quinta-feira, 18 de abril de 2013

Satsang: "A Essência de Toda Manifestação"








Nada antigo e nada novo. Nada presente e nada oculto. Aquilo que torna tudo possível mantém cada coisa como sendo isso, isso que se apresenta dessa forma, e aqui qual é o nosso real interesse? Nosso real interesse é essa simples visão direta, de que tudo é uma só coisa, de que tudo isso que nos parece ser uma grande diversidade é apenas uma única Presença, se manifestando de forma diversa e variada.

Isso torna tudo mais interessante. Porque nada e coisa alguma é mais importante que outra, porque tudo é uma única Presença se manifestando; nesse sentido não existem coisas animadas e inanimadas, vivas e mortas, seres sensíveis e insensíveis. Isso que estamos colocando não é uma filosofia, é um fato que pode ser facilmente vivenciado nessa única coisa... Como só existe ela, você é essa única coisa. E é aí que isto é visto.

A beleza disso é o final de todo conflito. Porque não existe mais qualquer divisão ou qualquer separação.

Não existe o eu e o não eu, a mente e a não mente, isto e aquilo, o espiritual e o material, a realização e a não realização, a iluminação e não iluminação... Agora mesmo, experimente apenas ouvir o som, sem qualquer intervenção mental, qualquer interferência de pensamentos aí. Mesmo se surgir algum pensamento, não de crédito, não valorize, não dê importância, fique apenas nisso que é o ouvir.

Nele podemos ouvir qualquer coisa, como uma porta batendo, por exemplo, ou o toc, toc, toc de alguém do lado de fora, precisando ser atendido por você que está do lado de dentro da casa, batendo na sua porta. Tem um chamado aí, isto fica muito claro, mas você não interpreta um som como este.

Você não lhe impõe qualquer outro significado é um simples e direto chamado e você abre a porta.

Eu quero convidá-los esta noite, neste instante, neste momento, mesmo sem saber o que você tem do lado de fora. Não interprete o som, é apenas um convite para que esta porta seja aberta.

A realização é a constatação de uma porta que se abre. A coisa sempre esteve aí, sempre esteve ali. O chamado sempre esteve acontecendo. É o chamado para o reconhecimento daquilo que é você. Por esta presença, nesta Presença.

É de fato maravilhoso essa oportunidade de encontro com a verdade que somos, nesse abrir a porta, nesse atender este chamado. É curioso porque um toque como este, que não tem qualquer outro significado a não ser este, para uma simples constatação daquilo que está aí presente, nos leve, ou nos traga, ou nos coloque, e isto que é curioso, diante desta única realidade presente com esta única coisa. com diversas formas de expressão e manifestação. Nenhuma separação. Nenhuma divisão, nenhum conflito.

Tenho para mim que é fundamental deixarmos completamente de lado as nossas interpretações, a falsificação de nossas conclusões, de nossas análises, para simplesmente estarmos aqui neste momento, dispostos a isto. A isto que é a Única Realidade. A única coisa.

Acompanham isto?

Quando há esta observação direta daquilo que aqui se apresenta, descobrimos que não há qualquer outra coisa além disso. É essa Ilimitada Presença, ilimitada consciência, verdade, ou qualquer nome que queiramos dar para isto. Sem este elemento que divide, separa, escolhe, qualifica, classifica, nomeia, que é o pensamento. Sem o pensamento, nessa visão do que está presente neste instante. As formas não são importantes aqui, a aparência de cada coisa não tem qualquer importância aqui. Porque não há nada acontecendo separado.

Este ouvir desta forma, este olhar desta forma, esta disposição de sentir dessa forma, é o que eu chamo de real experimentar, este real experimentar não é alguém experimentando, e só um vivenciar direto, um vivenciar disto que se apresenta agora, aqui, como isto que é.

Quando você está completo todo sofrimento termina, então você vivencia isto que é você como Pura Presença de alegria. Alegria é a natureza essencial de tudo que se apresenta, alegria é esta única coisa no cerne, no coração, por de trás de todas as aparições. Alegria é a expressão do sagrado, é a expressão do divino, só há uma coisa em todas as crianças, é alegria... É a alegria que se manifesta em brincadeira, a criança não brinca para ficar alegre, ela brinca porque está alegre.

