quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Patalk Satsang - Não há nada mais comum do que viver esta naturalidade



Se nós aqui tratássemos de algum assunto técnico, teríamos que ter alguma preparação para o assunto tratado. Mas, quando falamos de tratar de encontrar o Ser, estamos falando de algo bastante comum. Agora vamos fazer uma substituição: vamos chamar de “natural” que é melhor que comum. O encontro com o Ser é natural, embora o que é natural para a grande maioria não é algo comum. E esta oportunidade com os senhores é a de descobrirmos o comum dessa naturalidade. 

É descobrir que não há nada mais comum do que viver essa naturalidade, do que descobrir essa naturalidade — a naturalidade de quem somos que é a naturalidade do Ser. Essa é uma realidade que se manifesta no inanimado e no animado. Essa mesma natureza se manifesta em rochas, plantas, animais e em cada um dos seres humanos. Então, não há nada mais comum para ser vivenciado e encontrado para termos um encontro direto. Assim, essa é a realidade do Ser. E é algo maravilhoso este encontro, por que aqui temos um só propósito, e é natural, não requer nenhuma preparação, não requer que tenhamos algo especial que nos capacite para isso.

.....Falar do Ser é falar daquilo que é comum, daquilo que é natural. E essa compreensão do Ser, é a coisa mais simples se descobrirmos essa simplicidade e essa inocência de abrir o coração de uma forma natural para aquilo que somos. Infelizmente, daquilo que se tornou tão superficial e por isso assumiu o lugar do comum em nossas vidas, temos uma grande dificuldade de nos aproximarmos exatamente desse assunto aqui tratado. Estamos falando dessa superficialidade adquirida durante os anos. Fomos civilizados, educados, treinados para uma vida muito artificial. Uma vida onde estamos centrados em toda forma de padronização, vivendo dentro de uma história puramente mental e assim, adormecidos dentro desta profunda inconsciência generalizada, algo que se tornou comum, fazendo com que aquilo que é natural, não esteja sendo vivenciado por cada um de nós.

.O trabalho da auto-realização é o trabalho do despertar, é o trabalho do descobrimento do que somos, dessa naturalidade, dessa simplicidade do Ser. E, quando isso está presente, há esse sentido de vastidão e de plenitude onde rochas, plantas, animais, homens, tudo a nossa volta, tudo é uma só presença, uma só realidade, sem nenhum sentido de separação. Toda essa forma de distorção, de ver o que se passa a nossa volta e também o que está dentro de nós através de conceitos, padronizações, posicionamentos pessoais, tudo isso desaparece. Alguns chamam isso de realização, de iluminação. Essas mesmas denominações foram inventadas. Aquilo que é natural é Ser e ser natural é aquilo que há de mais comum. Nós criamos essa diferenciação através da fala, através da palavra, através de uma expressão verbal. Criamos um significado para isso e assim o rotulamos chamando de iluminação ou realização. Também há muitos outros nomes para isso.

.....Uma coisa interessante que agora iremos tocar aqui, como vocês sabem, nós falamos sem mesmo saber o que vamos dizer antes de abrir a boca para falar e aí começamos, a abrir a boca e a fala brota espontaneamente. E me vem para falar neste instante, sobre essa questão da iluminação... Todo trabalho que temos diante de nós, — e é importante que entendamos essa questão da palavra “trabalho” que geralmente está ligada a esforço, a disciplina, a práticas, a exercícios, a métodos, a sistema — e quando empregamos essa palavra “trabalho”, não falamos nesse sentido. Não é algo que possamos fazer, que se possa realizar. É algo que acontece através da própria Consciência em cada um de nós, por uma ação misteriosa, por uma ação que a única palavra adequada que encontramos é a palavra “Graça”, porque é por demais misteriosa essa ação da Graça que é uma ação da própria Consciência em nós, para despertar a realização desse estado de Consciência da Presença que já somos. 

Isso é algo que acontece muito naturalmente; não é uma decisão pessoal, uma decisão de alguém. É importante que entendamos que também de outra forma existe uma profunda confusão, criada exatamente pela mente nessa tendência de hoje em dia... A mente inventa todo tipo de teoria e interpretação de algo que ela de fato não conhece, mas que imagina. E assim temos visto muita imaginação desse estado natural que somos, que trazemos, e assim podemos abrir mão de um trabalho que precisa acontecer, e deve acontecer, embora não seja um trabalho nosso, é um trabalho dessa mesma Consciência agindo nesse corpo-mente, nesse organismo que somos, porque intelectualizamos isso. Quando alguém diz que não há nada a fazer, que não há nada que possamos fazer, isso não significa que um trabalho não é preciso ser feito. Mas, é assim que a mente interpreta. É importante que se entenda que despertar é uma coisa, enquanto que permanecer desperto é outra coisa.

