terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Paltalk Satsang - A Relação entre Mestre e Discípulo


É importante esse encontro com a Verdade. Esse encontro com a Verdade, aquilo que é conhecido por Satsang, representa algo que só pode ser realmente visto quando não há qualquer intervenção da mente, quando não há qualquer senso de um autor, de um fazedor, de um pensador, quando não há qualquer duração nessa crença de uma experiência pessoal. Basicamente, a mente vive nessa crença. A mente não conhece outra coisa a não ser o conceito dos opostos – a prisão ao conceito da separação entre aquele que observa e aquilo que é observado, entre o pensamento acontecendo e uma suposta identidade por trás do pensamento.
A mente vive nessa base, presa à impressões de memória, presa a imagens. Para a mente, as imagens do passado, essa coleção de lembranças, de imagens presentes nessa assim chamada memória, isso representa a vida dessa pseudo-identidade. Outro aspecto da mente é a questão do futuro – uma presunção, uma conjectura, uma crença. Para a mente, o presente não é essa Presença. Para a mente, o presente, este instante, para ela não tem qualquer interesse, ela não tem interesse nisso, seu movimento é sempre um movimento de uma entidade, que faz, que sente, que pensa, que se lembra, que realizou ontem e vai realizar amanhã.
Então, esse “presente” não é o real presente, que é a Presença. Isso é algo que pode ser percebido e reconhecido como ainda parte da mente. O passado é meramente impressões, e o futuro presunções. Isso significa que não há uma constatação da realidade presente neste instante, a realidade desta Presença. A constatação livre da ideia de uma entidade nisso é a Consciência, é o Ser, é a Verdade sem o senso de um pessoal fazedor, pensador. Assim, a mente está sempre presa a essa condição de dualidade – ao positivo, ao negativo, ao amor, ao ódio, ao prazer, à dor, sempre com um sentido de uma identidade por trás disso, qualificando isso, preso ao conceito de espaço e ao conceito de tempo, espaço e tempo para uma identidade presente.
Vou falar um pouco sobre essa relação entre Mestre e discípulo. Vamos ver onde isso entra dentro dessa fala. A pureza do “ensino” aqui compartilhado em Satsang reside exatamente nessa ausência, na ausência do sentido de alguém nessa coisa. O Mestre é a ausência de uma entidade separada, assim como o aluno é a ausência de uma entidade separada. Então, essa relação entre Mestre e discípulo, que é o que acontecem em Satsang, não é uma relação. Você está sempre diante de Si mesmo, de Si mesma. Uma “pessoa iluminada” não é alguém. O próprio sentido de separação, de individualidade, de um fazedor, de um pensador, isso fica perdido.
Assim, não há uma relação entre Mestre e discípulo. Isso é perdido agora mesmo aqui em Satsang. O discípulo é o Mestre, o Mestre é o discípulo, e não há alguém nisso, não há uma pessoa nisso. É a Consciência se reconhecendo nela própria, sem o sentido de separatividade, além da mente, além dessa condição de dualidade, de separação entre sujeito e objeto, entre pensador e pensamento, entre Mestre e aluno. Então, estamos diante da real Presença neste presente instante. Isso é Satsang.
Abandone por completo toda ideia – porque é só uma ideia, só uma crença – de que existem pessoas nessa sala, e uma figura principal, o assim chamado Mestre. Essa mesmo é que não existe! Quando há essa abertura, essa sensibilidade, essa admissão de que não há qualquer sentido de separatividade, apenas uma só Presença, um só Ser, um só coração nesse encontro. O que temos é a Consciência se reconhecendo Nela própria. Então, o Trabalho Real se faz possível aí, para esse mecanismo corpo-mente.
Então eu quero repetir isso para vocês: a Verdade só pode ser vista sem a intervenção da mente, sem a intervenção desse sentido de separatividade, quando a ideia de Mestre e discípulo desaparece. É quando o “discípulo” faz o seu trabalho e o “Mestre” pode fazer o trabalho Dele. Nós aprendemos em Satsang que não há nada para aprender. Nosso próprio pessoal esforço nos expõe, nos coloca numa posição de grande vaidade e orgulho. A real entrega é a real humildade, e ela reside na ausência do sentido de alguém fazendo qualquer coisa.
Assim, a ausência de separação, de separatividade, é essa ausência da ilusão de alguém dando e alguém recebendo. É a ausência dessa ilusão da relação entre sujeito e objeto. Essa fala nos conduz a essa abertura, a essa sensibilidade, a essa percepção, a essa constatação de pura Consciência, de pura Presença, de puro Ser, a beleza dessa não separação. Essa Presença, esse Ser, essa Consciência, isso que é sua Real Natureza transcende a qualquer manifestação. Eu digo a qualquer expressão de manifestação. Assim, você em seu Ser está além do pensamento, além do sentimento, além da emoção, além de qualquer sensação sensorial, ou seja, além do corpo, além de tempo e espaço, além da multiplicidade de aparições, de manifestações.
