. 

Precisamos nos livrar dessa ilusão, e para nos livrarmos dessa ilusão precisamos de uma outra ilusão (risos), para nos livrarmos da ilusão dessa não realização, precisamos da ilusão de um suposto realizado nos falando a respeito da nossa própria realização, uma grande brincadeira divina, só há realização em toda parte, supostos realizados, supostos não realizados, mas falar sobre isso teoricamente, ideologicamente, conceitualmente, é uma grande bobagem, uma grande bobagem... 

É preciso “saber” diretamente isso, saber o que é, saber o que é é realização, o fim dessa ilusão primária, a ilusão desse eu, não é uma ilusão que precisa ser destruída como temos falado muitas vezes, porque é apenas um pensamento, esse você aí é só um pensamentos, mas é um pensamento muito, muito convincente, esse pensamento muito convincente é o sonho da separatividade, o leão entra nesse sonho, aparece nesse sonho, desperta você para a sua real natureza. Essas falas são sempre bastante estranhas...

PARTICIPANTE: Isso tudo dá um choque na mente. Me sinto confuso...

M.G: Confusão é parte da natureza da mente. A mente em si é a própria confusão, então não se importe com a confusão, isso faz parte do que a mente é, você precisa confiar nesse apontar, a fala é sobre confiança, estamos dizendo que há algo aí que é capaz de presenciar, de perceber essa confusão, então essa confusão não acontece à você, acontece à mente, é a mente presente confusa, você jamais está confuso, você não se preocupa jamais com clareza ou confusão, só a mente se preocupa com esclarecimento ou com confusão, se a confusão está aí, deixe ela aí, a procura de tentar dissipar a confusão produz mais confusão, porque aquele que procura dissipar a confusão ainda é parte da confusão, ou jamais se preocuparia em se livrar disso, se não fazemos nada com a confusão e deixamos ela solta, como geralmente colocamos nessas falas, percebemos que ela não tem uma identidade, ela não pode se fixar, é só um movimento caótico do pensamento, de  um pensamento acontecendo sem um pensador. E aí entra a outra pergunta:

PARTICIPANTE: Se o próprio sentido de eu é ilusório, a quem é revelada a verdade?

M.G: Só há a verdade, ela já é o que é, ela não pode ser revelada porque ela não está oculta. Essa ocultação da verdade é só o movimento, esse movimento confuso, caótico, nebuloso do pensamento, uma vez tendo se desidentificado do pensamento, a verdade aí está, como sempre foi. A verdade está sempre presente, ela não se revela porque ela não está oculta, aquilo que cai é a ilusão desse sentido de separação, criado pelo pensamento, estamos dando identidade ao pensamento, o pensamento não tem uma identidade por trás dele, é assim com emoções e sensações, não há alguém nessa experiência de pensar, de sentir, a experiência da emoção, a experiência da sensação... Esperem, esperem... (muitos participantes escrevem muitas perguntas na sala do Paltalk), vocês fazem muitas perguntas, acompanhem a resposta de uma pergunta com calma, quando você está muito interessado em sua pergunta, você está só no intelecto, ocupado com isso, escute a pergunta que o outro fez pois nessa resposta pode estar a sua resposta. Você diz: 

PARTICIPANTE: Porque as vezes, me parece ser inútil estar aqui e fazer qualquer pergunta pois parece-me que perguntar mais, não levará a lugar algum, mas, ao mesmo tempo estou aqui novamente realizando perguntas?

M.G: Veja bem, as pergunta elas tem, um determinado lugar delas dentro do Satsang, elas sempre terão um determinado lugar dentro do Satsang, mas paradoxalmente a verdade está além da respostas, porque ela está além do perguntador, mas enquanto houver perguntas, elas devem ser feitas, mais importante do que a resposta é o fim do perguntador, mas nós não podemos forçar isso, o perguntador desaparece no tempo, junto com a respostas que ele ainda precisa ter, que ele ainda precisa ter, enquanto, acredita ser alguém... 

Nós sempre lhe incentivamos a vir ao Satsang presencial, você logo irá descobrir por quê, a única resposta real é o Poder da Graça, aquilo que é vivenciado nesse silêncio, nesse contato, nesse toque, nesse olhar, nessa proximidade... Há algo presente nessa fala, maior do que essas perguntas e respostas, esse algo presente é esse silêncio. Você pode vivenciar isso aí, embora não possa expressar isso em palavras, esse silêncio é a sua Real Natureza, essa sua Real Natureza é o fim das perguntas e respostas, é o fim do saber e do não saber, a Realização é o puro conhecer sem o conhecedor

A mente passa a vida inteira em busca de respostas, tudo o que a mente quer é encontrar a paz, toda busca espiritual repousa em cima dessa hipótese, a hipótese de que a mente ou esse buscador, essa pessoa, esse sentido de identidade um dia irá chegar a libertação, a liberação, a iluminação, um dia irá encontrará o fim para suas perguntas e respostas, mas na verdade a mente sempre vai estar nesse movimento, enquanto houver este centro, este mim, este eu, esse jogo vai continuar. Há uma realidade além de todas as perguntas e respostas, além de todo entendimento e não entendimento, além de toda possibilidade de compreensão ou não compreensão, mas isso significa o fim da mente. Na razão em que você se aproxima de Satsang, as perguntas que você faz, elas começam a cair, isso começa a perceber que não há resposta nenhuma para muitas das perguntas que você tem, porque são perguntas que ficam apenas a nível de intelecto.

Bem vamos ficar por aqui, nosso horário já chegou aí, são 23h04m. Grato pela presença de todos. E o mais importante do que perguntas e respostas que podemos ter dentro desses encontros é exatamente esse momento de silêncio, este momento de encontro de coração.

Fala transcrita a partir de um encontro via Paltalk Senses no dia 21 de Maio de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h. Participem!

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