segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Satsang pelo Paltalk - A real cura


Assim, o que acontece do lado de dentro do corpo ou do lado de fora do corpo é só um acontecimento já programado na vida, na existência. É só movimento dentro desse Ilimitado espaço. Não há qualquer “alguém” aí para se queixar de infelicidade. Não há qualquer “alguém” aí para obter essa tal felicidade.

Isso significa a real cura. A real cura é o fim da ideia de “alguém” que é um paciente, que é “alguém” doente. Isso significa a ausência do sentido de separação. Essa ausência desse sentido de separação é a única Felicidade possível, indescritível, é o único Amor possível, indescritível, é a única Liberdade possível, indescritível. Isso está na constatação de que você está em casa.

Então, a coisa toda está neste instante, agora, aqui. Nenhum corpo no controle, nenhuma mente no controle, nenhuma vontade no controle, nenhuma autoridade interna dentro no controle, dentro das situações, dos acontecimentos, dentro dos eventos, determinando. Só temos a vida acontecendo, a existência acontecendo como ela mesmo é.

A Liberação é o fim da crença dessa autoridade presente dentro dessa coisa, desse controlador, desse mantenedor, desse que pensa, que fala, que age, que sente, que realiza, que alcança, que caminha e que pode chegar a algum lugar.

domingo, 29 de setembro de 2013

Satsang pelo Paltalk - O que está aqui


As pessoas falam e desejam e anseiam por mudanças, e acreditam que essas mudanças serão encontradas quando um novo lugar for encontrado, um novo lugar do lado de fora ou um novo lugar do lado de dentro. Meu convite presente é para que você se volte para aquilo que agora está aqui, neste instante, seja a dor ou o prazer, alegria ou tristeza, conflito ou a conhecida paz.

Sem qualquer escolha, você apenas se torna ciente disso que aqui está, sem dar qualquer passo, não confiar na depressão nem nessa assim chamada alegria. Não confiar nessa assim conhecida paz, dependente das situações, das circunstâncias, ou nesse conflito, que também está nascendo dessas situações e dessas circunstâncias do lado de fora.

Meu convite neste presente momento é para este momento de fluir. Apenas flua com o que está presente. Se permita fluir nessa Presença que é pura vastidão. Essa é a incompreensível inteligência da Vida, aonde tudo é permitido livremente – a saúde, a doença, o bem e o mal, a alegria e a tristeza, a dor e o prazer.

Com isso, você se desencanta dessa ilusão – a ilusão de uma entidade importante, presente, no controle da vida. Não existe tal entidade. O corpo tem o seu destino, a mente tem o seu destino. Você continua como esse espaço, sem qualquer destino. Sem qualquer passado, sem qualquer presente, sem qualquer futuro.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Satsang pelo Paltalk - O brilho da lua


P – Como se desvincular da mente, se é através dela que adquirimos o conhecimento da própria vida em si?

M – Quem vai se desvincular da mente? Quem adquire conhecimento da própria vida? A Vida em si é Aquilo que tudo conhece, e não adquire nada. Você é a Vida. A Vida é como a luz do sol, ilumina tudo. E você é a Vida. Não há mente aí que precise de qualquer coisa. Ela cuida muito bem dela nesse mecanismo aí, sem qualquer necessidade da mente. A mente aqui é como a luz da lua, que pega emprestada tudo do sol.

Na verdade, a mente só tem sua função verdadeira, como a lua só tem o seu brilho emprestado do sol. Aquilo que chamamos de mente é inconsciência, mecanicidade, é essa tagarelice da qual falamos, é a ilusão de uma entidade por trás disso. E isso é completamente inútil e desnecessário. É a base de todo o conflito, toda a miséria, todo o sofrimento.

Constatar essa Realidade que é Você, como Ilimitada Consciência, como Ilimitada Presença, como essa Ilimitada Atenção, isso é pura Inteligência. Está além do conhecimento, está além da dependência da memória. A memória está ali, o conhecimento está ali, mas não há qualquer identidade nisso.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Satsang - O desembolar-se da mente


P – Desembolar da mente é gradual?

M – Não. Esse Despertar é instantâneo. Estar fora dessa identificação é algo neste instante, neste momento, agora. O trabalho não é despertar para essa desidentificação, para esse desembolar da mente. O trabalho é não se identificar mais, não se confundir mais, não se embolar mais com a mente. Esse é o trabalho. Todos vocês já experimentaram momentos em que a mente não estava presente – de pura beleza, silêncio...

Vocês perceberam que isso veio e foi embora. Foi essa a sensação. E novamente esse embolar com a mente voltou. Então, essa desidentificação é imediata, uma vez que você possa apenas estar ciente deste instante sem qualquer resistência, sem qualquer luta, sem qualquer justificação, rejeição, apreciação, escolha daquilo que vem. Se apenas você se permite ficar inteiramente ciente neste instante desse movimento, essa identificação é quebrada imediatamente.

Isso não é gradual, é algo imediato. É algo que acontece de imediato, agora. Só pode acontecer neste instante. Mas é evidente: por falta de um trabalho consistente, persistente, dedicado, aplicado, a maior parte do tempo você está de fato embolado. Então, é necessário um trabalho. Esse trabalho é gradual. Esse trabalho requer tempo, requer aprofundamento, requer dedicação.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Satsang pelo Paltalk - A porta da Graça


Autoinvestigação o que significa, afinal? É essa total abertura, sensibilidade, é essa incondicional permissão de investigar essa irrealidade - a irrealidade dessa identidade separada. Essa identidade separada significa uma crença. É o mesmo que o personagem de um filme dentro do filme. O descobrimento de apenas um personagem dentro de um filme procurando dentro daquela história a própria tela. Isso chama-se autoinvestigação. Como pode um personagem de um filme encontrar a própria tela?

A vida do personagem é dependente do filme, que é a história, que é o romance, o drama, a comédia, o suspense. E esse personagem se candidata a ir em busca da tela. Isso chama-se autoinvestigação. Jamais esse personagem vai encontrar a tela. No entanto, essa autoinvestigação abre uma porta para a constatação da ilusão dessa identidade, desse personagem. Essa porta chama-se “a porta da Graça”, “a porta da Presença”, “a porta do Ser”.

