quinta-feira, 9 de maio de 2013

Satsang: Algumas Palavras Destruidoras





Lá vamos nós mais uma vez com algumas palavras destruidoras. Parece que aquilo que a gente mais considera como real, é visto por aquele que está acordado, como algo completamente insignificante, e é natural que a gente fique assustado com isto, sobretudo a princípio a gente reluta contra isto. Por exemplo; conquistar é uma bela palavra não é? Realizar é uma bela palavra, amar é uma bela palavra não é? Isso denota verbos positivos, e nós apreciamos muito esta coisa da positividade, nós investimos muito em descobrir como ser positivo. Como estarmos motivados para amar, conquistar e assim por diante, aí vem uma fala como essa e diz coisas, como as quais iremos dizer agora.

Esses verbos que são essas palavras aqui, não fazem o menor sentido real na vida, a vida não conhece isso, amar, conquistar, realizar, fazer, a vida não conhece isso. Isso é uma grande fantasia, você só emprega esses verbos e outros tão positivos, com um elemento ilusório por de trás deles, um elemento que não existe, é a ilusão de um eu para amar, para fazer, para realizar, para conquistar, aonde está este eu? Me mostre ele, a vida (aqui como sinônimo de existência), não tem eu em parte alguma, então não existe amar, realizar, conquistar, tudo somente acontece e isso é tudo, é a vida como ela é.

Eu comecei dizendo, vamos colocar algumas palavras destruidoras, aqui estão essas palavras sendo colocadas, destruindo esta base errônea, equivocada, que é o eu, que é a mente, destruindo esta ilusão, tudo está apenas acontecendo, suas decisões não servem para nada, porque elas não acontecem, só acontece o que a vida determina, não notaram isto ainda? Você faz planos, esse você é uma falsa identidade, é a ideia de alguém presente para amar, para conquistar, para realizar, para fazer, grande ilusão, tremenda ilusão. Você faz uma tempestade em uma quantidade de água muito pequena, de um um copo, dá para fazer uma tempestade, mas é somente a sua tempestade, não tem nada haver com o que é. A vida é o que é. 

É por isso que nós valorizamos o que o estado natural não valoriza, é por isso que nós apreciamos aquilo que o estado natural não enxerga, temos que olhar para isto. Você não se livra do eu, você constata a não existência dele, você não realiza seu estado natural, você constata a presença dele, e isto é realização, mas não tem alguém fazendo, é a existência, é a vida, o amor flui do "seu" coração para "outros" corações, e isto não é você amando é o amor acontecendo, isto é a vida, como ela é, não há você nisso. 

Isso é estar acordado, é não estar de forma alguma. Isto é amar, é amor acontecendo sem você. Isto é fazer, é o fazer acontecendo sem você, isto é realizar sem você realizando. A parte disso, fora disso, a ilusão da mente (mente aqui é sinônimo de falsa identidade, crenças mentais, de pensamentos acontecendo aí na sua cabeça), pensamentos como: Vou, farei, realizarei, amo, e assim por diante. 

Ser é simples, de uma simplicidade tão simples, e de tão simples simplicidade, que a mente não pode ver isso. Ela tem que complicar. Acordar é sair da multidão. A multidão vive sob uma hipnose, debaixo de uma hipnose, isso é um milagre, ainda é uma milagre divino, ainda é um milagre da graça, a hipnose do sono da multidão, mas é só uma hipnose. Ainda é uma ilusão, a multidão que dorme e os poucos que acordam, estar acordado é ver o jogo todo, esta grande brincadeira divina, da multidão e dos poucos, daqueles que dormem e do que significa estar acordado, mas no fundo é só uma coisa acontecendo. 

É como a chuva caindo na terra seca, castigada pelo sol, e a mesma chuva caindo no mar, ela alcança os dois campos, para a chuva não faz a menor diferença, se ela molha o seco, ou se ele se derrama sobre si mesma, que é a água do mar. Como soa isto para vocês? É só uma grande graça, uma forma de acontecer.

