terça-feira, 8 de abril de 2014

Paltalk Satang - O que é a Graça?




Esses encontros são sempre encontros desafiadores, estamos diante sempre de um grande desafio para a mente, essas falas assim como a proposta geral desse trabalho, para a mente é algo sempre estranho, não faz parte dela. Isso explica porque não ficamos à vontade, quando tentamos capturar isso, quando tentamos colocar isso dentro daquilo que é comum, daquilo que é conhecido. Estamos sempre com perguntas não respondidas, elas são respondidas, mas continuam sem ser respondidas, isto porque você não pode obter isso, não pode alcançar isso, não há como aprender isso, segurar isso, e essa é a beleza da verdade, ela não pode ser sua, não pode ser dele, dela, minha, a verdade termina com a ilusão, com a ilusão de alguém para obter isso, com a ilusão de alguém para perder isso, ouvir isso soa muito estranho, dizer para você que não temos nada para você nessa sala, dentro da proposta dessa sala, da proposta desse encontro em Satsang...

Agora, tudo isso que você precisa, que é exatamente aquilo que você não tem como encontrar, é algo que está presente, fora de qualquer esforço da sua parte, toda e qualquer tentativa sua e isso lhe escapa, todo e qualquer esforço da sua parte não significa nada, nós temos falado muitas vezes com você a respeito da Graça, a Graça é essa ação desconhecida, ela revela tudo aquilo que você precisa, e ela lhe mostra que você não precisa de nada. Nessa ausência, nessa ausência de ser, nessa ausência de capturar, nessa ausência de sustentar algo, falo dessa ausência do desejo de alcançar alguma coisa, essa ausência do desejo de apanhar isso, nessa ausência da sua pessoa, aí está a liberação.


A liberação é a sua ausência, na liberação não há alguém, eu posso lhe dar algumas dicas sobre isso: Toda e qualquer sensação presente agora, todo e qualquer sentimento presente agora, toda e qualquer emoção, todo e qualquer pensamento, não implica na necessidade de alguém, aí está a liberação, se você assume isso como sendo de alguém, esse alguém aparece. O "eu" não tem qualquer existência real, até que o simples pensamento seja valorizado através de uma suposta identidade por de trás dele.

PARTICIPANTE: Assim sendo, podemos nos tornar merecedores da Graça? Ou merecimento não tem nada a ver com a Graça? 

M.G: O merecimento não tem nada a ver com a Graça, a Graça em si, ela já é suficiente, ela já é completa, total, e ela não trata com o esforço, ela não vê alguém, você já é a Graça, e se você está dentro de Satsang com a Graça que você é, você já tem tudo, você não pode merecer ou deixar de merecer isso, porque você já é isso, a questão nunca é a ausência da Graça, a Graça sempre está presente, a Graça é como um espaço, que não é visto porque está cheio de móveis dentro dele, se os móveis são tirados, a Graça é vista, ela sempre esteve ali, esse movimento de tirar os móveis daquele espaço que é a Graça, é o movimento da própria Graça, então isso não é merecimento, aqui você escuta eu lhe dizer, rende-se, não resista, se entregue, e na verdade eu sei que você não pode fazer isso, isso é o movimento da Graça, mas você é a Graça, então eu sei que isso já está aí, essa possibilidade já está aí, paradoxalmente não está aí, não está aí no esforço, na intenção, no planejamento, através de técnicas de práticas, mas já está aí na simples não-resistência, na simples não-luta, contra o que já está aí, na simples entrega, então nessa entrega, aí está a coisa toda.

Você está presente em Satsang por uma ação da Graça, e isso é só Graça, não há nenhum merecimento nisso, não há nenhum esforço da sua parte nisso, mas isso indica uma entrega, indica uma não-resistência, isso indica que houve um acolhimento aí, houve uma resposta a esse convite, uma resposta de ninguém. Eu sei que é bastante maluco isso, é uma colocação muito estranha essa colocação, todas essas falas ou colocações são muito loucas, você está aqui porque algo está lhe trazendo, e esse algo é a própria Graça, ela está limpando este espaço, ela está se mostrando, ela está se auto revelando, o Ser, é auto fulgente, a consciência é auto fulgente, essa Presença, por si só ela brilha, ela faz a coisa toda, essa Presença é a Graça, essa Presença é Deus, nesse sentido essa Presença é o Guru, nos compreenda, ele não está fora, Deus não está fora, a Graça não está fora, o Guru não está fora, é só uma ideia esse Deus fora, essa Graça fora, esse Guru fora, essa Presença fora, tudo é uma coisa só, que é Presença, que é Graça, que é Ser, que é Deus, que é o Guru, que é você.
 
Você escuta uma fala não dual, não tente colocar isso em termos de causa e efeito, isso primeiro, e depois aquilo, estamos dizendo que tudo está acontecendo simultaneamente, então a meditação que é entrega, que é auto-investigação, que é Graça, você é essa Única Presença, que é Graça, que é Ser, que é Consciência, então o espaço presente, ele não se altera com a ausência desses móveis dentro deste espaço, ele continua sempre sendo o mesmo, aqui o que muda, é que na ausência desses móveis há uma constatação desse espaço, que sempre esteve presente, é isso que chamamos de despertar ou realização, você é essa Graça sempre presente, mas estar cônscio dessa Graça, só no esvaziamento, só na retirada desses móveis, só em razão desse movimento de liberação desse espaço que é a entrega, você vai se tornando ciente da presença da Graça, na razão em que essa entrega está aí, como acabei de colocar agora pouco. 

