terça-feira, 29 de outubro de 2013

Satsang - Só há o ouvir, o ver, o sentir; não existe "alguém" aí



A ideia de "alguém" miserável, a ideia de "alguém" carregado de conflito, essa ideia, essa ideia quando ela é vista como apenas uma ideia, isso desaparece. É que a ideia assume uma forma. A ideia assume uma forma, uma crença se estabelece como a verdade. O que fazemos? Investigamos isso.

Encontrar pressupõe que algo foi perdido e precisa ser encontrado. Realizar pressupõe que algo não está pronto, precisa ser realizado. Fazer pressupõe que algo não já está feito, precisa ser feito.

Quando você vai a fundo na investigação dessa ideia, a ideia de "alguém" infeliz, a ideia de "alguém" miserável, a ideia de "alguém" em sofrimento, a ideia de "alguém" para encontrar a paz, para encontrar a liberdade, para encontrar a felicidade, e assim por diante, você descobre que não tem esse "alguém", esse "alguém" é somente uma ideia.

Uma ideia, uma crença que nos parece real pela não investigação, daí a importância da investigação, essa autoinvestigação, essa investigação de "si mesmo". Se você procura um método para isso, uma forma para isso acontecer, um sistema, um caminho para isso, que não seja essa investigação, essa autoinvestigação, você continua no mesmo movimento. Na realidade, ele ainda se fortalece, porque você não só se contenta em ficar com essa aparente infelicidade, essa aparente miséria, esse aparente sofrimento, nessa aparente identidade, como agora tem mais uma crença, a crença da melhora dessa entidade, do aprimoramento dela, do encontro dela com alguma coisa, ela, que por sinal não existe.

Então, o que acontece? Essa infelicidade, essa miséria e esse sofrimento dessa falsa entidade, desse "alguém" que você acredita ser, está presente e sendo a cada momento, e é isso que nós temos feito, temos feito isso durante muito tempo. Durante todo tempo, tudo que temos feito é manter a continuidade desse movimento, dessa falsa identidade, na procura da felicidade, criando mais miséria, criando mais sofrimento, criando mais infelicidade.

A infelicidade é impossível! A possibilidade da infelicidade é a possibilidade de uma crença, a crença nessa falsa identidade. A infelicidade é impossível porque infelicidade não é a sua natureza, infelicidade é uma criação mental, uma criação dessa falsa entidade, desse que acredito ser “eu”. Este que acredito ser "eu" é uma imagem, a imagem do infeliz, a imagem do miserável, a imagem do sofredor, a imagem do “mim”, do “eu”. Aonde se situa esse "mim"? E esse "eu"? Essa imagem? Numa história mental.

Neste presente momento não há essa imagem. Essa imagem requer, para se mover, o tempo mental, a história, o "filmezinho" que a mente cria o tempo inteiro. Reparem que a mente funciona como um "filmezinho" acontecendo, um "filmezinho" pessoal. Nesse filme, tem coisas, pessoas e lugares, tudo girando em torno desse personagem, dessa imagem, desse “mim”, desse “eu”, desse assim chamado infeliz, miserável e sofredor, que "eu" acredito ser. 

Puro condicionamento, puro padrão. Aprendemos isso, aprendemos e cultivamos. Na verdade, tudo nos motiva, nos incentiva, nos alimenta nessa direção, nessa autopreservação dessa ilusão, dessa falsa identidade na procura da felicidade, criando, produzindo, mantendo mais infelicidade, nesse próprio movimento ilusório, puramente mental. Complicado isso?

Se você experimentar soltar isso, olhar para isso como isso de fato é: memórias, imagens, lembranças que essa imagem sofreu, sofre, continuará sofrendo. Mas a ciência, a consciência de que é só uma imagem cultivada por essa não aplicada atenção a si mesmo. O que acontece?

São só imagens, somente imagens. A imagem do ofensor, a imagem do ofendido, a imagem do não amado, a imagem da não amada, a imagem do não apreciado, do não reconhecido, da não reconhecida, da não apreciada, da não aceita, da rejeitada, a imagem da incompreendida, do incompreendido, a imagem do infeliz, pobrezinho, coitado de mim, são imagens, são só imagens, não tem ninguém aí. O que aconteceu a uma imagem, se ela não está presente, não aconteceu; se ela está presente é só uma imagem, não está acontecendo. Que realidade tem isso?

