terça-feira, 15 de abril de 2014

Paltalk Satsang - A Chave para o Desaparecimento do Sofredor





Bom estarmos juntos em mais um encontro, em mais um momento de contato com o que é, agora você está na sala, no quarto, em algum aposento aí da sua casa, ou mesmo no trabalho, ocupado com outra tarefa e ao mesmo tempo ouvindo o Satsang. 

Ocupado ou não, estando dentro de um espaço ou outro espaço, tudo o que você tem é aquilo que está presente, é aquilo que se apresenta nesse instante, o próprio pensamento é algo se apresentando nesse instante, aquilo que se apresenta nesse instante é o que é, uma ideia sobre isso, a presença de alguém nessa ideia é a raiz dessa ilusão, o que eu vou pensar, o que eu penso, o que estou pensando, o que estou sentindo, o que estou experimentando, a minha experiência é a ilusão, não há sua experiência, só há a experiência em si, a experiência nela mesma, não é o que eu estou pensando, só há o pensamento acontecendo, reparem nisso, tudo é pura imaginação.

O pensador é uma fantasia, uma imaginação, o pensador foi criado pelo sentido de auto importância, o pensador para se manter, que é essa imaginação da auto importância, tem essa capacidade de pensar, ele tem essa capacidade de escolher, ela tem essa capacidade de se determinar, o pensador tem o poder de criar, de plasmar a realidade, no entanto, o pensador não existe, só há pensamentos, é como a questão da dor física, ou de qualquer sensação na auto importância, o sentido desse eu que diz estou com dor, enquanto que na verdade só há dor, e essa dor é localizada numa parte do corpo. Querem fazer alguma pergunta sobre isso?

Vocês tem problemas com pessoas? Ou os problemas que vocês tem com pessoas é o problema que a mente tem com ela mesma e coloca uma identidade aí? Essa identidade aí é o sentido de identidade separada buscando um reforço, buscando continuar, vocês nunca estão lidando com pessoas, lidar com pessoas é impossível, vocês estão identificados com a mente, não encontrando a mente em outros mecanismos, então na verdade é você mesmo, quando eu digo você é a mente, a mente em apuros, porque você não está separado da mente, e esse você é só a mente, na verdade não tem você, só tem a mente com problemas, problemas de relações. 

Pergunta: E quando a dor não é no físico? 

M.G: Aquilo que você chama de dor nesse caso, um sentido de desconforto, de sofrimento, talvez essa seja emocional, mas a emoção, como o sentimento ou o pensamento não tem dono, é particular nesse corpo, mas não tem dono, quem pode ser dono de uma dor emocional, ou seja, quem pode ser dono do sofrimento, aonde o sofrimento é possível? Ele pode ser particularizado, mas não é pessoal, ele pode ser localizado, tudo o que aparece e desaparece pode ser localizado no espaço, mas continua sem dono, experimente da próxima vez que você se sentir triste, permitir a tristeza sem dono, permitir a tristeza sem dono significa não dar a ela uma identidade através de uma história de pensamentos, aí fica só a tristeza, aí você apenas observa isso, aí você descobre que não tem dono, porque se não tem uma história é só um sentimento, observe por quanto tempo isso permanece aí localizado, o ponto de partida sempre é esse; não há alguém aí nessa experiência, só há a experiência, é a experiência do mecanismo a dor física, é a experiência do mecanismo essa dor sentimental, emocional, é a experiência do mecanismo esse desconforto. O sofrimento sem uma identidade não tem dono, não é sofrimento, é só uma experiência desconfortável, aflitiva, dolorosa, desarmoniosa para o corpo.

Você fica com essa base real: você não tem importância porque você não existe, dê esse mesmo tratamento a todas as suas histórias de memórias, você foi abandonado pela mulher, pela marido, pelos filhos, isso é só uma história de alguém no abandono, não tem ninguém no abandono, só tem a vida se movimento dessa forma nova, assim como se aproxima ela se afasta, assim como ela traz ela leva, assim como algo chega, algo vai embora, não coloque uma identidade nisso, depois me conta sobre esse sofredor, fica algum sofredor? Fica algum experimentador quando nada é rejeitado? Não é rejeitado, se nada é rejeitado, que importância você tem, aonde é que você entra? Aonde é que está o valor da sua existência separada? Estão percebendo como é prático isso que estamos colocando? Exercite isso, exercite não ser alguém, exercite esse não experimentador, esse não observador, esse não monitor, esse não controlador, esse que não escolhe, trabalhe isso de uma forma prática no seu dia a dia, você estava no ponto do ônibus e o motorista não parou o ônibus para você, apenas olhe para isso, aguarde o próximo ônibus, é possível que o próximo pare, mas isso não tem a menor importância, se você não tem importância ali, você não escolhe, rejeitar chegar atrasado, no seu compromisso, as coisas são como são, se você não escolhe chegar atrasado no seu compromisso, isso lhe coloca numa posição de escolha, de contrariedade, de aborrecimento, de insatisfação, de revolta, de raiva, você fica livre disso, você fica com esse movimento da vida, o movimento da vida é esse que se apresenta, o motorista deixou você para trás, não parou para você, você fica com o lado prático, ou você aguarda o próximo ônibus, ou se tem dinheiro pega um taxi, mas internamente permanece aí a não escolha, sem essa escolha, sem qualquer contrariedade, sem ego, sem auto importância, sem o sentido de separação. Está claro isso? 

A vida no desafio dela não se importando com você, você não é especial, reparem que isso é contrário a tudo o que aprendemos até hoje, é por isso que estamos tão limitados, dentro desse sentido de pessoa, e naturalmente resistindo a vida como ela se apresenta. Essa resistência é a presença do sofredor quando os seus desejos são contrariados, quando suas expectativas são frustradas, quando o seu auto valor não tem qualquer valor


Esse "não" nos dá uma liberdade total de aceitar o que nos acontece, sem julgamentos... E o "não" com sabor de "Sim!" Identificar com esse "não" egóico nos aprisiona no julgamento e no vitimismo.   

Pergunta: Será possível não fazermos escolhas e ainda assim darmos conta da vida? dos afazeres, empregos, concursos, pagamento de contas... Isso não parece contraditório?

M.G: Sim. Na mente isso soa muito estranho, mas na verdade quando você pergunta "Será possível não fazermos escolhas e ainda assim darmos conta da vida?" Estamos dizendo que não há escolhas, a vida já está acontecendo sem qualquer escolha nossa, isso significa que nós não estamos dando conta da vida, é a vida que está dando conta de tudo, ou seja, pode soar estranho isso, mas quem cuida desses afazeres, pagamentos de contas, não é você é a própria vida. 

Ok Pessoal? Vamos ficar por aqui! Obrigado pelo encontro, e vamos trabalhar isso, e quando eu digo vamos trabalhar isso é vamos aprender a ficar quietos, até o próximo encontro!


Fala transmitida via Paltalk Senses no dia 11 de Abril de 2014
Encontros às segundas, quartas e sextas às 22h Participem!

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