Você não é uma pessoa para realizar, para conquistar, para fazer, para amar. Você é o amor, é a realização, é a Presença, é a existência, é a vida, essa é a sua natureza real, é a sua identidade real, esse é o seu eu. O eu inclusivo e não o eu separado, mas um eu que é como a água da chuva que cai sem distinção, sem separação, sem escolha. Mas você não é uma pessoa, não tem alguém aí, uma simples notícia como essa é muito devastadora, é simples demais, não dá para ser visto, não pela mente. 

Toda essa base montada a milênios, que sustenta uma ficção, que tem sido afirmada e reafirmada, vez após vez, após vez, tem sido alimentada e realimentada, a mente se alimenta da mente, se eu lhe conto algo, eu chego a você e lhe conto alguma coisa, repare a facilidade que a mente tem de ter aquilo que eu conto para você, sem qualquer investigação da parte dela, como verdade, de imediato ela já captura aquilo, plasma um filmizinho e agora começa a passar aquilo para frente, como sendo verdadeiro, sem nenhuma menor sombra de dúvida, não é da natureza da mente questionar, é da natureza da mente manter o que ela construiu, não importa de que organismo tenha vindo, pode estar vindo do outro, mas não tem o outro, a mente é uma só, então a mente se realimenta de mente, é uma grande brincadeira tudo isto, compreende o que eu lhe dizendo? Qualquer coisa que eu venha lhe dizer, por mais aparentemente absurda que lhe pareça a princípio, mas em poucos segundos você já compra a ideia e fortalece a crença, aquilo pode ser uma mentira, até uma brincadeira que eu faça com você, eu lhe conto algo e a coisa assim... (gesto de algo se expandindo). 

Mente se alimenta de mente, mente é ilusão. Mente é sinônimo de imaginação. Você não lida com o que é, você só lida com a imaginação, identificado com a mente, com o que é você não pode fazer nada, não precisa fazer nada, não deseja fazer nada, não quer fazer nada, está perfeito ali aonde está o que é, e o que é, é vida, a existência já é você. 

É essa pressuposta realidade, é esse real (...), na verdade é só uma sobreposição mental, que está aí falsificando tudo, mantendo esta ideia, de um autor, de uma identidade, de uma pessoa, de alguém, que pode realizar, que pode amar, que pode fazer. 

Você em sua natureza real é existência, é vida, é ser. Você em sua realidade, você real, é sempre sem sopreposição, é sem qualquer ideia de realização, de amar, de fazer, tudo somente acontece como expressão daquilo que é você agora, aqui, nesse instante. 

Essa pseudo identidade se dilui nessa única realidade, essa pseudo realidade dessa falsa identidade é desconstruída, nesse olhar direto, de que o que é, é o que é, e não tem ninguém aí. É a onda sendo vista no mar, como sendo água. E não como algo tendo uma identidade separada do oceano. 

Então esses verbos, amar, servir, fazer, realizar, todos os verbos, carregados da ideia deste pronome pessoal eu, não tem qualquer realidade. 

Seu estado natural é carregado de tal presença, de tal completude, de tal totalidade, que não precisa de um pronome pessoal por de trás dele, compreendem isto? Não há escolha, você é amor, amor não tem escolha. Não é o amar ou o não amar, é só o amor. Não é o fazer ou o não fazer, é só o acontecer, e assim por diante. 

É bem curioso essas frases prontas, que infestam os livros como piolhos, essas frases nascidas da sentimentalidade, do emocionalismo ou do intelecto, frases que som tão bonitas, que despertam tão nobres sentimentos dentro de nós, o facebook está cheio delas. o facebook hoje é o livro dos livros, não é assim? E todas essas construções ainda estão na esfera da mente.

O real tem o perfume sagrado, o cheiro da Presença. Isto está além dos sentimentos, pensamentos e emoções. Não é uma construção da própria mente, é o transbordamento dessa presença, e isso é sabedoria, não é conhecimento. Assim se você relaxa em seu ser, naquilo que é você, tudo mais acontece, como um transbordamento dessa única Presença. 

É isso. É isso aí.


Transcrição de uma fala em Satsang ocorrida em  03 de Novembro de 2012 em Itaquaquecetuba - SP

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