É quando há um constatar dessa ilusão, a ilusão dessa identidade separada. Então, na verdade, a autoinvestigação é a investigação, que é um trabalho da própria Graça no reconhecimento dessa Consciência, dessa tela. O reconhecimento dessa Consciência, dessa tela, é o reconhecimento de que o filme é algo que aparece como uma aparição que muda o tempo inteiro, aonde todos os personagens são personagens que dependem da tela, e nenhum deles tem vida própria, individual e separada. Então, repare que essa autoinvestigação, que é pura investigação, já é meditação.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Satsang pelo Paltalk - O que buscamos profundamente


Tudo o que buscamos profundamente é o Amor, a Paz e a Felicidade. Todos querem isso, todos sentem a importância disso. É o que todos nós profundamente desejamos. E quando compreendemos o que nós profundamente desejamos – porque todos desejam, mas de uma forma completamente inconciente do que de fato significa isso, então termina que se perdem. Eles se perdem nessa busca, nessa procura, porque lhes falta essa compreensão do que significa realmente Amor, Paz e Felicidade.

Reparem que buscamos Amor, Paz e Felicidade em objetos, em atividades, em relacionamentos,  em estados internos. Então, aquilo que é na verdade um desejo natural, um desejo que é um anelo por nossa Real Natureza, por essa Verdade que já somos, por essa Verdade que trazemos, isso termina se transformando num esforço para determinadas direções, e nelas nós nos perdemos.

Focamos nessa busca para o lado de fora. É do lado de fora que queremos encontrar isso, em objetos, em atividades, em relacionamentos, ou queremos encontrar isso em estados puramente mentais, e assim buscamos toda forma de estímulo que possa nos proporcionar um estado de paz, de amor, de felicidade. Então, esse esforço nessa direção equivocada se confirma dia após dia após dia, em constante decepção, em constante frustração. E isso por quê?

Porque nós não podemos conhecer a Felicidade. Não podemos adquirir a Felicidade, não podemos realizar a Felicidade. Porque Felicidade, Amor e Paz é essencialmente Aquilo que somos agora mesmo, aqui, neste instante. Não podemos conhecer a Felicidade, só podemos ser a Felicidade. Assim como não podemos ser a infelicidade. Nós podemos conhecer a infelicidade.

Ou seja, ser a Felicidade é o que podemos ser. Conhecer a infelicidade é o que podemos fazer na procura da Felicidade em objetos, em relacionamentos, em realizações, e assim por diante. Felicidade, Amor e Paz é o seu Estado Livre dessa ilusão – a ilusão de uma identidade separada, a ilusão do “mim”, do “eu”, do “ego”. Quando não há o “eu”, o “mim”, o “ego”, é impossível a infelicidade. Nesse “mim”, “eu”, “ego” é impossível a Felicidade.

domingo, 22 de setembro de 2013

Satsang - A Vida é Celebração, Alegria, Graça, Beleza, nesta não separação


Você em seu Estado Verdadeiro, em seu Ser, em sua Natureza Real - é disso que tratamos. Para isso que apontamos de novo, de novo, de novo, de novo, de novo... Você foi condicionado a acreditar naquilo que não é. Agora, você é convidado de novo, de novo, de novo a investigar suas crenças. Essas crenças que lhe deram essa crença única, essa crença que lhe faz assim acreditar no que não é.

Isso que não é você se passa por você o tempo inteiro, lhe coloca nesse campo do experimentar, nesse campo da experiência, como essa falsa identidade, como esse falso "eu", como esse "alguém" cheio de problemas. A vida não tem problemas. A sua mente não deixa de ter problemas. A vida não carrega escolhas, a sua mente não deixa de escolher o tempo inteiro. A vida é Celebração, Alegria, Graça e Beleza. A mente é conflito, contradição, ansiedade e permanente insatisfação.

Você foi condicionado a confundir isso como sendo você. E é isso o que você toma por sua vida . Não há como parar, de se sentir miserável e sofredor. Sendo "alguém" assim, o que sobra? Como é que fica? O que resta disso tudo? Olhem pra isso! Se soltem! Esses dois dias juntos é para desaprendermos juntos. Nesse esquecer está o lembrar. Quando você esquece tudo é quando você desaprende. Quando você desaprende porque esquece tudo, aí você pode descobrir nessa lembrança real de Si mesmo, que não há tal identidade separada, tal "mim", tal "eu", tal "pessoa", tal centro, tal sensor, tal observador, tal juiz.

Então, a vida se mostra como ela é: leve e graciosa nessa indescritível Paz. Essa Paz é o que eu chamo de Amor. Amor não tem nada a ver com prazer, com sensação de preenchimento emocional, nada a ver com isso. Paz é uma outra palavra para Amor. Não percebem isso? Que há um cheiro, essa fragância é Paz, é Amor. Nunca perceberam isso? Que aquilo que lhe dá Paz lhe encanta, mas não encanta a nível de sentimento e de emoção, lhe encanta a nível de Consciência, de Presença, de Graça, de Beleza. Porque isso lhe faz recordar, lhe faz lembrar de sua Verdadeira Natureza. Paz é a sua Verdadeira Natureza. Amor é a sua Verdadeira Natureza. São outras palavras para a meditação, para Silêncio, para Consciência, para Presença, para essa constatação dessa não separação, nisso que acontece nesse instante, nesse presente momento...

sábado, 21 de setembro de 2013

Satsang - O movimento impessoal da Presença é Graça, é Dança, é Deus, é Ser


Satsang é a recordação do seu Estado Natural de quietude, onde o movimento da Graça é ação dessa Presença Divina. Não tem você nisso. É só Ele, é só Aquilo, é só Deus, é só o que É. Complicado isso? A vida é isso, esse movimento impessoal de pura Presença, de pura Graça, de pura Consciência, de puro Ser, de puro Amor. É movimento de Deus, é essa dança das folhas e no movimento dos galhos ao sopro da Graça, nessa Ação Divina que move tudo.

Quando a ilusão de "alguém", quando a ilusão de um "autor", quando a ilusão dessa falsa identidade ocupada em "realizar", quando isso não está presente, tudo é Graça, tudo é essa Única Ação em todos os movimentos - todos os movimentos, para todos os lados, para todas as direções. Você é Ser, e Ser é movimento imóvel, o imovível em movimento, é o Sonho Divino, é o sonho da dança. Você é Suprema felicidade, essa é a sua Natureza Real.

Porque você é Deus festejando, você é Deus celebrando, você é Deus dançando e você é o Deus que dança, que celebra e festeja, quando a ilusão de ser alguém não está mais presente. Quando isso cai, o que É se mostra. Você está acordado, acordado nesse sonho. O sonho continua, mas não há mais a ilusão do sonhador, a ação continua, não há mais a ilusão de um autor por trás da ação, a vida continua, não há mais a ilusão de um vivo que pode morrer.

A multiplicidade das formas continua, só não há mais a ilusão de que nessa multiplicidade de formas tudo está separado dessa Única Presença, dessa Única Realidade. Percebem isso? Realização é a simples constatação de que o que É já está pronto, não precisa ser realizado. Nada pode ser diferente do que é. Todas as diferenças ou tudo o que nos parece fora do lugar é apenas fruto dessa imaginação, criada pelo pensamento, que nos propõe o movimento que não é natural.

