domingo, 19 de maio de 2013

Satsang - Que tudo come tudo, come




Satsang noturno do dia 18/05/13 em Uberlândia / MG

(Participante) - Mas eu acredito que o ser humano, as pessoas evoluem. Tem a evolução. E a evolução é através desse mecanismo, não é?

(Marcos) - Evolução de quê? Evolução humana, biológica?

(P) - Eu acredito que Deus está se autoconhecendo. Algum fundamento, algum propósito tem isso tudo.

(M) - Agora você fez uma salada. Tem um fundamento: é a brincadeira de Deus. O propósito é esse. E o que você chama de evolução é só evolução biológica. E essa evolução biológica requer cortes, requer mudanças, mortes, muitas mortes. Agora, a Consciência não evolui. Então, não se fala de evolução da Consciência. Presença não evolui. Presença É. Então, não se fala de evolução de Deus. Não tem nenhum propósito nisso aqui, isso é só uma brincadeira divina. Na verdade, você está vivendo um sonho.

(P) - Então quem acorda? Você diz que é uma brincadeira...

(M) - Não tem quem acorde.

(P) - Ou será que Ele está experimentando?

(M) - Experimentando o quê? A Si Mesmo?

(P) - Experimentando ter uma experiência humana.

(M) - Isso, Ele resolveu brincar de gente, brincar de humano. Só que Ele não brinca só de ser humano. Ele brinca de ser vegetal, animal... Só que no ser humano Ele diz: sabe de uma coisa, eu vou brincar também de agora ser Deus. Aí ele acorda. O que a gente chama de acordar é: agora Ele brinca de ser Deus. Antes ele brincava de ser humano. Ele nunca deixou de ser Deus, Ele está brincando. Só que num ser humano, ele diz: especificamente nesse mecanismo aqui Eu vou brincar de ser Deus. Aí Ele acorda. E quando Ele acorda, Ele se livra dessa necessidade de ser um ser humano. Aí Ele olha o mundo a partir do que Ele é. E no que Ele é, tudo é um grande sonho, uma grande brincadeira.

(P) - Mas enquanto Ele não olha...?

(M) - Enquanto Ele não olha tem essas contradições todas: matar, morrer... Essas contradições todas estão enquanto Ele não olha, enquanto a mente está olhando. Depois que Ele vê, Ele viu. A nossa preocupação é mental, só enquanto a mente está presente. Nesse estado de vigília nosso, nós olhamos para o mundo e vemos o mundo com uma ótica que nos foi dada. "Olha, estão destruindo o planeta." Isso tudo é uma crença que nos foi dada. "Estão acabando com a água do planeta." Isso é uma crença. "Mas tem estudos que provam." Esses estudos também são uma crença. Isso está tudo na mente. A mente está vendo, a mente está criando, a mente está descobrindo, a mente está se certificando disso tudo.

Agora, sem a mente, nada disso é real. Isso é real para a mente, na mente, com a mente. Pela mente. Aí isso é real. Agora, sem a mente, quem fica para se preocupar com a destruição do planeta? No sono profundo você tem preocupação com a destruição do planeta? Quando você está completamente livre de qualquer identificação com qualquer pensamento de planeta, tem planeta algum sendo destruido?

(P) - Não.

(M) - Então, onde é que está isso? Está na mente. Na mente que se ocupa com um planeta que construiu e que agora está preocupada em não destruir. Agora, quem está ocupado com isso? Será essa Presença, essa Consciência, que vê isso tudo como um sonho, ou será a própria mente, que dá a esse sonho uma realidade que é só dela? Isso responde tudo para você, sobre o meio ambiente, comer carne, não comer carne por questões éticas, morais e "espirituais". Esse é o ponto. Do ponto de vista biológico não. Se o seu corpo não se adapta a determinado tipo de comida, você coma outro tipo de comida.