Estar presente aqui é entrega, estar em Satsang é entrega, isso é o trabalho, isso revela a Graça, isso já é a Graça, então não se trata de um merecimento, se trata tão somente de entrega, que poderíamos chamar de amor a verdade, nada disso vem de uma escolha, de uma vontade ou de uma decisão pessoal, não tem alguém nisso, você está em Satsang porque é o seu momento, é o momento dessa Graça, se auto revelar, se revelar a si mesmo, se mostrar a si próprio, Deus não quer mais continuar disfarçado de não ser Deus, a verdade não quer mais continuar disfarçada de não-verdade, a Consciência presente aí, não quer mais continuar disfarçada de inconsciência, disfarçada de mente egóica, a totalidade não quer continuar disfarçada de partes, essa única realidade não quer continuar disfarçada de muitas aparições, de muitas aparências, disfarçada de multiplicidade.

O grande segredo continua sendo a entrega, a não-resistência, o não lutar contra o fluxo, o fluir do rio, é preciso apenas isso, nada mais, você não tem que entender nada, não há nada para ser entendido mesmo, o problema com algum de vocês, é exatamente esse, vocês querem entender para acelerar, parece que estão numa corrida, você não está disputando lugar com ninguém, não tem alguém, não tem um lugar para chegar, o tempo aqui não tem qualquer importância, isso é completamente irrelevante, o tempo é só do mecanismo, não é seu, só importa para ele e não para você, o que realmente lhe importa é a entrega, você não está numa corrida, não tem outros com você, só tem você e você mesmo. 

Você não se rende, não se entrega a outro, mas a si próprio, é nesse sentido que a Graça não está do lado de fora, que o Guru não está do lado de fora, que a Presença não está do lado de fora, que o Ser não está do lado de fora, a não-separação não é algo do lado de fora, toda maturidade que você precisa já está aqui, pois de outra forma você não estaria nessa sala, toda habilidade, capacidade, todo poder para isso já está aqui, ou você não apreciaria Satsang, mas tudo o que a mente puder fazer, ela vai continuar fazendo, o propósito desses encontros é investigar esses truques que a mente continua tendo em alguns mecanismos aqui presente, seu corpo e mente são apenas mecanismos, minha fala se dirige a você não a esse mecanismo, nossas falas em Satsang, tem como propósito pôr fim a esses truques dessa mente egóica, e isso significa parte desse esvaziamento desse espaço, também como trabalho da Graça, para que ela se auto revele.

Tudo é essa Presença, tudo é essa Graça, sua Natureza Real é esse Silêncio, é essa Liberdade, é essa Graça, é essa Naturalidade. Vocês se ocupam com muitas coisas desnecessárias, é o que eu costumo chamar de distrações, a mente adora distrações, essa mente egóica adora distrações, tudo o que ela sabe fazer é se ocupar com coisas, é se ocupar com móveis, é ocupar esse espaço, esse espaço que é o espaço do Silêncio, da Paz, da Liberdade, da Graça, da Felicidade, tudo o que a mente sabe fazer é ocupar esse espaço com distrações, a busca de experiências espirituais, são distrações, a busca de conhecimento a respeito disso são distrações, a busca de sidhis são distrações, alguns de vocês querem poderes, poder de curar, poder de prever o futuro, poder de ver o que aconteceu no passado, poder de viajar em um corpo astral, são tudo distrações, se quiserem se manterem ocupados com isso, ocupando esse espaço, que é o espaço do Silêncio, da Graça, da ausência do ego, com essas coisas (...)

PARTICIPANTE: Eu quero fazer o mundo melhor. rsrsrs!

M.G: Distrações. Tudo distrações, meu grande amigo Pontes, consertar o mundo, salvar o planeta, você está aqui para sair desse sonho, despertar é sair do sonho, despertar é soltar o sentido de separação, é viver livre do ego, livre de todo esse acúmulo, de todo esse conteúdo mental. 

PARTICIPANTE: Quero salvar a mim de mim mesma!

M.G: Você não pode, isso ainda é uma ocupação, isto ainda está atrapalhando o trabalho da graça de seu auto revelar...

PARTICIPANTE: Não podemos nada.

M.G: É exatamente isso, não podemos nada, felizmente não podemos nada.

PARTICIPANTE: Podemos só ir ao Satsang, é deixar esse trabalho por conta do Guru...

M.G Mesmo que você tenha outra teoria, olha o que este participante acabou de dizer, podemos só ir ao Satsang, isto porque o Guru é a Graça, é a Presença, é Deus. Não existe separação entre você e o Guru, porque só existe você mesmo, que em sua Real Natureza já é o Guru, mas qualquer pensamento sobre isso é ego, é manter, criar um conceito a respeito disso.

PARTICIPANTE: Ficar quieto então?

M.G: Sim exatamente isto, ficar quieto, é só isso. Na bíblia diz no salmo 46 versículo 10: “Ficai quieto e saiba que Eu sou Deus”, é somente ficar quieto, é somente isso.

Bem hoje vamos ficando por aqui, Namastê! Até o próximo encontro!



Fala transcrita de um encontro no Paltalk Senses no dia 07 de Abril de 2014
Encontros todas as segundas, quartas e sextas às 22h

2 comentários:


  1. O trabalho não é seu

    A proposta em Satsang é você se encontrar.O paradoxo é que em Satsang se encontrar é se perder.
    Sentimentos humanos. Você não pode ser grato ao Mestre.Você pode sim,é uma possibilidade,ser grato pelo Mestre.
    Ele é grato à você,quando Você desaparece.Fique quieto,cala a boca e seja.
    Estamos tão corrompidos que qualquer coisa que venha da nossa parte é suspeita.
    Não fosse isso, não precisaríamos do Mestre.
    Ele é a fonte.Nós, pobres mortais.

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  2. Quem sou?
    Isso não é estar perdido?
    Quando você sabe,a certeza está presente.Pode-se fazer um currículo.
    Até quando? Deus é quem sabe.Então entrega logo.

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