Despertar é constatar que só há este instante, este momento, e neste momento não há sofredor, isso requer uma imagem. Não há miséria, porque isso requer uma imagem; não há "eu", "mim", "ego", "pessoa" - isso requer uma imagem. No olhar, por exemplo, para este instante, só há o olhar. Sem esse que vê, fica o olhar. Neste momento, ouvir: só há o ouvir, sem uma imagem. Só ouvir, e ninguém para se ofender, ninguém para se magoar, ninguém para se sentir diminuído, ferido e etc, etc.

Isso tudo requer uma imagem. Ouvir é simples, olhar é simples, sentir é simples, viver é simples. A mente torna isso algo complexo, porque mente é complexidade de memória, é complexidade de imaginação. Mente é desordem, mente é conflito, mente é miséria, mente é sofrimento, mente é insatisfação, mente é passado, mente é futuro. E tudo isso são só pensamentos. Sem uma entidade por trás disso, isso não tem sustentação.

Definitivamente não há nenhum “mim”, nenhum “eu”. São só imagens! Acompanham isso? Imagens amadas, defendidas, imagens melhoradas, reformadas, virtuosas, boas. Imagens queridas são as dos amigos, e as odiadas as dos inimigos. Mas só imagens, somente imagens. Você é o que é neste presente momento, sem uma entidade, sem uma identidade, aí neste instante, no que vê, no que escuta, no que sente, no sentir, no ver, no ouvir.

Aqui mesmo não tem um “eu”, aí mesmo não tem um “eu”. Não há nenhum "eu" particular em qualquer mecanismo, em qualquer organismo humano. Só existe o mover da vida, só a vida como ela É. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Satsang pelo Paltalk - Tudo o que temos


Tudo o que temos é essa Consciência, agora, sem um “eu”, um “mim”, um “ego”, uma “pessoa”. A “pessoa” é a maior das impossibilidades. Não há “alguém” em algum lugar. Não tem ninguém em parte alguma. Só tem essa Presença, essa Consciência. Todos os seus problemas são imaginários e estão ligados à ideia de que você existe, ligado a um passado. Não tem passado. Não tem passado, não tem futuro, porque não tem “alguém” para viver tal coisa.

Estamos assumindo nossa Natureza Verdadeira, nosso Ser Real, o único “Eu” Real, que não é individual. Ele não é particular... não é pessoal. Ele não está preso ao tempo, porque o tempo é uma ilusão – é só uma crença, que é só um pensamento. Precisamos soltar todas as conclusões, porque todas elas são ilusões. A base de todas essas ilusórias conclusões é a ideia de “alguém” nisso.

Em Satsang temos um momento de ficar com o que É, de puro Ser, de pura Consciência, de pura Liberdade, de puro Silêncio, de puro Amor, de pura Beatitude, de pura Paz, que é a Natureza da Consciência, que é a Natureza última da experiência - experiência sem essa separação de “alguém” nessa experimentação. *

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Satsang pelo Paltalk - Liberação: a constatação de que não há "alguém"


Tudo o que você sabe acerca de si próprio é só o experimentador sabendo. Toda conservação de memória, quando por detrás dessa memória temos “alguém”, isso nada mais é do que a presença desse experimentador, dessa ilusória identidade. Você só tem que ficar ciente disso, olhar de novo, de novo, de novo e de novo a ilusão que é ser “alguém” com um nome e uma história. Essa história é só lembrança. E lembrança são pensamentos, são quadros, imagens de uma suposta identidade que viveu aquilo em algum momento.

Isso é uma crença, uma imaginação. Não havia nenhuma entidade ali, nenhuma identidade ali. O que estamos dizendo é que você não tem passado, você não existe, nunca existiu. A ideia de ser “alguém” que carrega uma história é a ilusão de ter vivido esse passado. O passado não é real. Lembranças são só pensamentos neste momento presente. Pensamentos são imagens em movimento, são objetos, lugares, pessoas, tudo imaginação. A ação dessas imagens está acontecendo agora, não há nenhum passado nisso, não há “alguém” nesse passado. Tudo está acontecendo nessa Consciência agora.