Mas mesmo isso ainda é mental. É só um sonho. O corpo é um sonho, então ele come o sonho que lhe apraz, que lhe faz bem. Então, ele não se adapta com carne, come vegetais, outra coisa. Agora, que tudo na natureza come tudo, come. Que está tudo comendo tudo, está. Que tudo está morrendo e nascendo, está. Que tudo o que aparece, aparece para desaparecer, aparece para desaparecer. E como isso vai desaparecer não importa. Que vai desaparecer, vai. Que os bichos vão comer, vão. Se você não comer a carne, vai ter um outro bicho que vai comer a carne. Você pode passar a vida inteira sem comer carne, mas 
que vão comer a tua carne vão, porque ela é uma comida boa, é.

A natureza tem essa estrutura. É tudo comendo tudo tempo todo. E não tem nada errado nisso, porque é um grande sonho de Deus essa coisa de tudo come tudo. Deus quer sonhar assim, fazer o quê? Se Ele não quisesse sonhar assim, ele sonharia diferente. Ele diria assim: tudo o que vier a existir, jamais deixará de existir. Mas não é assim. Tudo o que vem a existir desaparece. De uma forma ou de outra desaparece. É só uma questão de tempo e de forma de como aquilo vai desaparecer, mas que desaparece, desaparece. Tudo o que você vê morre. De uma forma ou de outra, morre.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Satsang: O Sagrado Espaço desta Ilimitada Consciência que é Você




Olá pessoal boa noite! Boa noite a todos! 

Estamos juntos esta noite para olharmos que tudo o que acontece é uma ação dessa Presença, estamos em mais um encontro em Satsang. 

Não é um encontro com uma fala, não é o encontro com palavras, não é o encontro com uma personalidade que nos motiva, nos entusiasma, que nos incentiva, não é o encontro com um palestrante, não é um encontro filosófico, religioso, espiritual, místico. 

Satsang é um encontro com esta natureza divina que somos, é um encontro com este silêncio, com esta verdade de cada um de vocês, de cada um de nós, assim não estamos aqui para discutir, debater, afirmar ideias, permutar palavras, ver confirmado ou procurar confirmar nossas crenças, nossos julgamentos, nossas opiniões, estamos simplesmente diante do silêncio que é Presença, que é Ser, que é Consciência, que é ausência do sentido de uma entidade separada. 

Em toda parte temos a oportunidade de aprender, de trabalhar pelo crescimento, pela evolução, pelo aprimoramento, pelo aperfeiçoamento. É curioso, mas Satsang não tem nada disso. É o único espaço onde só o que importa é o próprio espaço. 

Aquilo que importa em Satsang não é aquilo que acontece no Satsang, a fala é o que acontece, quando estamos num encontro presencial, o olhar acontece, os gestos, a movimentação no espaço físico, as perguntas e as respostas, o momento em que também ficamos quietos fisicamente, em silêncio verbal, isso tudo é o que acontece nesse espaço, mas não é o que acontece nesse espaço que importa, curiosamente não é o que acontece de um modo geral, estamos sempre enfatizando o que acontece, ocupados com o que acontece, dando importância com o que acontece,  nos preocupando com o que acontece. Há uma cobrança muito forte, mental, acerca disso, mas eu quero repetir isso para você não é o que acontece nesse espaço, o que nos interessa em Satsang é:  Aonde isso acontece, cada vez que nos encontramos, nós estamos olhando para isto, estamos olhando para o próprio espaço, não o que acontece no próprio espaço, é onde acontece aquilo que, acontece.

A mente é movimento, que se move no tempo. Toda ação acontece no tempo. O pensamento acontece no tempo, as intenções, os motivos, as razões se cumprem no tempo e tudo isso são acontecimentos no espaço, nós queremos aqui enfatizar a importância do próprio espaço aonde tudo acontece. 

O espaço não evolui, o espaço mesmo não se amplia, não cresce, não tem um movimento nele, nenhum objetivo, nenhuma direção, verticalmente ou horizontalmente, é apenas o espaço, é este espaço que enfatizamos em Satsang, é nele aonde tudo acontece e, é isso que nos interessa nesse encontro, nos atentarmos para isto, para este espaço. 

