quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Paltalk Satsang - Nós não tratamos de conhecimento em Satsang


Nós não tratamos de conhecimento em Satsang. Nós tratamos em Satsang de autoinvestigação. Autoinvestigação trabalha o fim do medo. O fim do medo é o fim do desejo. Nós carregamos o peso do desejo em razão do medo presente, esse medo que nasce dessa inconsciência. Então, nós temos essa inconsciência, essa insciência acerca da Verdade sobre nós mesmos, e isso é medo. Isso se traduz como medo em nosso viver, em nosso dia a dia, se expressando através do desejo. Esses desejos são agora essas tendências internas, algo latente, algo que é parte da mente. Na yoga eles chamam de vasanas, aquilo que se acumula aí, nesse mecanismo, nesse organismo, como uma contração. O sentido de uma identidade separada que vive dessa inconsciência, que é essa insciência dessa Verdade sobre nossa Verdadeira Natureza é medo, e medo se traduz no nosso viver, no nosso dia a dia como desejos, e esses desejos são essas vasanas.
O trabalho de autoinvestigação é a base dessa real meditação, é a possibilidade de queimar isso, de queimar essas vasanas, de queimar esses desejos mantidos pelo medo dessa inconsciência nessa falsa identidade. Essa falsa identidade que se passa por você, que você acredita que é você. Esse “você” é o próprio medo, essa própria contração nesse mecanismo. Aqui fazemos essas colocações apenas para haver uma certa facilidade, para termos uma certa aproximação até mesmo intelectual disso, embora isso fique em último plano – não tem muita importância. Estamos carregados de ansiedade, de preocupações, de estresse, inquietos. Esse sentido de busca, da liberação, da libertação de todo sofrimento que temos, implica também ainda em sinais dessa presença, a presença do medo, dessas vasanas presentes, dessas tendências que estão aí nesse mecanismo.
Isso tudo precisa ser visto, precisa ser liberado, precisa ser queimado. Remorso, culpa, medo, o hábito de falar demais, a tagarelice mental, o julgamento, a comparação, a fixação em crenças, tudo isso são sinais de medo, dessa inconsciência, dessas tendências mecânicas aí nessa máquina, nesse mecanismo. E estes são sinais do ego, do “mim”, do “eu”. Você não consegue ver isso. Você está por demais identificado com esses padrões, eles se passam por você de uma forma belíssima. Esse sentido de “alguém” no controle, o sentido de um autor, de um fazedor, de um realizador...
É como a tensão de um arco. Você tem a flecha e tem o arco, e você tem a tensão de um arco, e o que cria a tensão nesse arco é uma corda de uma ponta a outra do arco. Essa corda mantém a tensão do arco. O arco nunca relaxa. O sentido de uma ego-identidade nesse suposto “eu”, nesse fazedor, é como esse arco tenso por essa corda. A corda aqui é o sentido de uma identidade presente, de uma identidade separada, e a tensão nesse arco são essas tendências latentes, as tendências de um autor, de um realizador, de um fazedor, essas tendências de uma pessoa que estão aí, uma impressão nessa máquina, nesse mecanismo. Você é o único que não consegue ver isso em si mesmo.
Essa pessoa, esse “eu”, esse “ego” consegue ver o ego no outro, consegue ver vícios e virtudes no outro, mas na verdade são sinais nele mesmo dessas impressões, mas ele não consegue ver isso em si próprio. Não tem o outro, é ele mesmo ali, e ele vê com base em comparações, em avaliações, em julgamentos, em classificações. É apenas uma projeção dessa ilusória identidade presente. É essa própria pessoa, esse próprio “eu”, esse próprio “mim”, esse próprio sentido de identidade separada. Ela não pode se dar conta de que liberdade é liberdade do agente, é a liberdade do sentido de separatividade, é a liberdade do fim desse sentido de separação.
Esse sentido de uma identidade separada não se dá conta do que é a real Liberdade. Esse sentido é a própria ilusão de alguém que um dia realizará isso, e por isso busca essa liberdade do lado de fora. O “eu” não pode ver a si próprio, o ego não trata com ele mesmo. Apenas uma intervenção dessa Presença, dessa Graça, Daquilo que está além desse sentido de separatividade, pode expressar, revelar esta real Liberação, que é o fim dessa identidade separada – isso significa o fim do medo, o fim do padrão de todas essas tendências presentes, o fim dessa inconsciência, o fim dessas vasanas. Então, estamos diante do Estado Natural, do estado livre do ego, livre do sofrimento, livre do sentido de um autor, de um realizador, de um fazedor.
A mente é algo para se investigada. A mente é algo aqui sendo investigada. Nessa investigação, temos o fim da mente, o fim do sentido de separatividade. A investigação dessa ilusão é o fim dela. Ela apenas se torna um problema quando você se recusa a investigar isso. Há uma certa lógica, há uma certa coerência, há uma certa “inteligência” para esse movimento de pensamentos, para todas essas crenças presentes, para todas essas certezas, convicções mentais. Se isso não é investigado, isso continua, se mantém como um problema, porque isso continua sendo o maior investimento dessa pseudo identidade separada.
Exatamente porque nos identificamos com isso. Essa lógica, esse bom senso, essa “inteligência” nos captura, somos capturados pela ilusão, a ilusão de que “eu tenho razão”, “eu sei”, “eu posso”, “eu realizo”, “eu estou certo”. É quando essa mente assume uma realidade, uma ilusória realidade. Na mente não é possível, todas as crenças, todos os ensinos, todo e qualquer conhecimento que você tenha é algo completamente inútil, é algo que não serve para nada a não ser para manter essa ilusão. Quando esse sentido de um autor, de um “eu”, de uma pessoa, quando o medo, essa inconsciência, essas vasanas, essas tendências, esses padrões, quando isso é removido através desta investigação-meditação-entrega, esse arco fica livre dessa corda, então deixa de ser um arco, tenso, e agora relaxa.

Esse relaxar do arco pelo fim da corda tensa, que é o fim do medo, que é o fim do sentido de uma identidade separada, que é o fim da inconsciência, significa o fim do desejo. É a constatação desta Felicidade, desta Liberdade, deste Amor e desta Paz, neste relaxamento, nesta não tensão mental. Isto é a liberdade da própria ideia de liberdade. É a liberação da própria ideia de liberação. É a felicidade do fim da ideia da felicidade. É o amor no fim da crença em sentimento e da ideia sobre o amor. É a paz que ultrapassa toda compreensão, toda descrição. Isso significa Deus, Consciência, Presença, Ser, Verdade. E aí está o Despertar.

Fala transcrita de um Encontro no Paltalk Senses do dia 27 de Janeiro de 2014

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