quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Paltalk Satsang - Toda sua frustração é a frustração desta ilusória identidade


Satsang é esse encontro com Aquilo que somos. Com a indescritível, inexplicável Verdade que trazemos. Essa é a nossa Natureza Real, a nossa Natureza Verdadeira. Quando você se encontra em Satsang, você se encontra apenas com você mesmo. Todos vocês presentes neste encontro estão se lembrando – não se lembrando do passado, porque não há passado, vocês estão se lembrando Daquilo que são, Daquilo que vocês são na Natureza Interna, nessa Natureza Verdadeira de cada um de vocês. Não esse movimento superficial. Esse movimento superficial do passado, que é só memória não é a Real Recordação. A recordação que temos em Satsang é de nossa Natureza Inata, nossa Natureza Verdadeira, desse Estado que não é um estado, esse Estado que é livre de todos os estados conhecidos, lembrados, que fazem parte dessa memória, dessa assim chamada “memória do passado”.
Quando você chega ao Satsang, você é convidado a entrar, a adentrar profundamente em cada imagem, em cada lembrança, em cada sensação, em cada sentimento, em cada percepção e encontrar essa única substância comum a tudo isso. Essa única substância comum a tudo isso é essa substância que aparece como uma substância nessas experiências, ao mesmo tempo ela é a testemunha dessa substância. Isso não é outra coisa senão essa Consciência. Estamos dizendo que se você entra fundo, profundamente, em qualquer uma dessas experiências – pensamentos, imagens, percepções, sensações, emoções – você encontra Aquilo no qual tudo está acontecendo, que é essa Consciência.
Essa Consciência é o que nós chamamos de Presença, sempre presente. As experiências são mutáveis, e essa substância, que também é a testemunha dessas experiências, que é a Consciência, permanece imutável como sua Real Identidade, como sua Verdadeira Natureza. Essa Consciência é impessoal, é imparcial, é intocável. Como sua Natureza Verdadeira, ela é Paz, Liberdade, Amor, Felicidade. Assim ela é a substância e ao mesmo tempo a testemunha do pensamento, da sensação, da percepção, da emoção. Toda a sua frustração existencial é a identificação com a experiência, é a identidade que você dá à experiência. Acompanhem isso com calma – a identidade que você dá à experiência do pensamento, da imagem, da sensação, da percepção, do sentimento, da emoção.
Toda a sua frustração é a frustração dessa ilusória identidade. A ausência dessa ilusória identidade é a ausência da frustração. Quando o pensamento se levantar, apenas seja uma testemunha. Não dê identidade a isso. Quando a imagem se levantar, seja uma testemunha, não dê uma identidade a isso. Quando um sentimento se levantar, seja uma testemunha, não dê identidade a isso.  Quando a emoção aparecer, não dê identidade a isso. Isso é algo que está passando. Nós estamos dando a qualquer experiência uma identidade. Uma identidade jamais deixa de se frustrar, deixa de se decepcionar. A natureza da pessoa é a miséria, porque é a natureza da mente viver em limitação. Você não é limitado em seu Ser, na mente você jamais deixa de ser limitado, sendo alguém. Sendo alguém, você está diante da limitação ilusória que a mente tem criado.
Mente sempre é sinônimo de insatisfação, de miséria, de sofrimento. Deixe solto aquilo que não é você e permaneça em Si Mesmo como esta Consciência, como esta Presença, como esta impessoal, não limitada, não condicionada Presença. Permaneça aí. Permaneça nesse testemunhar. Nós temos falhado nisso. Estamos no reino da insatisfação. O reino da insatisfação é o mesmo reino da frustração. Na mente, tudo é assim. A mente é esse espaço dessa ilusória identidade. Essa memória é uma simples construção da mente. Essas imagens carregadas de sentimentos, de emoções, crenças, é essa nossa ilusória vida, a vida do “eu”.
Em nossas mentes não somos reais. Em nossas mentes, acreditamos estar no controle, porque acreditamos ser alguém, acreditamos ter mente, e assim temos a nossa vida e também a nossa mente. A mente não é sua, a vida não é sua, em “sua vida”, você é uma frustração, em “sua mente” você é a própria miséria. No entanto, você não é nada disso. Nessa assim chamada “minha vida”, “minha mente”, você não é real. Cada memória que passa aí é simplesmente uma corrente de pensamentos, de imagens, de quadros, de coisas, pessoas, lugares, situações, eventos. Memória sempre se refere a pensamentos. A referência da memória são pensamentos, pensamentos acontecendo neste instante apenas como uma experiência. Você está além da experiência como esta Consciência, como esta Presença.
É como documentários que aparecem na tv. Você olha para a tela e vê o documentário ser exibido, mas a tela da TV continua lá, sempre disponível para qualquer tipo de documentário, para qualquer tipo de apresentação. O que quer que apareça ali na tela da TV não vai fazer a menor diferença para a tela. Se é um documentário educacional, um documentário alegre ou triste, que retrata a verdade ou a não verdade, é só um documentário passando. Para a tela não faz a menor diferença. Se tem coisas alegres ou tristes nesse documentário, a tela jamais é afetada por isso. Ela é imutável, imovível, inatingível. Ela se mantém como esta Presença, como esta Consciência.
