domingo, 23 de março de 2014

SATSANG - MEDITAÇÃO O OLHAR ÚNICO




Eu sinto que nós temos complicado muito isso, algo não razoável, algo de extrema implicação, bastante descuidada de nossa parte. Não abraçar o que está diante de nós, não reconhecer o que está diante de cada um de vocês, como se apresenta. Adulteramos tudo quando nos distanciamos disso, por não abraçarmos isso que se apresenta.

Vamos falar sobre isso então. O agradável e o desagradável, o bom e o ruim, o justo e o injusto, positivo e negativo, o falso e verdadeiro. A rejeição disso é esse não abraçar, é se separar, é se distanciar. Então, o que se apresenta como aquilo que se apresenta, se torna conflituoso, o conflito está exatamente nisso, nessa distância que você toma daquilo que se apresenta, torna isso complexo, porque a coisa foi rejeitada.

É a vida se apresentando, é o instante sendo único. Você se separa, quem é você que se separa? É aí que está toda a grave implicação, basicamente esse é o sentido de uma identidade separada, a rejeição do que se apresenta, como se apresenta. Então não há simplicidade, criamos a complexidade, toda dificuldade é puramente mental, essa é a distorção do sentido de alguém que escolhe a vida. A Vida não aceita essa escolha. Você nela é insatisfação, você nela é contradição, você nela é conflito, você nela é sofrimento, uma ilusão.

Só para você isso é real, e mesmo assim permanece como "uma realidade", muito dura, e quando você vem e nos escuta nós apontamos, de novo apontamos, de novo apontamos para aquilo que é simples, para aquilo que é natural, que é isso que é, é isso que se apresenta. Sem você, tudo é paz, tudo é liberdade, tudo é amor, tudo é verdade, tudo é o que é.

Esse não abraçar, esse rejeitar, esse não aceitar, é todo o problema. Problema dessa ficção chamada “eu”, “mim”, “pessoa”. Tudo o que temos é a vida como ela é, sem você, você é só uma fantasia bastante convincente, só não dá para convencer a existência.

Talvez você pergunte o que é Meditação. Meditação é abraçar o que é, como é, sem a fantasia, é quando a existência se mostra total, completa.

Nenhum conflito, nenhum medo, nenhum anseio, nenhum desejo. Talvez você pergunte o que é a existência, a existência é amor, é possível quando você não está. Se mostra como meditação que é você em sua natureza real. E se você abraça o que vem e o que vai, o que aparece de positivo ou negativo, de bom e mau, de certo ou errado, todas essas noções, elas se dissolvem na meditação, que é Ser, que é você.

Repito, em sua Natureza Real, tudo é simples, suavidade, delicadeza, silêncio, liberdade, existência, amor, você, Presença. Essa Consciência, aonde TUDO se mostra e aonde TUDO sepulta.

De forma prática eu diria para vocês, lhes convido a importância de abraçar o que vem, se há dor, que haja dor, a dor só pode acontecer na periferia, na superfície, no aparente. Se há prazer, que haja prazer, também só pode acontecer na periferia, na superfície, no aparente. Você é sempre essa Presença, que é Meditação, que abraça, está além da periferia, da superfície e do aparente. 

Chamaria isso de o OLHAR, o olhar único. É só o olhar, não é você olhando é só o olhar, e só o abraçar, é só o acolher. Uma fala em Satsang sempre, sempre apresenta ou nos mostra, ou nos aponta esse estado natural, simples, singular, Graça. Eu tenho dito que Satsang é esse encontro. Não é o encontro com a fala, é o encontro com o Silêncio. Não é o encontro com as palavras ou com algum acontecimento, é o encontro com a confirmação desse olhar, nesse olhar, para esse olhar. É nele o lugar que você deixa de ser importante como alguém, e aonde você descobre a importância desse olhar, que apenas confirma os ciclos do Natural.

É exatamente nesse abraçar, contextualizando tudo isso que foi colocado de forma vivencial que temos em Satsang, o encontro com o que é. Você em seu estado Natural, em sua Natureza Real, jamais se separa, jamais se distancia, da vida como ela se apresenta, porque você é essa Vida, é essa Presença, é essa Existência, é essa Consciência, isso é Meditação! Nada mais é do que uma entrega ao que é. É quando você não está que VOCÊ está.

É quando de fato VOCÊ está, quando qualquer ideia de você não está, qualquer crença à cerca de quem você é, aquela crença que pode criar essa separação, essa rejeição. O segredo disso é ficar aí. É estar quieto aí, nesse OLHAR.

É bem assim.

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