sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Paltalk Satsang - A Graça do Guru





Eu quero falar um pouquinho com vocês sobre a importância da Presença, da figura do Guru; essa Presença tem toda importância. Todos os que assumiram o papel de Mestre, aqueles que assumiram esse papel, vivendo a figura do Guru,  todos indicaram essa necessidade. Podemos falar um pouquinho sobre isso. Primeiramente, porque o contato com o Mestre nos mostra o valor de uma real rendição, a verdade sobre nós mesmos, e isso nos dá essa constante lembrança de que essa Verdade é possível, e de que não há alternativa. Não há outra forma de um real viver, senão o viver como essa Presença - esse viver em seu Estado Natural; viver como Ser; viver em Paz , Amor, Liberdade e Felicidade. Então, acontece essa entrega ao trabalho, a esta Presença, ao Ser, ao Guru, a Deus, a si mesmo. Não há qualquer separação entre Ser, Guru, Deus e você mesmo em sua real "identidade", em sua verdadeira Natureza.

Então, esse contato, primeiro, nos traz essa lembrança. Nós vivemos identificados com a mente, e, em sociedade, estamos em contato com o mundo da mente, um "mundo" todo ele criado pela mente... adormecido neste "mundo",  nesta ego-identidade.  A presença de um Mestre  é fundamental, pois Ele é Aquele que não apenas está Desperto, Acordado, vivendo essa Verdade, a Realidade de sua Natureza Real, como é Aquele que tem, nesta Graça, a habilidade e a capacidade de compartilhar Isso. Então, diante de um Mestre, temos, inicialmente, primeiro isso. Depois, vem essa oportunidade de estarmos aqui, como agora; nesse momento, formamos uma comunidade voltada inteiramente para esse olhar, o olhar para Isso. Estamos  colocando o foco inteiramente Nisso, e é o que acontece quando você está na Presença Daquele que está Acordado, em uma sangha.  O Seu foco é o Ser. Ele é Aquele que vive permanentemente em seu Ser, em sua Natureza Real... É Aquele que pode constantemente nos lembrar Isso.

Então, é algo de grande valor estar em contato com a Presença na forma do Mestre... a Graça na forma do Mestre. Em segundo lugar, nós temos um belíssimo espelho, com o qual nós podemos naturalmente nos ver ali; ver nossas tendências, nossas manias, nossos hábitos, nossas ligações com esses padrões da mente egóica - esta força da ilusão da mente nesta ego-identidade. Sem um espelho nós não podemos ver isso, não há como ver isso. No "mundo" da mente, tudo o que temos é a mente. Para onde quer que você olhe, você não tem um espelho, não há referência.

E, em terceiro lugar, nós temos nessa Presença aquilo que na Índia eles chamam de a Graça do Guru. Há algo presente que está além da fala: é esse incondicional Amor da Presença... esse enorme, indescritível, incondicional Amor Divino. O amor do Mestre é fundamental. O Mestre é Aquele que tem algumas tarefas. Não é possível você investigar isso na mente, porque os truques da mente só podem ser vistos diante dessa Presença. A mente não pode ver a mente; apenas a Consciência pode ver a mente... apontar a mente, e essa é uma das tarefas no Satsang. Essa é uma das tarefas da Presença, na forma do Guru: nos mostrar a mente. E assim nós temos um espelho, pois podemos ver Nele aquilo que somos. O Guru nos mostrará tanto nossos padrões - os padrões dessa mente egóica -, como também, de maneira clara, esses momentos de ver a nós mesmos limpos dessa ilusão do ego. Ele irá provocar tudo o que precisamos ver, e um Mestre é tudo o que precisamos. Raramente o Guru  não vem em forma de uma "pessoa", e esses casos são exceções; como Ele geralmente vem nessa figura, assim temos um apontar direto. E outra coisa presente é a habilidade de ver o fruto amadurecer, e quando ele amadurece - temos, na tradição do Zen, muitas histórias estranhas sobre isso –, quando o Mestre vê o fruto maduro, Ele derruba o fruto, dá um tapa no estudante e ele acorda.

