sábado, 16 de novembro de 2013

SATSANG – APENAS O APONTAR!




Se escuta algum som nesse instante chegando até você, além dessa voz.  Se tem algum pensamento agora acontecendo aí? Reparem, é um movimento. O presente momento não é estático, há um movimento nele.

Reparem a oportunidade! Não deixem escapar a oportunidade!

Nós temos feito isso, o tempo todo. Porque estamos sobre a ponte, a ponte do desejo, do motivo, da intenção, da valorização de alguma coisa, pura ideologia.

Participante - Mas ele depende das sensações pra ser percebido? O momento presente?

Marcos: – O momento presente ele contém TUDO: sensações, percepções, sentimentos, emoções, pensamentos, tudo está presente. E há essa Presença que presencia nesse instante, nessa honra, nessa atenção, naquilo que se mostra. O que estou dizendo é que Consciência é sempre Presença. E Presença é algo que está agora, aonde tudo isso acontece. E você tem a oportunidade de estar com isso. Estou falando do real trabalho do Despertar.

O estado de vigília, há sempre sensações, percepções, sentimentos, emoções, pensamentos, etc, etc, etc... Isso sempre no presente momento, não é estático, está mudando instante a instante.

Então, você tem um belo trabalho. Reparem!  Não há alguém nesse trabalho.  Alguém havia lá, sobre a ponte, na intenção do motivo, do desejo, da idealização de alguma coisa no futuro, ou na tentativa do desprezo de algo, como memória do passado. Aqui não, nesse presente momento. É uma sensação no corpo, é uma dor, é um calor, mudando. Aqui uma percepção sensorial da visão, da audição, alguma coisa ...

E nesse instante, nesse instante, nesse presente momento, nessa honra ao que se mostra, não tem alguém. Porque é muito vasto isso. É muito vasto, é um belo trabalho. Muito vasto, é o som, é um cheiro que chega e vai embora, é um outro que vem...

Acompanham isso?
Você tem tudo agora nesse presente momento para o Despertar. Tudo, tudo, tudo, tudo, absolutamente tudo! Nada desprezado.

O que você tem nesse presente momento? Tristeza, melancolia, preocupação, tédio, solidão. Ótimo, é o que é.

Participante – Mas nesse presente momento que você está falando, ele está constituindo de quem? Esse que você falou agora... Ele depende de quem? Esse que você falou agora?

Marcos: – Esse tempo, esse tempo agora, a Consciência se desdobrando com o movimento. Nada demais, com a Consciência se desdobrando nesse movimento, instante a instante.

Participante: – Então é atemporal...

MG ­– Hum?

Participante: – Então é atemporal. Dessa forma que você está falando aí ele é atemporal?

Marcos: – É essa Presença que presencia o tempo, presencia o temporal, presencia o instante a instante.

Podemos colocar essa Presença, como sinônimo de constatação do presente momento, daquilo que se desdobra no presente momento, vamos chamar isso de tempo. Mas, o que importa é o que se mostra, a sensação, percepção, sentimento, pensamento, o que quer que surja agora, aparece agora, nesse instante, para essa Presença que é pura e ilimitada Consciência que constata. Só constata. Não segura nada, só constata. Não prende nada, só constata.

Assim a dor é bem-vinda, o medo, a ansiedade, as preocupações, enfim, tudo é acolhido. Porque tudo só pode aparecer agora. O pensamento relativo a essa dor, que tenta justificar, explicar, mostrar a razão da dor é irrelevante, é algo que também aparece e desaparece, momento a momento. Assim como a própria dor se ela dura um pouco, pode durar até mais que um pensamento, como geralmente faz, mas ela também vai embora.

Eu quero que vocês percebam isso: A importância de estar com o que se mostra. E o que se mostra, se mostra agora. Estar presente, estar presente, não importa, não importa o que apareça. Só aparece nesse instante e desaparece nesse instante, porque é algo dinâmico. O presente momento não é estático, repito, é algo dinâmico e você é essa apreciação justa.

Participante: – Isso aqui é o fluir dessa Consciência, a manifestação dela, ela se materializa dessa forma, nisso aqui que a gente está vendo agora?

Marcos: – Esse momento contém aquilo que testemunha e o que é testemunhado. Então, você já tem tudo pronto...

Participante: – Ele é favorecido pela sua presença, pela presença do guru? Essa percepção que a gente está tendo agora, nesse momento, passando a cada segundo, a gente acompanhando isso tudo, a gente presenciando isso tudo, está sendo favorecido por você? Ou é uma coisa que eu posso ter a qualquer momento, eu posso fazer um exercício dessa Presença, sem a presença do guru?

MG – Ok! Aí é que está a coisa! Isso é a sua natureza, isso é a sua natureza! Como sua natureza, você é o guru. Como sua natureza, você é tudo o que precisa ser e ter.

Esse instante só diferencia no sentido de que estamos juntos numa investigação disso, de uma forma assim, muito dinâmica. Temos juntos a oportunidade de atentar pra isso, o que geralmente a mente no movimento dela, mecânico, inconsciente, nessa estrutura de ficar sobre a ponte, geralmente nos sabota disso. A diferença é só essa, é que aqui nesse instante, nós temos essa dinâmica, essa graça, essa oportunidade de investigar isso. Nesse sentido, há sim, uma facilitação.

Participante: – Um Apontar...

MG – Um apontar, isso querida, um Apontar! Estamos apenas apontando para aquilo que está acontecendo e você está junto agora como essa Presença, numa só constatação, essa é a palavra, porque há um apontar, há um apontar. Encontros presenciais em Satsang são fundamentais! Intensivos como esses, aonde você simplesmente fica quieto, que aqui a gente chama de mergulhar nisso, é fundamental.

Reparem que você tem todos os elementos, todas as ferramentas, todo o suporte, toda a logística, toda a condição, tudo o que se faz necessário no presente momento.

É tudo força do hábito, essa coisa de ficar sobre a ponte, do tempo, que é pensamento, que é imaginação, que é desejo, que é intenção, que é motivo, que é passado, que é futuro, nessa base de historinhas...

Estamos juntos?

Nessa base de historinhas, de não apreciação, de não honra a esse instante, a esse momento presente, a graça, a beleza e a verdade que se revela aqui. Apenas nesse olhar, nesse ouvir, nesse apreciar, o que passa, passando; o pensamento, o sentimento, sem dar uma identidade, sem dar uma identidade pra aquilo. A identidade pra aquilo é o personagem sobre a ponte.

OK? É isso aí!

Um comentário:

  1. Não podemos ser mais do que nós somos,é impossível.
    Não vou falar através dessa permanente presença,o que é mais impossível ainda.
    Vou me colocar como uma pessoa que vive o dia à dia,sofrendo o impacto dos acontecimentos.Não é assim que tudo começa?
    Nossos verdadeiros sentimentos[serão?] se escondem sob a forma de medo, angústia, tristeza,culpa,expectativas,desespero e tudo mais que é possível dentro dessa condição humana.Eles não se mostram.
    O Guardião é a entidade no controle.
    O medo de perder o controle é o medo de perder o Guardião.
    Como lidar com com essa coisa?

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