P – Como Consciência, posso interferir no documentário, no sonho, na brincadeira?
M – Não. Qualquer intenção, desejo ou motivação de interferir naquilo que aparece e desaparece, naquilo que está mudando como esse documentário, como esse sonho, como essa brincadeira, isso não parte dessa tela, não parte dessa Consciência. Isso é uma fantasia da própria mente. Não há nada que precise ser mudado, e não há alguém para mudar qualquer coisa. O sonho já é tudo o que precisa estar ali, é uma expressão dessa brincadeira, a brincadeira dessa Consciência, que dessa forma quer brincar. Você não está nisso. Você é a testemunha e também a substância, mas não como uma identidade separada, não como “alguém”. Como “alguém” nós temos aí só a ilusão de uma imagem dentro do sonho, acreditando poder fazer qualquer coisa com o sonho.
Você em seu Ser, em sua Natureza Real como Presença, como Consciência, já está por demais satisfeito para querer mudar qualquer coisa, interferir em qualquer coisa. É sempre a mente. A ilusão da mente em sua insatisfação, no desejo de ver algo diferente. Você em seu Ser já é pura Felicidade, Completude. Em seu Ser, a brincadeira é linda, completa. Assim sendo, tudo o que você precisa é assumir Aquilo que você é: Pura Presença, Pura Consciência, Puro Ser. E aí fica claro que o que quer que apareça aí como brincadeira nessa tela, nessa Consciência, está perfeito, está tudo no lugar.
P – Muitas vezes meditando, eu consigo tocar o silêncio, permanecendo nele. No entanto, sinto que a mente ainda está lá, está presente, apenas aquietada, mas presente. Como transcender este ponto?
M – Aqui, a questão é se podemos olhar para isso como se apresenta. Isso que temos agora, aqui, neste instante. Não temos que nos preocupar com o silêncio. Aquele silêncio que você pode tocar e depois escapar de você não interessa. Tudo o que deve ser o seu interesse é aquilo que se mostra aqui, neste instante. Assim, a questão é: você pode ficar com aquilo que se apresenta agora, neste instante? Sem qualquer interesse de se livrar, apenas o interesse de ficar com isso?
Nós tratamos essa realização como a realização do silêncio, enquanto que na verdade essa realização é a realização daquilo que se mostra neste instante. É a constatação disso que se mostra neste instante. Isso é a real realização. Seja o silêncio ou o não silêncio. Você está além de ambos agora nesta constatação. Jamais tente alcançar o silêncio ou reter o silêncio. Apenas fique com o que está aqui neste instante, deixe solto, seja o silêncio ou o não silêncio, porque você está além de ambos. Realização não é apanhar o silêncio, realização é ficar com o que se mostra, livre de dar a isso qualquer coisa especial. O silêncio não é importante, o não silêncio não é importante. Ou: o silêncio é o que é, e o não silêncio é o que é. E você está além de ambos. Daquilo que é não importante e daquilo que é o que é, aparecendo e desaparecendo neste momento.
Permaneça nesta Consciência que não se prende a nada, que não rejeita nada, que não agarra e que não rechaça o que quer que apareça quando aparece. A real meditação é isso: é ficar com o que é de forma desidentificada, agradável ou não, real ou não, silêncio ou não silêncio, não importa. Você como essa Presença está sempre presente quando tudo está passando, inclusive o silêncio. Quando você me diz que consegue tocar o silêncio e diz que sente que a mente ainda está lá, você precisa ficar com isso, com o que está presente. O que está presente é o silêncio, o que está presente é a realidade da mente lá. Mas na realidade está tudo agora presente. Permaneça nessa constatação, nesse olhar.
P – Isso é tudo muito claro à luz do intelecto, mas eu penso aqui como eu vou interiorizar isso, viver isso, enfim, conseguir minha liberdade...
M – A questão aí para você é: você pode fazer isso? Quando você diz “como vou interiorizar isso, conseguir minha liberdade”, a pergunta é: você pode fazer isso? Aqui, nós estamos diante daquilo que somente esta Graça, esta Presença, esta Consciência pode realizar. Por isso falamos muito em Satsang sobre autoinvestigação, meditação e entrega. Isto é um trabalho que não é seu, com um resultado que não é você que obtém. Não tem “você” no início nem tem “você” no fim. Recomendação para todos: Satsang é igual a Trabalho, igual a Graça. Isso significa autoinvestigação, meditação e entrega. Tudo o que você pode fazer, tudo o que cada um de vocês pode fazer, é descobrir o que é ficar quieto nessa disponibilidade de entrega, nesta profunda confiança e amor à Verdade, nesse Trabalho-Graça-Satsang. Então sim, ficar quieto e depois ficar quieto. E em terceiro lugar ficar quieto, de novo e de novo e de novo.


Paltalk do dia 16 de Dezembro de 2013

Um comentário:

  1. Nós interferimos.Infelizmente,interferimos.É falta de maturidade?Não queremos lidar com o sofrimento, no sentido de descobrir quem realmente sofre.
    Queremos resolver tudo muito rapidamente, para passarmos para uma nova experiência que vá nos fazer felizes. Chega um momento que temos que abrir mão dessa estratégia.
    Não quero mais ser feliz, só quero saber quem sou.
    E quem sou? Não pode ser o infeliz na ânsia de ser feliz.

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