A existência, toda ela é alegria. Quando você olha para alguns pássaros cantando, pousados no galho próximo de uma árvore, quando você vê a chuva caindo, o sol brilhando, as crianças correndo, as ondas do mar quebrando nas rochas, tudo o que temos sempre é uma manifestação, e esta manifestação da alegria é a alegria que brinca. O mais forte sinal de realização é essa profunda alegria.

Esta alegria que está presente na existência como a própria existência se manifestando, fica muito clara em seu estado real, seu estado natural, como esta única realidade, como esta única coisa.

E nesta noite, neste encontro, estamos diante dessa porta. A porta da alegria. O toque ou o convite desta realização que é a ciência, a certificação, o testemunhar dessa presença que é a essência de toda manifestação. Que é essa ilimitada presença, ilimitada consciência, que é alegria.

Outro nome para isto é felicidade. Esta é a verdade sobre cada um de nós, esta é a verdade de sua natureza. Você é isto. Escute, você é isto!

Essa mesma alegria, essa mesma paz, essa mesma felicidade, essa mesma liberdade, essa mesma completude de sua real natureza, é essa única coisa. Não há fora ou dentro, isto ou aquilo, tudo é somente isto. Esse indescritível silêncio. Não há nenhum motivo, nenhuma razão, nenhum porque para isto ser assim, isto é assim porque isto é assim.

Essa é a natureza de Deus. Por isso alguns sábios chamam tudo isto de uma grande brincadeira, exatamente porque tudo isto é a manifestação de uma Única Presença se manifestando, não há nada de fato sério. Nada sério.

Não há nada que pareça estar acontecendo e de fato não está acontecendo como a mente imagina, nada é como a mente acredita ser. A mente é esta seriedade que não existe na existência, nessa extraordinária e generosa graça que é tudo isso que está aí, ou que parece estar aí.

Todas as vezes que você vem nos ouvir, mais do que ouvir, eu espero que você apenas escutem isso que é você. Então este ouvir, já não tem qualquer importância, porque quando você escuta aquilo que é você, este ouvir, que é a minha proposta minha dentro dessas falas, é naturalmente realizada, é naturalmente cumprida. Naturalmente satisfeita.

Este ouvir é isso, é desfrutar desse instante, dessa Presença que é você. Que é alegria. Essa é a única coisa.

Seu estado de liberdade é o estado natural da alegria. O estado natural de se divertir. Quando você não percebe isto, esta assim conhecida vida, é só uma luta. Que você acredita porque confia na mente, porque se identifica com a mente, que lhe diz que você precisa lutar para ganhar, conquistar, ser, realizar, isto em razão dessa ilusão, que é a ilusão deste fundo, deste padrão, deste programa, dessa confiança na ilusão do pensamento.

O conjunto disso é o que chamamos de mente. O conjunto, o resultado de tudo isso. Toda essa atitude e postura centrada nesse padrão condicionado.

Nós estamos neste encontro, nesta noite, apenas quietos, observando esta desconstrução. Observando a inutilidade disso tudo. Por isso sempre o enfoque, estamos sempre focando nisso. Colocando para cada um de vocês presentes, a importância, sempre e sempre, de ficarem com o simples, com o natural, e o natural é o sentir.

Sentir esse instante. Sentir qual é a proposta de uma fala como essa. Não se trata de entender isso, o entender é muito artificial, muito mecânico, muito superficial, o sentir é algo muito mais simples, direto, profundo e que representa a proposta nossa aqui nesse encontro, nessa fala esta noite.

Iso deixa muito claro porque este silêncio, que é esta Presença, nos toca de uma forma leve e graciosa, e esta alegria é vivenciada aqui nesse instante, essa alegria de ser, nessa leveza de ser, nessa graça de ser.