Isso não é você. Todo seu conflito, miséria e sofrimento, não é seu conflito, miséria e sofrimento, isso não tem nada a ver com você. Isso é algo que aparece na ilusão desse movimento do pensamento não visto que nós chamamos de mente, “mim”, “eu”, “pessoa”, “ego”. Isso não existe! Essa é toda a ilusão! A ilusão desse movimento não natural. Algo que aprendemos. Tudo que fazemos aqui, é deixar a ideia do fazer, para simplesmente ser o que somos.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Satsang - Sem essa ideia de alguém no fazer, aquietamos o coração


Todo seu conflito, miséria e sofrimento, não é seu conflito, miséria e sofrimento. Isso não tem nada a ver com você. Isso é algo que aparece na ilusão desse movimento do pensamento não visto, que nós chamamos de mente, "mim", "eu", "pessoa", "ego". Isso não existe. Essa é toda a ilusão. A ilusão desse movimento não natural, algo que aprendemos. Tudo o que fazemos aqui é deixar a ideia do fazer para simplesmente ser o que somos. Aquietamos o coração e a Presença se assenta nesse lugar. Somente quando o nosso coração está quieto essa Presença pode se assentar. E o coração é o lugar, é o espaço, é a medida certa aonde a Presença se assenta.

Assim o meu convite nesses dois dias é para juntos aquietarmos o coração, deixarmos esse não natural, esse artificial movimento ilusório desse que acreditamos ser, para esse "permitir", para esse "se abrir", para esse "descansar" nessa confiança, nessa entrega, nessa quietude. E assim como a árvore presencia o mover dos seus galhos, o dançar de suas folhas ao sabor do vento, quietos, nesse festejar, celebrar essa dança divina. Somos nós, o que somos nós? Tudo que é requerido de você aqui é isso: fique quieto. Nem tente ficar quieto, não procure ficar quieto, e você já está quieto, essa é a sua natureza. E tudo o mais acontece por si mesmo, pura ação da Graça, pura ação Divina, pura ação dessa Única ação. É isso. Namastê.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Satsang - A pessoa é uma ideia na ideia "eu sou"


Qualquer coisa que lhe confere e lhe confirma ainda mais o sentido de autoimportância, que é a importância de uma entidade, de uma identidade, que confirma essa crença "eu" é uma bobagem. Você é essa Vida, não é alguém nela. O corpo tem uma história, não você. O corpo é dependente de outros corpos. A Vida é uma coisa única, mas o corpo é uma aparição na Vida, uma aparição que vem e vai. Não é a Vida que está vivendo, é o corpo que está vivendo. É ele que vive e morre, é ele que aparece e desaparece. A pessoa é uma ideia que aparece e também desaparece. Uma ideia que aparece quando aparece a ideia "eu sou no corpo" ou "eu sou isso".

Então o corpo desaparece, o "eu" desaparece.  Quando o "eu" desaparece, o corpo desaparece, o mundo desaparece. É curioso, toda noite o corpo desaparece, o "eu" desaparece, o mundo desaparece e você mesmo não sente falta disso. Pelo contrário, quando é perguntado pela manhã para você como é que foi a sua noite, você diz: "dormi muito bem!" 

Mas quem dormiu muito bem? Não havia o "eu", não havia o corpo e não havia o mundo. Mas é claro que todos nós sabemos, foi uma noite maravilhosa, sem o "eu", sem o mundo e sem o corpo. Então podemos nos livrar assim da ideia: "corpo, eu e mundo" agora mesmo, neste instante. Quando você está livre da ideia "eu", que é estar livre dessas imagens e dessa imagem que faz de si mesmo.

O fim dessa imagem que você tem de si próprio é o fim da imagem que você faz de outros à sua volta. Você não tem que se libertar da imagem dos outros, tem que descobrir que não há nenhuma imagem real de si mesmo. O fim dessa imagem de si mesmo é o fim da imagem do outro. Então, quando você está livre da imagem desse "eu", a imagem ligada a ideia "eu sou o corpo" desaparece.

Então, o corpo desaparece com essa imagem e o mundo desaparece também. Isso desaparece quando o sentido de uma identidade separada não está mais presente. Então o "eu" não está presente, o corpo não está presente e o mundo não está mais presente - mesmo assim continua sendo visto. Mas não pelo "eu", não tem nenhum "eu" para ver o mundo. Tudo que permanece é essa Consciência, é essa Presença, tudo que permanece é essa Realidade, onde tudo aparece e desaparece.

Não há qualquer sentido de separação dentro do fim dessa ilusão.  Hum? Algo mais? Então sem a crença–sentimento, sem a crença–sentimento "eu", fica o que É. O que É é a Vida, onde o corpo aparece, o mundo aparece, tudo aparece. Mas tudo é visto aí no seu próprio lugar. Sem essa crença-sentimento "eu", tudo é o que é. Ok? 

O que mais? É isso. Namastê.

domingo, 15 de setembro de 2013

Satsang - Sem identificação, sem ilusão, sem medo


Deixe eu dizer algo: Você... Você é Consciência. Não é o corpo e não é a mente. E a Consciência não está nunca aprisionada, inconsciente de si mesma ou limitada. Você como Consciência não tem limitação. Não está velado, ou seja, insciente de si próprio, de si mesmo e nem prisioneira. A meditação entra exatamente aqui. Eu prefiro chamar isso "estar assentado em silêncio".

Silenciar o pensamento, silenciar as sensações, silenciar os sentimentos, silenciar as emoções, silenciar as percepções dos sentidos. Silenciar no sentido de não nos perdermos numa identificação com eles. Quando não nos perdemos numa identificação com eles, nós temos a constatação do que somos como pura Consciência, não aprisionada, não limitada e não velada. Então "conhecemos" por nós mesmos isso - que somos o que somos.

A experiência direta da Consciência como Presença é impessoal, é não localizada, é não descritiva, não está no tempo, não está no espaço. O coração, a experiência, o cerne, o ponto de vista único. Este constatar o que somos é não limitação, é não prisão, é ciência de Si mesmo como Imutável Realidade Incondicionada, indescritível. A vivência disso, em seu dia-a-dia, na experiência: mente, corpo, mundo, é realização, é Liberação, é o seu Estado Verdadeiro, é o seu Estado Natural.

Quando a identificação com a experiência da mente cessa, temos o “silêncio”. Quando a identificação da experiência, sensações e sentidos cessa, fica claro: “eu não sou o corpo”, “eu sou essa Ilimitada, não prisioneira, não oculta Consciência”. Quando essa identificação com as percepções dos sentidos cessa - reparem que estamos dizendo "a identificação com as percepções dos sentidos", não estamos dizendo a cessação da percepção sensorial, a cessação da percepção dos sentidos.