Este espaço é Pura Consciência, Pura Presença, é a realidade do seu Ser. É onde sensações aparecem, emoções aparecem, sentimentos aparecem, é onde as percepções sensoriais surgem, é aonde os pensamentos, os acontecimentos mais do que esta fala, é um momento de silêncio que aponta para este espaço, é o que importa. Agora mesmo fique vulnerável, aberto, sensível ao espaço, não se prenda a nenhum movimento no espaço, não se prenda a sensações, a sentimentos, a pensamentos, a percepções sensoriais, tudo está passando, enquanto que este espaço se mantém inalterado, intocável, imovível. Este espaço é silêncio, este espaço é meditação, este espaço é Ilimitada Consciência, que é Ser.

Todas as falas nossas estão apontando para este silêncio, é o uso da expressão verbal, é o uso da palavra para irmos além da expressão verbal, para irmos além da fala, para irmos além da palavra. Para atentarmos para aquilo aonde a palavra ocorre, aonde a palavra acontece, palavra é apenas movimento de pensamentos, pensamento verbalizado nós chamamos de palavra, mas o pensamento aparece e depois desaparece e, algo permanece sem qualquer alteração, sempre presente, que é o silêncio, este espaço onde a fala acontece. Ser é basicamente isto, simplesmente isso, é essa liberdade de Pura Consciência desidentificada daquilo que vem e vai, daquilo que surge, daquilo que se movimenta nesse espaço, nessa Presença. 

Nós temos ao longo de todo este tempo nos identificado com o movimento. Assim nos esquecemos do espaço, nos identificamos com os móveis, dentro de um ampla sala, repare que os móveis podem mudar de lugar em uma sala e, a impressão que se tem, é que o espaço se torna maior ou menor por conta da posição desses móveis, desses objetos, na posição em que eles estão dentro desta sala. Mas há algo que nos escapa quando estamos olhando para uma sala, sempre nos atentamos para os móveis, para a posição deles, da mesma forma a mente significa este movimento dos móveis, a posição dos móveis, nunca nos atentamos para o espaço da sala e, sim para os móveis, móveis são os nossos interesses, a mesa, o sofá, e tudo o mais dentro dessa sala, da mesma forma o nosso interesse tem se voltado para aquilo que aparece como ocupação nesse espaço, e não para o espaço em si. 

Assim estamos ocupados com aquilo que vem e vai, com aquilo que sofre mudanças, com aquilo que está alterando, mudando o tempo todo. Por isso estamos perdidos nessa identificação com o movimento na consciência, que é o movimento desses objetos, nesse espaço, assim nos identificamos com o corpo e com a mente, assim nos identificamos com sentimentos, com emoções, com sensações, com pensamentos, e com todas as reações dessa mente. Isto está acontecendo nesse ilimitado espaço que é Pura Presença, que é Consciência, que é Ser. 

Seu estado verdadeiro, seu estado natural, nós estamos ocupados exatamente com isto, o seu trabalho, é o trabalho da própria Presença, da Própria Graça, da própria Consciência atentando para ela mesma. Se desidentificando daquilo que aparece e desaparece nesse espaço.

Eu diria para você; apenas deixe tudo ser o que é, e você permaneça nesse lugar, nesse espaço, como essa Presença que testemunha. Quando esta Presença que testemunha assume o lugar dela, tudo o que aparece nesse espaço ainda é Presença, assim aquilo que é testemunhado como movimento ainda é parte dessa Presença, tudo é parte dessa Presença, quando não nos confundimos com aquilo que aparece, quando não nos confundimos com o movimento na consciência, somos Presença, somos Consciência desidentificada e ao mesmo tempo, somos tudo que aparece e desaparece nessa Consciência desidentificada. 

Já não há mais conflito, medo, não há mais desordem, porque não há mais a ilusão, a crença no sentido de uma identidade, identificada com o corpo e a mente, identificada com aquilo que vem e vai, identificada com essas aparições e com essas mudanças dentro deste espaço. 