Toda a “sua história” não é a sua história. Você nunca viveu a “sua história”. Você não estava lá, como não está aqui. Só tem a Consciência brincando de que algo aconteceu, de que algo vai acontecer, de que algo está acontecendo. Nela, nada acontece, nunca aconteceu nem nunca vai acontecer. E isso é Você. A Liberação é a constatação de que não há “alguém” para a liberação, “alguém” que necessite ser liberado. Liberado do quê? Do passado? Que passado? Do presente? Que presente? Do futuro? Que futuro?

domingo, 20 de outubro de 2013

Satsang pelo Paltalk - A natureza da mente


Tudo é Você como essa Consciência. Esse Você não é a crença separada da experiência dos sentidos, da experiência sensorial, separada do corpo, separada do mundo, separada dos pensamentos, separada das sensações. Traga para este instante a constatação do seu Estado Natural, abandonando completamente todo o sentido de separatividade.

Agora, enquanto você me escuta, não tem “alguém” falando e não tem “alguém” ouvindo, há só o ouvir. Se você está olhando para o computador, nesse olhar, sem separação, está a meditação. Nesse ouvir, sem separação, está a meditação. E meditação é essa Presença de pura Consciência, desidentificada dessa separatividade, da ilusão do “eu”, da ilusão do “mim”, da ilusão de uma identidade na sensação, no sentimento, no pensamento, na percepção, na experiência.

A natureza da mente é ser seletiva. A natureza da mente é ser separatista. A natureza da mente é comparar, é classificar, é julgar, é analisar, é gostar, não gostar. A natureza da mente é se separar da experiência como sendo o experimentador daquela dada experiência. A natureza da mente é se manter com esse sentido de “alguém” nesse experimentar. Com esse sentido de “alguém” nesse experimentar, ela é o experimentador, é o “mim”, é o “ego”, é o “eu”, é a “pessoa.”

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Satsang pelo Paltalk - O "eu" dentro do corpo


A nossa crença é a crença de um “eu” dentro do corpo na experimentação de um “mundo” fora do corpo. Um “mundo” fora do corpo é a ideia de ter “alguém” dentro do corpo separado desse “mundo” do lado de fora. Não há esse “alguém” dentro do corpo, só há o corpo – os sentidos, a percepção daquilo que é sensorial, que, no caso, é o “mundo” sendo experimentado.

E tudo isso é essa Única Presença, essa Única Consciência. A ideia de uma identidade dentro disso ainda é a Consciência, porque é só um pensamento. A crença na separação entre experimentador e experiência, essa crença na separação entre pensador e pensamento, entre o “eu” dentro e o “não eu” sendo experimentado por esse “eu” – isso é uma crença.

Vocês precisam abandonar todo o aspecto intelectual, todo o intelectualismo acerca disso. Toda suposição, toda pressuposição, toda conceituação, toda convicção, toda conclusão. Porque tudo isso fica a serviço desse sentido ilusório de separação, essa ficção da falsa identidade, desse “eu” que acreditamos ser.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Satsang pelo Patalk - Tudo é Consciência


Para muitos, autoconhecimento é o conhecimento de “si” mesmo, enquanto, na verdade, a investigação Daquilo que somos, que é o real autoconhecimento, é o fim do conhecimento de nós próprios. Não tem “alguém” para ser conhecido. Não tem “alguém” sendo conhecido. No despertar, no autoconhecimento, não fica “alguém”.

Tudo o que realmente está presente é a Consciência. Tudo é essa Consciência. Aquilo que é experimentado como visão, como olfato, como paladar, como audição, como tato, é somente a Consciência sendo experimentada. É a Consciência experimentando Ela mesma através dos sentidos. O corpo é essa expressão da Consciência na experimentação daquilo que é sensorialmente perceptível.

