sábado, 11 de maio de 2013

Satsang: O Que Significa este Presente Momento?





Deixa eu falar com vocês, nesses momento aqui. 

Se eu perguntasse a vocês o que significa este presente, qual significado tem este presente momento, isto porque, é muito comum nós ouvirmos alguém dizer que, este presente momento é tudo o que existe, a importância do presente, a importância do agora, a importância desse instante... Mas afinal o que é isso? Qual é o fundamento deste presente momento? Qual é base deste presente momento? O que significa este presente momento? Por que existe importância nesse presente momento? Por que tudo o que importa é este presente momento?

Tem algo aqui que seria bem interessante a gente perceber, há duas coisas aqui sobre isso. A primeira é que este presente momento, ele está acontecendo sem você, então é algo importante porque acontece sem você, e também é algo importante porque acontece com você. Soa bem paradoxal isto, falar deste presente momento acontecendo com você e sem você. E dizer que isto é importante justamente por isto, então vamos lá.

É importante porque acontece sem você, e é importante que acontece com você. É importante que aconteça sem você no sentido de, que você não tem nada haver com o que acontece, então qualquer resposta interna que você dê, qualquer aproximação que você tenha, qualquer posicionamento que tome com relação aquilo que está acontecendo agora, é algo que produz conflito, que produz sofrimento, que está baseado na existência de alguém envolvido nesse presente momento, e este alguém é o que sustenta este sentido de separação.

Então este momento presente, ele é fundamental, ele é importante, ele é essencial nesse sentido de compreensão daquilo que somos em nossa real natureza, e aí a gente entra nesse segundo ponto; porque o eu é importante? Porque nós estamos inteiramente presente nele, num sentido completamente diferente, no sentido de que nós somos a base que sustenta este presente momento como a pura consciência, este presente momento, naquilo que se revela nele, se revela nessa Presença, nessa Consciência que nós somos em nossa real natureza, e aqui fica mais uma razão pela qual, qualquer sentido de separação que tenha esta base, nesta existência, nessa luta, contra aquilo o que acontece, não tem sentido.

Então vamos lá, se não ficou assim claro, eu vou repetir isso de novo.  Toda a vida está acontecendo agora neste presente momento, e esta acontecendo nisso que é você, no entanto, sem este sentido de um você presente, quando você coloca esse sentido de um você presente nesse instante, a separação surge, o sentido de separação surge, de resistência, de luta, de tentar mudar, alterar, fazer algo diferente e isto é uma ilusão. Não existe este eu, este alguém, este você, então este você não está presente, o aparecimento dele é o surgimento deste conceito de mim, do ego, da mente separatista, de sofrimento. Ao mesmo tempo que este momento presente é impossível sem você, como essa Presença, como essa consciência que presencia, no qual isso tudo está acontecendo. 

E agora? Ficou claro?

Assim nós temos tudo o que nós precisamos. Tudo o que nós precisamos é isso que nós somos neste presente momento, em outras palavras; é aquilo que acontece nesse presente momento em nós, conosco, sem este sentido de alguém presente.

Todo sofrimento humano existe na ideia de que nós somos seres humanos. Nenhum animal na floresta ou nenhum animal tem a ideia de ser, um ser animal, nenhuma planta tem a ideia de ser, um ser planta, um ser vegetal. Ser é simplesmente ser, para um gato, ser é ser, para um pássaro ser é ser, para uma flor ser é ser, sem mesmo a ideia de ser qualquer coisa. Mas nós temos a ideia de ser, e aonde acontece essa ideia de ser? Acontece no intelecto, é o intecto de nomeia, é intelecto que classifica, é intelecto que denomina, que separa, que distingue, que avalia. Ser é simplesmente ser. 

Você não pode chegar a um animal e perguntar: Como é que você se sente sendo da espécie animal, você não pode chegar a um macaco e lhe dizer: Como é que você se sente sendo um macaco? Que tal ser um ser humano? Isto é ridículo, mas nós fazemos isso o tempo todo. O que é ser, um ser humano para você? Nós perguntamos para um outro da mesma espécie. Uma pergunta idiota, perfeitamente ridícula, aí o outro responde: Somos seres superiores, porque nós somos seres humanos. Não há ser humano, como não há ser vegetal, ser animal, como ser extra-terrestre, não existe nada disso. Ser é ser. E quanto menos você souber sobre isto, melhor. 

Em sono profundo você não tem nenhuma ideia de ser isso ou aquilo, e no entanto, você desfruta de uma profunda felicidade, aliás você se prepara da melhor forma possível, para entrar ou desaparecer com este ser que você acredita ser em sono profundo. Na meditação não há ser. Nessa inteireza desse estado de Presença, neste presente momento, não há qualquer ideia de ser.  A não ser que o corpo chame atenção em razão de alguma dor, de alguma desordem física, não há qualquer ideia "eu sou o corpo", que dirá "eu sou humano." Isto não existe.

Ser é pura e ilimitada consciência. E aqui eu falo dessa consciência sem qualquer ideia de uma consciência. Ser é puro ser, sem qualquer ideia de ser qualquer coisa. E isso é Presença, nesse presente momento, seu estado natural de ser, seu estado real. 

Assim, a dica aqui é: Você é isto que acontece nesse presente momento, não é alguém dentro dele, este presente momento é você. Em seu estado real, em seu estado natural, sem qualquer ideia de alguém desse você presente nele, de ser isto ou aquilo.

Essas falas nascidas em Satsang apontam para este estado natural, que é este estado que se revela nesse presente momento, e você é este estado natural, você é este presente momento. Assim a essência, o fundamento, a base deste presente momento, é essa consciência natural, real, puro ser, pura Presença impessoal. 


Satsang aberto realizado em Piabetá, município de Magé na Baixada Fluminense do Rio em 19 de Junho de 2012.

2 comentários:

  1. Vou ao satsang para confirmar minha inexistência.
    Encontro com a verdade é realizar o próprio funeral.Não é atoa que a maioria não volta.

    Morrer para viver.Quem vai querer?
    É isso Gualberto?
    A oferta está sempre presente?

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