segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Paltalk Satsang - A Desconstrução de um mundo pessoal e imaginário



Olá pessoal, muito boa noite! Que grande oportunidade, mais uma vez de estarmos juntos, está aí, estamos diante de uma grande oportunidade. Esse encontro, ele se apresenta como algo de fato maravilhoso para cada um de nós. É esse momento único, momento da auto-investigação, o momento de nós refletirmos, não analisarmos, tiramos conclusões, ou aceitarmos intelectualmente aquilo que é dito neste encontro e sim um momento de refletirmos juntos acerca desses assuntos aqui tratados, descobrindo que eles apontam para essa mesma e única direção que é a direção da verdade acerca de nós próprios, daí a importância de estarmos nesse encontro, daí a importância de estarmos juntos.

Sempre damos uma dica e a dica é acompanharmos essa fala, com essa inteireza do nosso coração, inteiramente, completamente voltados para isso que está acontecendo aqui nesse instante. Esse ouvir com apreciação, esse ouvir com a disposição e essa disponibilidade que torna possível a compreensão, compreensão é algo diferente do entendimento. O entendimento é algo parcial, o entendimento pode ser apenas intelectual. Sem um efeito direto sobre cada um de nós, enquanto que a compreensão é algo muito mais elástico, muito mais amplo, algo muito mais profundo, algo que tem um efeito muito mais significativo para cada um de nós. Então nós queremos, nos aproximar nesse encontro, dentro desse encontro, para estarmos receptivos a esta voz, receptivos a essa fala, nesta sensibilidade de ouvir, com o coração, para que aconteça essa coisa real, essa coisa bonita, essa coisa da compreensão.

 A importância disso está no descobrimento desse posicionamento ilusório de vida que temos tido até hoje e que nessa imediata compreensão, pode ser completamente desfeita. uma ilusão desfeita pela compreensão, pela compreensão daquilo que somos. Assim nós estamos juntos, exatamente com esse propósito, o propósito de compreendermos, e não de intelectualmente entendermos aquilo que estamos tratando aqui, termos um mero entendimento intelectual e depois sairmos daqui dizendo: "realmente eu entendi bem!"... Aqui não se trata de entendimento e sim de compreensão. Me permitam mais uma vez tratar daquilo que nós consideramos aqui fundamental, fundamental é a compreensão dessa estrutura psicológica de cada um de nós; fundamental é a compreensão da estrutura do pensamento na esfera da Consciência, no espaço da Consciência.

A maioria dos seres humanos, não tem atentado para isso, para essa compreensão acerca deles próprios. Essa falta de visão sobre si mesmo faz com que o ser humano assuma uma vida "pessoal" e essa vida "pessoal", na maioria das vezes é uma vida completamente perdida nessa prisão que é a ilusão desse mundo subjetivo, o mundo dos pensamentos. Nós queremos dizer aqui neste encontro, nesta noite, que o mundo que temos vivido, esse mundo em que nós estamos vivendo, ao menos a maioria assim está vivendo, esse mundo "pessoal" é um mundo puramente subjetivo e essa grande maioria, que é a maioria das pessoas, por viverem completamente presas a esse mundo subjetivo, a esse mundo dos pensamentos, é o que nós geralmente chamamos de identificação com os pensamentos — estão vivendo fora da realidade, fora da vida real, fora do mundo real.

O mundo como nós o conhecemos é puramente subjetivo, por estarmos profundamente presos e identificados com esse movimento interno da Consciência, que é o movimento do pensamento que acontece sem uma exata compreensão, sem uma exata percepção desse mesmo movimento.  E o nosso interesse nesse encontro é investigarmos isso; é descobrirmos que a grande maioria das pessoas estão profundamente perdidas dentro desse mundo subjetivo e esse mundo subjetivo para a grande maioria é um mundo de pensamentos negativos, de imagens negativas, de conceitos mentais negativos e, assim sendo, a grande maioria vive em uma condição profundamente deplorável de grande infelicidade.

O que predomina na vida da maioria das pessoas, nessa vida subjetiva delas é exatamente essa infelicidade, a infelicidade da ansiedade, a infelicidade do desespero, a infelicidade da depressão, a infelicidade da angústia, a infelicidade de toda forma de sentimentos negativos. Assim tem sido a vida da maioria das pessoas. Isso acontece em razão, dessas imagens internas, desses quadros internos, dessas falas internas, desses diálogos internos, que temos dentro de nós mesmos, criando assim esse mundo subjetivo, um mundo onde estamos perdidos, confinados, dentro dessa subjetividade, completamente contraídos, retraídos, não há expansão, não há liberdade, não há relaxamento, não há serenidade, não há tranquilidade. Em lugar disso, nós temos muitos sentimentos desesperadores e assim nos sentimos,  sem espaço, sem alternativas, sem qualquer saída, e isso é muito, muito desesperador.

