domingo, 28 de julho de 2013

Satsang - É impossível deixar de ser o que você é






Desaprender o que aprendemos, desaprender a ser alguém. Ficar apenas nesse "se mover com a vida como ela se mostra momento a momento" é a coisa toda. Deixar o sentido de auto-importância.

Há necessidade de ser protegido. Há necessidade de ser ajudado. Há necessidade ser carregado, ser amparado, ser amado, de ser aceito, de ser, de ser, de ser, de ser...

Há necessidade de ser alguém, necessidade de ser, de ser, de ser... De ser alguma coisa para si mesmo, para outros. Essa "necessidade" é o sentido dessa falsa identidade sobrevivendo, se mantendo dentro dessa ilusão... Ser melhor, ser mais virtuoso, ser considerado, ser aceito... Ser, ser, ser... ser... ser...

Disseram para nós que tínhamos que ser alguém, não só para nós mesmos, para os outros também. O medo de não ser... Abrace o medo, acolha o medo. Fique com isso. É só quando você pode ser, é quando abandona o medo de "não ser". Realmente ser é deixar o medo de "procurar ser alguma coisa para si mesmo ou para alguém". É impossível deixar de ser o que você é essencialmente.

Todo o esforço para vir a ser, para ser algo para si mesmo, para ser alguém para si mesmo, para ser alguém para outros, para "ser algo para outros", é medo. A infelicidade é impossível, o medo é impossível, o sofrimento é impossível na Consciência. Só na mente, e em suas histórias; só na mente, e em suas imagens. Só na mente, e em suas ideias – a ideia de ser, de se tornar, se mover, como se algo fora desse instante fosse possível, ou seja, na imaginação.

A vida é completa, plena, pura graça. O amor, a paz, o silêncio, é o coração desse instante. Agora! Esse sentido imaginário mental de "ser" é a ilusão da autoimportância – algo puramente imaginário.

Num campo de tulipas, nenhuma é mais importante que as demais.
Num campo de orquídeas, nenhuma é mais importante que as demais.
Num campo de rosas, nenhuma é mais importante que as demais.
Na existência, não há nada como isso.

A rejeição da existência como ela se mostra – essa tentativa de "se destacar", de "ser especial", é de "ser alguém"... Aí está a infelicidade! Aí está o sofrimento! É preciso ser muito importante para ser miserável, para ser sofredor, para ser infeliz. É preciso ser muito mais do que se é. Só assim é possível essa crença se manter.

Solte todas as suas defesas, todas as suas seguranças, todas as suas certezas, todas as suas imagens. Largue tudo! Solte tudo! Deixe tudo solto flutuando no ar, tudo o que aprenderam sobre si mesmos, tudo o que sabe sobre os demais, tudo o que acreditam sobre a vida, sobre tudo.

Fique nesse não saber. Aí encontra esse "não ser alguma coisa". É quando só o que é possível é ser. É quando fica claro que a infelicidade é impossível. A miséria, o sofrimento é impossível.

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