terça-feira, 10 de dezembro de 2013

SATSANG – A BRINCADEIRA DESSE ESPAÇO



Não se ausentar! É basicamente isso. Estar presente!

Não importa aquilo que se apresenta, você está presente, você jamais se ausenta. Quando acredita na própria ausência se confunde, se desorienta, se perturba com o que acontece. O que acontece, acontece sempre nessa não-ausência, que é essa Presença, que é você, que está sempre disponível a ver o que é, sim, sempre disponível a ver o que é. Você é esse espaço aonde acontece o que acontece, de pura Presença, nunca está ausente nesse espaço.

Reparem o que estamos dizendo, estamos dizendo que você não é um objeto dentro desse espaço, você não é um personagem dentro desse espaço, você não é um mero evento, incidente, acontecimento dentro desse espaço. Você é esse espaço que nunca está ausente, aonde tudo tem a liberdade de vir, de aparecer e desaparecer. Se isso está claro, está claro para você, que é esse espaço ilimitado de pura Presença, o que é Liberdade.

Aí a gente coloca de lado toda teoria, verbalização, conceituação, crenças. Esse espaço que é você, é incondicional, ilimitado, não é mais um conceito, não é mais uma crença, não é mais uma ideia, é você mesmo, você mesmo.

É que nós durante muito tempo fizemos isso: não atentamos para aquilo que somos, para esse ilimitado espaço de pura Presença que somos, e nos confundimos por muito tempo com os eventos, os incidentes, acidentes, os personagens, os objetos que aparecem aí. Como fizemos isso? Por uma mágica, por uma brincadeira.

Essa própria Consciência que é esse espaço, essa Presença entrou nessa brincadeira e se esqueceu dela mesma ali. Foi quando você assumiu a ilusão de ser alguém, sem nunca ter deixado de ser quem você sempre foi, ou seja, esse espaço.

Participante: Se encantou com a brincadeira, ficou fascinado assim...

Marcos Gualberto – Isso! Lá na infância aconteceu isso.  Você foi brincar de ser alguém e esqueceu de voltar. Eu tenho pra mim exatamente isso, que foi exatamente assim: isso aconteceu lá na infância, então aquelas brincadeirinhas que nós fazíamos, nós temos essa brincadeirinha de ser alguém, tudo cooperou nessa direção.

Seu pai lhe perguntava quando você era pequeno, sua mãe lhe perguntava quando você era pequeno: Quem é você? Aí você dizia o seu nome. Quantos aninhos você tem? Aí você dizia a sua idade. Você mora aonde? Aí você dizia na rua tal, no número tal. Quem é o seu papai? Qual é o nome do seu papai? Aí você dizia o nome do papai. E você quer ser o que quando crescer? Aí entramos nessa brincadeirinha, a coisa começou por ali.

Você é um menino, não esquece, você é uma menina, não esquece. Menino brinca de bola, menina brinca de boneca. Começaram a lhe dar regras, a lhe dizer quem ser, quem ser. Lhe disseram, lhe deram a resposta sem nunca você ter perguntado, a resposta quem sou eu, já foram lhe dizendo tudo, lhe deram essa resposta.

Aí você esqueceu desse ilimitado espaço, aonde toda brincadeira era possível, inclusive essa. E aí você confundiu a brincadeira com algo mais sério, e aí você se tornou mais responsável, porque agora você era alguém, sempre alguém tem muita responsabilidade. Não é assim? Olhe pra você... Olhe a responsabilidade que você tem! Isso é real? Quem é responsável? Pelo que é responsável? Que coisa séria é essa?

É só um espaço. O ilimitado espaço, um espaço incondicional. Não há nenhuma condição para ser isso que ele é. É incondicionalmente um espaço, que nunca deixa de ser um espaço de pura Presença, no qual há ausência é impossível.

Mas agora em razão dessa brincadeira que já não é mais uma brincadeira, a idéia da ausência assumiu o lugar. E é curioso que paradoxalmente essa ausência, se tornou uma pseudo-presença. A ilusão dessa ausência se tornou uma ilusória presença. A presença de uma identidade separada, desse mim, desse eu, dessa pessoa.

E você agora acredita ser um personagem, se confunde com eventos, incidentes, acontecimentos nesse espaço, enquanto você permanece sendo esse ilimitado espaço de pura Liberdade. O cerne desse espaço é paz, é amor, é liberdade. Cerne é o coração disso, que é você.

Aí você chega ao Satsang e aqui escuta dessas falas. É quando dizemos pra você: “vamos voltar ao lar”. Ao lar do qual você nunca saiu. Vamos reconhecer o Lar. É o seu espaço, esse espaço é você.

Não requer nenhum esforço, não há qualquer necessidade, pelo contrário, todo esforço foi na direção de se tornar alguém, de se manter como alguém. E como falamos agora a pouco, antes dessa fala, reparem o trabalho que há nisso, em não estar relaxado em seu Ser, em sua natureza real, em sua natureza essencial.

Reparem o trabalho que há nisso, o peso que há nisso, a responsabilidade que há nisso, o medo que há nisso, a frustração que há nisso, a ansiedade, a necessidade de sonhar, de acreditar em dias melhores, isso é muito oneroso, é bastante complicado.

A Felicidade, o Amor e a Paz é a sua natureza agora, porque é esse espaço incondicional. Essa é a sua Natureza Real!  É a Verdade sobre si mesmo, sobre si mesmo.

É basicamente isso.

É isso aí!


Um comentário:

  1. Enquanto as pessoas procuram o Mestre ideal, o Mestre real, do lado de fora,eu o encontro dentro de mim mesmo. Quem sou eu?
    Da mesma forma que o marido, faz o papel de marido, a esposa, o papel de esposa,
    o filho,o papel de filho,o Mestre,faz o papel da Consciência.

    Não existe o marido,não existe a esposa,não existe o filho,não existe o Mestre, não
    existe a Consciência.
    De novo,quem é você? Quem se importa?
    Sem censura,tudo acontece dentro dessa presença.
    Somos responsáveis ou irresponsáveis?
    Nem uma coisa, nem outra.Simplesmente somos.
    De onde vem o medo?
    Passaram a vida nos dizendo,isso pode,isso não.Isso é o certo,isso é o errado.
    Hoje estamos tremendo,na dúvida.Qual é o meu papel?
    Quem se importa? Só os donos da verdade.
    Quem são eles? Onde estão?
    Se eu não os encontro,é porque não estão do lado de fora.Estão dentro.
    Eu os acolho.Agora,eles sou eu.

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