E nós queremos nesse encontro, descobrir um pouco sobre isso. Se aquilo que conhecemos por mundo que assim se apresenta a cada um de nós, se de fato esse mundo tem realidade, e nós aqui estamos nesse encontro para discutirmos sobre isso, para questionarmos tudo isso; nós aqui estamos dizendo nesse encontro que esse mundo subjetivo, estamos perdidos dentro dele, por falta de uma investigação, de que esses diálogos internos, essas falas internas, essas imagens internas, esses quadros internos, essa modalidade de visão interna, acontecendo de forma subjetiva, isso é algo que pode ser visto, percebido, separado daquilo que sou. Por não conseguir isso, estou identificado com isso e tudo que sinto é exatamente isso, mas isso não é a realidade, isso é apenas um padrão condicionado, isso é apenas um padrão aprendido, isso é apenas um padrão adquirido ao longo de todos esses anos, algo que imita um padrão geral, algo que imita um padrão comum a minha volta, porque, o que falta, é a compreensão dessa realidade que sou, que está completamente destacada desse padrão, destacada desta ilusão desse mundo subjetivo com o qual eu tenho me identificado.

Assim sendo, o "auto-conhecimento", é disto que nós tratamos aqui neste encontro, aponta exatamente para esse descobrimento, o descobrimento de minha real natureza, que não está perdida nessa identificação, que não está absorvida nessa subjetividade, na subjetividade desse mundo mental. O que estamos dizendo nesse encontro é que há uma realidade é a falta dessa compreensão da realidade de minha real essência, de minha real natureza, faz com que no lugar dessa realidade eu esteja vivendo dentro de um mundo imaginário, de um mundo de conflitos,  de um mundo de medos, de um mundo de ansiedades, de um mundo de desespero, de um mundo de depressão, de um mundo de aflição, de um mundo onde sinto um sofrimento enorme, um enorme peso de tristeza cortante. E esse mundo é o mundo imaginário, embora, ele pareça muito real, porque envolvido nisso nós temos sentimentos e nós temos emoções, — algo muito forte acontecendo em razão dessa identificação, dessa incompreensão de minha real natureza.

Percebam o que estamos dizendo aqui senhores, nos acompanhem com muita calma... Nós estamos questionando a realidade desse mundo subjetivo, estamos dizendo que esse mundo assim como nós temos vivido, e estamos vivendo e estamos vendo ele  acontecer é algo imaginário. É exatamente esse o mundo "pessoal", é exatamente esse o mundo da "pessoa", o mundo dessa "entidade separada", o mundo desse sentido de um "eu", de "alguém".

A realização é aquilo que há de mais extraordinário para cada um de nós, porque é o descobrimento desta realidade, da realidade da vida, da vida de fato como ela é e não como o pensamento tem produzido dentro dessa subjetividade, dentro de cada um de nós. O fato é que nós temos dentro de cada um de nós, um movimento interno acontecendo, um movimento de pensamentos, sentimentos e emoções e se isso não é compreendido, em seu lugar real, nos perdemos dentro dessa ilusão de identificação com esse mundo subjetivo e, quando isso acontece, esse sentido separatista de um eu aflora e retira dessa identificação uma vida própria, uma vida particular, uma vida subjetiva, essa vida assim chamada "vida pessoal", essa assim chamada "vida individual", no sentido de estar separado de outros indivíduos, de outras pessoas e também do mundo em volta dele, ou em volta dela, em volta dessa pessoa. E nós estamos dentro desta beleza que é o descobrimento, o descobrimento da ilusão disso tudo, da ilusão desse mundo imaginário, para a constatação desta vida real, desta vida onde estamos diante de um mundo novo, de um mundo que não está mais baseado no pensamento, de um mundo de simples observação direta, nada mais subjetivo, mas de perfeita e plena objetividade, onde a vida é o que é, onde há uma quebra completa com essa identificação interna, psicológica, condicionada.

