terça-feira, 14 de janeiro de 2014

SATSANG - ISTO QUE ESTÁ APARENTEMENTE OCULTO



O Pensamento e o sentimento ocultam aparentemente a paz, a liberdade e a felicidade presentes nesse momento.

Se você não tem o que tem, ocupado com o que vem e vai, o que você tem é o que não vem e o que não vai. E o que vem e vai são pensamentos e sentimentos que ocultam aparentemente a realidade desse instante, desse presente momento. Dá uma roupa, dá uma máscara, dá um formato àquilo que está presente, e que não muda.

Todas as vezes que você vem nos ouvir em Satsang, nós estamos indicando, dando uma dica, apontando, colocando o dedo de novo, de novo, de novo, sempre para essa realidade presente que não muda, e que você de forma inadvertida veste, coloca uma roupa, a roupa do pensamento, a roupa do sentimento, e termina ocultando aparentemente o que jamais pode ser ocultado, está sempre presente, mas você não pode mais ver. É uma forma da Consciência brincar de se esconder. Acompanham isso?

A Consciência brinca de se esconder, a Presença brinca de se esconder, a Paz, a Liberdade, o Amor e a Felicidade desse instante está oculta. O pensamento e o sentimento como forma, como imagem, como roupa, como veste, como máscara, como aparência. E agora? Sério, e agora? Resolve isso? Você pode? Pode? Não pode!

Solte isso e o que está presente se mostra. Segure isso e o jogo continua. A coisa toda é assim: Se você prende fica oculto, se você solta, o que É se mostra. Se você segura lhe escapa, se você larga fica claro.

Aqui ganhar é perder, soltar é estar diante do que É, sempre seu, sua Natureza Essencial, a realidade que é você. Agora dizer a você que se sente como pensamento e sentimento, como uma pessoa envolvida em uma procura, se sentindo como uma identidade separada, que não tem nada que você possa fazer, aí a gente cai num outro extremo, também uma ilusão ainda. Isso tem sido comum. Você pode acreditar em tudo isso que os Mestres dizem, isso passa a ser uma nova jaula, uma nova prisão. Você passa a acreditar que tem, isso é uma forma de segurar, é quando a coisa lhe escapa, achar que não tem nada a fazer, como de fato não tem, mas acreditar nisso, ainda se sentindo uma pessoa, ainda se sentindo como alguém, como um alguém e estando a procura de alguma coisa, aceitar que não tem nenhum trabalho para acontecer aí, é uma ilusão. E agora? Complicou?

Então, isso é muito comum. Os Mestres dizem que você não pode fazer. Aí a mente pega isso e diz: Você não precisa fazer nada, mas você ainda continua buscando.

INTERROGANTE: dentro desse fazer nada?

MG: Desse fazer nada, porque você continua se sentindo como uma identidade separada, você continua na busca de alguma coisa, dizer para aquele que se sente como uma identidade separada, como uma pessoa, que não existe nada pra fazer, você cai na inércia mental da crença que paralisa e nada acontece.

Sabem o que é verdadeiro? É: esteja presente! Se você como uma identidade separada que se sente, caminha em direção a uma conquista que você idealiza como real, você se perde. Mas se você se torna disponível a essa Presença, a esse direto e simples modo de ouvir sem fazer, apenas relaxando em Satsang, como agora que estamos, o que precisa acontecer, acontece. E não há de fato uma pessoa envolvida nisso, fazendo.

É uma ação da Presença, é uma ação da Graça, é uma ação de Deus, é uma ação da Consciência. Só Ela é ação, só Ela faz. Não existe nenhum autor fora dessa Presença. Então ninguém pode realizar isso. Não há alguém que possa realizar isso. Agora, se essa identidade separada que é só uma crença, se é assim que você se sente ainda, que acredita que não tem nada pra acontecer, ou para ser feito aí, você cai na ilusão.

Na ilusão dessa paralisia, dessa inércia, e aí de fato a miséria continua.

INTERROGANTE: Achando que tá acordado ??

MG: A ilusão continua, você pode acreditar em qualquer coisa, até mesmo acreditar naquilo que você não sabe o que de fato é, mas que já ouviu falar. O que você ouviu falar? Que você é um Buda? Que você já está acordado? Já é livre? Que o que você é não muda? Foi isso o que você ouviu? Se você ouviu, você estava presente ouvindo. Essa identidade que assim se sente como uma pessoa, fica ouvindo muitas coisas. Vocês compreendem o que eu quero dizer? Você não pode ouvir isso. Você tem que testificar isso, testemunhar isso. O que eu estou dizendo é que o pensamento e o sentimento ocultam sua Natureza Real, essa felicidade inata, essa liberdade inata, essa paz inata, esse amor inato, de sua Natureza Real.

Mas enquanto houver identificação com o pensamento, sentimento e o sentido de separatividade, enquanto houver a busca, o trabalho precisa acontecer.

INTERROGANTE – Já que tem busca, tem que ter trabalho, não é? O trabalho vai acontecer, se está buscando.

MG - Aqui estamos falando de um trabalho diferente, o trabalho de um buscador é o trabalho com a roupa, o pensamento, sentimentos envolvidos, e a roupa de uma identidade, é uma identidade ocupada e preocupada em realizar algo, isso não é real, esse trabalho não é real.

Há um trabalho que se faz necessário e é um trabalho dessa Presença, dessa Consciência, disso que já é você em seu Ser. A investigação, a meditação e a entrega a essa Natureza Essencial é o trabalho real em Satsang.

Percebem agora o que eu quis dizer? Satsang é esse encontro com essa investigação do que não é. É o se despir dessa roupa, pensamento-sentimento, para que isto que está presente, sempre presente, aparentemente oculto, se mostre.