E tudo isso é essa Consciência. Só há Consciência. Não há nenhuma separação na Consciência. O que é visto e o que vê, o que é sentido e o que sente, aquilo que cheira e aquilo que é cheirado, o que saboreia e aquilo que é saboreado, aquilo que é escutado e aquele que escuta, tudo isso é essa Única Consciência, sem separação alguma.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A Compaixão de um Acordado


A compaixão para um 'acordado' tem uma outra conotação, muito distinta daquela que é reconhecida pela mente. Na mente compaixão é sentir empatia pelo sofrimento do outro, é colocar-se em seu lugar, é reconhecer a realidade de sua dor, do seu sofrer, da sua angústia. É sofrer em parceria, junto com o outro. 

Àquele que acordou para a sua real natureza, que reconhece a sua própria inexistência como entidade separada da vida, do todo, não pode olhar para o outro, como uma entidade separada de si-mesmo, não pode reconhecer no outro a ilusão que foi dissipada em si-mesmo, portanto, nem que queira, tem condições para sofrer com o outro, para reconhecer a realidade do sofrimento do outro, para colocar-se em seu lugar na ilusão de uma identidade separada, ao contrário, percebe claramente que aquilo que o outro é, não é diferente daquilo que ele é, e portanto, nenhum sofrimento pode ser real, nenhuma prisão pode ser real, nenhuma entidade perdida e esquecida de sua real natureza pode ser real, ou seja, como pode aquele que está acordado reconhecer a realidade do sonho daquele que está dormindo? 

A compaixão no acordado se manifesta de uma outra forma, muito distinta, daquela com a qual estamos acostumados a reconhecer a partir da mente, ele não se vê como um "salvador do mundo", não se vê como alguém que está ali para resgatar alguém, para livrar alguém de qualquer coisa.

Sua compaixão está no seu compartilhar descompromissado, em seu apontar espontâneo, ajudando a cada um que dele se aproxima, que a ele procura, a se desvencilhar de suas ilusões, sua compaixão está em sua disponibilidade para trabalhar com aqueles que verdadeiramente estão dispostos a olhar para a verdade, mesmo que isto signifique o fim de todas as suas crenças, de todos os seus padrões, de todos os seus conceitos, de toda a imagem que faz de si mesmo, que estão dispostos a ir até onde ele esteja, para junto com o 'acordado' ter a possibilidade de silenciar, de parar, e através da entrega, da confiança e da total disponibilidade se permitir a olhar na direção em que ele aponta, com paciência infinita, uma, duas, três, centenas de vezes, até que você possa descobrir realmente, quem é você.

Embora a nível do sonho, ele aparece e de uma forma "estranha" parece se importar. Esta é a sua compaixão. Este é o Seu trabalho, acordar você para aquilo que realmente és,não para te consolar em sua miséria, em suas ilusões. Sua compaixão é ajudar aqueles que vão até ele, a descobrir o verdadeiro significado da compaixão, o verdadeiro significado do amor, livre de todas as ilusões da mente.

Muitos que acordam se quer abrem a boca, se quer compartilham qualquer "ensinamento", que compaixão maior pode haver neste caso do que este livre compartilhar?

Tom de Aquino

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Satsang pelo Paltalk - Apenas caia fora


A libertação do ego, a libertação do “eu”, a libertação de uma identidade separada é o claro percebimento disso: Você é essa Consciência. É isso que chamamos de Consciência: Aquilo que é imperecível, imutável, indescritível, inviolável, inatingível. Aquilo que permanece quando o corpo muda, quando a mente muda. Isso que é Você, que é Consciência, permanece. Isso é meditação.

Agora é um momento de meditação, um momento de imersão em sua Natureza Essencial. Meditação é investigação. Investigação é entrega à sua Verdadeira Natureza. Agora mesmo, tudo o que permanece é o silêncio, que é Consciência, que é Presença, que é Ser. Realize isso, o testemunhar “por detrás” de toda experiência, Aquilo que conhece toda experiência.

