segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Satsang - A única coisa a ser feita



Olá, pessoal. Satsang é um belo encontro, um grande encontro, um encontro de investigação. Seria interessante nós tratarmos sobre a questão do pensamento. Essa situação que vejo que é comum a cada um de nós, essa situação que é a vida, toda ela baseada no pensamento. Quando nós baseamos nossa vida no pensamento, nós não sabemos o que é a Vida. Agora, o que tem realmente acontecido é exatamente isso: com cada um de nós temos tido essa "vida" baseada no pensamento, que são crenças, conceitos, ideias. Nós temos tido uma vida toda focada em planos, em ideias acerca daquilo que deve vir a cada um de nós, daquilo que temos que vivenciar, daquilo que temos que experimentar, daquilo que imaginativamente seria de fato ideal para cada um de nós nesta vida, nesta existência. É isso que nós chamamos aqui de vida centrada no pensamento, e essa "minha vida" é uma vida profundamente estreita, profundamente limitada, presa a esse padrão, que é o padrão do pensamente. Em cima desse padrão do pensamento nós construímos uma estrutura de "vida", uma estrutura de vida puramente ideológica, puramente baseada naquilo que achamos que deveria ser, que poderia ter sido ou que deve ser agora neste exato momento, e assim perdemos aquilo que há de fundamental, que é a própria Vida se revelando como Ela precisa se revelar.

É que a vida, como ela se manifesta, é cheia de surpresas, e essa habilidade que temos de responder a essas surpresas que a vida nos apresenta é algo que precisa ter uma base, e essa base real não é a base do pensamento, é a base daquelas respostas espontâneas que temos que dar a cada momento, a cada instante, a cada situação que se apresenta. Então, nós estamos dentro deste momento, dentro deste encontro, buscando, essa compreensão. Essa resposta só é possível quando não há essa ilusão, a ilusão "eu e a vida", criada pelo pensamento, essa separação.

Satsang é o momento do encontro com verdade da Vida como ela se apresenta. E ela se apresenta sempre neste instante sem esse "eu", sem esse "pensamento". Ela é sempre um presente, no presente momento, no presente instante, e a nossa vida mental, nossa vida focada no pensamento, nossa vida planejada, idealizada, programada pelo pensamento, nos impede de ter essa liberdade, de vivermos este momento, este instante presente, como o bastante, o único, que é o instante dessa revelação, da revelação da Vida como de fato ela é e como precisa ser apreciada. Isso seria muito simples para cada um de nós se nós compreendêssemos muito claramente essa questão da vida mental. Vida mental é a historinha do pensamento.

Assim, a historinha do pensamento, essa vida como todos nós já sentimos, é uma vida imposta, imposta pelas ideias, imposta pelas crenças, imposta pela ideologia, pela programação, pela forma comum como todos conduzem suas vidas, seus projetos, planos e esses assim chamados "sonhos", tudo isso com aquela intenção de estar pleno, de ser pleno, de ter uma vivência em plenitude, ou seja, ter uma vida profunda, ampla, plena, completa, feliz - exatamente aquilo o pensamento não consegue nos dar, aquilo que o pensamento não consegue nos proporcionar. Por isso precisamos investigar essa questão do pensamento: que é o pensamento? precisamos dele? Por que abalizamos nossa vida dentro do pensamento? Por que aceitamos o pensamento como padrão, como regra, como o norte para as nossas vidas? Como essa bússola que tem essa direção, que aponta para essa direção? Que tipo de pressões ele tem criado? É possível nos livrarmos disso?

Ele é algo que está sempre acontecendo. Então, o pensamento é algo que nos acontece, é algo que nos vem de uma forma sem qualquer controle de nossa parte, porque não tem alguém aí. Essa é a primeira coisa a ser compreendida aqui. O pensamento é algo que acontece como qualquer coisa acontece, e nós temos só aquela ideia, a ideia de que somos o criador desse pensamento, de que nós somos responsáveis por esse pensamento - e isso é somente mais um pensamento! Então nós temos a primeira ideia,que já começa sendo o começo de toda essa visão de vida mental que temos, que trazemos. É esse pensamento de que há "alguém", e esse "alguém" somos nós. E nós temos essa decisão acerca do que pensar, quando pensar, e essa forma de pensar e essa decisão são nossas.

E o que nós estamos colocando, se é que você está nos acompanhando, é que pode parecer estranho, mas o pensamento é algo que acontece como qualquer coisa que nos acontece, independente do nosso querer, independente da nossa vontade, independente de acreditarmos no fato de estarmos no controle ou não. O ponto aqui é que tudo isso tem uma base, uma base, em que isso se fundamenta. Essa base, é a crença de que há "alguém", e esse "alguém" é aquele que controla, é aquele que faz acontecer, é aquele que realiza, é aquele que idealiza, é aquele que pensa, é aquele que propõe, é aquele que planeja, separado da vida. Se ficar claro para cada um de nós que aquilo que nos acontece em forma de pensamento é apenas um evento ou acontecimento como qualquer acontecimento, que acontece e pode ser observado, e é independente da nossa vontade, do nosso querer, pois não existe tal coisa aqui como vontade ou querer...

Nós não podemos escolher o próximo pensamento, não é algo que nós decidimos, é algo que acontece. Se você observar, vai ver que de fato é assim. Você não tem o poder de escolher o próximo pensamento. Você não tem o poder de determinar o próximo pensamento que vem. A ilusão a todo momento é apenas essa ideia de que nós planejamos, de que nós idealizamos, de que nós fizemos aquilo acontecer, apenas essa imaginação se coloca presente, mas de fato tudo acontece porque simplesmente acontece. Desde quando nós acordamos pela manhã a gente percebe isso: o pensamento surge no campo da Consciência, o pensamento aparece, e com ele acontece uma seqüência de pensamentos ligados àquele primeiro, mas desde o primeiro pensamento, e toda aquela sequência de pensamentos ligados a ele, é algo que seque uma sequência independente desse "eu".

Isso de controlar, de determinar aquilo que pensamos, de colocar fim àquele pensamento que nos aflige, que nos preocupa, que gera ansiedade, que gera medo, que gera qualquer forma de aflição e conflito, é uma ilusão. E no momento em que você começa a perceber que não há esse "eu" capaz de fazer este controle e que não há qualquer necessidade de controle a respeito daquilo que aparece e desaparece em forma de pensamento, quando isso fica claro, se abre uma nova dimensão de trabalho sobre esse processo do chamado pensamento. Isso é a base da real meditação: a compreensão de que a única coisa a ser feita, a única coisa que podemos realizar, é ficarmos quietos.

Então, esse fazer, esse realizar, é, na verdade, um relaxar em nossa Essencial Natureza, e isso é algo tão simples, tão natural. Isso é resgatar na verdade essa habilidade que a criança tem, que nós tivemos um dia, de apenas observar curiosamente, sem qualquer pretensão de alterar aquilo que observamos. Então a gente observa de uma forma curiosa, apenas para descobrir o que temos ali, se nós conseguirmos resgatar isso, esse estado que é tão, tão natural, algo inato em cada um de nós, essa habilidade de apenas olhar, de apenas observar, de apenas estar presente, como aquele que constata, como aquele que vê, como aquele que observa, como aquele que não se preocupa em traduzir algo em cima daquilo, em interpretar aquilo, em julgar aquilo, estamos livres. Você, em sua Natureza Real, é a própria meditação, a própria liberdade. É isso que resgatamos em Satsang.

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