quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Paltalk Satsang - Sem conhecimento e experiência, quem é você?


Este encontro em Satsang é um encontro com esta Presença imediata, esta Presença presente. Satsang é o encontro com a Verdade de nossa Real Identidade, que é a Natureza Divina de nós mesmos. Quando nos aproximamos do Satsang, a ideia mais comum é a de que não estamos suficientemente maduros para perceber o que acontece dentro desse espaço, para investigarmos Aquilo que somos. Mas na verdade, uma vez que você tenha conseguido chegar ao Satsang, de fato você já está pronto para olhar para isso. Eu tenho para mim que a única condição que lhe torna maduro o suficiente é o fato de estar aqui, de “ter nascido”, de “estar vivenciando este momento”, de estar aparentemente no corpo.

Não há como você ver isso sem estar nessa condição, então, essa condição é a condição da maturidade. E você está exatamente agora neste momento para ver isso. Você não pode ver isso em um momento futuro. Você não poderia ter visto isso em um momento passado. O passado você pode recordar, e o futuro você pode imaginar. Mas é sempre neste momento presente, nesta imediata Presença, que é você agora, neste instante, que tudo isso pode ser percebido. Eu digo tudo isso é essa simples Verdade que é você. Todas as impressões do passado são apenas registros de conhecimentos, de experiências, são memórias aí nesse mecanismo, algo que acontece neste presente imediato, que é esta Consciência. Isso sempre agora.

Para a mente, coisas aconteceram. Mas para essa Consciência presente, que é você, em sua Real Natureza, nada aconteceu, nem nada pode acontecer. Não há passado nem há futuro. E naturalmente também não há presente. Eu sei que ouvir isso é muito estranho. Somente a mente estranha ouvir isso. Você não é um ser no tempo, você é somente o Ser. O Ser é atemporal, é não espacial. A forma do Ser é uma aparência, uma aparição. É aí que entra o corpo, aí que entra a mente, nessa Presença imediata que é Ser, que é você, que é Consciência.

Tudo já está pronto. Você está além do domínio do conhecimento e da experiência. Você está além do tempo, além do passado, além do presente, além do futuro. Ou seja, você não é um ser condicionado. Você é só o Ser, incondicionado, ilimitado, indescritível. Todo conhecimento é condicionado, toda experiência é condicionada, tudo aquilo que o corpo vivencia é condicionado, está na limitação da forma. Mas você está além da forma, ou seja, está além do espaço, está além do tempo. Ouvir sobre isso é muito importante. Nós fomos condicionados mentalmente a nos confundirmos com essa limitação, com essa sujeição ao conhecimento, ao tempo e ao espaço.

Se você examinar com calma tudo isso, vai perceber que são apenas conceitos. Podem muito bem revelar uma “história”, a história de um mecanismo, ou a história de muitos mecanismos. A história de um mecanismo é a história de uma pessoa. A história de muitos mecanismos é a história de uma civilização, de uma cultura. Você está além do reino dos conceitos, e naturalmente além da história pessoal, e além da história humana. Nós estamos viciados em conceitos, viciados em crenças, viciados em ideias. A mente nada mais é que uma máquina programada, uma programação. A programação dessa máquina, que aqui nós chamamos mente-corpo, é conhecimento e experiência.

Estamos dando identidade a isso, viciados como estamos em conceitos, agarrados assim a essa história, a história do “mim”, do “eu”, da “pessoa” que acredito ser. Eu gostaria de perguntar o que você é além de conhecimento e experiência. Quem é você além de todo o conhecimento e experiência? Sem conhecimento e experiência, quem é você? É para isso que estamos apontando. Pois eu digo: você é aquela Presença que presencia neste instante imediato tudo o que aparece e depois vai embora. Todo conhecimento, toda experiência, toda história, pessoal ou humana, individual ou coletiva. Eu lhe digo quem você é: você é Aquilo no qual não há localidade, você é Aquilo que está sem centro, sem limite.