Percebam que quando falamos de realização, falamos do despertar, iluminação, estamos falando desse estado natural, livre de toda forma de identificação errônea, equivocada, a identificação com o corpo e a mente, na ilusão do sentido de uma identidade dentro do corpo e um mundo fora do corpo, separados. 

Seu estado natural é realização, e seu estado natural é aquele no qual tudo aparece e desaparece sem a ilusão de uma identidade nisso, que vem e vai. Isto é Ser, é Presença, é Consciência, é Realização. Isto é meditação. Meditação não é algo separado do seu estado natural, de alguém que como meditador pode fazer, e depois que para de fazer, o meditador desaparece e a mente volta de novo, quando o meditador aparece a mente é aquietada e, quando o meditador desaparece a mente volta de novo, meditação não é isso. 

Meditação é ausência da ideia de uma identidade que pratica qualquer coisa, essa identidade que pratica vem e vai, como a mente vem e vai. Essa meditação que está presente e não está presente é algo que vem e vai, estamos falando da clara constatação desse espaço, que é pura Consciência desidentificada de tudo que vem e vai, isto é meditação, seu estado natural, seu estado verdadeiro, seu estado real.

Liberação é isso, libertação é isso, não há alguém na libertação, é só libertação. Não há alguém na realização, é só realização. Não há alguém desperto, e só o despertar. Não há alguém dentro ou fora, há somente este espaço no qual o dentro e o fora aparecem, eles surgem nesse espaço. Corpo e mente estão dentro deste espaço, não é esta presença, esta consciência que está dentro de você, é você como corpo e mente dentro dessa Consciência, dessa Presença. Como corpo-mente dentro dessa Ilimitada Consciência, dentro dessa ilimitada Presença que é a testemunha. E assim corpo e a mente estão dentro de você e não você dentro do corpo e da mente.  

Tudo está dentro desse espaço. Tudo aparece e desaparece nesse espaço. Isto é Consciência, isto é Presença, isto é Ser, isto é Realização. 

Ok? E é só isso. É isso aí.




Satsang realizado no Paltalk na noite de segunda feira dia 13 de Maio de 2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

OS NOSSOS PRÓXIMOS ENCONTROS PRESENCIAIS EM UBERLÂNDIA, SÃO PAULO E RECIFE




OS NOSSOS PRÓXIMOS ENCONTROS PRESENCIAIS


EM UBERLÂNDIA
EM MAIO 18 E 19




EM SÃO PAULO
EM MAIO 25 E 26



EM RECIFE
JUNHO 01 E 02





sábado, 11 de maio de 2013

Satsang: O Que Significa este Presente Momento?





Deixa eu falar com vocês, nesses momento aqui. 

Se eu perguntasse a vocês o que significa este presente, qual significado tem este presente momento, isto porque, é muito comum nós ouvirmos alguém dizer que, este presente momento é tudo o que existe, a importância do presente, a importância do agora, a importância desse instante... Mas afinal o que é isso? Qual é o fundamento deste presente momento? Qual é base deste presente momento? O que significa este presente momento? Por que existe importância nesse presente momento? Por que tudo o que importa é este presente momento?

Tem algo aqui que seria bem interessante a gente perceber, há duas coisas aqui sobre isso. A primeira é que este presente momento, ele está acontecendo sem você, então é algo importante porque acontece sem você, e também é algo importante porque acontece com você. Soa bem paradoxal isto, falar deste presente momento acontecendo com você e sem você. E dizer que isto é importante justamente por isto, então vamos lá.

É importante porque acontece sem você, e é importante que acontece com você. É importante que aconteça sem você no sentido de, que você não tem nada haver com o que acontece, então qualquer resposta interna que você dê, qualquer aproximação que você tenha, qualquer posicionamento que tome com relação aquilo que está acontecendo agora, é algo que produz conflito, que produz sofrimento, que está baseado na existência de alguém envolvido nesse presente momento, e este alguém é o que sustenta este sentido de separação.

