quinta-feira, 13 de junho de 2013

Satsang - A maestria do viver



Essa maestria de viver... Onde está essa maestria de viver? Pois eu vou dizer para você. A rejeição ou a aceitação, são aspectos diferentes da mesma resistência da mente à vida como ela se mostra. Aqui, não se trata de rejeitar o que acontece, mas de compreender aquilo que acontece. Não pode ser diferente; se pudesse,  seria. É assim, e a rejeição disso é algo estúpido. Somos estúpidos quando nos identificamos com as propostas, as resoluções, as soluções, as simplificações e as complicações que a mente produz.

A maestria do viver é a Vida como ela é. Isso não é nada do outro mundo. É desse mundo. Não é algo fora do que acontece. É algo do que acontece. Não é algo fora de você, porque você é a Vida como Ela se mostra. É como você É. Prejulgamentos, resoluções, soluções, toda forma de crença, de teoria acerca do que deve ser é todo o seu transtorno, todo o seu atropelo, toda a sua complicação, é a criação dessa falsa identidade que não aceita a música, o ritmo, que quer inventar uma dança diferente. Ouçam isso: a maestria do viver é Felicidade, e Felicidade é amar o que É, sem resistência e sem aceitação. Perfeita prece, perfeita oração, perfeita súplica, perfeita adoração do divino.

Você é essa Verdade que é a Vida. Não se pode construir algo sobre isso. Isso é fantasia. Não se pode determinar algo, não há "alguém" para isso. Há tanta inquietude, há tanto desespero, há tanta aflição, há tanto conflito nessa resistência. A resistência mantém a continuidade dessa ilusão de ser "alguém". Não tem "alguém", não existem pessoas, não existe alguém construindo ou destruindo. Tudo apenas acontece. Só parece ser assim o tempo inteiro - alguém por trás, alguém decidindo, alguém resolvendo, alguém aceitando ou alguém resistindo. A aceitação ou a rejeição são aspectos dessa mesma mente que é só um padrão de comportamento.

Aqui não se trata de aceitar o que é, mas de ter uma justa e equilibrada Real Apreciação, sabendo que as coisas são assim. Você precisa olhar para isso... Você precisa olhar para isso... Você precisa olhar para ISSO... Para isso que é como É. Já há muita, muita generosidade nisso tudo... Muita.

Sua vida é pura Graça como ela é. Ela não precisa ser diferente. Ela não pode ser diferente. Tudo o que pode vir a ser, será. Mas não tem você nisso. Tudo o que foi é o que acontece; tudo o que será é o que acontece; e tudo o que É, é o que acontece; tudo o que acontece, é só o que acontece; como falamos agora há pouco. Você precisa apreciar isso -- essa não-pessoa, essa não-identidade -- e fluir com isso, ouvir a musica, o ritmo, celebrar isso. Então a vida se mostra leve, espaçosa, generosa, equilibrada, perfeita, divina, uma arte de Deus -- um Deus que não está fora do que é você, que é a vida. Você é Deus nessa maestria de viver, que é a vida como acontece. Então relaxa.

Você pergunta: "mas não é assim comigo. O que eu posso fazer?". Eu respondo: "comigo, quem?". Você acredita que alguém está fazendo e, por isso, tem uma vida diferente? Por que você quer ser tão especial? Por que é importante ser tão importante? Você(s) percebe(m) onde está o truque todo? Está sempre por detrás de um sentido de uma autoimportância, e de ser alguém especial. Olhe para isso... Olhe para isso. Você é um agraciado, é um abençoado, porque você é a benção, porque você é a Graça. Ser é a arte da suprema Felicidade, que é a Vida como ela É, sem aceitação ou rejeição, sem resistência e sem escolhas, só aquelas escolhas simples. Sabe o que eu chamo de escolha simples? O modelo do sapato. Mesmo assim a mente complica. A escolha simples é o sorvete que você quer tomar, se é de chocolate, ou se é de morango, baunilha. Mas fora desse tipo de escolha simples, não escolha. Você não existe para isso. Não tem alguém aí para fazer isso. Isso é Liberdade!

Liberdade não é ter escolha, liberdade é saber que não há escolha, que não há alguém para escolher. Sem a mente tudo é simples e natural, sem conflito, sem escolha, sem ego, sem sofrimento, sem imagens. É esse Olhar Direto que não distorce, que não avoluma, não diminui, não faz crescer, não faz diminuir, não colore. Esse Olhar Direto, esse Ouvir Direto, esse Sentir diretamente é a maestria do viver, é a arte do não-eu, é esse silêncio, é essa ilimitada presença, que permeia, interpenetra, que está no cerne do coração, de tudo, o tempo todo... Dançando com as folhas quando o vento sopra naquela árvore, escorrendo na vidraça da janela quando a chuva cai em forma de gotas, naqueles raios que cortam aquela nuvem e atravessam, criando uma matiz de cores extraordinária, espetacular, mas que nem a ideia de espetacular de que estamos lá está presente nesse olhar. Quando o som da onda que quebrou na rocha volta, e as espumas surgem e logo se tornam o brilho do olhar, da alegria. Repare que há um brilho no olhar quando há alegria. É o novo surgindo, é o novo aparecendo, momento a momento, e essa Presença em tudo. É o fim da ilusão, é o fim da ideia, da crença de ser alguém separado da vida, do movimento da vida. Alguns chamam isso Despertar, a Realização Divina, [é] o constatar de sua natureza verdadeira, não há nada fora disso. Qualquer coisa fora disso não é você, que não pode ser encontrado, que jamais será encontrado o que está agora aqui presente, nessa dança, nesse ritmo, nesse movimento, que é a vida acontecendo... acontecendo... acontecendo.


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