Pensamentos não precisam cessar, as sensações não precisam cessar, os sentimentos não precisam cessar, as emoções não precisam cessar e as percepções do sentido não precisam cessar. É a identificação com isso, quando a identificação com essas percepções dos sentidos cessa, fica o mundo como beleza nessa expressão de Pura e Ilimitada Consciência que Eu Sou.

Então a experiência mente, corpo, mundo, qualquer uma experiência está dentro disso que Eu Sou, como Pura, Ilimitada, não aprisionada, e não oculta e não velada Consciência, que é Presença, que é Ser, que é Deus. Toda mutabilidade, toda mudança ocorre como aparições, aparecendo, desaparecendo nesta Imutável, não oculta, não aprisionada Presença que Eu Sou como Consciência. Essa Consciência é a sua natureza Real, Imperecível, Imaculada, Inviolável, sem nascimento, sem morte, sem nome, sem forma, além de todos os fenômenos, além de tudo aquilo que parece ser, nisso que é Ser.

Assim, você está livre de toda identificação quando deixa tudo ser apenas aquilo que É, não coloca uma identidade por trás de qualquer momento acontecendo, de qualquer experiência ocorrendo. Reconhecer isso, agora, sem qualquer ideia, teoria ou crença, é meditação. E meditação já é o Despertar.

Quando esse Estado Natural se espalha dentro dessa experiência do viver momento a momento, quando há esse constatar sem a interrupção de qualquer forma de identificação, nenhuma ilusão é possível. E quando não há ilusão, não há mais medo. Sem ilusão, sem medo, sem identificação, sem sofrimento. Isso é amor, isso é paz, isso é liberdade, isso é felicidade, seu Estado Natural.

Tudo o mais continua acontecendo, coisas boas e coisas ruins, positivas e negativas, acidentes, incidentes, coisas favoráveis e desfavoráveis, mas tudo está impregnado dessa constatação de que não há “alguém” ali. Tudo apenas acontece para deixar de acontecer. Tudo vem e vai nesse grande jogo de altos e baixos, subir e descer, de dor e prazer, de alegria e tristeza, de contrastes, dentro Daquilo que permanece Imutável, que é Você.

sábado, 14 de setembro de 2013

Satsang - A ilusão do desaparecimento do "eu" (2)


Vamos dar um exemplo para você: a dor de perder o pai, ela tem que ter uma história. E para cada mecanismo corpo-mente é uma história. Uma família, por exemplo, quando alguém morre, aquele "alguém" que morreu, para os outros "alguéns", os outros “eus”, para as outras "pessoas" daquela família, aquele "alguém" que morreu tem uma certa importância.

Então, cada um que fica sofre a dor de uma forma peculiar, diferente, singular. Não é assim? Ou a dor é a mesma para todos? Todos sabemos que não. E por que não é? Porque o investimento na imagem que cada um tem do outro é um investimento diferente. É simples!

Muito investimento numa imagem, muita dor quando ela é arrancada de você. Pouco investimento numa imagem, pouca dor. Nenhum investimento, nenhuma dor. A família do vizinho ninguém chorou. Numa família de cinco, um faleceu, ficaram quatro e, dos quatro, cada um sentiu de uma forma. Mas a do vizinho ninguém sentiu nada.

O que tiramos daí como lição? A lição é: o “eu” é uma fraude, uma ilusão. São só imagens, investimento em imagens. Imagens são apenas histórias, histórias que cada um conta para si mesmo. Cada um quem? Quem conta pra si mesmo? Imagens!

O “eu” vive de histórias, ama histórias, o “eu” sem histórias não é “eu”. O que importa é ser alguém e ter uma história, e carregar esse sentido de existência. E nada melhor para trazer sentido à existência desse alguém que o sofrimento. O sofrimento é a jóia mais desejada de todos. A jóia mais desejada de todos é a jóia do sofrimento. Porque o sofrimento confere o sentido de uma identidade muito forte, energiza você, provoca sensações muito fortes, lhe dá um sentido de importância muito grande.

Nós confundimos esse sofrimento, embolamos esse sentido, esse sofrimento, embolamos esse sofrimento com uma outra sensação, a sensação de prazer. Então, há um grande prazer na dor, há um grande prazer no sofrimento. O prazer do sofrimento é o sentido de existir como alguém importante, como alguém sensível, como alguém capaz de sofrer "pelo outro".

Que outro? Quem sofre? Por quem? Como nesse exemplo, quando alguém morre, vocês acreditam que estamos chorando pela partida do outro? Não é verdade, estamos chorando por nós mesmos. Essa falta do outro é uma imagem arrancada de nós. O outro não é importante para o “eu”, para o “mim”. O outro não tem qualquer importância. O outro é um instrumento de prazer. O outro é a imagem do prazer, a imagem do preenchimento, é a imagem da satisfação, é a imagem que confirma esse “mim”, esse “eu”.

Acompanha isso? Está claro isso? Essa dependência do prazer da imagem é o que chamamos de apego. Tudo isso está nessa estrutura da mente egóica, nessa falsa identidade que acredito ser. Posso deixar solto, posso deixar livre o "outro?" Em outras palavras, posso viver sem imagens? Não temos imagens só de pessoas, de outros “eus”, temos imagens também de objetos, não é assim? Ou nunca observaram?

Aquela bandeja de prata, aquele quadro, aquele tapete, aquela casa, aquele lugar, são imagens. Imagens que confirmam o sentido de uma identidade presente aqui, fortalecem esse sentido de uma identidade aqui. Esse apego... É apego a expressão, o nome que damos quando estamos agarrados a alguém, agarrados a um lugar, agarrados a um objeto, agarrado a alguma coisa.

Aquilo agora é parte da estrutura dessa falsa identidade. Ficou claro isso? Hein? É bem assim? Não é? Aonde está tudo isso acontecendo? Ou parece estar acontecendo - porque não está acontecendo. É uma história, como um filme de ficção científica, algo imaginado. A mente é isso, viu? A mente é um movimento, uma ilusão de extrema gravidade, sim, de extrema gravidade, para essa pseudo identidade, e só para essa pseudo identidade.

O Universo, a Existência, o Cosmos, não sabem de nada disso. É por isso que os acordados chamam isso de sono. Nós chamamos eles de acordados. Chega um momento, fica muito claro que algo está errado, não pode estar errado com eles, está errado conosco. Então, nós estamos dormindo e eles acordados. Então, esses acordados dizem: Vocês acreditam que estão dormindo e nesse dormir vocês estão sonhando. E o sonho é esse. O sonho requer um sonhador. Primeiro dormir, depois sonhar. E, nesse sonhar, o sonhador.