Então este momento presente, ele é fundamental, ele é importante, ele é essencial nesse sentido de compreensão daquilo que somos em nossa real natureza, e aí a gente entra nesse segundo ponto; porque o eu é importante? Porque nós estamos inteiramente presente nele, num sentido completamente diferente, no sentido de que nós somos a base que sustenta este presente momento como a pura consciência, este presente momento, naquilo que se revela nele, se revela nessa Presença, nessa Consciência que nós somos em nossa real natureza, e aqui fica mais uma razão pela qual, qualquer sentido de separação que tenha esta base, nesta existência, nessa luta, contra aquilo o que acontece, não tem sentido.

Então vamos lá, se não ficou assim claro, eu vou repetir isso de novo.  Toda a vida está acontecendo agora neste presente momento, e esta acontecendo nisso que é você, no entanto, sem este sentido de um você presente, quando você coloca esse sentido de um você presente nesse instante, a separação surge, o sentido de separação surge, de resistência, de luta, de tentar mudar, alterar, fazer algo diferente e isto é uma ilusão. Não existe este eu, este alguém, este você, então este você não está presente, o aparecimento dele é o surgimento deste conceito de mim, do ego, da mente separatista, de sofrimento. Ao mesmo tempo que este momento presente é impossível sem você, como essa Presença, como essa consciência que presencia, no qual isso tudo está acontecendo. 

E agora? Ficou claro?

Assim nós temos tudo o que nós precisamos. Tudo o que nós precisamos é isso que nós somos neste presente momento, em outras palavras; é aquilo que acontece nesse presente momento em nós, conosco, sem este sentido de alguém presente.

Todo sofrimento humano existe na ideia de que nós somos seres humanos. Nenhum animal na floresta ou nenhum animal tem a ideia de ser, um ser animal, nenhuma planta tem a ideia de ser, um ser planta, um ser vegetal. Ser é simplesmente ser, para um gato, ser é ser, para um pássaro ser é ser, para uma flor ser é ser, sem mesmo a ideia de ser qualquer coisa. Mas nós temos a ideia de ser, e aonde acontece essa ideia de ser? Acontece no intelecto, é o intecto de nomeia, é intelecto que classifica, é intelecto que denomina, que separa, que distingue, que avalia. Ser é simplesmente ser. 

Você não pode chegar a um animal e perguntar: Como é que você se sente sendo da espécie animal, você não pode chegar a um macaco e lhe dizer: Como é que você se sente sendo um macaco? Que tal ser um ser humano? Isto é ridículo, mas nós fazemos isso o tempo todo. O que é ser, um ser humano para você? Nós perguntamos para um outro da mesma espécie. Uma pergunta idiota, perfeitamente ridícula, aí o outro responde: Somos seres superiores, porque nós somos seres humanos. Não há ser humano, como não há ser vegetal, ser animal, como ser extra-terrestre, não existe nada disso. Ser é ser. E quanto menos você souber sobre isto, melhor. 

Em sono profundo você não tem nenhuma ideia de ser isso ou aquilo, e no entanto, você desfruta de uma profunda felicidade, aliás você se prepara da melhor forma possível, para entrar ou desaparecer com este ser que você acredita ser em sono profundo. Na meditação não há ser. Nessa inteireza desse estado de Presença, neste presente momento, não há qualquer ideia de ser.  A não ser que o corpo chame atenção em razão de alguma dor, de alguma desordem física, não há qualquer ideia "eu sou o corpo", que dirá "eu sou humano." Isto não existe.

Ser é pura e ilimitada consciência. E aqui eu falo dessa consciência sem qualquer ideia de uma consciência. Ser é puro ser, sem qualquer ideia de ser qualquer coisa. E isso é Presença, nesse presente momento, seu estado natural de ser, seu estado real. 

