domingo, 15 de setembro de 2013

Satsang - Sem identificação, sem ilusão, sem medo


Deixe eu dizer algo: Você... Você é Consciência. Não é o corpo e não é a mente. E a Consciência não está nunca aprisionada, inconsciente de si mesma ou limitada. Você como Consciência não tem limitação. Não está velado, ou seja, insciente de si próprio, de si mesmo e nem prisioneira. A meditação entra exatamente aqui. Eu prefiro chamar isso "estar assentado em silêncio".

Silenciar o pensamento, silenciar as sensações, silenciar os sentimentos, silenciar as emoções, silenciar as percepções dos sentidos. Silenciar no sentido de não nos perdermos numa identificação com eles. Quando não nos perdemos numa identificação com eles, nós temos a constatação do que somos como pura Consciência, não aprisionada, não limitada e não velada. Então "conhecemos" por nós mesmos isso - que somos o que somos.

A experiência direta da Consciência como Presença é impessoal, é não localizada, é não descritiva, não está no tempo, não está no espaço. O coração, a experiência, o cerne, o ponto de vista único. Este constatar o que somos é não limitação, é não prisão, é ciência de Si mesmo como Imutável Realidade Incondicionada, indescritível. A vivência disso, em seu dia-a-dia, na experiência: mente, corpo, mundo, é realização, é Liberação, é o seu Estado Verdadeiro, é o seu Estado Natural.

Quando a identificação com a experiência da mente cessa, temos o “silêncio”. Quando a identificação da experiência, sensações e sentidos cessa, fica claro: “eu não sou o corpo”, “eu sou essa Ilimitada, não prisioneira, não oculta Consciência”. Quando essa identificação com as percepções dos sentidos cessa - reparem que estamos dizendo "a identificação com as percepções dos sentidos", não estamos dizendo a cessação da percepção sensorial, a cessação da percepção dos sentidos.

Pensamentos não precisam cessar, as sensações não precisam cessar, os sentimentos não precisam cessar, as emoções não precisam cessar e as percepções do sentido não precisam cessar. É a identificação com isso, quando a identificação com essas percepções dos sentidos cessa, fica o mundo como beleza nessa expressão de Pura e Ilimitada Consciência que Eu Sou.

Então a experiência mente, corpo, mundo, qualquer uma experiência está dentro disso que Eu Sou, como Pura, Ilimitada, não aprisionada, e não oculta e não velada Consciência, que é Presença, que é Ser, que é Deus. Toda mutabilidade, toda mudança ocorre como aparições, aparecendo, desaparecendo nesta Imutável, não oculta, não aprisionada Presença que Eu Sou como Consciência. Essa Consciência é a sua natureza Real, Imperecível, Imaculada, Inviolável, sem nascimento, sem morte, sem nome, sem forma, além de todos os fenômenos, além de tudo aquilo que parece ser, nisso que é Ser.

Assim, você está livre de toda identificação quando deixa tudo ser apenas aquilo que É, não coloca uma identidade por trás de qualquer momento acontecendo, de qualquer experiência ocorrendo. Reconhecer isso, agora, sem qualquer ideia, teoria ou crença, é meditação. E meditação já é o Despertar.

Quando esse Estado Natural se espalha dentro dessa experiência do viver momento a momento, quando há esse constatar sem a interrupção de qualquer forma de identificação, nenhuma ilusão é possível. E quando não há ilusão, não há mais medo. Sem ilusão, sem medo, sem identificação, sem sofrimento. Isso é amor, isso é paz, isso é liberdade, isso é felicidade, seu Estado Natural.

Tudo o mais continua acontecendo, coisas boas e coisas ruins, positivas e negativas, acidentes, incidentes, coisas favoráveis e desfavoráveis, mas tudo está impregnado dessa constatação de que não há “alguém” ali. Tudo apenas acontece para deixar de acontecer. Tudo vem e vai nesse grande jogo de altos e baixos, subir e descer, de dor e prazer, de alegria e tristeza, de contrastes, dentro Daquilo que permanece Imutável, que é Você.

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