Nós estamos diante de uma investigação de um assunto aqui. Vamos falar um pouquinho sobre isso, a questão do despertar, essa questão de estabilização desse estado real de presença. O despertar é o vislumbre direto daquilo que somos, enquanto que esta realização, ou iluminação, é aquilo que somos agora, se expressando de uma forma muito natural, neste organismo, através deste corpo e desta mente. Não é algo que possamos fazer, que possamos alcançar, que possamos realizar, porque é isso o que somos, e todo trabalho que acontece nesse organismo, corpo- mente. É para que, “isso que somos”, se revele, se apresente, se mostre. 

Nesse sentido, um trabalho acontece. Para alguns, meia hora, em nosso tempo de relógio, para outros alguns anos. Espero que o que estamos colocando fique claro para cada um de nós; se ficar claro, muitas dúvidas que temos sobre isso irão desaparecer. Muito do que temos lido a respeito de auto-realização, muito do que se encontra escrito por aí, — e que temos dúvidas sobre isso,— irá desaparecer. À noite, quando despertamos e o sono ainda continua presente, há uma grande facilidade de cairmos novamente no sono. Todos sabemos disso. Levantamos na madrugada, mas ainda temos sono, ainda estamos sonolentos e, com facilidade, novamente dormirmos. Você tem horário para levantar, você levanta, mas o sono reaparece e você dorme de novo. Quando estamos diante da nossa Real Natureza, o sono também é muito forte. O padrão, o hábito, o condicionamento é muito forte. E assim, temos essas “entradas e saídas”, temos esse despertar e adormecer e isso é algo que acontece até que chega um instante em que não há mais sono. O sono desapareceu de forma definitiva, não há mais a questão do despertar, simplesmente porque não há mais sono. Nós sabemos que são falhas todas essas colocações, todas essas ilustrações, todas tem suas limitações, mas dá para termos pelo menos uma aproximação disso.

Estamos descobrindo aqui, exatamente, o que é esse trabalho. Esse trabalho que acontece... A auto-investigação não é uma prática, não é uma disciplina; não é uma disciplina no sentido de esforço, de exercício, de suor, de penitencias, de lágrimas... A auto-investigação não é um método, não é um sistema. É algo que acontece nesse organismo, nesse corpo-mente e não tem nada a ver com aquilo que somos. Em nossa Natureza Essencial, estamos além de todo esse condicionamento, de toda essa limitação do corpo e da mente e de tudo que o corpo e a mente representam. O trabalho não é na Consciência, o trabalho é no organismo. A Consciência já é livre, a consciência nada sabe de sono, de despertar, ou de fim do sono... A mente é que sabe. A mente experimenta isso, o organismo experimenta isso. É algo muito misterioso o fato da Consciência que é livre, que por natureza nada sabe a respeito de escuridão ou de iluminação, de realização ou não realização, se identificar através do pensamento, com o conjunto de imagens condensadas, e condensar essas mesmas imagens em uma só e chamar essa imagem única, de “eu” e assim ter inicio essa ignorância. É isso aquilo que os sábios na Índia chamam de “maya”, a grande ilusão. 

Essa identificação da mente com a Consciência é um profundo mistério, que nem nas escrituras, e nenhum sábio jamais explicou do porque a própria Consciência se permitir isso: se ocultar, se manter dentro dessa identificação, até que Ela mesma decida colocar fim a isso, e isso acontece justamente através desse trabalho de meditação, desse trabalho de auto-investigação, desse trabalho de entrega. Evidente que não é um trabalho que acontece Nela. É um trabalho que acontece no organismo, para esse cada um de nós, como nós o tratamos. Essa auto-investigação é um trabalho da própria Consciência no organismo, no corpo-mente que somos. Ela em si mesma é livre, Ela em si mesma não sabe nada disso. Portanto, todo trabalho é um trabalho que na realidade acontece para cada um de nós, é um trabalho desta Graça, desta Presença, desta Natureza Essencial que somos, que trazemos. Creio que essa fala, essa colocação, foi feita de uma forma muito clara. 