Assim, a dica aqui é: Você é isto que acontece nesse presente momento, não é alguém dentro dele, este presente momento é você. Em seu estado real, em seu estado natural, sem qualquer ideia de alguém desse você presente nele, de ser isto ou aquilo.

Essas falas nascidas em Satsang apontam para este estado natural, que é este estado que se revela nesse presente momento, e você é este estado natural, você é este presente momento. Assim a essência, o fundamento, a base deste presente momento, é essa consciência natural, real, puro ser, pura Presença impessoal. 


Satsang aberto realizado em Piabetá, município de Magé na Baixada Fluminense do Rio em 19 de Junho de 2012.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Satsang: Algumas Palavras Destruidoras





Lá vamos nós mais uma vez com algumas palavras destruidoras. Parece que aquilo que a gente mais considera como real, é visto por aquele que está acordado, como algo completamente insignificante, e é natural que a gente fique assustado com isto, sobretudo a princípio a gente reluta contra isto. Por exemplo; conquistar é uma bela palavra não é? Realizar é uma bela palavra, amar é uma bela palavra não é? Isso denota verbos positivos, e nós apreciamos muito esta coisa da positividade, nós investimos muito em descobrir como ser positivo. Como estarmos motivados para amar, conquistar e assim por diante, aí vem uma fala como essa e diz coisas, como as quais iremos dizer agora.

Esses verbos que são essas palavras aqui, não fazem o menor sentido real na vida, a vida não conhece isso, amar, conquistar, realizar, fazer, a vida não conhece isso. Isso é uma grande fantasia, você só emprega esses verbos e outros tão positivos, com um elemento ilusório por de trás deles, um elemento que não existe, é a ilusão de um eu para amar, para fazer, para realizar, para conquistar, aonde está este eu? Me mostre ele, a vida (aqui como sinônimo de existência), não tem eu em parte alguma, então não existe amar, realizar, conquistar, tudo somente acontece e isso é tudo, é a vida como ela é.

Eu comecei dizendo, vamos colocar algumas palavras destruidoras, aqui estão essas palavras sendo colocadas, destruindo esta base errônea, equivocada, que é o eu, que é a mente, destruindo esta ilusão, tudo está apenas acontecendo, suas decisões não servem para nada, porque elas não acontecem, só acontece o que a vida determina, não notaram isto ainda? Você faz planos, esse você é uma falsa identidade, é a ideia de alguém presente para amar, para conquistar, para realizar, para fazer, grande ilusão, tremenda ilusão. Você faz uma tempestade em uma quantidade de água muito pequena, de um um copo, dá para fazer uma tempestade, mas é somente a sua tempestade, não tem nada haver com o que é. A vida é o que é. 

É por isso que nós valorizamos o que o estado natural não valoriza, é por isso que nós apreciamos aquilo que o estado natural não enxerga, temos que olhar para isto. Você não se livra do eu, você constata a não existência dele, você não realiza seu estado natural, você constata a presença dele, e isto é realização, mas não tem alguém fazendo, é a existência, é a vida, o amor flui do "seu" coração para "outros" corações, e isto não é você amando é o amor acontecendo, isto é a vida, como ela é, não há você nisso. 

Isso é estar acordado, é não estar de forma alguma. Isto é amar, é amor acontecendo sem você. Isto é fazer, é o fazer acontecendo sem você, isto é realizar sem você realizando. A parte disso, fora disso, a ilusão da mente (mente aqui é sinônimo de falsa identidade, crenças mentais, de pensamentos acontecendo aí na sua cabeça), pensamentos como: Vou, farei, realizarei, amo, e assim por diante. 

Ser é simples, de uma simplicidade tão simples, e de tão simples simplicidade, que a mente não pode ver isso. Ela tem que complicar. Acordar é sair da multidão. A multidão vive sob uma hipnose, debaixo de uma hipnose, isso é um milagre, ainda é uma milagre divino, ainda é um milagre da graça, a hipnose do sono da multidão, mas é só uma hipnose. Ainda é uma ilusão, a multidão que dorme e os poucos que acordam, estar acordado é ver o jogo todo, esta grande brincadeira divina, da multidão e dos poucos, daqueles que dormem e do que significa estar acordado, mas no fundo é só uma coisa acontecendo. 