Isso significa a liberdade desse processo, isso significa a vida na Consciência e não mais na mente, nessa prisão de subjetividade onde através desses filtros, o filtro do julgamento, da comparação, do gostar e do não gostar, do temer, do desejar, do julgar, criticar, avaliar, onde tudo isso termina, onde tudo isso acaba completamente e esse sentido particular, próprio, isolacionista, auto-defensivo, auto-protetor, exclusivista, desse sentido de uma identidade separada, desaparece completamente. É evidente que quando isso desaparece esse sentido de ilusão que é essa criação desse mundo subjetivo, também desaparece.

Nós sabemos que isso soa muito estranho para aquele está ouvindo, de repente, isso pela primeira vez. Mas, se você observar bem, você vai perceber isso comigo... O fato de estarmos presos ao modo, a uma maneira inconsciente de pensamento dentro de cada um de nós, somos vitimados por esses próprios pensamentos, eles estão sempre criando ansiedade, medos, preocupações, desejos, mágoas, rancores, ressentimentos... Eles estão sempre formulando uma grande quantidade de negatividade com esses respectivos sentimentos juntos com esse pensamentos negativos, produzindo toda sorte de sofrimento dentro de cada um de nós, toda sorte de conflito dentro de cada um de nós... A mágoa, a tristeza, o sentido do abandono, essa contração, essa falta de liberdade, tudo isso nós sabemos, tudo isso nós conhecemos. E nós estamos aqui, mais uma vez neste encontro investigando isso tudo, tentando juntos compreender diretamente isso.

Não nos basta intelectualmente entendermos isso, precisamos compreender isso. Essa compreensão de que tudo isso acontece no campo da mente, na esfera do pensamento, do sentimento e da emoção e isso está dentro do campo da Consciência: a Consciência em si destacada de todo esse processo, a Consciência em si como nossa real natureza, a Consciência em si como real testemunha, no qual tudo isso acontece, no qual tudo isso aparece e também desaparece, esta compreensão nos traz uma direta libertação. Isto é o que nós chamamos de auto-conhecimento, conhecimento de nossa real natureza. O problema é que por muitos anos não nos falaram sobre isso, ninguém nunca nos apontou isso. Ninguém nunca nos mostrou que o pensamento acontece como algo separado daquilo que sou.

 Durante todos estes anos tenho me identificado com esses pensamentos e isso criou esse mundo subjetivo, e estou perdido dentro dessa subjetividade e vem agora alguém e nos aponta e diz: "Olha assim como você pode contemplar a sua mão, os seus braços, o seu corpo, isso é sinal de que suas mãos, seu corpo, não é você porque pode ser visto por você; então, você é esse que contempla suas mãos, seus braços e seu corpo. Da mesma forma, diante do espelho você contempla seus olhos e você sabe que não é os seus olhos, você é aquele que está por trás dos olhos e que contempla seus olhos, suas mãos, seus braços, seu corpo. Da mesma forma você contempla os seus pensamentos, você pode contemplar os seus sentimentos; ao mesmo que sente você percebe eles. Assim como as emoções e aquilo que você percebe não pode ser você, você é aquele que percebe, você é aquele que contempla.  Se há tristeza, a tristeza está presente, mas a percepção da tristeza também. Se há pensamentos, os pensamentos estão presentes mas a percepção dos pensamentos também. Assim, você não pode ser aquilo que você percebe. Você é essa percepção, você é a percepção dos pensamentos negativos, você é essa percepção dos sentimentos, você é essa percepção das emoções, você é a percepção desse mundo subjetivo. Então você é algo separado disso. Você é essa Consciência que percebe, essa mesma Consciência que sabe ser a substância e também a testemunha.

Nós estamos juntos olhando isso, descobrindo isso juntos. Nós estamos lhe convidando a se desidentificar desse mundo subjetivo porque você é essa Consciência que testemunha esse mundo subjetivo. Você não é o pensamento, você não é esse movimento do pensamento, você é aquilo, você é isto no qual o movimento do pensamento acontece, no qual os sentimentos acontecem, as emoções acontecem. Repare que os pensamentos, os sentimentos, as emoções aparecem e desaparecem naquilo que é você, que testemunha tudo isso. Pelo fato de você não ter sido informado, de nós não sermos informados a respeito disso, estamos confundindo o processo com aquilo que somos, esse movimento que aparece na Consciência, com aquilo que somos e por isso estamos sofrendo. Para a grande maioria, esse movimento interno da Consciência em forma de pensamentos, sentimentos e emoções é algo muito doloroso, porque a grande maioria vive no estado de profunda negatividade interna. Seu mundo imaginário é muito negativo. Isso explica muitos sentimentos desesperadores. Isso explica o sentimento de suicídio. O sentimento de estar morrendo, o sentimento de estar se auto-destruindo e o próprio desejo da auto-destruição. Porque esse mundo imaginário, esse mundo produzido pelo pensamento, com seus quadros negativos, gera tudo isso.

