segunda-feira, 22 de julho de 2013

Satsang - Se livrar do que ?




A vida é simples de grande e extraordinária beleza quando não há escolha, quando não há julgamento, quando não há comparação, quando a ideia sobre "o que É" não está presente, porque "o que É" é a Vida em sua beleza, é o Sagrado, é o Divino, é a Verdade. Não é a verdade como o contrário da não-verdade, é a verdade que não tem contrário. O "contrário" é uma ideia, o "contrário" é uma crença, o "contrário" é uma posição de opinião, a ilusão não é real. É aqui que a ilusão entra, por isso chamamos de ilusão.

A não-verdade é uma ilusão,
A não-beleza é uma ilusão,
O errado ou o certo é uma ilusão,
O bem e o mal é uma ilusão,
Perfeição ou imperfeição são conceitos mentais,
portanto são ilusões também,
porque tudo isso são conceitos,
conceitos mentais.

Não se trata de nos libertarmos do que não é, que o que não é, já não é.

Alguns de vocês vem ao Satsang, e a princípio vocês tem algumas ideias, aliás, muitas ideias. Parece que esse é todo o problema. Porque as ideias estão exatamente no campo da ilusão. São ideias. Não são fatos, são ideias.

Nós temos muitas ideias. Uma delas é de nos livrarmos da ilusão. Nós nunca nos perguntamos "quem está preocupado com isso?". Só pode ser uma preocupação. Uma preocupação é só uma "ideia", é só um "pensamento" a cerca do que É, portanto é uma "ilusão".

Uma ilusão, de onde nasce? Qual a origem da ilusão? Aí está a resposta ao "quem sou eu". Esse "quem", esse "alguém" que quer se livrar da ilusão não existe. Quem se livra do quê, ou seja, o que temos? Pensamentos! Pensamentos acontecendo – uma sobreposição da realidade "daquele" ou "desse momento presente", "aquilo que acontece", "disso que acontece" – posicionamento de uma visão particular, que interpreta, que julga, que compara, que avalia, que faz tudo isso e muito mais – ideologicamente, é claro. E é claro que se tudo isso é algo meramente acontecendo no campo das ideias, é aqui que acontece todo o conflito nosso.

O "seu" sofrimento é uma ficção, "sua" dor – uma ficção, o "seu" medo é uma ficção. Toda forma de conflito nessa pseudo-identidade, nesse centro, é uma ilusão, nesse "sensor". É uma ilusão. Talvez você pergunte "e isso que sinto?". Isso que você sente não é você sentindo, é o "corpo" sentindo, é a "mente" sentindo, é o "sistema" sentindo, é o "organismo" sentindo, é a "programação" sentindo, mas isso não é você. Você não é o corpo. Constatar quem é você, é descobrir que você não existe como uma identidade separada. Você (existe como) é o que É, e com o que É não é nada particular, não é alguém.

Você chama de "sofrimento acontecendo á você", eu chamo de "memória programada" se repetindo vez, após vez, após vez, após vez, nesse "mecanismo corpo-mente". Se você descobre como olhar para isso como parte de uma experiência nesse instante, sem um "sensor" que julga, que compara, que rejeita... Se você aprende a olhar para isso como algo que está acontecendo sem identificar isso como sendo você, mas simplesmente acontecendo...

A tristeza acontece, a preocupação acontece, o medo acontece, a ansiedade acontece... São só sensações. Escute(m)... Sensações acontecendo á esse mecanismo, não á mim. O problema conosco é esse: "é sempre á mim", ou, "ao outro" que acontece. Não percebemos que a coisa simplesmente acontece. A memória, ela acontece. É só memória. É uma memória de dor... Poderia ser uma memória de prazer... Uma memória na máquina do organismo, desse corpo-mente. Não tem nada a ver com você.

Você é essa Consciência, essa Presença. Você é esse não-observador, não-sensor. É Isso que é ilimitado. É Isso que é indescritível. É Isso que é sem nome, que é sem forma. É isso que é o Campo do qual essa experiência acontece.

"Não se identificar a si mesmo como 'esse que sofre', mas observar o que vem e vai, o que chamamos de sofrimento; toda memória é assim, toda tristeza é assim, toda angústia é assim, toda ansiedade é assim, toda depressão é assim, todo o desconforto que chamamos de 'sofrimento' é assim – vem e vai".

Você já teve muitos momentos na vida em que acreditou que iria "morrer" de tanta tristeza, de tanta busca, de tanta dor. Eu não estou dizendo que ela não aparece. Eu só estou dizendo que isso "vem e vai". Quando eu disse que o sofrimento não é seu, eu estou dizendo que o sofrimento "vem e vai". Não estou dizendo que ele não acontece. Quando eu estou dizendo que a depressão não é sua, não estou dizendo que a depressão não acontece, que a ansiedade não acontece, que o medo não acontece, mas é algo que tem que ser visto nessa Clareza, nessa Claridade, nessa Constatação, então você não permanece, porque a memória não se mantém com continuidade, ela não pode se repetir, ela é queimada nesse Constatar Direto. Mas se ela não é observada, se ela não é queimada nesse Constatar Direto – é o que temos feito ao longo de todos esses anos – a coisa se mantém. O sentido de uma identidade por trás se mantém – aquele trauma, aquela dor específica, aquele sofrimento especificamente ligado naquela memória, repare(m): "é só uma sensação". Não tem "alguém" nisso.

Nossa insistência é sempre essa: "De novo! Novamente! De novo! E novamente! Novamente! E de novo!" E depois mais uma vez: "Novamente! E de novo! E de novo! Novamente!". Estamos dizendo para você: "Você não existe como uma 'ideia', como uma 'crença', como um 'conceito sobre si mesmo'! Uma fraude! Você não existe!". Como você existe? Impensável! Indizível! Indescritível! Então não se fala mais nisso!

Você existe como a Vida, e como a Vida você não é uma pessoa. Você é o que acontece. Você é o que acontece e o que não acontece, e é anterior á isso. Você nunca nasceu, nem vai morrer; como nunca sofreu, nem vai sofrer. E no entanto, o corpo nasceu, e o corpo vai morrer; o corpo passa por sofrimento, e por prazer. Mas o corpo é só um acontecimento insignificante... Completamente insignificante. Você dá muita importância ao corpo. Como dá muita importância ao corpo, se confunde com ele. O corpo sofre mudanças, é natural.

Tudo o que tem início caminha na sua continuidade até o fim.

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