É como a chuva caindo na terra seca, castigada pelo sol, e a mesma chuva caindo no mar, ela alcança os dois campos, para a chuva não faz a menor diferença, se ela molha o seco, ou se ele se derrama sobre si mesma, que é a água do mar. Como soa isto para vocês? É só uma grande graça, uma forma de acontecer.

Você não é uma pessoa para realizar, para conquistar, para fazer, para amar. Você é o amor, é a realização, é a Presença, é a existência, é a vida, essa é a sua natureza real, é a sua identidade real, esse é o seu eu. O eu inclusivo e não o eu separado, mas um eu que é como a água da chuva que cai sem distinção, sem separação, sem escolha. Mas você não é uma pessoa, não tem alguém aí, uma simples notícia como essa é muito devastadora, é simples demais, não dá para ser visto, não pela mente. 

Toda essa base montada a milênios, que sustenta uma ficção, que tem sido afirmada e reafirmada, vez após vez, após vez, tem sido alimentada e realimentada, a mente se alimenta da mente, se eu lhe conto algo, eu chego a você e lhe conto alguma coisa, repare a facilidade que a mente tem de ter aquilo que eu conto para você, sem qualquer investigação da parte dela, como verdade, de imediato ela já captura aquilo, plasma um filmizinho e agora começa a passar aquilo para frente, como sendo verdadeiro, sem nenhuma menor sombra de dúvida, não é da natureza da mente questionar, é da natureza da mente manter o que ela construiu, não importa de que organismo tenha vindo, pode estar vindo do outro, mas não tem o outro, a mente é uma só, então a mente se realimenta de mente, é uma grande brincadeira tudo isto, compreende o que eu lhe dizendo? Qualquer coisa que eu venha lhe dizer, por mais aparentemente absurda que lhe pareça a princípio, mas em poucos segundos você já compra a ideia e fortalece a crença, aquilo pode ser uma mentira, até uma brincadeira que eu faça com você, eu lhe conto algo e a coisa assim... (gesto de algo se expandindo). 

Mente se alimenta de mente, mente é ilusão. Mente é sinônimo de imaginação. Você não lida com o que é, você só lida com a imaginação, identificado com a mente, com o que é você não pode fazer nada, não precisa fazer nada, não deseja fazer nada, não quer fazer nada, está perfeito ali aonde está o que é, e o que é, é vida, a existência já é você. 

É essa pressuposta realidade, é esse real (...), na verdade é só uma sobreposição mental, que está aí falsificando tudo, mantendo esta ideia, de um autor, de uma identidade, de uma pessoa, de alguém, que pode realizar, que pode amar, que pode fazer. 

Você em sua natureza real é existência, é vida, é ser. Você em sua realidade, você real, é sempre sem sopreposição, é sem qualquer ideia de realização, de amar, de fazer, tudo somente acontece como expressão daquilo que é você agora, aqui, nesse instante. 

Essa pseudo identidade se dilui nessa única realidade, essa pseudo realidade dessa falsa identidade é desconstruída, nesse olhar direto, de que o que é, é o que é, e não tem ninguém aí. É a onda sendo vista no mar, como sendo água. E não como algo tendo uma identidade separada do oceano. 

Então esses verbos, amar, servir, fazer, realizar, todos os verbos, carregados da ideia deste pronome pessoal eu, não tem qualquer realidade. 

Seu estado natural é carregado de tal presença, de tal completude, de tal totalidade, que não precisa de um pronome pessoal por de trás dele, compreendem isto? Não há escolha, você é amor, amor não tem escolha. Não é o amar ou o não amar, é só o amor. Não é o fazer ou o não fazer, é só o acontecer, e assim por diante. 