Ao mesmo tempo, Aquilo no qual a experiência está aparecendo sem qualquer separação. Aí está o Estado Natural, estado livre do ego, livro do “mim”, da “pessoa”, do “eu”. Ser é não saber. Se você tomar qualquer pensamento, sentimento, emoção, sensação, sem qualquer distância, sem qualquer separação, então termina a dualidade – dualidade entre aquilo aonde acontece essa coisa e essa coisa acontecendo.

Veja dessa maneira, veja essa Única Presença. É possível olhar assim. Olhar assim significa olhar sem um observador, sem “alguém” nessa coisa. Um pensamento agradável ou desagradável, um sentimento agradável ou desagradável, uma sensação boa ou ruim não faz a menor diferença – é só uma sensação, é só um sentimento, é só um pensamento. Esse é o “exercício”: apenas caia fora.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Satsang pelo Paltalk - Vozes internas


P – Você poderia falar sobre vozes internas?

M – O que você quer dizer com “vozes internas”?

P – A tagarelice...

M – “Vozes internas”... O que são essas vozes internas? Vozes internas são apenas pensamentos – mecânicos, inconscientes, se movendo de uma forma não observada, criando a ilusão do sentido de “alguém” por trás desses pensamentos, esse “mim”, esse “eu”. Essa é a crença fundamental: uma identidade dentro do corpo, que tem uma voz, ou várias falas.

Se você observar, vai perceber que elas são repetitivas, e elas são completamente loucas. É um monólogo, um diálogo interno que não para. É a natureza da mente não observada essa tagarelice. Você não pensa. Não existe nenhum pensador. A sensação dessa identidade ilusória, especificamente dentro da cabeça, é a sensação de um pensador, de um mantenedor, de um controlador dessa tagarelice, desse movimento de pensamentos – o que não é verdade.

Isso é algo completamente mecânico, inconsciente, involuntário. Não tem cura, é a natureza da mente. A natureza da mente é ser tagarela, completamente louca. Um desperdício enorme de energia, nenhuma inteligência nisso. Não há qualquer identidade nisso.

P – Como isso se inicia?

M – Por associação. Mente é movimento de memória. Uma imagem diante do cérebro, ou um som, dispara esse movimento. Pensamento é algo puramente associativo, é pura associação de imagens. Não tem “alguém” nisso.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Satsang pelo Paltalk - "Alguém" é só uma ideia


Você não pode se queixar de “alguém” do lado de fora jamais, por qualquer coisa, porque não tem “alguém” do lado de fora. E nem pode se queixar de “si mesmo”, porque não tem “alguém” do lado de dentro. Então, por que se preocupar? Por que manter a crença no que você mesmo chama de inferno que você chama de “vida”? Você chama de vida o que chama de inferno, a confiança no controle, autonomia, liberdade, infelicidade, tudo isso são apenas crenças, apenas pensamentos, apenas ideias, conceitos mentais.

O ponto é que as coisas vêm e vão. Tudo está acontecendo sem esse “você”. Esse “você” é a ilusão do sentido de presença separada de tudo, tudo que, por sinal, está apenas passando. Repare nesse espaço entre as palavras, é o espaço do silêncio. Esse espaço do silêncio entre as palavras é o mesmo espaço que eu chamo de Ilimitado espaço.

Esse espaço continua como essa Presença de fundo. Esse espaço é o testemunhado e também é a testemunha. Ele não está separado de nada que acontece Nele, e mesmo assim se mantém fora, livre, jamais tocado por qualquer acontecimento. Alguns perguntam sobre o sofrimento. Eles querem se ver livre do sofrimento, mas o que chamam de sofrimento é apenas o fenômeno da dor, que vem e vai.

Eles colocam uma identidade que rechaça a dor e persegue o prazer, uma identidade ilusória, uma identidade falsa, uma identidade que não existe, que aparece exatamente nessa escolha. E querem se livrar daquilo que não existe dando exatamente identidade a isso, dando confiança, credibilidade, a todo esse comportamento de escolha, baseado na ilusão de que tem “alguém” ali.

Enquanto houver “alguém” haverá sofrimento. Esse “alguém” é só a ideia, a crença de que a escolha é possível. Na verdade, o sofrimento não é nada mais que resistência a este presente momento – isso quando há uma identidade nessa coisa, “alguém”.

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