E agora?

Auto-investigação, Meditação e Entrega é o trabalho real, não é seu, é dessa Presença, apenas fique exposto. Qualquer trabalho seu, é seu trabalho, e o seu trabalho, não é trabalho. Você é uma falsa identidade nessa procura de alguma coisa. O que é que você pode encontrar?

E aí crianças, está tranquilo? Então aqui só resta relaxar nessa investigação. Repara que não há esforço nenhum de sua parte aí. A gente vai, coloca e você olha isso. Isso é investigar. Você faz a pergunta e logo, logo você percebe que na própria pergunta, a resposta está dentro dela. Então não há nenhum esforço, não há ninguém respondendo a sua pergunta, ela já tem a resposta. Reparem que nunca há esforço no real trabalho. Soa estranho? E aí, pra você tá estranho? Heim menina? E aí?

A beleza de estarmos juntos em Satsang, de atentarmos para esse convite, é que podemos olhar para isso juntos. Então, descobrimos que sem as vestes, pensamentos e sentimentos, nessa investigação desse “Quem sou eu?” O descobrimento dessa pseudo-identidade, dessa falsa identidade, aquilo que está presente, que aparentemente está oculto, aparentemente está oculto e, é só aparentemente, se mostra como algo sempre presente.

Ouça com calma isso. Apenas escute, sem esforço. Você não muda, sua mente muda, mas a sua mente não é você. Ela é sua só enquanto você acredita nela. É quando você muda, quando ela muda, só quando você acredita que ela é você. Você acredita no pensamento, se confunde com ele, e é arrastado por ele. Então, o sentimento faz o mesmo, uma emoção faz o mesmo, uma sensação pode fazer o mesmo, pode formar uma pseudo-identidade. E lá vai você arrastado por isso, então fica aparentemente oculta sua Real Natureza que é Ser, Ilimitada Presença, Ilimitada Consciência, Felicidade, Paz, Silêncio, não-medo, não-ansiedade, não-conflito, não-desejo, não-mente, não-eu, não-pessoa. Não há pessoa, pessoa é uma crença. Uma forte e persistente ideia.

Você é Presença, você é o que É. Com uma forma, com um nome, com uma história, mas tudo aparecendo nisso que É, se você assume isso que É, aquilo que aparentemente está oculto, não está mais. Humm?

É só assumir o que você É, algo possível só agora. Auto-investigação, meditação e entrega ao que É. 

Auto-investigação lhe mostra que essa pseudo-identidade não é real. Essa entrega a sua real natureza lhe faz perceber o que é você além do corpo, da mente, dos sentimentos, das sensações, das percepções sensoriais. 

Meditação é sua natureza, é a natureza do Silêncio. E aqui eu falo do Silêncio que contém tudo, inclusive qualquer som, é o Silêncio sem oposto. Não é o silêncio que tem o som ou o barulho como oposto. É o Silêncio que não tem oposto. Agora mesmo qualquer som presente está nesse Silêncio, de sua Natureza Real, que é a Meditação, qualquer som. Então ele não tem oposto, ele engole tudo, engloba tudo, abraça tudo. Assim como a expressão Paz não tem oposto nesse contexto nosso. Não é a Paz onde a guerra não é possível, é a Paz onde qualquer coisa é possível, inclusive a guerra. Aqui o Amor também não tem oposto, não é o Amor contrário do ódio, é o Amor aonde tudo é possível. O Amor que abraça de forma incondicional qualquer coisa, que atende a tudo, que abraça a tudo, que vê tudo. Nele, amor é sinônimo de aceitação do que É. O que É, é o que você tem diante de si, que vem e vai enquanto ISSO permanece, além dos opostos, além das desavenças, do ódio, da indiferença, além do preconceito, além da condição, do condicional, é desse amor que estamos falando. Estamos falando de sua natureza real, hum?

Quando nenhum sentido de separatividade, mais nenhuma busca, mais nenhum esforço, mais nenhum trabalho desse assim chamado eu está presente, o que É se mostra. Olhem para ISSO. Atentem para ISSO. Deem o coração de vocês a ISSO. Esse é o trabalho real. E que não é seu, é desta Presença e Graça, desta Natureza Essencial que é você. Mas que não é seu. 

Você se rende ao que É. A Si mesmo nesse instante. Só que você não existe para isso. A dificuldade dessas falas é que quando eu uso a expressão você, quando eu falo de você, é um você minúsculo, e quando eu falo de VOCÊ, do que É, Consciência, Presença, Graça, o Real, Esse Instante, Agora, que se mostra aqui, que pensamento, sentimento, emoção, nada disso oculta, se mantém imutável como pura realidade, é um VOCÊ maiúsculo.

É isso!

2 comentários:

  1. A nossa natureza real não nos paralisa.
    Qualquer movimento,seja interno ou externo,acontece dentro desse contexto.
    A noite quando sonhamos,por mais que no momento do sonho fiquemos envolvidos,passamos uma água no rosto e logo estamos prontos para uma nova experiência.Nesse não fazer as coisas vão acontecendo.
    O que nos paralisa é a manipulação dos acontecimentos.
    Satsang é um santo remédio para isso.
    Nos mostra que não tem um alguém separado da experiência.
    Só há a experiência sem o experimentador.
    O experimentador também está sendo experimentado.Seja na forma de dor ou de prazer. Isso é muito bonito.
    O milagre dos milagres.

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  2. Fim do misticismo

    Devemos ser cuidadosos com as palavras.Elas não trazem nenhuma verdade em si.
    No máximo apontam.O que elas apontam?
    Algo que está além delas.O que está além delas?
    Nosso estado natural.
    Não precisamos imaginar.
    Não precisamos fantasiar.
    Tudo é aqui e agora.

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