sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Tudo acontece nessa Indescritível e Ilimitada Consciência


Quem determina essa fala é exatamente este instante, o grupo presente, aqueles que aqui estão, aquilo que costumo chamar de mecanismos corpo-mente presente. É importante que você compreenda logo como base essa introdução, porque isso na verdade é o começo de tudo. O começo de tudo é encontrar, é tomar ciência Disto que vê, Daquilo que vê. O que é Ele que vê? Quem ou o quê é esse Observador? A nossa ênfase no Despertar nesse florescer da Verdade está em encontrar Aquilo que vê. Reparem, não é aquilo que é visto, e sim Aquilo que vê. A pergunta é: o que é isso que vê? Ou: quem é que vê? Tudo pode ser observado, tudo pode ser visto, e tudo que é visto não é Aquilo que vê. Os objetos são percebidos, são presenciados, são vistos, enquanto Aquilo que vê ou Quem vê permanece como o “sujeito”.
Então, nós temos Aquilo que é visto e temos Aquilo que vê. Você pode ver uma casa, você pode ver um carro, você pode ver o corpo físico, você pode ver agora neste momento o seu PC aí diante de você ou o notebook, você pode ver suas mãos, você pode ver o espaço ao seu redor: a mesa, cadeiras. Se você está no quarto neste momento você pode ver a cama. Essa é a experiência com o que pode ser visto. Tudo o que pode ser visto são objetos. Aquilo que é visto como objetos aparece Naquilo que vê, ou Nisto que vê, que é o “sujeito”. Nosso equívoco, nosso engano é estarmos identificados com aquilo que pode ser visto, e assim esquecemos do “sujeito”, ou esquecemos Aquilo que vê. Nós nos confundimos como o corpo e esquecemos quem somos. Nós somos Aquilo que vê.
O corpo pode ser visto, as mãos, os pés, os olhos. As sensações aparecendo no corpo podem ser presenciadas, podem ser vistas, elas podem ser sentidas. Podemos sentir calor, frio. São experiências objetivas, experiências com objetos que os sentidos podem tocar e que o corpo pode sentir. Podemos ver, podemos provar, podemos tocar, podemos cheirar, podemos ouvir. Assim, eu estou vendo, eu estou provando, eu estou tocando, eu estou cheirando, eu estou ouvindo. O equívoco aqui é que estamos perdidos nessa experiência objetiva, estamos perdidos naquilo que é visto. Esquecemos essa base.
Aquilo que vê permanece imutável. Esse “sujeito” permanece imutável, Esse que vê, Aquilo que vê. Estamos tratando da Consciência, Daquilo no qual toda experiência aparece, toda experiência objetiva, toda experiência de objetos, tudo o que é experienciável aparece Naquilo que experimenta. Estamos perdidos, identificados com essa experiência. Pensar, sentir, tocar, ver, cheirar, está acontecendo Nesta Presença, Nesta Consciência. E Ela não muda, enquanto todas as experiências estão mudando Nela, aparecendo Nela, aparecendo e indo embora.
A Liberação é a consciência de sua Natureza Essencial imutável, na qual toda experiência vem e vai, toda sensação vem e vai, todo pensamento vem e vai, todos os objetos vêm e vão. Eles aparecem e desaparecem, enquanto Aquilo que vê, Esta Presença, Esta Consciência, se mantém desidentificada. E quanto não há essa identificação, permanece esta Presença, que é Consciência intocável. Ela permanece em sua Liberdade. Permanece em sua Liberdade porque não há uma identidade para essa experiência. O que temos é a presença da experiência Naquilo, Nisto, nesta Presença. Isso é o fim do sentido de uma identidade presente, é o fim do “eu”, do ego, do “mim”. É o fim do sentido de um experimentador.
Não há um experimentador na experiência. Aqui está todo o nosso engano. Nós acreditamos ser o experimentador nesta ansiedade, nesta depressão, nesse estresse, nessa mágoa, nesse ressentimento, nessa culpa, nesse desejo, nesse medo. Não há um experimentador nessa experiência. É só uma experiência aparecendo e desaparecendo, sem uma identidade. Essa é a primeira coisa a ser compreendida. O que estamos fazendo nestes encontros é trazermos uma certa aproximação disso verbalmente. Nada muito importante. Isso ainda tem um certo lugar, mas não fiquem presos a essa fala, a essa palavra. Precisam aqui, nesse encontro, permanecerem desidentificados de qualquer experiência. Ouvir agora também é somente uma experiência, não coloquem uma identidade nisso.
Quando você interpreta, julga, avalia, quando busca acrescentar entendimento particular a isso que está ouvindo, você está caindo no mesmo erro, no mesmo equívoco, no mesmo engano, que é colocar uma identidade nessa experiência, então você passa a ser o experienciador desse ouvir, então isso fica num nível muito superficial. Você fica apenas no campo do intelecto, esse é o campo do experimentador. Toda e qualquer experiência é objetiva. É algo que pode ser observado, percebido, constatado como algo passado, algo que nasce e morre, algo que aparece e desaparece, enquanto Aquilo no qual essa experiência surge e desaparece permanece.
Esta é a natureza da Consciência. Esse é o primeiro ponto. O segundo é que mesmo essa experiência, mesmo sem o experimentador, ainda está acontecendo nesta Consciência. Isso significa que ela não está separada dessa Consciência. Assim sendo, tocar, cheirar, ouvir, ver, é algo dentro dessa Consciência. O que não temos aí é o sentido de uma identidade particular como um experimentador. Então, a experiência, ela está presente nesta Consciência, mas não há um experimentador. Seja uma experiência objetiva, externa, ou uma experiência objetiva interna, seja uma percepção sensorial, que é uma experiência objetiva externa, ou uma experiência objetiva interna, como pensamentos, sentimentos, emoções, e também sensações físicas, todo esse tipo de experiência está presente nesta Consciência. Neste sentido, o corpo não está separado desta Consciência. A mente não está separada desta Consciência.
Tudo isso está acontecendo nesta Consciência, nesta indescritível e ilimitada Consciência. O que não temos aí é um experimentador, não temos alguém presente. Percebam a beleza disso. Na experiência do medo só há medo, na experiência da ansiedade só há ansiedade, na experiência do pensamento só há pensamento. Se isso não encontra uma identidade, isso não pode ser manter. Quando acontece o fim do experimentador, a experiência termina. Ela tem o seu início e o seu fim. Esse experimentador é o ego, é o “mim”, é o “eu”, é o sentido de uma identidade em toda essa coisa.
Estamos colocando para você o fim desse sentido de alguém presente neste instante, neste momento, na experiência. Estamos apontando em encontros como esses o fim desse suposto “você”, desta pessoa. E isso é o fim do sofrimento, é o fim do sofredor, é o fim do medo, é o fim do medroso, é o fim da ansiedade porque é o fim do ansioso. Isso é o fim da ideia de alguém presente na experiência. Agora mesmo estamos diante deste silêncio, desta Presença, desta Graça, na qual o experimentador não existe. O experimentador é somente uma crença. Temos esta bela experiência do ouvir, de acompanhar essa fala, mas não há alguém nisso. É algo despretensioso. É como a experiência de ouvir um pássaro cantando. Não interpretamos, não julgamos, não comparamos, não agarramos aquilo que ouvimos. Ficamos apenas nesse ouvir.

