quinta-feira, 27 de março de 2014

Paltalk Satsang - Abandone Completamente a Ideia de uma Identidade Presente






Por onde nós começamos? 

Vamos colocar alguma coisa aqui para você. Inicialmente, para clarear aqui para você, aquilo que que eu percebo que é essencial ser compreendido, primeiro é, como definimos a maneira como nós usamos essa expressão; o que significa essa Consciência, ela é sinônimo de que? 

Essa Consciência é a base de tudo, é aquilo que está ciente, que está cônscio de tudo, o que aparece, está consciente, cônscio de toda a experiência, a mente ela aparece como esta experiência, é nela que nós temos todas as aparições, essa expressão "Nada", "Paciência" ou "Impaciência", "livre arbítrio", (temas dos quais foram sugeridos no início do encontro pelos participantes), qualquer uma, qualquer expressão está pesada, de um significado que o pensamento traz, tudo isso ainda é parte da mente, tudo isso ainda é parte dessa aparição, para nós o que de fato importa reconhecermos é aquilo que sustenta essas aparições, aquilo no qual essas aparições aparecem e depois desaparecem. Tudo o mais são apenas conceitos, o nada é um conceito, impaciência, livre arbítrio, determinismo, estamos sempre falando de conceitos, tudo aquilo que pode ser definido pela mente é parte dela mesma, está dentro dela, assim expressões como: sentimentos, emoções, sensações, pensamentos, são apenas aparições, como parte da mente, algo que vem e vai. Algo que está sempre mudando, enquanto a Consciência é essa presença que permanece imutável, essa Presença é a sua Real Natureza, é aquilo que você é.

Aquilo que presencia não pode ser presenciado, aquilo que percebe não pode ser percebido, aquilo que é percebido, sentimentos, pensamentos, emoções, sensações, são essas aparições. Não há alguém nisso. Estamos voltando ao básico, o básico é "não há alguém nessas aparições, são só aparições, não há alguém nessas experiências, são só experiências."

PERGUNTA: A vida por si mesma seria um processo que quer nos levar a nós mesmos?
 
RESPOSTA: A questão é o que entendemos por vida, quando você diz a vida por si mesma, o que você quer dizer com a vida por si mesma? A vida nela mesma? Eu tenho para mim que a vida nela mesma não é um processo, a vida nela mesma é o todo, é essa Ilimitada Consciência, já é esta ilimitada e indescritível Presença, essa Presença é aquilo que presencia, e aquilo que é presenciado na mente está dentro de um processo, você em sua Natureza Real é algo acabado, não há nenhum processo, não há nenhum movimento, evolução, mudança. 

Aqui, significa dentro de Satsang, nós temos a oportunidade de compreender essa não limitação, este estado natural, aquilo que já está acabado. A simples e direta desidentificação com a mente é essa Consciência. É o estado natural. É o estado de não-corpo, não-mente, não-mundo, não-sensações, não-sentimentos, não-emoções, não-pensamentos, pensamentos, emoções, sensações, mundo, corpo, mente, qualquer experiência, qualquer aparição é algo sem nenhum identidade em seu estado natural, que é Consciência. que é aquilo que percebe. 

PERGUNTA: Quanto menos eu investir em um fazer, mais disponibilidade para que este estado natural se mostre?

RESPOSTA: Aqui a questão não é em; não investir em fazer; ou investir em não fazer alguma coisa nessa direção, aqui a questão está em se desidentificar da mente, e se desidentificar da ideia "eu sou o autor ou tudo está acontecendo para mim", isto não é real, não importa o que esteja acontecendo ou não acontecendo, a ideia de um "eu" investindo nisso ou não investindo nisso, é só uma crença. 

A vida ela é o que acontece, ela é o que acontece como essa experiência nesse instante, ações, palavras, pensamentos, sensações, emoções, o que quer que esteja acontecendo, está acontecendo na vida, mas na vida não há alguém, a ideia de alguém na experiência na ação, no pensamento, na sensação, no sentimento, na emoção, isto é algo que apenas fortalece o sentido de uma entidade, o sentido de um eu, se você quer mais disponibilidade para o seu estado natural, abandone completamente a ideia de uma identidade presente naquilo que acontece ou naquilo que não acontece, abandone a imaginação, abandone a autoconfiança, abandone a ideia de ser alguém, abandone a autoimportância, abandone toda as crenças, deixe todos os pensamentos sem uma identidade por trás deles, sensações, emoções, experiência sem uma identidade por de trás delas, "experimente isso" e você logo vai descobrir que não é nada simples ou melhor é simples, mas não é nada fácil. 

A mente está sempre em busca de novas confirmações de sua identidade, ela vive em busca de experimentar, de sentir, de vivenciar, de ser, ela está sempre chamando a atenção, ela está sempre em busca de um resultado, ela está sempre ocupada com uma proposta, direta e pessoal, a vida é impessoal demais para ela. 