Sono, sonho, sonhador. Sono, sonhador e sono. O sono do "eu". Por isso não falamos em desapego. Quem desapega? Só outro sonho. O sonho do desapego. O sonho do apego e o sonho do desapego. O sonho de estar dormindo e o sonho de acordar. Falamos em realização divina, realização de Deus, despertar, iluminação. Mas aqui se trata basicamente de ficar livre simplesmente dessa crença, que é a crença de uma entidade, de uma identidade separada, ou seja, significa ficar livre dessa ilusão, dessa hipnose, dessa mágica, dessa crença-sentimento, desse sentimento-crença, “eu”, “mim".

Então essa Liberação é a liberação da ilusão de não estar liberado. É a liberação da ilusão de ser alguém, alguém no corpo se relacionando com o mundo fora do corpo, e um Deus acima desse mundo. É aqui que está a coisa toda.

Vocês acumulam dentro desse sonho, da ilusão desse sonho, todo tipo de coisa que fortalece ainda mais o sentido de alguém. Todo tipo de crença, filosofia, religião, ensinos, todo tipo de estudo, todo tipo de... Vocês não querem aprender culinária para aprender a fazer uma comida apreciada, saborosa. Vocês querem aprender a ciência dos maias, dos magos, dos místicos.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Satsang - A ilusão desse "eu"


Percebam o quanto isso é simples, viver sem o sentido de uma identidade separada. Percebam o quanto isso é simples, viver sem o sentido do “eu”, do “mim” por trás de uma escolha, de uma opinião, de uma conclusão, de uma sensação, de um sentimento, de uma emoção, porque tudo isso é aparente, tudo isso vem e vai, tudo isso não tem a realidade de uma identidade fixa por trás.

Esse mover existencial, esse mover existencial é a Vida, sem uma entidade por trás dela. Os nomes separados, os organismos separados, é algo só como o conteúdo das opiniões, o conteúdo dos pensamentos e a escolha quanto ao que comer, ou seja, algo sem qualquer importância.

O problema surge é quando há um sentido de separatividade, um sentido de separação, na ideia de um “eu” que está no controle, que é autor das ações, responsável pelas ações e que pode tudo e que sabe tudo, com as suas convicções, certezas absolutas. Isso cria conflito, isso mantém essa ilusão, a ilusão de um sofredor, a ilusão de "alguém" infeliz, a ilusão de "alguém" sem paz, a ilusão de "alguém" carente.

"Alguém" carente para ser preenchido, para ser consolado, confortado; "alguém" sem paz para obter a paz em algum momento, em algum lugar, em algum instante fora deste. "Alguém" infeliz para encontrar a felicidade amanhã em alguma realização emocional, profissional, financeira, na saúde, no preenchimento afetivo, no preenchimento intelectual.

Por isso que nós nos abarrotamos de informações de todo tipo, acreditando na felicidade através do intelecto. Por isso nos abarrotamos de todo tipo de artifícios para, pelo conforto, encontrarmos a paz. Para, através de novas relações, novos contatos, encontrarmos preenchimento afetivo, o assim chamado o "amor nas relações", "a felicidade do amor".

Então ficamos nessa situação, tudo baseado no sentido dessa auto-importância, criado por essa ilusória imagem por trás de criações e respostas de manifestações simples da vida, da existência, como pensamento, a fome, sentimento, e assim por diante. Não é isso? Ou não é isso? É assim!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Satsang - O Estado Natural e o corpo


Aí está a Realização. Realização, a Liberação aqui é o fim do medo. O fim do medo é o fim da crença, é o fim da mente. É o fim desse movimento caótico, conflituoso, inquieto, inconsciente, desordeiro, mecânico, que é a mente. Significa os pensamentos em movimento não observados nesse mecanismo, nesse organismo.

Aqui nós recomendamos a você: apenas aprecie o que vem e vai, e não se confunda com o que vem e vai. Reparem que sensações vêm e vão, pensamentos vêm e vão, ideias, elas vêm e vão, comparações, julgamentos, essas noções de certo e errado. Ideias: "como deve ser" e "não deve ser", "pode ser" e "não pode ser", "seria assim" ou "deveria ser assado", "isso pode", "isso não pode", "isso está certo", "isso está errado".

Isso vêm e vai, e a Vida permanece como Consciência imutável Nela mesma, presenciando toda essa mudança, sem um destino, sem um futuro, sem um programa. Para nós, existe uma programação, tudo tem que ter uma razão de ser, uma forma de acontecer, mas isso é só uma crença mental.

A Vida mesma conhece uma outra ordem, que não é o caos como a mente conhece, não é a ordem como a mente conhece. É uma ordem de outra ordem. E aqui essa ciência do que É, que é Consciência, significa essa visão.

Reparem que a compreensão, ela está presente no silêncio. Quando há compreensão, o silêncio está presente. Na compreensão não há perguntas, não há explicações, não há respostas, nada disso se faz necessário.

Assim, a compreensão acompanha o silêncio, e o silêncio está nessa constatação. Quando há essa constatação direta do que é, há silêncio. E esse silêncio, sem perguntar nada, sem explicar nada, sem responder nada, é a visão simples da Verdade, que é compreensão. Nessa compreensão, nenhuma contradição, nenhum conflito, nenhuma ordem como conhecemos, também nenhuma desordem. É só a Vida acontecendo, sem programa, sem planejamento, algo sem passado, algo sem futuro, algo livre do tempo.

Despertar é isso. É essa Consciência ciente dela própria. Imutável, Silêncio, Compreensão, Paz. Essa liberdade de olhar para aquilo que se manifesta, sabendo que é assim e não pode ser de outra forma.

Então, todo esse peso desaparece; todo esse sentido de exclusão desaparece, todo esse sentido de isolacionismo, de separatividade, de inadequação, desaparece. Isso é puramente mental e a mente é esse fenômeno capaz de criar em razão da habilidade da imaginação todo tipo de ilusão. E aqui nós estamos juntos nisto, neste olhar aplicado para este instante, para este momento, para esta presente Graça, para a Graça desta Presença que revela o que É, que é Silêncio, que é Compreensão, que é Consciência, que é Liberdade, que é Paz.

Nesta constatação de que tudo é o que É, agora. Assim, quando você não dá credibilidade a essas sedutoras propostas que a mente tem, você não pode mais ser capturado por suas crenças. Quando você começa a funcionar no corpo, sem nenhuma separação do que se mostra neste instante, esse mecanismo, esse corpo-mente aí presente, esse modo como ele opera, como ele funciona, é completo, perfeito. A confusão está toda na mente, em suas avaliações, em suas comparações, em  seus julgamentos, em suas leituras em seus  paradigmas, em  seu modelo de atuar.

