quinta-feira, 27 de junho de 2013

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Satsang - A maestria do viver



Essa maestria de viver... Onde está essa maestria de viver? Pois eu vou dizer para você. A rejeição ou a aceitação, são aspectos diferentes da mesma resistência da mente à vida como ela se mostra. Aqui, não se trata de rejeitar o que acontece, mas de compreender aquilo que acontece. Não pode ser diferente; se pudesse,  seria. É assim, e a rejeição disso é algo estúpido. Somos estúpidos quando nos identificamos com as propostas, as resoluções, as soluções, as simplificações e as complicações que a mente produz.

A maestria do viver é a Vida como ela é. Isso não é nada do outro mundo. É desse mundo. Não é algo fora do que acontece. É algo do que acontece. Não é algo fora de você, porque você é a Vida como Ela se mostra. É como você É. Prejulgamentos, resoluções, soluções, toda forma de crença, de teoria acerca do que deve ser é todo o seu transtorno, todo o seu atropelo, toda a sua complicação, é a criação dessa falsa identidade que não aceita a música, o ritmo, que quer inventar uma dança diferente. Ouçam isso: a maestria do viver é Felicidade, e Felicidade é amar o que É, sem resistência e sem aceitação. Perfeita prece, perfeita oração, perfeita súplica, perfeita adoração do divino.

Você é essa Verdade que é a Vida. Não se pode construir algo sobre isso. Isso é fantasia. Não se pode determinar algo, não há "alguém" para isso. Há tanta inquietude, há tanto desespero, há tanta aflição, há tanto conflito nessa resistência. A resistência mantém a continuidade dessa ilusão de ser "alguém". Não tem "alguém", não existem pessoas, não existe alguém construindo ou destruindo. Tudo apenas acontece. Só parece ser assim o tempo inteiro - alguém por trás, alguém decidindo, alguém resolvendo, alguém aceitando ou alguém resistindo. A aceitação ou a rejeição são aspectos dessa mesma mente que é só um padrão de comportamento.

Aqui não se trata de aceitar o que é, mas de ter uma justa e equilibrada Real Apreciação, sabendo que as coisas são assim. Você precisa olhar para isso... Você precisa olhar para isso... Você precisa olhar para ISSO... Para isso que é como É. Já há muita, muita generosidade nisso tudo... Muita.

Sua vida é pura Graça como ela é. Ela não precisa ser diferente. Ela não pode ser diferente. Tudo o que pode vir a ser, será. Mas não tem você nisso. Tudo o que foi é o que acontece; tudo o que será é o que acontece; e tudo o que É, é o que acontece; tudo o que acontece, é só o que acontece; como falamos agora há pouco. Você precisa apreciar isso -- essa não-pessoa, essa não-identidade -- e fluir com isso, ouvir a musica, o ritmo, celebrar isso. Então a vida se mostra leve, espaçosa, generosa, equilibrada, perfeita, divina, uma arte de Deus -- um Deus que não está fora do que é você, que é a vida. Você é Deus nessa maestria de viver, que é a vida como acontece. Então relaxa.

Você pergunta: "mas não é assim comigo. O que eu posso fazer?". Eu respondo: "comigo, quem?". Você acredita que alguém está fazendo e, por isso, tem uma vida diferente? Por que você quer ser tão especial? Por que é importante ser tão importante? Você(s) percebe(m) onde está o truque todo? Está sempre por detrás de um sentido de uma autoimportância, e de ser alguém especial. Olhe para isso... Olhe para isso. Você é um agraciado, é um abençoado, porque você é a benção, porque você é a Graça. Ser é a arte da suprema Felicidade, que é a Vida como ela É, sem aceitação ou rejeição, sem resistência e sem escolhas, só aquelas escolhas simples. Sabe o que eu chamo de escolha simples? O modelo do sapato. Mesmo assim a mente complica. A escolha simples é o sorvete que você quer tomar, se é de chocolate, ou se é de morango, baunilha. Mas fora desse tipo de escolha simples, não escolha. Você não existe para isso. Não tem alguém aí para fazer isso. Isso é Liberdade!