Nós queremos convidá-lo nesse encontro a descobrir aquilo que nós chamamos aqui de meditação. A meditação é isso que acontece dentro dessa auto-investigação, de que aquilo que está acontecendo está acontecendo dentro da Consciência, e você é essa Consciência que testemunha aquilo que acontece. Nós queremos convidar você a não rejeitar, a não lutar, a não se fragmentar, criando uma divisão entre aquilo que acontece dentro da própria Consciência e aquilo que contempla, o que acontece dentro da própria Consciência. Porque, se você faz isso, isso é mais um truque do pensamento. Não é preciso criarmos essa cisão, essa fragmentação, essa divisão, porque isso é algo artificial, criado pelo próprio pensamento. Então, nós queremos convidá-lo apenas, a ser a testemunha. Ao mesmo tempo, a própria substância, ficando diretamente com o que é, mas trazendo Consciência a isso.  Diante de um sentimento, de uma emoção e de um pensamento não importa se ele é profundamente negativo e que lança você nesse estado de profunda dor, de profunda tristeza... Seja uma testemunha, entre fundo nesse instante, em plena Consciência... Fique com isso, não tecendo ou formulando novos filmes na tela de sua mente, criando a justificação para esse sentimento, criando a justificação para essa emoção, mas apenas testemunhe o que surgir, a nível de pensamento, sentimento e emoção. Seja a testemunha dessa substância, isso é meditação. Meditação é trazer Consciência a esse instante, a esse momento presente. Quando isso que está aí, surge, se manifesta, você constata, você observa. Se isso é feito de uma forma real, acontece uma quebra de identificação com o próprio movimento, essa identificação é quebrada, porque a sua natureza real, como testemunha, como Pura Consciência, é aquela na qual isso aparece, se mantém por um tempo e logo desaparece. Isso é o fim desse mundo subjetivo, isso é o fim desse mundo imaginário, isso é o fim dessa identificação com esse sentido de um "eu" sofredor.

Nós estamos colocando aqui algo muito prático, algo experimental. Estamos falando aqui do fim desse mundo imaginário, do mundo mental, deste mundo de sofrimento, mantido e sustentado por essa identificação, dessa testemunha que se esqueceu ali, que se perdeu ali, desta Consciência que perdida nesse movimento mental, o que temos agora é pura inconsciência, é essa ilusão desse mundo subjetivo, é essa ilusão desse mundo imaginário. Nós queremos dizer agora aqui, para você que nos escuta, que nos acompanha: quando isso é feito exatamente assim, quando há essa observação, esse testemunhar direto do que quer que surja no campo da Consciência, não importa o que surja ali, ou o que surja aqui, se isso é observado, esse mundo imaginário termina, esse mundo subjetivo termina e esse mundo novo, essa realidade se manifesta como liberdade. Isto é o fim desta "pessoa", é o fim desta identidade separada, isso é o fim do sofrimento e da infelicidade inerente a mente, inerente a essa subjetividade. Estamos agora diante dessa manifestação que é a manifestação impessoal de nossa natureza essencial, de nossa natureza real que é liberdade, que é paz, que é alegria sem causa, que é felicidade, que é realização, que é serenidade... Estamos diante da libertação.

O encontro nesta noite, nele nós estamos apontando para essa única direção, assim estamos diante desta real compreensão. Espero que tudo aquilo que foi colocado aqui, nesse encontro, tenha encontrado em cada um de nós essa abertura para esse real trabalho ter mais uma vez essa liberdade acontecer em cada um de nós.


Satsang transmitido pelo Paltalk na noite de 14/09/2011

Um comentário:

  1. Nada mais claro e esclarecedor. Se fosse possível diante de uma fala como essa dizer,é isso,é isso.Nada mais seria necessário.
    Mas infelizmente foram anos e anos de crenças e por isso mesmo não estamos prontos. A porra da xícara está transbordando.
    Conhecimento demais, sabedoria para dar e vender.E aí não tem jeito.
    Estar com um Acordado que desconstrua tudo isso é o único remédio.
    O problema é que as pessoas não acreditam.
    O paradoxo é que não tem ninguém para lamentar. kkkkkkkkkk risos de Deus

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