Assim, o lado  prático de uma fala como esta, de um encontro como este, de uma investigação como esta é:  solte, não se prenda, não se fixe, não agarre nenhuma ideia, nenhum conceito, nenhuma opinião, nenhuma ideologia, nenhuma filosofia, nenhuma forma de crença: social, religiosa, política, nenhuma imagem sobre si mesmo, nenhuma ideia sobre o outro. Então, você permanece na ciência da Consciência como consciência, você permanece como Presença, funcionando naturalmente no corpo.

Então há um equilíbrio, uma harmonia entre o corpo-mente e esse contato com a vida, com os "desafios" dela - que não são desafios, são expressões dessa mesma Consciência que é Você em sua Natureza Real. O convite é: permaneça no que É. Toda luta termina, todo conflito termina, toda ideia de ser desafiado termina, nessa Liberdade do seu Estado natural, nessa Beleza, nessa Graça do seu Estado Natural. Isso é meditação, isso é Consciência, isso é não-mente, isso é o que É. Não tem esse "você" que você acredita ser, nisso. É isso aí.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Satsang - O que Você é não pode ser conhecido, isso é a sua Natureza


Você pode conhecer qualquer coisa, você só não pode deixar de Ser Aquilo  que você É. O que eu quero dizer é que você pode conhecer a infelicidade, conhecer a miséria, conhecer o sofrimento, conhecer o conflito, você pode conhecer qualquer coisa. Você só não pode deixar Ser quem você É. E eu digo: você é Paz. Você É, você não pode conhecer a paz, você é a Paz. Repare o que eu estou dizendo: você é Liberdade, você é Amor.

Agora, o que é que a mente tem feito? A mente é esse padrão de condicionamento. A mente está em busca da paz, a mente está em busca do amor, a mente está em busca da liberdade, da felicidade. No momento que a busca para ela desaparece, esse simples constatar de que tudo está neste instante, aqui, de que está perfeito! A experiência sem aquele que busca algo diferente disso que se apresenta quando o sentido de um buscador desaparece, de um experimentador desaparece, de um observador desaparece, desse alguém desaparece... Então, tudo que você tem é o que você É. Isso não pode ser conhecido, isso é a sua Natureza, que é incognoscível. Não fica alguém para conhecer qualquer coisa a cerca de si mesmo.

Só fica o conhecer, não o  conhecido. Só fica o ver, não o que é visto. Só fica o experimentar, não o experimentador. É isso que eles chamam de Despertar: é saber que não há nada que não seja esta única Consciência. O que é estar desperto? É estar ciente da ciência de que só há esta única Consciência. Quando isso, nesse falar, nesse agir, nesse sentir, não há mais qualquer sombra dessa ilusão de uma identidade. Nessa experiência, esse é o Despertar.

Requer para cada mecanismo, para cada  organismo, para cada corpo- mente, um tempo. Não para esta Consciência presente, mas para cada mecanismo, um tempo de desprogramação. Daí a importância da autoinvestigação, como está acontecendo agora, aqui - da investigação, da meditação, que é algo que acontece junto, como agora, neste instante. É meditação e essa entrega, que é essa disposição para olhar para isso, se abrir e olhar para isso, estar vulnerável para olhar para isso.

Você é esta Consciência nessa expressão aí, nesse corpo ou nesse mecanismo chamado mente aí. Você É esta Consciência e Ela está aqui, aí, somente para constatar isso. E você me pergunta por quê?  Não tem porquê. Isso é assim, qualquer outra coisa fora isso é essa assim chamada infelicidade que na mente pode ser conhecida, pode ser experimentada, vivenciada. Claro, a mente pode experimentar, vivenciar e conhecer. Ela aqui entra como esse sentido de separação.

Você jamais será feliz, você jamais terá paz,  você jamais terá liberdade. Isso não está amanhã, não está depois de amanhã, não está em algum ponto, não está em algum lugar. Você é esta Graça, você é esta Presença agora. Você não pode ter o que você É. Você pode é soltar a ilusão de ser algo diferente do que de fato você É, a ilusão de ser alguém, alguém porque tem algo pra realizar e tem algo para fazer e tem alguma coisa que pode ainda construir para chegar nesse assim chamado objetivo maior, etc., etc., etc.. Tudo isso é balela, fantasia mental.   

I - Seria a pretensão de algo para ser feito depois? 

M - De alguém pra fazer.

I - Ou você vê ou não vê

M - Isso está presente agora como seu Ser. Não é algo que você possa conhecer, que você possa experimentar, que você possa vivenciar. Não é algo que você possa conhecer, porque é o conhecedor. Não é algo que você possa vivenciar, porque é a vida. Não é algo que você possa fazer, porque já esta feito. É assim.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Satsang - Apenas seja, você é


É desfrutar tudo que ela representa. Falava agora há pouco: somente a mente tem medo, não você. Na verdade, o seu coração anseia por essa Liberdade, pelo surgimento, pelo aparecimento do seu Estado Natural. A mente tem isso como algo desconhecido e amedrontador. E ela está certa. Isso é o fim dela. Mas não é o seu fim, é o seu nascimento. Você só nasceu Nisso, com Isso.

A mente é uma sobreposição à realidade presente, àquilo que é Você de verdade. Você é sem limitação, você é pura Alegria, pura Felicidade, pura Liberdade. A vida inteira - quando eu digo a vida inteira, eu digo toda experiência na vida - é pura Alegria, pura Felicidade, pura Paz.

O que está por detrás de qualquer evento, situação, acontecimento, por mais desastroso, por mais difícil, por mais complicado, por mais dramático... Por trás disso tudo, o pano de fundo ainda é Silêncio, Paz, Amor, Felicidade. O seu Estado Natural é esse, não há o que temer. Quem temeria?
   
Celebração é o seu nome, Paz é o seu nome, Verdade é o seu nome, Liberdade é o seu nome, Graça é o seu nome, Silêncio é o seu nome. Deveriam chamar você por esse nome, só assim você não poderia esquecer jamais. E tudo o mais vem e vai, enquanto isso permanece.

Você é uma bênção, é a Única Bênção, você é Consciência, você já é o que precisa encontrar. Então esqueça o encontro e somente seja, seja o que você É, eu lhe garanto que isso já basta. Mas ouvir o que eu digo é só mais uma ideia, você tem que mergulhar Nisso, constatar em Si mesmo, por Si mesmo, agora, neste momento.