Liberdade não é ter escolha, liberdade é saber que não há escolha, que não há alguém para escolher. Sem a mente tudo é simples e natural, sem conflito, sem escolha, sem ego, sem sofrimento, sem imagens. É esse Olhar Direto que não distorce, que não avoluma, não diminui, não faz crescer, não faz diminuir, não colore. Esse Olhar Direto, esse Ouvir Direto, esse Sentir diretamente é a maestria do viver, é a arte do não-eu, é esse silêncio, é essa ilimitada presença, que permeia, interpenetra, que está no cerne do coração, de tudo, o tempo todo... Dançando com as folhas quando o vento sopra naquela árvore, escorrendo na vidraça da janela quando a chuva cai em forma de gotas, naqueles raios que cortam aquela nuvem e atravessam, criando uma matiz de cores extraordinária, espetacular, mas que nem a ideia de espetacular de que estamos lá está presente nesse olhar. Quando o som da onda que quebrou na rocha volta, e as espumas surgem e logo se tornam o brilho do olhar, da alegria. Repare que há um brilho no olhar quando há alegria. É o novo surgindo, é o novo aparecendo, momento a momento, e essa Presença em tudo. É o fim da ilusão, é o fim da ideia, da crença de ser alguém separado da vida, do movimento da vida. Alguns chamam isso Despertar, a Realização Divina, [é] o constatar de sua natureza verdadeira, não há nada fora disso. Qualquer coisa fora disso não é você, que não pode ser encontrado, que jamais será encontrado o que está agora aqui presente, nessa dança, nesse ritmo, nesse movimento, que é a vida acontecendo... acontecendo... acontecendo.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Satsang: A Mente - Filha de Uma Mulher Virgem e Estéril



Sejam todos bem vindos a mais este Satsang. A mais este encontro.

É com alegria que aqui estamos mais uma vez para olhar para isto. Mais uma vez colocando nosso coração envolvido nessa importante oportunidade, que é olhar para aquilo que somos.

Todos nós estamos aqui neste encontro pela mesma razão. Aquilo que impulsiona cada um de nós, isso é válido para todo ser humano, algo que está sempre nos impulsionando, é algo que sempre guardamos dentro, e isto sempre nos impulsiona, é essa procura por paz e felicidade.

É uma procura que termina assumindo diversas direções em nossas vidas. Depois de algum tempo, nós nos voltamos como agora estamos fazendo aqui neste encontro, nos voltamos para aquilo que sentimos intuitivamente que é a direção precisa, a direção correta, na verdade é a única direção, nós já passamos por muitas outras até chegarmos aqui. Para podermos nos encontrar aqui juntos, para estarmos pronto para este momento.

E este é o momento do encontro com aquilo que somos, é um momento de Satsang.

Satsang para aqueles que ainda não conhecem este termo, literalmente significa encontro com a verdade, ou encontro com o que é, encontro com o ser. É uma palavra indiana basicamente. Nós não estamos diante de um encontro, onde toda aproximação é meramente sentimental ou intelectual, é um encontro de auto-investigação, de meditação e de entrega a essa natureza essencial de cada um de nós.

Mais do que importante, como temos sempre frisado nesses encontros, não são as colocações verbais, as palavras, mas aquilo que se encontra por trás dessas palavras, aqui se trata justamente dessa Presença, dessa ilimitada Presença, desta ilimitada Consciência, aqueles que estão conosco pela primeira vez, espero que tenham um pouco de paciência para nos acompanharem, estarem conosco nos acompanhando e se permitindo mais do que ouvir palavras, apenas ficar disponíveis, se manterem disponíveis.

Se nós nos tornamos disponíveis esta noite a isso que se encontra fora dessa dimensão da fala, fora dessa dimensão da palavra, nós podemos sentir de fato do que se trata este encontro, é um encontro basicamente com o silêncio, e aqui não estamos falando do silêncio auditivo, sonoro, estamos falando do silêncio dessa Presença, dessa ilimitada Consciência, onde tudo aparece e também desaparece.

Uma fala que nasce desse estado direto, desse estado natural, e deve encontrar aí dentro de cada um de vocês, dentro de cada um de nós, uma resposta exatamente neste nível, e esta resposta é silenciosa também. A razão que vamos ouvindo, a mente acostumada nesse seu diálogo interno, nesse seu falatório todo, começa a silenciar muito naturalmente, então começa a acontecer isto. Este espaço começa a se mostrar como silêncio.

Este ilimitado espaço desta Presença que é esta Consciência. E aqui eu falo de consciência, como sinônimo daquilo que está além dessa assim conhecida consciência, como nós a conhecemos. O despertar é este reconhecimento da nossa real natureza, daquilo que somos, que é Consciência, que é Presença, que é Silêncio, como é o seu estado natural, você não precisa fazer nada, apenas ficar disponível a isso.