Eu lhe encorajo a olhar para esse lugar que vê, e não para aquilo que é visto. A pergunta que eu lhe faço é: sem aquilo que é visto, aonde está isto que vê? Estamos apontando para essa não limitação, para esta não centralidade. É a vida sem uma circunferência, é a vida sem um centro.

P – Quem age, quem é o agente, quem é o fazedor?

M – Repare que diante dessa fala fica claro que não existe nenhum agente, não existe quem age, não existe o fazedor. Só tem a vida acontecendo sem um centro, sem uma periferia. E a Vida acontecendo nessa totalidade, só Ela age, só Ela é o agente, só Ela é o fazedor. Como temos dito nessas falas, não tem “alguém” nisso. Apenas se permita ser o que você é: a Vida. E aí nada mais acontece através de você, porque você não existe. É só a Vida acontecendo. Mesmo esse mecanismo corpo e mente não é mais um instrumento. Não há uma instrumentalidade. Só tem a vida em sua totalidade, aparecendo nesta forma ou naquela forma, mas é a Vida total. É a Vida total se movendo em uma flor ou em um astro. O movimento de um grão de areia ou o movimento de um planeta, tudo determinado por esta Única Presença imediata, que é Consciência, que é não temporal e não espacial, mas dança, e nessa sua dança o tempo e o espaço, as formas, está tudo aparecendo, ou parece aparecer.

Você já é essa Liberdade. Você não será livre, porque você não existe para ser livre. Você existe na Liberdade, mas você não é o nome, não é a forma. Você não é a mente nem é o corpo.

P – Viver sem o fazedor? É isso?

M – A resposta é a seguinte: não há qualquer possibilidade do viver, só há a Vida. O viver pressupõe um ser separado, seja uma flor, um animal ou um ente humano. Só há Vida sem um centro e sem uma periferia, e ela se expressa na forma de uma flor, de um animal ou de um ente humano, mas é só a Vida, sem um centro, sem uma periferia, e você é isso.

P – O Ser criou a mente? O que é a mente?

M – O Ser não criou nada. O Ser é só o Ser se expressando. E ele se expressa como corpo, como mente, como não mente, como qualquer aparição ou qualquer coisa desaparecendo também. Tudo é Ele, tudo é Aquilo, tudo é Ser. No Ser não há criação, não há tempo. Criação pressupõe tempo. O tempo é só uma aparição, quando algo parece aparecer, a noção de tempo surge na mente. Só a mente conhece a noção de tempo. Só a mente cria a ideia de criação.

Quando você chega ao Satsang, você chegou ao final da linha. Não há nada além disso. Você não tem mais para onde ir. Sua viagem termina. Isso significa o fim daquilo que conhecemos como mente, que nada mais é que um conjunto de crenças e conceitos, conhecimentos e experiências. Você é convidado em Satsang a Ser, e Ser é Felicidade, Amor, Paz, Silêncio, Atemporalidade. É isso que se chama de Liberação, mukti na Índia. Sat-Chit-Ananda.

Vocês podem continuar brincando de se espiritualizar, vocês podem continuar se espiritualizando, cada dia mais espiritual, até um dia você cansar, e descobrir que a beleza está em desaparecer, e não em ser construído, ser reformado, ser ampliado, ser, ser, ser. Aqui se trata em Ser no não ser. No não ser, Ser. Não é ser alguma coisa. Apenas simplesmente Ser. Da mesma forma que uma flor é Ser, você é Ser. Uma flor é Ser, sem qualquer ideia de ser uma flor. Quando surge a ideia de ser uma flor, aí surge um conceito, surge uma crença, surge um conhecimento, surge uma experiência, surge uma definição, surge uma limitação.

Agora mesmo, nesta sala, só tem Ser, não tem alguém nesta sala, e não faz falta alguma. Você está sentindo alguma falta? Sente falta de “alguém” aqui? Além de vocês?

P – Quando nos conscientizamos da nossa natureza real, há a tendência para uma personalidade mais amorosa, compassiva, feliz, ou nada a ver?