O fato é que você não tem qualquer importância, você é simplesmente essa Ilimitada Consciência em sua natureza real, e isso é impessoalidade, não há alguém nisso, não há alguém aí responsável por pensamentos, ou sensações, eles estão acontecendo ao corpo, a este mecanismo corpo-mente, emoções, sensações, pensamentos, experiências, mas esse corpo-mente aí, não é mais importante que todos os corpos que você encontra, não existe essa sua vida, só existe a vida nela mesma, acontecendo não para você, acontecendo nela própria como Consciência, nesse sentido você é a vida, mas não é alguém, não é uma pessoa, essa pequena história que acontece a este mecanismo, é uma história sem dono.
 
PERGUNTA: É possível um caminho progressivo de desidentificações, de condicionamentos que em algum momento culmina na possibilidade da visão daquilo que é a mente em sua totalidade (desidentificação da mente), ou qualquer caminho acabaria sendo necessariamente ilusório?

RESPOSTA: Todo e qualquer movimento é ainda um movimento na mente, toda e qualquer evolução, progresso é ainda algo dentro da mente, você pode conhecer profundamente a mente, mas você ainda continua dentro do circulo da mente, do circuito da mente, você pode trabalhar, quando eu digo "você" eu me refiro a mente, a mente pode trabalhar muito bem nisso, estamos falando do seu estado natural, daquilo que é essa Consciência, ela está fora da mente, qualquer progresso, evolução, crescimento, ampliação é algo dentro da mente, há um trabalho acontecendo, mas é um trabalho nesse mecanismo, e é um trabalho direto dessa Consciência, dessa Presença, dessa Graça, não é um trabalho da mente.

Qualquer trabalho que a mente realize ainda está dentro dela, despertar é uma ação da Graça, dessa Presença, para esse mecanismo corpo-mente, isso significa Consciência, Presença, Ser. Não há nenhum caminho para a não-mente na mente, não há nenhum caminho para a Consciência na mente.

PERGUNTA: O "Eu Sou" também seria mente?

RESPOSTA: Como ideia, como expressão, como pensamento sim, sem ideia, sem a expressão, sem o pensamento, esse "Eu sou" sem qualquer conceito, a respeito disso, é algo fora da mente. Esse "Eu sou", sem a ideia eu sou, fala dessa Ilimitada Consciência fora de todo conceito a respeito disso, fala daquilo que percebe todas as aparições e desaparições, aquilo que percebe pensamentos, sentimentos, sensações, emoções, a mente, o mundo e tudo o mais, tudo o que pode ser percebido por aquilo que percebe, por aquilo que não pode ser percebido, que jamais pode ser enquadrado dentro de um conceito, inclusive este "Eu sou", é apenas também mais um conceito, a gente solta todos os conceitos, todas as crenças, todos os pensamentos, todas as ideias, com aquilo que percebe e aí já entra a resposta para essa outra pergunta: (Então, onde buscar um caminho, ou não há caminho algum?) Aqui está a resposta; o único caminho não é um caminho, o único caminho é a desidentificação com todas as aparições, do que é percebido, experimentado, vivenciado e você permanece nesse ilimitado espaço, nessa não conceitual consciência.

PERGUNTA: Tenho tentado fazer isso, mas me percebo ainda no exercício mental ao tentar me desidentificar.

RESPOSTA: A questão aqui é que você não pode se desidentificar, porque você é essa identificação, acabamos de colocar isso agora pouco, é um trabalho dessa Presença, a disponibilidade, essa sensibilidade, essa abertura, essa entrega, essa coisa de colocar o coração inteiramente nisso torna isso possível, a intervenção dessa Presença, dessa Graça, é a única coisa que pode nos impedir de cair na armadilha da mente, de acreditar que alguma coisa nós temos condições de fazer, que nós podemos fazer, essa desidentificação é um trabalho dessa Ilimitada Consciência que é Presença. que é Graça, isso é algo muito simples nessa entrega. Mas essa entrega não é fácil.

PERGUNTA: "Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida" do Cristo?

RESPOSTA: Perfeito, reparem que ele coloca o caminho, verdade, vida como sinônimos desse "Eu sou", esse "Eu sou" é essa Consciência é essa Ilimitada e Indescritível Presença que é o Ser, que é a graça, que é Deus, o único caminho,  Isso é o Cristo, isto é o Eu sou, isto é sua natureza real, solte o sentido de uma identidade presente, o sentido de uma identidade separada, o sentido de uma identidade localizado no corpo, na mente, o sentido de alguém nisso é o "Eu sou", isto é a verdade isto é a vida, isto é você em sua natureza real, agora pensar sobre isso, crer nisso, ideias e imagens sobre isso não é a coisa, a coisa está além da mente.

PERGUNTA: Sinto muitos condicionamentos cada vez mais desabarem em minha vida e eu cada vez me sinto mais confiante em não ter respostas, em não saber nada, mas de um modo sensível, inteligente. Isso me faz ter a impressão de me aproximar deste tal estado natural que você fala... 

RESPOSTA: Isso é bastante curioso, uma armadilha criança, "você" se sente cada vez mais confiante em não ter respostas, em não saber nada, em se aproximar desse estado natural que você fala. Venha ao Satsang urgente, seu caso é grave. 

Bem, por hoje, vamos ficando por aqui. Obrigado a todos pela presença! Namastê!



 Fala transcrita de um encontro via Paltalk Senses no dia 26 de Março de 2014
Encontros online todas as segundas, quartas e sextas às 22h. Participem!

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