Dando seu coração a isso, isso se mostra, como sendo você.

Estamos juntos nessa noite para vivenciarmos esta quietude, este silêncio, esta paz natural, algo além de qualquer coisa que o pensamento, que a mente possa produzir, na verdade é quando estamos abertos, receptíveis, sensíveis, vulneráveis a esta presença que é o que somos, fora dessa mente, que é aquilo que temos por mais comum, por mais habitual, como aquilo que é o mais conhecido por cada um de nós.

Quando nós nos desligamos disso, nesse relaxar é que este estado natural, se apresenta o que é meditação, que é silêncio, que é paz, que é este espaço sem limites, apenas acompanhe a voz, acompanhe a fala, como se estivesse ouvindo uma música, nós não ouvimos uma música julgando, comparando, com outra música, a gente só escuta, relaxa e escuta, aqui o intelecto não tem lugar, não tem espaço, ele não é necessário, o ouvir, este escutar, esta atenção sem comparar, sem analisar, sem tentar entender ou ajustar isto, algo que possamos segurar, prender e levar conosco, isto não é necessário em Satsang. Isto funciona ouvindo uma conferência, dentro de uma sala de aula, ouvindo um palestrante, e aqui não temos nada disso, não temos necessidade disso, tudo o que nós precisamos já se encontra presente agora aqui. 

Tudo o que nós precisamos não pode estar separado deste presente momento, sendo algo separado daquilo que você é, você é isso, não vamos construir isto, nós só vamos juntos aqui, constatar isto.

É a palavra predileta. A palavra é constatar. Apenas isto. Testemunhar.

É importante que se entenda que toda essa insatisfação nossa, nesse assim chamado viver, nesse assim chamado nosso viver, esta insatisfação na relação que temos com pessoas, esposa, filhos, qualquer outro tipo de relação, toda esta insatisfação não nasce do outro, da coisa do lado de fora, da coisa externa. Nasce exatamente desta não constatação daquilo que somos em nossa real natureza, por estarmos confundidos, e também confusos, presos nessa armadilha, dessa conhecida e assim chamada consciência comum ou mente, como nós chamamos aqui nesses encontros.

Nós queremos colocar isto aqui para você, se você está em Satsang, você se volta para isto nesse encontro, e algo precisa ficar claro para você, jamais haverá satisfação ou qualquer completude ou realização enquanto este sentido de consciência comum, enquanto esta mente tiver presente, você precisa estar fora disso, completamente fora, completamente livre, livre dessa assim conhecida mente. Livre da ilusão dessa assim conhecida consciência, para esta Ilimitada Consciência e Presença, que é silêncio, que á paz, que é você em sua real natureza.

Isto nós temos que ser bem abertos com vocês aqui. Temos que abrir para vocês aqui dentro dessa fala, isto é algo muito simples, nós temos sempre frisado isto, a mente tem tornado isto algo muito complexo. Assim nós estamos diante de algo simples, mas de algo nada fácil, este algo que requer naturalmente uma entrega, um trabalho, e quando aqui eu uso a palavra entrega e trabalho, ela tem um sentido também diferente. Você como alguém, é só uma ideia, uma crença mental. Não é você que se entrega, a entrega é algo que acontece naturalmente, como essa que você acabou de assumir esta noite, de estar presente, é algo que faz surgir naturalmente esta entrega, é este o outro sentido da palavra entrega.

E a outra palavra é trabalho, o trabalho aqui não tem o sentido de um esforço ou de uma dedicação de cunho pessoal, que lhe faz progredir, crescer, nessa direção, aqui a palavra trabalho, é aquilo que acontece exatamente nesse mecanismo corpo e mente, isso não é um trabalho seu, como a própria entrega não é algo que você faz, é algo que acontece também, nessa disposição de se render ao real.

Nós precisamos dizer isto para você, isto não vem facilmente, você precisa se entregar a isto.

E mais uma vez, quero reafirmar, não é alguém aí que se entrega, é este sentir, este impulso a se render, um impulso da verdade, trazendo você a isto, trazendo você a esta constatação daquilo que é você em sua real natureza, parece ser bastante paradoxal colocar isto em palavras, mas uma vez que você começa a perceber o que estamos colocando, o sentido real da palavra aqui de entrega e trabalho, a coisa começa a acontecer muito naturalmente, porque há uma aliança que não se quebra, uma aliança com a verdade.