Então fica claro que só há uma coisa. É esta presença, com suas múltiplas formas, aparências, aparições, nomes diferentes, cores diferentes, mas aqui estamos diante disso. Disso que não muda, disso que aparece desta forma e daquela forma e da outra, e na verdade é uma só coisa. Que é você.

Toda essa procura para o lado de fora, tudo isto é uma grande bobagem, uma grande ilusão, não existe nada do lado de fora, não existe nada fora dessa Presença, dessa consciência, desta única realidade que é você, o inferno está aí e o céu também.

O chamado material e o imaterial. Aquilo que é chamado por ser conhecido e aquilo que não tem nome, porque não pode ser definido, isto também está aí. Tudo o que juntos fazemos nesses encontros, é reconhecermos a arte de Ser. E reconhecer a arte de Ser é se abandonar ao que é.

Deixando todo o sentido de uma falsa identidade, este é o fim do ego, do mim, da pessoa. Quando digo o fim, é o fim dessa crença que assume essa falsa posição, tomando este lugar, o lugar dessa verdade, dessa paz, dessa felicidade, dessa alegria. Porque nesse instante você esquece quem é você. Nesse instante você se separa como sendo alguém ou alguma coisa, de tudo isso que se apresenta agora aí a sua volta.

Aqui nós temos o fim dessa ilusão. E isso é o fim do sofrimento. Pura alegria. Pura celebração. Nesse momento seus olhos estão brilhando, nesse momento há um sorriso nos seus lábios, de olhos fechados ou de olhos abertos, nesse instante eu olhar é para esta única direção, para este único lugar, para esta única e imutável presente realidade.

A essência e o cerne de tudo.

Nem mesmo espero que você me diga que isto faz sentido. Isto não precisa fazer sentido, isto só precisa ser sentido. Basta isto. Sinta isto. Vivencie isto agora nesse instante.

Esse é o seu estado real, você é o sagrado, você é o divino, você é a verdade.

Você é esta alegria sem razão. Isto não precisa fazer sentido, basta ser sentido, vivenciado. Esqueçam o intelecto, ele não serve para isto, aqui ele não tem qualquer importância, absolutamente, não serve para nada aqui. Ficamos tão confusos, tão desorientados, perplexos quando mergulhamos no mar de idéias, de conceitos, quando adentramos nessa floresta de palavras... Nos sentimos perdidos. Dê um salto para fora disso. Coloque o seu coração para vivenciar isto que é você porque o seu intelecto não pode, ele não tem condições.

O seu coração é amplitude ilimitada, o seu intelecto é uma caixinha de fósforos.

Apenas uma caixinha de fósforos. Por isso sempre quando estivermos presente nesses encontros, não tente ajustar isto a tudo o que você já leu, a tudo o que você anda estudando, isto seria como tentar colocar isto dentro dessa caixinha de fósforos que é o seu intelecto.
Não se aborreça comigo, o que estamos dizendo é que o intelecto é limitado, é a natureza da mente, e o intelecto é parte também dessa mente.

Algo que tem o seu lugar mas apenas o seu lugar, e o seu lugar não é aqui, nessa constatação da maravilha, do êxtase, da celebração, do festejo, da música e da dança que acontece na alegria.

Ou o coração entra nisso ou você jamais conhecerá isso. Não importa a grande quantidade de informações adquiridas, a quantidade de livros que já foram lidos, as palestras e falas que foram ouvidas. Nada disso tem qualquer importância. Eu não me importo se você é um palestrante, se você conhece todas as escrituras, todos os livros sagrados, tudo o que já disse fulano, beltrano, Buda, Jesus, Ramana ou qualquer outro, tudo isto ainda está dentro da caixinha de fósforos.

É isso aí, apenas isso! Relaxem em sua real natureza, adentrem o seu coração e descansem aí.
E aí a sua alegria se mostra, seus olhos brilham, sua alegria está em seus lábios, a alegria de Ser é a arte da suprema felicidade.

Esta é a fala da noite de hoje, espero que tenham acompanhado com o coração o que foi colocado, ok?




Satsang realizado via Paltalk na noite de 17 de Setembro de 2012

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