quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Patalk Satsang - O Real Sentido da Oração


P - Qual é a diferença entre acreditar que não existe, que não se é nada, e a baixa autoestima?
Mestre - Onde houver qualquer crença, em cima dessa crença, uma conclusão aparece, e essa conclusão é mental. “Eu não sou importante nem necessário, eu não existo” e a baixa autoestima, na verdade, são a mesma coisa, do ponto de vista da crença. A crença de que não se é importante, ou de que não se existe, e a baixa autoestima é só uma crença, e não tem nada de real nisso. Se você acreditar que não existe, se você acreditar que não é importante, ou qualquer outro tipo de crença desse tipo, é a mesma coisa. Aqui não se trata de acreditar em alguma coisa. Qualquer forma de crença, positiva ou negativa, é só uma crença.
P – A autoinvestigação é o melhor meio de derrubar o ego? Como posso fazê-la?
M – Você não pode derrubar o ego. Não há nenhum ego para ser derrubado. A ideia de derrubar o ego ainda é do ego – desse ego que não é real, mas que se apresenta real tentando fazer alguma coisa, como essa coisa da autoinvestigação, como essa coisa de derrubar o ego. Esse trabalho de autoinvestigação não é seu, é um trabalho da Presença, é um trabalho da Graça, é um trabalho de Satsang. Não há qualquer esforço que você possa fazer para realizar isso, embora o trabalho seja importante, seja necessário. Esse trabalho de autoinvestigação – que não é ego-investigação, que não é mente-investigação -, é Graça-investigação, é Presença-investigação, é Satsang-investigação.
Não há como deixar de atrelar o Despertar a uma ação da Graça, a um trabalho da Graça, a um trabalho dessa Presença. Aqui, só lhe resta um “fazer”, e esse “fazer” é deixar de fazer, é ficar quieto, é se entregar a Deus, que é a Graça, que é a Presença. Isso é Satsang. Há um poder que faz isso. O seu trabalho não é seu trabalho. Você não pode encontrar esse caminho - esse é o ponto. Você não pode dar o seu jeito. Isso é algo que vem até você, mas você não pode ir até Isso. É o Mestre que encontra você... Não é você que encontra o Mestre. É a Graça que alcança você... Não é você que alcança a Graça. Coloque o seu coração na Graça, na Presença. Fique ligado, no coração, com essa Presença, porque somente assim você fica quieto, e a Graça faz o trabalho.
O seu trabalho é ter essa disposição. Você faz o seu trabalho e a Presença faz o trabalho dela, e tudo isso é o próprio trabalho da Presença, é o próprio trabalho da Graça; só tem ela mesmo. Este é o real sentido da oração: essa disposição de não questionar, não discutir, não se proteger, não se defender. Isso é real rendição, real entrega. O grande momento em Satsang é o momento do silêncio, da entrega. Esse é o momento do coração, nessa disposição de deixar tudo, de soltar tudo, de colocar tudo diante dessa Presença; é o sentido de tocar os pés do Guru. O Guru não é outro senão você mesmo, sua Natureza Real... É o divino aí, em seu próprio coração.
Essa é a única coisa que você pode fazer. E isso é o fim dessa ilusão, a ilusão do ego, a ilusão desse “mim”. Ramana dizia que a porta de Deus está sempre aberta, mas a verga da porta é muito baixa, e para atravessar essa porta só de joelhos. E ele dizia: são muito poucos os que conseguem. Vocês querem ouvir o meu segredo?
P – Não tem ninguém aqui para querer saber coisa alguma.
M – Isso é verdade? Perguntem a si mesmos se isso é verdade. Eu não sei porque a sala está tão cheia se isso é verdade... Quando quiserem saber o segredo para alcançar Deus, perguntem. Vocês fazem perguntas muito inocentes, que não atingem nada, como flecha sem ponta; flecha sem ponta não penetra, não atinge o alvo.
P – Qual é o segredo?
M – Só um teve a coragem de perguntar qual é o segredo. E qual é o segredo de realizar Deus? Eu vou dizer para você: dê tudo ao Guru. Tudo o que ele lhe pedir, você dá a ele. Dê a ele, quando você encontrar o Guru, puder reconhecer o Guru – isso é quando você só vê Deus... Foi o que eu vi em Ramana. Ele era o Cristo a quem eu orava, diante de quem eu jejuava, e ele apareceu a mim. Pediu todas as minhas crenças, minhas defesas, meus desejos, todas as minhas seguranças, todos os meus medos.
P – Entregou orando?
M – Sim. Oração é entrega. A oração abre a porta para essa entrega. Assim você não pode mais desconfiar de Deus e reivindicar nada para si mesmo. Então, essa falsa identidade cai, porque ela não pode resistir a essa amorosa Presença.
P – Expor os problemas para si mesmo e admitir os erros é um começo?
M – Não; nada disso. Nem mesmo o direito de ter problemas você tem, porém, admitir os erros você pode, quando você entrega tudo a Deus. Você não tem mais o direito de sentir-se um pecador, nem de buscar ser um santo. Acontece quando seu coração queimar diante da sua Presença, e Ele é o bem amado, porque somente Ele é confiável. Você não existe mais para admitir nada, para errar novamente. Se você não pode chorar por isso, essa deve ser a sua primeira oração, a sua primeira entrega. Seja honesto quanto a isso, e diga a Ele que você não pode chorar por isso, que você não pode confiar.
P – É bom isso, sinceridade absoluta.

M – Sim, criança, é isso. Você não pode mentir para si mesmo. Você não pode ser desonesto consigo próprio. Isso é real. Expor problemas e admitir erros não é Isso. Não se trata de querer alguma solução, que é querer melhorar; aqui não se trata disso. Não pode ter você e Deus. Deus não aceita concorrência, ninguém ao lado dele. Não é possível a Verdade e você. Então, que seja só a Verdade, que seja só Deus, e que você desapareça. Que esse “você” possa se dissolver nessas lágrimas sinceras. Isso significa explodir as pontes... elas ficam para trás, e não há mais como voltar.

Transmitido no dia 10 de Fevereiro de 2014

Um comentário:

  1. Entrega é essa constatação ,de que você fez tudo que era possível, andou por muitos caminhos,ouviu muitas promessas, tentou de várias maneiras e não chegou a lugar algum,Quero descansar, até mesmo a morte é melhor do que viver dessa forma.
    Nessa constatação essa entrega vai surgindo naturalmente.O que é a vida?
    Não pode ser o que a mente anda propondo.
    Estar diante de um Mestre é receber esse presente,
    Obrigado Marcos Gualberto,por compartilhar essa verdade que somos nós.

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