M – Eu pergunto para você que me faz essa pergunta: aonde é que essa pergunta está surgindo? A natureza desse perguntador é real? Que tendência tem esse perguntador? Esse perguntador é amoroso, é compassivo, é feliz?

P – Não.

M – Reparem o quanto nossa mente especula a respeito disso, inutilmente. Toda essa especulação é a tentativa dela de se manter ainda agarrada a conceitos, alguma forma de crença, a alguma fórmula. Pois eu lhe digo: realize seu Estado Natural e descubra o que é que fica, se é que fica. O que temos dito sempre é que sua Natureza Real é Amor, é Paz e Felicidade. Como essa natureza vai se expressar nesse mecanismo aí, isso é com Ela. Mas não há fórmulas. Não existem definições. Não existem padrões. Alguns, depois de se assentarem em seu Estado Natural, que aqui significa descansar em sua Natureza Essencial, começam a falar, começam a escrever, começam a compartilhar isso de uma forma ou de outra. Outros jamais abrem a boca novamente. Não existem regras para isso.

Na Índia há uma mulher que abraça a todos. Ela abraça centenas, milhares por dia. Esse é o seu Satsang. Alguns começam a escrever, e em muito pouco tempo escrevem dezenas de livros. Outros param de falar e não falam mais, ficam apenas rindo o tempo inteiro. Alguns brincam com o personagem de Guru. Outros são Gurus negando toda a personagem do Guru.

P – Assim como aparentemente na mente existem múltiplas personalidades, da mesma forma no corpo-mente daquele em que esta Presença se assentou (“acordou”), há também múltiplas formas de expressão dessa mesma Consciência.

M – É isso. É bem assim mesmo. Na verdade, tudo é uma grande brincadeira dessa Consciência. Não tem nada sério acontecendo. E tudo isso está contido nesta Única imediata Presença, que é Consciência, neste Grande Jogo Divino.

P – Quero que me esclareça uma coisa: as tendências negativas dos seres humanos, tais como homicídio, traição, roubo, desaparecem ao se assentar a Presença?


M – Mais uma vez estamos diante de uma pergunta que é sem resposta para esse perguntador. Se livre desse perguntador e você descobre. Nós adoramos o aspecto teórico, verbal, dessa coisa chamada Despertar. E aí ficamos especulando a respeito do que acontece ou do que acontecerá. Nós queremos saber o que vamos ganhar com isso, ou o que podemos não perder com isso. Se estamos dizendo que o seu Estado Natural é Amor, Paz, Liberdade e Felicidade, e você me vem com uma pergunta dessa... Se após o Despertar o desejo de matar continua, de trair continua, de roubar continua... Isso é tão engraçado.


Satsang transmitido via Paltalk no dia 03 de Janeiro de 2014

2 comentários:

  1. Uma crença muito forte no conceito nascimento,no conceito criação.Quando tudo são aparições.E o conceito vida e morte? Algo ou alguém nascendo ou algo ou alguém morrendo.Aparições,fantasmas que parecem estar ali,mas que logo desaparecem,assim que a atenção é desviada.
    O que nasce e o que morre? A personalidade voltada para sua própria experiência,
    projeta tudo a sua volta,o que percebe em si mesma.
    Alguém faz uma pergunta,alguém dá uma resposta.
    A pergunta é uma aparição,e também a resposta.
    Somos aparições dentro de um cenário,sonhado por quem?
    Essa é luta da mente,tentando encontrar o sonhador.
    Poderíamos dizer Deus?
    Ainda é o sonho sem o sonhador.

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  2. Quem sou?

    A professora faz a chamada:Joãozinho está?
    Joãozinho imediatamente,sem vacilar, responde:aqui professora,presente.
    Quando digo:eu estou aqui,essa é uma afirmação da mente tendo como referência o corpo.Esse é o sentimento onde a separação se confirma.Pensamentos e sentimentos unidos pela fé.Fé naquilo que se apresenta como verdade.
    Eu sei quem sou,eu sei onde estou.[ilusão]
    A presença não se manifesta.

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