É bem curioso essas frases prontas, que infestam os livros como piolhos, essas frases nascidas da sentimentalidade, do emocionalismo ou do intelecto, frases que som tão bonitas, que despertam tão nobres sentimentos dentro de nós, o facebook está cheio delas. o facebook hoje é o livro dos livros, não é assim? E todas essas construções ainda estão na esfera da mente.

O real tem o perfume sagrado, o cheiro da Presença. Isto está além dos sentimentos, pensamentos e emoções. Não é uma construção da própria mente, é o transbordamento dessa presença, e isso é sabedoria, não é conhecimento. Assim se você relaxa em seu ser, naquilo que é você, tudo mais acontece, como um transbordamento dessa única Presença. 

É isso. É isso aí.


Transcrição de uma fala em Satsang ocorrida em  03 de Novembro de 2012 em Itaquaquecetuba - SP

terça-feira, 7 de maio de 2013

"A Importância do Satsang Presencial"




Tem algo aqui, que você não pode ter fora daqui, é a presença física, algo de grande relevância aqui para o corpo, mente, para este organismo, para este mecanismo que é expressão dessa Consciência... Que é uma aparição nessa Consciência...

Reparem no toque, o olhar, o silêncio e a fala; estamos falando em termos do "despertar", pois de outra forma não usaríamos este termo, estamos colocando de um modo objetivo, de um modo prático. Você já É em seu Ser, mas não expressa no seu parecer, estamos falando do parecer, estamos falando da expressão e não da essência da natureza inata, intrínseca, é aqui que entra todo o trabalho. 

O trabalho não é neste que é inato, em sua natureza essencial, mas é em sua expressão. O trabalho não é no "mar" e sim nas "ondas." Você como onda na forma é o mar sem forma. Na essência puro Ser, pura Presença, na expressão fazendo jus a isto. Realização é a expressão na forma da essência inata, do mar nas ondas. É aqui que entra o trabalho.

Precisam estar dispostos, precisam desses momentos de investigação, de meditação, de disposição de não fazer, de se render ao que é. Nada como estar fisicamente, presencialmente, nessa disposição de investigação, de meditação e de entrega. É o que temos aqui em encontros presenciais. 

Satsang não é um encontro com o invisível, com o imaterial, com o místico, com o oculto, com o secreto. Satsang é um encontro com o que é. E o que é tudo inclui. O aparente e o não aparente, a aparição e aquilo no qual a aparição surge. Despertar é a manifestação da Presença inata na aparição, na aparência, na verdade uma só e mesma coisa, a onda é o mar, parece onda, mas é o mar, percebem isso?

Satsang é o fim da ilusão, da crença em uma existência separada. Eu, mundo e Deus; eu discípulo, ele mestre. É o que temos aqui, não há qualquer separação. 

Uma vez livre da ilusão, que é esta crença de ser o corpo, não faz diferença, mas enquanto se mantém a ilusão da crença "eu sou o corpo", é importante esses encontros presenciais. Afirmar a não necessidade desses encontros enquanto se mantém de forma hipnótica, sutil, a ideia: Eu decidindo, eu realizando, eu no controle,  enquanto isto se mantém qualquer afirmação, acerca do que se faz necessário ou não, é só mais uma crença.

Você não é corpo, você não é a mente, isto é só uma afirmação verbal, como essas qualquer outras afirmações. Abandonem essas afirmações, abandonem essas crenças, abandonem esses julgamentos e opiniões, são meros conceitos, mais uma viagem no sentido do eu, deste assim chamado "ego" (mente egoica). 

Você é Satsang, afirmar isto não basta, quando não houver mais nenhuma afirmação verbal sobre isto, mas uma direta constatação além da fala, além das idéias, além das crenças que estiverem aí, não, não fará nenhuma diferença, presencialmente ou não presencialmente, mas quando isto acontece já não há mais decisões. 

É isto que nós temos aqui e isto chama-se Satsang presencial. 



Fala em um encontro presencial ocorrida no Rio de Janeiro, dia 28 de abril de 2013

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