Você é o barulho das asas batendo quando o pássaro corta o céu; você é o som quando o vento sopra no bambuzal. Você é o movimento das ondas quebrando contra as rochas. Você é aquilo quando o sol se põe, aquela matiz de cores no céu, aquela coisa indefinida, inexplicável, que vai, que volta, é claro, até aquela forte vermelhidão.

Você é aquele som que se escuta quando o sol se põe, e aqueles pássaros começam a fazer todo aquele barulho antes de se recolherem para mais uma noite. Você é o choro do bebê, é o sorriso dele depois de mamar, é a alegria da mãe em vê-lo feliz. Você é o caminhar pesado do elefante e os passos de uma pequena formiga. Você é o rio descendo em direção ao mar, você é o mar recebendo o rio.

Você é a primeira respiração daquele que nasce e a última daquele que morre. Você é o começo e o fim de tudo. Você é aquilo que pode ser definido, e aquilo que não pode ser definido e aquilo que define. Você é aquilo que dorme e aquilo que não dorme, aquilo que é sono e aquilo que está além do sono.

Você é aquilo que sabe ser tudo e sabe ser nada. Você é a Vida. A vida que não tem oposto. É o guru, é o discípulo, é o acordado, é o não acordado. É o pecador, é o santo. É isso mesmo e mais aquilo também e nenhuma dessas coisas.

Namastê

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Satsang pelo Paltalk - Viver livre do sofrimento


P – Eu abraço o sofrimento, fico nele, daí ele passa?

M – Na verdade, toda experiência é só uma experiência acontecendo para esse fundo imutável. A experiência muda, esse fundo não muda. Consciência é essa Presença na qual a experiência é possível, a experiência do sofrimento, essa experiência de dor. O que temos feito é que estamos dando uma identidade ao sofrimento, assim criamos o sofredor. Essa falsa identidade em uma experiência que naturalmente aparece e desaparece, vem e vai.

A questão é se podemos viver livres do sofrimento. E viver livre do sofrimento significa viver livre da ilusão dessa identidade por trás do sofrimento. Esse assim chamado sofrimento ou dor é algo que acontece sem uma identidade, mas nós temos dado uma identidade a isso. Por isso esse sofrimento, essa dor, tem essa continuidade, a continuidade desse “mim”, desse “eu”, dessa “pessoa”.

A questão é se podemos viver livres dessa ilusão, a ilusão dessa identidade separada, desse “eu”, desse “mim”, dessa “pessoa”. Porque se estamos livres dessa ilusão, você está livre do sofrimento. Você está livre da dor, porque não tem “você” nisso. Estamos apenas diante de uma experiência de curta, de breve duração. E pode nem mesmo aparecer se não houver uma identidade por trás. Boa parte do assim chamado “sofrimento” que conhecemos está em cima dessa ilusão, dessa identidade, desse “mim”, dessa “pessoa que acredito que sou”. Pois eu digo: você é Amor, Paz, Felicidade. Isso é o que você É. Isso não pode ser conhecido. Isso é a sua Natureza. Ou só pode ser conhecido sendo. Enquanto que essa infelicidade, esse assim chamado sofrimento, é algo que pode ser conhecido – no conceito, na ideia, na crença de uma identidade separada.

domingo, 8 de setembro de 2013

Satsang pelo Paltalk - A grande Bricadeira Divina


P – Como essas imagens que aparecem na tela criam a sensação de um observador?

M – Existe apenas uma sensação real, a sensação “Eu Sou”. Esse sentido do “Eu Sou” está presente sempre, nunca desaparece. É algo que permanece imutável. Mas esse sentido do “Eu Sou”, em razão do pensamento, em razão desse fascinante jogo, que é o jogo das imagens, esse jogo de luz e sombra, de formas e movimentos, esse “Eu Sou” se embola, se confunde. Assim é quando esse sentido desse “Eu Sou”, que é a Consciência, que é a tela, se identifica com a imagem. Na verdade, com uma particular imagem dentro de um filme.

A razão disso é a grande Brincadeira Divina. Essa é a razão. Ou seja, não há nenhuma razão para isso ser assim. Simplesmente acontece. A questão não é como isso surge, ou como isso acontece. A questão aqui que nos interessa é como perceber essa ilusão, a ilusão da identificação com a imagem, a ilusão da identificação dessa Presença, dessa Consciência, desse Ser que somos, com aquilo que parece ser, com aquilo que vem e que vai.

Nessa identificação, surge a ideia, surge a crença, essa ilusão, a ilusão dessa falsa identidade, desse falso “eu”, desse “mim”, desse observador separado, dessa imagem separada de todo filme, que é o “eu” separado do mundo – e esse “eu” separado da Consciência. Então, nós temos aqui o “eu”, o mundo e Deus. O “eu”, o mundo e essa Presença. O “eu”, o mundo e a Consciência. Aí está o sentido de separatividade, o sentido de dualidade.

sábado, 7 de setembro de 2013

Satsang pelo Paltalk - A realidade do que É


A Verdade é essa realidade do que É, no qual aquilo que é limitado aparece em sua limitação, permanece algum tempo e depois desaparece. Nós tratamos em Satsang da Felicidade. Felicidade é impossível ser descrita. Felicidade como nossa Real Natureza é aquilo que não pode ser conhecido. Aquilo que pode ser descrito e conhecido é somente a infelicidade. A Felicidade é aquilo que você É. E infelicidade é aquilo que você pode conhecer.

Você pode conhecer a infelicidade, você pode descrever a infelicidade, mas você não pode ser a infelicidade. Enquanto que a Felicidade você só pode ser, mas não pode conhecer e nem pode descrever. Aquilo que chamamos de felicidade é prazer, satisfação, realização, desejo realizado, desejo cumprido. Então, aquilo que nós chamamos de felicidade é algo que pode ser descrito. Assim sendo, não é a real Felicidade. O que pode ser descrito, conhecido, é parte daquilo que é limitado, daquilo que vem e vai.

Seu Ser é indescritível, como a Felicidade é indescritível. Seu Ser não pode ser conhecido, como a Felicidade não pode ser conhecida. A Felicidade é o seu Ser, e o seu Ser é a Felicidade. E isso é a sua Natureza Real. Não faz parte do conhecido, não faz parte da experiência, não faz parte daquilo que é descritível. Tudo aquilo que é limitado, tudo aquilo que é descritível, tudo aquilo que é possível de ser conhecido, ainda é parte da mente, ainda é parte daquilo que vem e vai.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Satsang - A identificação com as imagens do filme


P – Como essas imagens que aparecem na tela criam a sensação de um observador?