Percebam que aqui nós temos a chave dessa liberação. A chave dessa Liberação é não colocarmos identidade naquilo que se apresenta nesse momento. Você está sempre neste instante, neste momento, agora, na experiência. A experiência é belíssima. A experiência é a vida se expressando. A ideia de alguém dentro é a ilusão de um agente, de um autor, de um controlador, de alguém capaz de moldar, mudar, alterar alguma coisa. E isso é conflito. E esse conflito, naturalmente criado pelo medo, é sofrimento na ideia de um sofredor presente. Despertar, realização, iluminação ou qualquer nome que você queira dar para isso, isso significa o fim dessa ilusão, a ilusão da mente. Mente aqui como sinônimo de uma identidade presente fazendo alguma coisa, ou se livrando de alguma coisa, ou conseguindo alguma coisa. Tudo isso é uma grande ilusão.

Fala pelo paltalk transmitida no dia 29 de Janeiro de 2014

Um comentário:

  1. Tudo que sabemos da vida é isso que chamamos minha vida.Essa é toda referência que temos.Feita de prazeres e dores.Até mais dores que prazeres.
    O que sabemos da vida além da vida?
    Isso que chamamos minha vida é ego em totalidade.Como se isso fosse possível.
    Mas ele tenta por não querer se entregar ao amor.
    Só existe a vida de Deus, em Deus e como Deus.
    Isso não pode e nunca poderá ser percebido pelo ego.
    Você quer se tornar um ser humano melhor?
    Desapareça. Como? Entregando-se a Deus.Não importa de que maneira.
    Você está pronto.

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