Você é Consciência. Essa Consciência que percebe aonde tudo isso aparece e que está além mesmo dessa percepção. Nesse sentido, poderíamos dizer que você é essa Consciência e também está além dela. Não coloquem isso como mais um conceito entre outros conceitos. Abandonem todos os conceitos. Fiquem sem nenhum conceito. Permaneçam nessa não objetividade, nessa não subjetividade, nesse não saber, nesta não certeza. Isso traz essa quebra de padrão mental de condicionamento, de repetição da mente. É quando todas as imagens ficam soltas, todas as lembranças, toda essa coleção de recordações, toda essa memória não tem mais qualquer importância para essa “pessoa”. Então essa “pessoa” não pode se manter, a “pessoa” do buscador, a “pessoa” do fazedor, a “pessoa” realizadora, essa “pessoa” presente com suas escolhas, soluções, decisões, afirmativas, certezas.
Quando Isso está presente, fica esse espaço além do tempo e do espaço. Esse espaço é a liberdade da vida, da Vida sem essa ilusão, somente a Vida, não há um “eu”, um “ego”. Então, fica apenas essa leveza, essa Graça, esse sorriso, essa Liberdade, essa Paz, esse Silêncio. Uma sombra é algo real, mas na verdade uma sombra não é algo real. A única realidade da sombra é a presença do sol. Essa nossa vida centrada nessa identidade, nesse “mim”, nesse “eu”, nessa “pessoa”, nesse “ego”, é algo que nos parece muito real. Mas é real como a sombra. A única realidade presente é essa Consciência, essa Presença, esse Ser. Assim como a sombra não é real, esse “ego” não é real.
O trabalho em Satsang é essa investigação nessa entrega, nesta real meditação. É quando o sentido de separatividade é solto. Você não se apoio mais nisso. Então essa sombra é só uma sombra, algo que aparece porque o sol está presente. É sempre a Consciência tornando possível qualquer aparição e desaparição. Se você deixa de olhar para o sol e olha para a sombra, ela está lá. Mas se você deixa de olhar para a sombra, você só tem o sol. Não há qualquer sombra. Então, na verdade, essa sombra é irreal. É irreal no sentido de que é dependente do sol para manter sua existência. No entanto, temos esse paradoxo de que a sombra é suficientemente real e ao mesmo tempo ela é irreal.
Quando você chega ao Satsang, eu lhe convido a deixar esse seu olhar para a sombra, abandonar esse olhar seu para a sombra.  Isso significa se desidentificar da memória, essa coleção de imagens, de lembranças, significa o fim desse passado, disso que é só lembranças de uma pseudo, de uma ilusória identidade. Então, não há mais sombra.
Estamos falando a você do seu Estado Natural, livre do “ego”, livre da “pessoa”, livre do sentido de separatividade, livre da realidade da sombra. De fato, parece que esse ego é sempre uma sombra que nos assombra. Uma sombra que nos assombra aqui nada mais é do que uma assombração, uma ilusão, um fantasma, uma assombração é algo alimentado pelas nossas crenças. Entre fundo nessa investigação, nessa imersão, nesse mergulho em Si mesmo. Vá até a origem, a fonte, a base aonde se sustenta essa ilusória identidade e você não vai descobrir outra coisa ali, a não ser essa Beatitude, essa Paz, essa Verdade, essa Liberdade, essa Graça, esse Amor de sua Real Natureza.
Na Iluminação fica claro que não existe “alguém” aí. No Despertar fica claro que não havia “alguém” dormindo.
P – Esse Estado Natural é só silêncio?

M – Esse Estado Natural é Aquilo que comporta tudo. Comporta tudo e está além de tudo. Esse Estado Natural é esse no qual tudo aparece por algum tempo e logo desaparece. O silêncio, o não silêncio, o som, o não som. O que quer que seja dito acerca deste estado não é ele. Aquele que for capaz de lhe descrever esse estado, não sabe. Você pode realizar Isso, descrever nunca. Imaginar, nunca. Aprender algo sobre isso, nunca. A boa notícia é que você é Isso. A boa notícia é que você é só Isso. Tudo o mais está aparecendo e desaparecendo Nisso, que é esse Real Estado Natural. Na Índia eles chamam de Sat-Chit-Ananda, Ser, Consciência e Beatitude. É o estado sem ego, sem o fazedor, sem o pensador, sem o autor. Algo simples e real.

Fala transcrita do encontro ocorrido via Paltalk Senses no dia 23 de dezembro de 2013

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