A partir disso nada mais consegue te distrair tanto, porque é o seu instante, é o seu momento. É o momento deste despertar, deste acordar, há vários nomes para isto, iluminação, realização, acordar, despertar, aqui se trata, deste seu estado natural, onde não há mais esta insatisfação, porque a mente não está mais presente.

Ela não é você, não existe essa assim chamada minha mente e ela não é você. 

Mente é aquele filho de uma mulher virgem e estéril, isto é a mente. Este padrão de pensamentos condicionados, o modo como isto se move dentro de nós, nós nos identificamos com isto, damos um sendo de existência como sendo nós mesmos, assim damos uma identidade para este filho, desta mulher estéril e também virgem, não existe tal coisa, estamos identificados como toda história mental, com todo este fundo, como todo este padrão, com toda esta programação, isto se tornou esta identidade ilusória, como é o filho desta mulher. E isto é que nós acreditamos que somos.

Precisamos nos libertar dessa ilusão. A ilusão dessa falsa identidade. A ilusão que é esta crença de que você é alguém, de que você é uma pessoa. Não há pessoas neste espaço. Cada mecanismo aqui presente, cada organismo aqui presente, como eu costumo chamar, cada um tem uma história de alguns decênios, um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete... Acredito que aqui não tenha alguém com 70 anos, enfim, e acreditamos que isto somos nós, e assim o conflito permanece, a luta permanece, a ilusão permanece, você não sabe quem é, você se confunde, com aquilo que se passa aí na mente, que não é a sua mente, como já colocamos.

É importante nós compreendermos isto, até mesmo a expressão minha mente, isto esta baseado numa crença, na crença de que há uma identidade aí, porque há um conjunto de ideias, um conjunto de lembranças, uma história ligada a este organismo, é preciso que tenhamos uma aproximação disso de uma forma totalmente nova, totalmente diferente.

Nós falamos desse filho dessa mulher virgem e estéril. Essa falsa identidade. Uma investigação cuidadosa, uma aproximação neste olhar direto, desta forma, lhe faz perceber a ilusão disso. Disso que de fato nunca existiu.

Então você percebe que esteve diante de uma miragem, durante um bom tempo, agora é importante que a gente diga aqui para você mais uma vez repetindo, sempre voltamos ao básico nessas colocações verbais, nessas falas, mas o alcance dessa visão no nível de percepção interna, de constatação, isto se aprofunda de forma extraordinária, de uma forma maravilhosa, a entrega a este encontro consigo mesmo é tudo. Esse desistir de si próprio nesse encontro consigo mesmo é a morte e é a vida.

Participante: Marcos, essa "coisa" acontece, quer dizer, não há um trabalho a ser feito, não há algo que possa ser buscado... Gostaria que falasse mais sobre isso

Acabamos de colocar isto agora, há um trabalho sim que precisa acontecer, mas não é algo que possa ser feito, não é algo que possa ser buscado, mas há algo que precisa ser constatado, já estou falando sobre isto, se esse trabalho não acontece aí, neste organismo, neste corpo e mente, o despertar não acontece.

Outro participante: Ressurreição?

Esqueça essa palavra, esqueça isso. Nós não precisamos de nada além do que estamos tendo aqui nessa fala, apenas escute, viu pequeno aprendiz, bonito seu nick, a primeira coisa para você, você entrou aqui para desaprender tudo, então esqueça o que você já sabe.

Ampliando um pouco mais isto, o trabalho acontece nesse organismo corpo e mente, e essa constatação acontece agora, aqui neste instante, nada para ser encontrado amanhã, nada para ser encontrado depois, então a busca não tem lugar, isto não requer tempo, e o testemunhar, a constatação acontecem nesse instante.

Uma coisa imponte a ser dita ainda sobre isto, falando desse filho, a gente não joga para longe e nem acalenta, escutem isto, para terminar a fala, depois se tiverem perguntas, a gente coloca, estamos falando de um filho que é o filho desta mulher, é um filho que não pode ter uma existência real, então a gente não joga para longe e nem acalenta, apenas olha, neste olhar este filho de se desfaz, esta ilusão acaba, ela termina, estamos falando da mente e do sentido de separatividade, de separação, sentido do eu, do mim, do ego, da pessoa, que acreditamos ser nós mesmos, acreditamos ser aquilo que somos.

Neste olhar direto isto se desfazer, isto termina. Estamos juntos? Essa é fala desse encontro. 




Encontro em Satsang realizado pelo Paltalk na noite de 12 de Setembro de 2012.

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