Um dia, um homem foi ao encontro de Ramana Maharishi e lhe perguntou:

.....- Mestre o sábio sabe tudo?

.....Ramana olhou para ele, em seus olhos e disse:

.....- O sábio sabe apenas aquilo que convém saber. É isso o que o sábio, sabe.

.....E o homem, não satisfeito, continuou em sua pergunta:

.....- Como assim mestre?

.....Ramana lhe deu a segunda resposta final:

.....- O sábio, não sabe, ele simplesmente sente. Ele apenas, sente.

Assim senhores, nós estamos aqui para ouvir a voz do coração, para ouvir com os ouvidos do coração. Estamos aqui para desfrutar disto e não para intelectualizar isto. É simples aceitar o que é... .....Fazer alguma coisa?... Sim! Fazer aquilo que pode ser feito.

Que lugar tem nossa irritação, nossa revolta, nossa frustração porque as coisas não são como queremos que sejam?... Quem disse?... Quem nos falou isso?... É que fomos criados, — somos meninos birrentos, que batem com os pés no chão, esperneiam, rolam no chão quando qualquer desejo nosso é contrariado. Mas, é interessante a vida... Ela não respeita esses programas, essas nossas programações. Os planos são nossos, somos ótimos para fazer planos, mas nada disso se declara como algo final. Aquilo que é — é — e ponto final! Uma vida livre do peso de um ponto de referencia dentro de cada um de nós que quer as coisas a seu modo, da sua forma, na sua hora... A liberdade de viver sem isso, descobrir o que é viver sem esse ponto de referencia deixando apenas a vida acontecer, isso é muito maior mais valioso, muito mais importante, do que qualquer coisa que a mente possa imaginar como algo de valor, como algo importante. De forma prática, como trabalho, não como disciplina, não com esse sentido que conhecemos com essa palavra disciplina, fica para cada um de nós essa pequena lição... Vejam como agora está fluindo, como agora vocês podem nos ouvir. A Vida é o que é. Tudo acontece como acontece, como acontece e como acontece... Deixemos essas explicações para os filósofos, para os estudiosos e sábios que “tudo” sabem... Vamos ficar só com esse saber... .....Como aquele saber da criança que está descobrindo e que pergunta ao pai:

.....- Por que as arvores são verdes?

.....E o pai, um botânico começa a explicar que as folhas das arvores são verdes em razão da clorofila. .....E a criança fica ouvindo, ouvindo e depois diz ao pai:

.....- Pai, não é mais simples dizer que as folhas são verdes porque são verdes? É tão bonito pai, que cada coisa tenha a sua cor e as folhas das arvores são verdes porque são verdes. Tudo que o senhor me disse, não entendi nada. Mas, entendi porque elas são verdes: porque cada coisa tem sua própria cor e é tão bonito que seja assim!

Sentir, é a chave; sentir é a chave do viver. É a chave da Suprema Beatitude, da Suprema Felicidade. Algumas vezes alguns nos procuram... Temos alguém presente aqui sala, — um profundo estudioso —, ele tem obras que poucos possuem, vários livros raros, e esta aqui presente conosco. E, nas primeiras conversas que tivemos pelo MSN, ele me perguntava:

.....- Você conhece isso?

.....E eu respondia:

.....- Não!

.....- E isso?

.....- Também não!

.....E assim foi... Até pensei que ele nunca mais ia querer conversar conosco, mas, até que voltou e se tornou nosso amigo e está aqui conosco. Hoje, ele já nos diz que não precisava saber tanto. Não precisava ter estudado tanto. Estamos aqui para estudar o Ser...

.....Obrigado pela presença de todos.


Satsang transmitido via Paltalk no dia 01 de Agosto de 2011

Um comentário:

  1. O ego quando se apresenta a um acordado,se apresenta na condição de alguém muito,muito,muito especial.[uma joia rara] Alguém que está quase pronto,que só precisa ser reconhecido. Alguém que sabe mais,que conhece mais.
    Talvez até mais do que o Mestre.[em alguns momentos,isso parece muito real]
    Em Satsang,ouvindo,abaixando a guarda,a compreensão vem chegando, e aí é entendido,através do desmascarar da mente,quando é dito: você não é nada,você não é ninguém.Você é um fraude.
    Como eu sei sobre isso?
    Meu velho,velho ego. Ego é tudo igual. Só muda o endereço.

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