M – Existe apenas uma sensação real, a sensação “Eu Sou”. Esse sentido do “Eu Sou” está presente sempre, nunca desaparece. É algo que permanece imutável. Mas esse sentido do “Eu Sou”, em razão do pensamento, em razão desse fascinante jogo, que é o jogo das imagens, esse jogo de luz e sombra, de formas e movimentos, esse “Eu Sou” se embola, se confunde. Assim, é quando esse sentido desse “Eu Sou”, que é a Consciência, que é a tela, se identifica com a imagem. Na verdade, com uma particular imagem dentro de um filme.

A razão disso é a grande Brincadeira Divina. Essa é a razão. Ou seja, não há nenhuma razão para isso ser assim. Simplesmente acontece. A questão não é como isso surge, ou como isso acontece. A questão aqui que nos interessa é como perceber essa ilusão, a ilusão da identificação com a imagem, a ilusão da identificação dessa Presença, dessa Consciência, desse Ser que somos, com aquilo que parece ser, com aquilo que vem e que vai.

Nessa identificação, surge a ideia, surge a crença, essa ilusão, a ilusão dessa falsa identidade, desse falso “eu”, desse “mim”, desse observador separado, dessa imagem separada de todo filme, que é o “eu” separado do mundo – e esse “eu” separado da Consciência. Então, nós temos aqui o “eu”, o mundo e Deus. O “eu”, o mundo e essa Presença. O “eu”, o mundo e a Consciência. Aí está o sentido de separatividade, o sentido de dualidade.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Satsang - A natureza do jardim


Como Consciência, você é essa Presença impessoal, além do tempo e do espaço. Como expressão dessa Consciência, a brincadeira de um corpo particular e uma mente particular. Um corpo-mente particular, um mecanismo, um organismo. Assim como uma flor aparece em um jardim como única, como singular, você, nesse corpo-mente, aparece como único, singular. A flor no jardim é a mesma Vida de todas as outras flores. Aquela forma desfruta da mesma Vida, da única Vida de todas as flores no jardim, e de todas as plantas naquele jardim. Uma única Presença, uma única Consciência, uma única Vida. Você, em seu Ser, é a mesma Realidade de todos.

Na Índia, eles chamam de Sat-Chit-Ananda, Ser-Consciência-Beatitude. Essa é a natureza do jardim. Não importa se nesse jardim na forma ali temos rosas, margaridas, orquídeas. Não importa a variedade de flores, são formas aparentes para Aquilo que se mantém presente sem qualquer aparência. Assim, esse florescer é a Consciência na Consciência, é essa Consciência da própria Consciência de que, apesar da multiplicidade de formas, uma só e única Vida, uma só e única Presença, uma só e única Consciência.

Aqui, a mente está embolada com o pensamento, com o conhecido, com a memória, com a lembrança. E isso está acontecendo a serviço de uma ilusão, a ilusão de uma identidade separada, desse falso “mim”, esse falso “eu”, essa falsa e irreal pessoa. Essa aproximação que você tem aqui, se ela é meramente verbal, ela não tem qualquer valor para você. Você precisa aprender a olhar para isso no seu viver.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Satsang - Você é o que acontece


A depreciação já é uma valorização, é o esforço para ser miseravelmente feliz ou miseravelmente infeliz. Só a mente tem qualquer escolha, ela pode tudo. Imaginar a escolha é algo que ela faz muito bem. Assim sendo, ela pode ter essa escolha da autoestima ou da baixa-estima. É a ilusão desse falso "eu"! Uma hora feliz, entusiasmado, excitado, pra cima. Outra hora infeliz, pra baixo, melancólico triste, em baixa estima. Mas é sempre o falso “eu”, é só um filme.

É só o conteúdo de uma história, que é memoria, que é passado, que é pensamento. É o pensamento acontecendo sem você, são as sensações acontecendo sem você. É um hábito, é um vício, é só um costume, é só uma prática. Isso é pura inconsciência, uma identidade por traz daquilo que acontece. Eu não quero te convidar a ficar um dia inteiro, 24 horas, sem uma identidade por trás do que acontece. Eu quero te convidar a ficar 5 segundos sem uma identidade por trás do que acontece. Então, você percebe que não tem você. Você percebe que você não existe. Olha que coisa, paradoxal? A não percepção Sua de “sua” não existência.

Estamos falando da existência dessa ilusão, a ilusão de uma entidade por trás do que acontece. É quando, na realidade, Você é o que acontece, sem a separação. O sentido do “eu” na ação não está. O sentido do “eu” no evento das lágrimas, ou do pensamento acontecendo, ou da tristeza ou da alegria ou da dor ou do prazer. Então, a experiência é só a experiência sem a alguém nisso. Não tem experimentador nisso. Então, não fica resíduo, não fica memória, não fica peso, não fica a possibilidade da continuidade dessa ilusão, a ilusão de uma identidade.

domingo, 1 de setembro de 2013

Satsang - O girar da roda


Uma roda circula, ela gira. Tem o eixo e tem o girar, o eixo permanece imóvel, mas torna possível o movimento da roda. Assim, toda experiência é fenomênica. Permaneça Naquilo aonde a experiência acontece. Quando você permanece Nisso aonde a experiência acontece, você permanece de forma não separada do próprio fenômeno que é o girar da roda. A roda continua girando e você permanece no centro, você permanece no não movimento dentro do movimento.

Então, percebam que não há nada para ser renunciado, porque mesmo o movimento da roda ou ambos os lados dos opostos permanecem presentes naquilo que não tem opostos. Você está, na verdade, além dos opostos, presenciando os opostos. Os opostos aparecem naquilo que é você. Aparece no sentido de surgir como uma onda que se levanta e depois cai novamente. Não aparece para alguém. É só uma expressão do próprio mar. A onda é uma expressão do próprio mar. Ela se levanta e ela cai novamente.

O girar da roda é uma expressão do próprio eixo que não se move, mas torna possível o girar da roda. A cara e a coroa, o positivo e o negativo, o bem e o mal, a dor e o prazer, o desejo e o medo são as faces de uma única moeda. Ou seja, no contraste o não contraste. Você permanece desidentificado por completo vendo o filme na posição de tela que abraçou o filme, que não precisa excluir nada do filme, não tem que excluir a casa em chamas, não tem que excluir o susto, o medo, o pavor, as sombras, a escuridão, o vento, a tempestade, o terremoto, o furacão...

Não pode escolher o dia ensolarado, paisagens de montanhas cobertas de nuvens, uma bela cobertura de neve. O pôr do sol, o veleiro soprado pelo vento com suas velas erguidas sobre aquele mar azul. Você é a coisa toda e não escolhe isso em lugar daquilo, você não precisa permanecer em um lado ou em outro lado, você permanece como a tela que aceita o filme inteiro, a bonança e a tempestade.

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