Essa imagem do Mestre Zen é a imagem do que acontece. Apenas a Presença pode reconhecer a Presença, facilitar esse Despertar. Na verdade, o Mestre é apenas um amigo. Não há qualquer diferença entre o Mestre e o discípulo. A diferença está nessa habilidade, nessa capacidade desse Trabalho possível. A palavra Guru, na Índia, significa “Aquele que traz luz à escuridão”, aquele que pode apontar essa Realidade presente, a realidade do Ser, da Consciência. A Graça, a Presença, o Ser, o Guru e o discípulo – aqui estamos falando dessa Única Realidade, a Realidade que é Deus, que é a Verdade. Apenas a mente vê a separação, enquanto não há nenhuma separação. Portanto, essa é a visão da Consciência, da Presença, do Ser... É a visão Daquele que está livre.

Aquele que está Desperto, Realizado, iluminado ou como quisermos chamar Isso, não pode mais se perder  na ilusão da separatividade... Nosso convite dentro de Satsang é um convite que representa estar disponível a essa Graça, a essa facilitação, a essa Entrega, para essa constatação direta. Você está aqui para realizar Isso - seu Estado Natural, seu Estado Real. Assim, um Trabalho se faz necessário, e essa é a nossa ênfase, porque sem esse Trabalho aí não há um relaxar. A mente é sempre tensão, ocupação, estresse, agitação. Seu Estado Natural é pura Bem Aventurança, o que significa que só há essa Presença fazendo tudo. Uma vez que esse Estado está aí assentado, não há mais tensão ou agitação; não há mais ocupação ou preocupação; não há mais trabalho; não há mais medo.


P – Como não se sentir vítima do próprio pensamento?

MG – Aqui, mais uma vez, temos o próprio pensamento ocupado com isso. A mente, que é esse sentido de uma identidade presente, nos dá, através do pensamento, algum significado para a “nossa vida”. Abandone todos os significados, se desidentifique por completo de qualquer coisa que a mente diga sobre você. Quando nós nos desidentificamos da mente, de qualquer significado que ela esteja dando a esse sentir que aparece agora, aqui, quando ficamos apenas com o sentir, sem procurar um significado para isso, logo percebemos que esse sentir desaparece da mesma forma como apareceu. Não há uma identidade, então há uma quebra de condicionamento, há uma quebra para esse padrão. A mente é muito hábil nisso, daí a importância de encontros como esse que estamos fazendo aqui. Isso aqui é um momento de investigação. Esse encontro tem o poder de pôr fim a isso; é um trabalho que acontece, nesta Presença, nesta Graça, além da própria fala.

Agora mesmo, neste instante, temos essa oportunidade do silêncio, que é meditação. Meditação é esse Estado Natural em você, livre de todos os estados mentais, que vêm e vão. Nosso Trabalho de autoinvestigação, meditação e entrega nos dá essa oportunidade de assentarmos nesse Estado, que é o nosso Estado Verdadeiro, que é o nosso Estado Real, que é o nosso Estado Natural.


P – Podemos dizer então que há “evolução espiritual”?

MG – Não, não existe isso. Sua Natureza Real é Consciência, é essa Ilimitada, indescritível Consciência. É esta Presença. Sua Natureza Real é Deus. Não há qualquer evolução em Deus. Sua Natureza Real é imutável.


P – Mas há movimento?

MG – Sua Natureza Real é essa Presença na qual todo movimento aparece e desaparece. A existência, em sua manifestação, conhece evolução, mas a existência, em sua essência, em sua Natureza Real, é imutável. Não há qualquer evolução na Consciência, nessa Essência, nesta Presença. Apenas o fenomênico muda, cresce, diminui, evolui; apenas o que "parece ser" parece evoluir ou involuir, parece se mover ou não se mover - é apenas uma aparição.



* Fala transcrita de um Satsang via Paltalk no dia 18 de dezembro de 2013, às 22:30, horário de Brasília.

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